{"id":2487371,"date":"2021-07-26T09:00:00","date_gmt":"2021-07-26T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2487371.html"},"modified":"2026-05-13T15:12:56","modified_gmt":"2026-05-13T15:12:56","slug":"conceitos-e-praticas-de-literacias-nas-bibliotecas-escolares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2487371","title":{"rendered":"Conceitos e pr\u00e1ticas de literacias nas bibliotecas escolares"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-07-26.png\" height=\"400\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22127352_GCpZm.png\" style=\"width: 800px; padding: 10px 10px;\" width=\"800\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #000000;\">Foto de <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/@askkell?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Andy Kelly<\/a>\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 10pt; color: #000000;\">em\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/unsplash.com\/s\/photos\/chid-technology-robot?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unsplash<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\">Comunica\u00e7\u00e3o apresentada no \u00e2mbito do\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\"><em>Congresso Internacional Literacias no S\u00e9culo XXI (ICCL2021)<\/em><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\">Portalegre \u2013 Portugal<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\">Sexta-feira, 16.07.2021.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt; color: #808080;\">Mesa Redonda <em>BOAS PR\u00c1TICAS EM LITERACIA E PROJETOS<\/em> (11:00 \u2013 12:00 \u2022 Room 29)<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Agrade\u00e7o em primeiro lugar o convite que me foi feito e \u00e9 com muito prazer que participo, em nome da Rede de Bibliotecas Escolares, nesta conversa de 15 minutos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A minha interven\u00e7\u00e3o pretende contribuir para a discuss\u00e3o, que vai se vai desenrolar a partir de agora, em torno da quest\u00e3o das boas pr\u00e1ticas em literacias e projetos. <br \/>Nesse sentido, falarei um pouco sobre a import\u00e2ncia do conceito de literacia, no contexto da sociedade do conhecimento, falarei tamb\u00e9m de pr\u00e1ticas de literacia, que t\u00eam vindo a ser dinamizadas pelas bibliotecas escolares, a n\u00edvel nacional, de um modo intencional, sistem\u00e1tico e sustentado. <br \/>Finalmente, recordarei a import\u00e2ncia de valores humanos e a import\u00e2ncia do papel das bibliotecas na forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos leitores, as quais no seu recente quadro estrat\u00e9gico, se anunciam como \u201cpresentes para o futuro\u201d e se mostram dispon\u00edveis para trabalhar com \u201cgente\u201d (sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, g\u00e9nero ou classe social) e a conectar as aprendizagens escolares a um novo ambiente cultural e tecnol\u00f3gico das gera\u00e7\u00f5es mais jovens.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sabemos que o impacto da revolu\u00e7\u00e3o cultural, operada pelo desenvolvimento das TIC, sobre a sociedade global e a vida quotidiana, no final do s\u00e9culo XX, se faz sentir de modo muito evidente na vida das escolas, particularmente no \u00e2mbito do ensino e aprendizagem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Vivemos naquilo a que se tem chamado de uma modernidade l\u00edquida, fluida, indeterminada ou qualquer outro adjetivo que se lhe acrescente. Esta modernidade, por for\u00e7a da ubiquidade das tecnologias digitais e da conectividade, tem mudado profundamente quase todos os aspetos das nossas vidas: a forma como comunicamos, como trabalhamos, como aproveitamos o nosso tempo de lazer, como organizamos a nossa vida, e como obtemos informa\u00e7\u00e3o ou criamos conhecimento. Tamb\u00e9m mudou a forma como pensamos e nos comportamos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O aparecimento do digital e a explos\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es trouxeram consigo a cibercultura e as comunidades virtuais, que criam um novo quadro contextual, fazendo surgir uma esp\u00e9cie de cultura sem fronteiras, de fluxos e de redes, e que imp\u00f5e ao ser humano novas dimens\u00f5es da sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, com o conhecimento, com a cultura, com os outros e consigo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Estes contextos, e outros similares, obrigam o indiv\u00edduo, a um esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria realidade. Obrigam-no a ser \u00e1gil no pensamento, a ser flex\u00edvel na resolu\u00e7\u00e3o de problemas e a desenvolver um conjunto de outras habilidades e destrezas, absolutamente essenciais \u00e0 vida do quotidiano, que v\u00e3o muito para al\u00e9m do saber ler, escrever ou contar. (N\u00e3o \u00e9 por acaso que hoje se fala em \u201caprendizagem ao longo da vida\u201d).