{"id":2504970,"date":"2021-09-24T09:25:00","date_gmt":"2021-09-24T09:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2504970.html"},"modified":"2026-05-13T15:08:32","modified_gmt":"2026-05-13T15:08:32","slug":"centenario-de-paulo-freire-ii-a-escola-deve-intervir-na-realidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2504970","title":{"rendered":"Centen\u00e1rio de Paulo Freire II: A escola deve intervir na realidade"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-09-24.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22163072_F9Eo8.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em setembro comemora-se o centen\u00e1rio de nascimento do humanista e pedagogo brasileiro Paulo Freire (19 de setembro de 1921 \u2013 1997), fonte de inspira\u00e7\u00e3o quando se pensa a educa\u00e7\u00e3o e a escola \u2013 e a biblioteca \u2013 em liga\u00e7\u00e3o a um prop\u00f3sito social, de liberta\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o, individual e coletivo, face \u00e0 opress\u00e3o\/ autoritarismo e mentira\/ desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Da experi\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o de adultos ao Plano Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, cuja implementa\u00e7\u00e3o inicia em 1964 e \u00e0 sua vasta obra, da qual se destaca <em>Pedagogia do Oprimido<\/em>, de 1974, h\u00e1 tr\u00eas ideias que destacamos porque podem ajudar \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da escola \u2013 e da biblioteca \u2013 na comunidade e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o. Ontem, apresentamos uma dessas ideias, hoje, damos continuidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cQuero aprender a ler e a escrever\u201d, disse uma analfabeta do Recife, \u2018para deixar de ser sombra dos outros.\u2019\u201d <strong>1<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O <strong>modelo de educa\u00e7\u00e3o contextualizado <\/strong>proposto por Paulo Freire, apresentado na publica\u00e7\u00e3o de ontem, <strong>\u00e9 libertador<\/strong> porque incentiva a a\u00e7\u00e3o transformadora baseada na reflex\u00e3o cr\u00edtica (praxis) que visa a supera\u00e7\u00e3o das formas de desumaniza\u00e7\u00e3o\/ desigualdade e de manipula\u00e7\u00e3o\/ aliena\u00e7\u00e3o, bem como a emancipa\u00e7\u00e3o\/ autonomia e realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na atualidade a dissemina\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o na internet, que p\u00f5e em causa democracia, liberdades e sa\u00fade p\u00fablica, faz com que os media seja um campo essencial de alfabetiza\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica. No contexto de utiliza\u00e7\u00e3o em massa da televis\u00e3o, afirma Freire: \u201cComo educadores e educadoras progressistas n\u00e3o apenas n\u00e3o podemos desconhecer a televis\u00e3o mas <strong>devemos us\u00e1-la, sobretudo, discuti-la<\/strong>. N\u00e3o temo parecer ing\u00eanuo ao insistir n\u00e3o ser poss\u00edvel pensar sequer em televis\u00e3o sem ter em mente a quest\u00e3o da consci\u00eancia cr\u00edtica. \u00c9 que pensar em televis\u00e3o ou na m\u00eddia em geral nos p\u00f5e o problema da comunica\u00e7\u00e3o, processo imposs\u00edvel de ser neutro. Na verdade, toda comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o de algo, feita de certa maneira em favor ou na defesa, sutil ou expl\u00edcita, de algum ideal contra algo e contra algu\u00e9m, nem sempre claramente referido<em>\u201d <\/em><strong>2.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Porque incentiva e acelera a consciencializa\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio de direitos e deveres, a equidade e justi\u00e7a social, <strong>a escola contribui para o bem comum e possui um prop\u00f3sito pol\u00edtico<\/strong> \u2013 \u201cNingu\u00e9m pode estar no mundo e com os outros de forma neutra. N\u00e3o posso estar no mundo de luvas nas m\u00e3os constatando apenas. A acomoda\u00e7\u00e3o em mim \u00e9 apenas caminho para a inser\u00e7\u00e3o, que implica decis\u00e3o, escolha, interven\u00e7\u00e3o na realidade\u201d <strong>3<\/strong>. Apresenta propostas pedag\u00f3gicas cooperativas, que mobilizam parcerias adaptadas \u00e0 vida dos alunos &#8211; fam\u00edlias, autarquia, bibliotecas municipais e institui\u00e7\u00f5es culturais, outras escolas e universidades, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, media e outras empresas \u2013 e que refor\u00e7am o seu envolvimento na sociedade (escola cidad\u00e3).