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As crian\u00e7as e os jovens est\u00e3o a crescer num mundo onde as tecnologias digitais s\u00e3o ub\u00edquas. Eles n\u00e3o conhecem, nem conseguem reconhecer outra forma de viver. Isto n\u00e3o significa, por\u00e9m, que estejam naturalmente equipados com as compet\u00eancias adequadas para usar as ferramentas digitais de forma eficaz e consciente e para extrair significado de tudo o que s\u00e3o capazes de ler.<br \/>Da\u00ed serem t\u00e3o necess\u00e1rias as literacias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Hoje, a aventura j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mas a sua compreens\u00e3o. A literacia apresenta-se como um recurso b\u00e1sico da contemporaneidade. Por um lado, constitui-se como uma condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a reflexividade (seja no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, seja na possibilidade de aprender ao longo da vida, &#8230;) e, por outro, para o exerc\u00edcio de uma cidadania cr\u00edtica e participativa. O conceito est\u00e1 incutido daquilo a que Paulo Freire designa por \u201cleitura da palavra e leitura do mundo\u201d, numa perspetiva consciente e cr\u00edtica, pedagogicamente transformadora, como a\u00e7\u00e3o para o conhecimento e liberdade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas as nossas institui\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o muito um reflexo do per\u00edodo em que foram criadas. O modelo de sala de aula \u00e9 um bom exemplo disso. Essa decis\u00e3o sobre o design foi tomada h\u00e1 mais de 150 anos e, apesar de estar incorporada no contexto pol\u00edtico, econ\u00f3mico e social do s\u00e9culo XIX, ainda perdura, de certa forma, nos dias de hoje. <br \/>Torna-se, por isso, necess\u00e1rio, que a escola transponha o paradigma do ambiente do quadro negro (s\u00edmbolo dessa sala de aula) e que os professores, dotados de um conjunto de compet\u00eancias digitais, espec\u00edficas para a sua profiss\u00e3o, favore\u00e7am a cria\u00e7\u00e3o de ambientes, espa\u00e7os e formas de trabalho que rompam com aquele modelo escolar tradicional, e se implemente um credo pedag\u00f3gico mais favor\u00e1vel \u00e0 vida e \u00e0 realidade do s\u00e9culo XXI, permitindo ocorrer aquilo a que Ant\u00f3nio N\u00f3voa recentemente se referiu como a \u201cMetamorfose da escola\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A par dessa circunst\u00e2ncia, surge, tamb\u00e9m, a necessidade de conhecermos e de formarmos um novo tipo de leitor: o leitor <em>prossumidor<\/em>, ou seja, aquele que \u00e9 simultaneamente produtor e consumidor de textos multim\u00e9dia e que hoje transita pelas redes. Que gram\u00e1ticas e habilidades deve dominar? Que comportamentos \u00e9ticos na gest\u00e3o do conhecimento ou na intera\u00e7\u00e3o com os outros deve ter? Etc&#8230;<br \/>A compreens\u00e3o e o conhecimento deste perfil de leitor \u00e9 fundamental para se proceder a um ensino ancorado em estrat\u00e9gias e metodologias adequadas e eficazes para ajudar os alunos a moverem-se nesses contextos mais fluidos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Atenta a esta necessidade, e \u00e0queles contextos, a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), tem vindo a desbravar e a consolidar caminhos, no \u00e2mbito das literacias, por meio de diversas iniciativas e de parcerias em projetos de \u00e2mbito nacional.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O referencial <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/AcBE.html\"><em>Aprender com a Biblioteca Escolar<\/em><\/a>, \u00e9 um documento da RBE que foi publicado em 2012 e revisto em 2017, e constitui-se, hoje, como uma refer\u00eancia fundamental para o trabalho das bibliotecas escolares, no \u00e2mbito das literacias. <br \/>Tendo por destinat\u00e1rios os alunos de todos os ciclos de ensino, define conhecimentos, capacidades e atitudes\/ valores a promover nas \u00e1reas da Literacia da Leitura, dos <em>Media<\/em> e da informa\u00e7\u00e3o. <br \/>Para al\u00e9m de descritores de aprendizagem orientadores, para cada uma dessas \u00e1reas, prop\u00f5e tamb\u00e9m recursos e atividades, com vista a orientar as pr\u00e1ticas de ensino.