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na perspetiva freiriana o professor \u00e9 um mediador que cria ambientes\/ contextos em que todos se sentem acolhidos para participar, partilhando opini\u00f5es, inquieta\u00e7\u00f5es, frustra\u00e7\u00f5es, desejos e esperan\u00e7as. Mais do que dar respostas, o papel do professor \u00e9 gerar quest\u00f5es\/ d\u00favidas, propor desafios, provocando a curiosidade \u2013 <em>\u201cComo professor devo saber que <strong>sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, n\u00e3o aprendo nem ensino\u201d <\/strong><\/em><strong>4 <\/strong>&#8211; e a necessidade de aprender \u2013 \u201c<em>Quando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indaga\u00e7\u00f5es, \u00e0s perguntas dos alunos, a suas inibi\u00e7\u00f5es; um ser cr\u00edtico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho \u2013 a de ensinar e n\u00e3o a de transferir conhecimento\u201d <\/em><strong>5<\/strong><em>. <\/em>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">1. Freire, P. (1967).<em> Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade <\/em><a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">2. Freire, P. (1996). <em>Pedagogia da autonomia: saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa.<\/em> <a href=\"https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/9.-Pedagogia-da-Autonomia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/9.-Pedagogia-da-Autonomia.pdf<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">3. Ibid.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">4. Ibid.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">5. Ibid.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da imagem: \u201cMural de Paulo Freire na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades da Universidade do B\u00edo-B\u00edo, Chile\u201d.<em>Wikipedia, a enciclop\u00e9dia livre.<\/em> <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Freire#\/media\/Ficheiro:Painel.Paulo.Freire.JPG\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Freire#\/media\/Ficheiro:Painel.Paulo.Freire.JPG<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro comemora-se o centen\u00e1rio de nascimento do humanista e pedagogo brasileiro Paulo Freire (19 de setembro de 1921 \u2013 1997), fonte de inspira\u00e7\u00e3o quando se pensa a educa\u00e7\u00e3o e a escola \u2013 e a biblioteca \u2013 em liga\u00e7\u00e3o a um prop\u00f3sito social, de liberta\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o, individual e coletivo, face \u00e0 opress\u00e3o\/ autoritarismo e mentira\/ desinforma\u00e7\u00e3o. Da experi\u00eancia de educa\u00e7\u00e3o de adultos ao Plano Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o, cuja implementa\u00e7\u00e3o inicia em 1964 e \u00e0 sua vasta obra, da qual se destaca Pedagogia do Oprimido, de 1974, h\u00e1 tr\u00eas ideias que destacamos porque podem ajudar \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da escola \u2013 e da biblioteca \u2013 na comunidade e \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o. Ontem, apresentamos uma dessas ideias, hoje, damos continuidade. \u201cQuero aprender a ler e a escrever\u201d, disse uma analfabeta do Recife, \u2018para deixar de ser sombra dos outros.\u2019\u201d 1 O modelo de educa\u00e7\u00e3o contextualizado proposto por Paulo Freire, apresentado na publica\u00e7\u00e3o de ontem, \u00e9 libertador porque incentiva a a\u00e7\u00e3o transformadora baseada na reflex\u00e3o cr\u00edtica (praxis) que visa a supera\u00e7\u00e3o das formas de desumaniza\u00e7\u00e3o\/ desigualdade e de manipula\u00e7\u00e3o\/ aliena\u00e7\u00e3o, bem como a emancipa\u00e7\u00e3o\/ autonomia e realiza\u00e7\u00e3o. Na atualidade a dissemina\u00e7\u00e3o de desinforma\u00e7\u00e3o na internet, que p\u00f5e em causa democracia, liberdades e sa\u00fade p\u00fablica, faz com que os media seja um campo essencial de alfabetiza\u00e7\u00e3o e cr\u00edtica. No contexto de utiliza\u00e7\u00e3o em massa da televis\u00e3o, afirma Freire: \u201cComo educadores e educadoras progressistas n\u00e3o apenas n\u00e3o podemos desconhecer a televis\u00e3o mas devemos us\u00e1-la, sobretudo, discuti-la. N\u00e3o temo parecer ing\u00eanuo ao insistir n\u00e3o ser poss\u00edvel pensar sequer em televis\u00e3o sem ter em mente a quest\u00e3o da consci\u00eancia cr\u00edtica. \u00c9 que pensar em televis\u00e3o ou na m\u00eddia em geral nos p\u00f5e o problema da comunica\u00e7\u00e3o, processo imposs\u00edvel de ser neutro. Na verdade, toda comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o de algo, feita de certa maneira em favor ou na defesa, sutil ou expl\u00edcita, de algum ideal contra algo e contra algu\u00e9m, nem sempre claramente referido\u201d 2. Porque incentiva e acelera a consciencializa\u00e7\u00e3o e exerc\u00edcio de direitos e deveres, a equidade e justi\u00e7a social, a escola contribui para o bem comum e possui um prop\u00f3sito pol\u00edtico \u2013 \u201cNingu\u00e9m pode estar no mundo e com os outros de forma neutra. N\u00e3o posso estar no mundo de luvas nas m\u00e3os constatando apenas. A acomoda\u00e7\u00e3o em mim \u00e9 apenas caminho para a inser\u00e7\u00e3o, que implica decis\u00e3o, escolha, interven\u00e7\u00e3o na realidade\u201d 3. Apresenta propostas pedag\u00f3gicas cooperativas, que mobilizam parcerias adaptadas \u00e0 vida dos alunos &#8211; fam\u00edlias, autarquia, bibliotecas municipais e institui\u00e7\u00f5es culturais, outras escolas e universidades, organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais, media e outras empresas \u2013 e que refor\u00e7am o seu envolvimento na sociedade (escola cidad\u00e3). Na perspetiva freiriana o professor \u00e9 um mediador que cria ambientes\/ contextos em que todos se sentem acolhidos para participar, partilhando opini\u00f5es, inquieta\u00e7\u00f5es, frustra\u00e7\u00f5es, desejos e esperan\u00e7as. Mais do que dar respostas, o papel do professor \u00e9 gerar quest\u00f5es\/ d\u00favidas, propor desafios, provocando a curiosidade \u2013 \u201cComo professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, n\u00e3o aprendo nem ensino\u201d 4 &#8211; e a necessidade de aprender \u2013 \u201cQuando entro em uma sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indaga\u00e7\u00f5es, \u00e0s perguntas dos alunos, a suas inibi\u00e7\u00f5es; um ser cr\u00edtico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho \u2013 a de ensinar e n\u00e3o a de transferir conhecimento\u201d 5. \u00a0 \u00a0 Refer\u00eancias 1. Freire, P. (1967). Educa\u00e7\u00e3o como pr\u00e1tica de liberdade https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/5.-Educa%C3%A7%C3%A3o-como-Pr%C3%A1tica-da-Liberdade.pdf 2. Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa. https:\/\/cpers.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/09\/9.-Pedagogia-da-Autonomia.pdf 3. Ibid. 4. Ibid. 5. Ibid. \u00a0 Fonte da imagem: \u201cMural de Paulo Freire na Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o e Humanidades da Universidade do B\u00edo-B\u00edo, Chile\u201d.Wikipedia, a enciclop\u00e9dia livre. https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Paulo_Freire#\/media\/Ficheiro:Painel.Paulo.Freire.JPG<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159],"tags":[],"class_list":["post-2504970","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2504970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2504970"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2504970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087575,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2504970\/revisions\/3087575"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2504970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2504970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2504970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}