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta publica\u00e7\u00e3o foi complementada com a cria\u00e7\u00e3o do s\u00edtio <em><a href=\"https:\/\/sites.google.com\/mail-rbe.org\/aprenderbe-rbe\/\">Aprender com a Biblioteca Escolar: Atividades e recursos<\/a><\/em>, com vista a auxiliar o trabalho das bibliotecas na implementa\u00e7\u00e3o do referencial e refor\u00e7ar o seu contributo no suporte \u00e0s aprendizagens, no apoio ao curr\u00edculo, no desenvolvimento da literacia digital, da informa\u00e7\u00e3o e dos <em>media<\/em>, na forma\u00e7\u00e3o de leitores cr\u00edticos e na constru\u00e7\u00e3o da cidadania.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A par desta iniciativa, a RBE tem apostado tamb\u00e9m num <a href=\"https:\/\/www.rbe.mec.pt\/np4\/projetos\/\">conjunto alargado de projetos<\/a> (31 em curso) que, desenvolvidos em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es, concorrem para a cria\u00e7\u00e3o de ambientes de aprendizagem, interativos, ricos e significativos.<br \/>Tais projetos orientam o desenvolvimento de pr\u00e1ticas, experi\u00eancias e\/ou atividades em m\u00faltiplas literacias, que t\u00eam vindo a ser dinamizadas, de forma cada vez mais reiterada pelas escolas e a ganhar um crescente interesse por parte dos alunos. <br \/>Destaco, apenas, alguns exemplos: o <em>Mi\u00fados a Votos<\/em> e o <em>Concurso Imagens contra a corrup\u00e7\u00e3o<\/em> s\u00e3o projetos que incentivam \u00e0 leitura e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica; o projeto <em>Conto contigo<\/em> aborda o desenvolvimento de compet\u00eancias de literacia emergente das crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar, atrav\u00e9s do refor\u00e7o das pr\u00e1ticas de literacia familiar; o projeto <em>R\u00e1dio Mi\u00fados<\/em> \u00e9 uma forma de incentivar os jovens \u00e0 frui\u00e7\u00e3o dos <em>media<\/em>; o <em>Cientificamente prov\u00e1vel<\/em>, ou o <em>WEIWE\u00aeBE<\/em> ou ainda o <em>Debaqi<\/em> s\u00e3o projetos que se dedicam ao desenvolvimento de compet\u00eancias de investiga\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. <br \/>Todos estes projetos, e muitos outros, t\u00eam contribu\u00eddo n\u00e3o s\u00f3 para o enriquecimento dos percursos formativos dos jovens, como, ainda, para mostrar o valor do papel da biblioteca no desenvolvimento de leitores mais entusiastas, mais aut\u00f3nomos e competentes, por via da sensibiliza\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e pr\u00e1tica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Termino a minha interven\u00e7\u00e3o, lembrando duas coisas:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">1\u00aa ideia<\/span><br \/>A biblioteca trabalha com gente. Gente mi\u00fada, jovem ou adulta. Gente que muda e que cresce. Gente capaz de afirmar ou negar valores, de criar ou transgredir. Gente curiosa, inteligente. Gente rica, gente pobre. Enfim, muita gente, diferente!<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\">2\u00aa ideia<\/span> <br \/>Citando Jacquinot-Delaunay, Lucia Santaella, recorda-nos que<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201ch\u00e1 valores humanos tradicionais que devem resistir \u00e0 corros\u00e3o do tempo. <br \/>A escola \u00e9 a grande transmissora desses valores, um lugar \u00e0 parte, em que se constroem progressivamente e de maneira formal e estruturante os saberes, as habilidades e o saber-ser que n\u00e3o podem ser elaborados em outras inst\u00e2ncias de socializa\u00e7\u00e3o. <br \/>Mas Isso n\u00e3o significa desconectar as aprendizagens escolares do novo ambiente cultural e tecnol\u00f3gico das jovens gera\u00e7\u00f5es\u201d (Santaella, pp.21-22)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Relembro tamb\u00e9m, que a leitura \u00e9, ela mesma, a grande arma no combate \u00e0s desigualdades, \u00e0s intoler\u00e2ncias ou \u00e0 exclus\u00e3o, e que a habilidade leitora \u00e9 aquela que melhor garante a defesa da dignidade da pessoa humana.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Finalmente, a biblioteca \u00e9 um lugar onde todos cabem e tamb\u00e9m \u00e9 um \u201cpresente para o futuro\u201d. Um presente que se sustenta na vis\u00e3o daqueles que \u201cacolhem, apoiam, colaboram, desafiam, transformam e empoderam as suas comunidades educativas\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Sabendo, no entanto, e parafraseando Tolentino Mendon\u00e7a, que;<br \/>\u201ch\u00e1 um passado maior do que n\u00f3s, um presente que \u00e9 nosso, e um futuro. E que n\u00f3s vivemos neste tr\u00e2nsito permanente.<br \/>N\u00e3o podemos viver obsidiados, simplesmente, pelo presente que temos ou n\u00e3o temos. Precisamos de olhar para o futuro. E esperar do futuro\u201d (Mendon\u00e7a: p.116)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Exatamente porque \u201ch\u00e1 o tempo. E que este n\u00e3o \u00e9 apenas o cron\u00f3metro que me faz correr, mas \u00e9 pensar de onde venho e para onde vou\u201d (Mendon\u00e7a: p.115) termino, convicta de que este tempo pode ser o momento para irmos ao encontro daquilo de que a escola verdadeiramente precisa e que \u201co respeito \u00e0 autonomia e \u00e0 dignidade de cada um \u00e9 um imperativo \u00e9tico e n\u00e3o um favor que podemos ou n\u00e3o conceder uns aos outros\u201d. (Freire, p.59)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Freire, Paulo (2007). <em>Pedagogia da autonomia: saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa<\/em>. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Mendon\u00e7a, J. Tolentino (2020). <em>O que \u00e9 amar um pa\u00eds. O poder da esperan\u00e7a<\/em>. Lisboa: Quetzal Editores<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Santaella, L. (2010). A aprendizagem ub\u00edqua substitui a educa\u00e7\u00e3o formal?<em> ReCeT: Revista de Computa\u00e7\u00e3o e Tecnologia da PUC-SP<\/em>\u2014 Departamento de Computa\u00e7\u00e3o\/FCET\/PUC-SP. Vol.2, N\u00ba1.17-22.\u00a0<a href=\"https:\/\/docplayer.com.br\/16554536-A-aprendizagem-ubiqua-substitui-a-educacao-formal.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/docplayer.com.br\/16554536-A-aprendizagem-ubiqua-substitui-a-educacao-formal.html<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto de Andy Kelly\u00a0em\u00a0Unsplash \u00a0 Comunica\u00e7\u00e3o apresentada no \u00e2mbito do\u00a0Congresso Internacional Literacias no S\u00e9culo XXI (ICCL2021) Portalegre \u2013 Portugal Sexta-feira, 16.07.2021. Mesa Redonda BOAS PR\u00c1TICAS EM LITERACIA E PROJETOS (11:00 \u2013 12:00 \u2022 Room 29) \u00a0 Agrade\u00e7o em primeiro lugar o convite que me foi feito e \u00e9 com muito prazer que participo, em nome da Rede de Bibliotecas Escolares, nesta conversa de 15 minutos. A minha interven\u00e7\u00e3o pretende contribuir para a discuss\u00e3o, que vai se vai desenrolar a partir de agora, em torno da quest\u00e3o das boas pr\u00e1ticas em literacias e projetos. Nesse sentido, falarei um pouco sobre a import\u00e2ncia do conceito de literacia, no contexto da sociedade do conhecimento, falarei tamb\u00e9m de pr\u00e1ticas de literacia, que t\u00eam vindo a ser dinamizadas pelas bibliotecas escolares, a n\u00edvel nacional, de um modo intencional, sistem\u00e1tico e sustentado. Finalmente, recordarei a import\u00e2ncia de valores humanos e a import\u00e2ncia do papel das bibliotecas na forma\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos leitores, as quais no seu recente quadro estrat\u00e9gico, se anunciam como \u201cpresentes para o futuro\u201d e se mostram dispon\u00edveis para trabalhar com \u201cgente\u201d (sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, g\u00e9nero ou classe social) e a conectar as aprendizagens escolares a um novo ambiente cultural e tecnol\u00f3gico das gera\u00e7\u00f5es mais jovens. Sabemos que o impacto da revolu\u00e7\u00e3o cultural, operada pelo desenvolvimento das TIC, sobre a sociedade global e a vida quotidiana, no final do s\u00e9culo XX, se faz sentir de modo muito evidente na vida das escolas, particularmente no \u00e2mbito do ensino e aprendizagem. Vivemos naquilo a que se tem chamado de uma modernidade l\u00edquida, fluida, indeterminada ou qualquer outro adjetivo que se lhe acrescente. Esta modernidade, por for\u00e7a da ubiquidade das tecnologias digitais e da conectividade, tem mudado profundamente quase todos os aspetos das nossas vidas: a forma como comunicamos, como trabalhamos, como aproveitamos o nosso tempo de lazer, como organizamos a nossa vida, e como obtemos informa\u00e7\u00e3o ou criamos conhecimento. Tamb\u00e9m mudou a forma como pensamos e nos comportamos. O aparecimento do digital e a explos\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es trouxeram consigo a cibercultura e as comunidades virtuais, que criam um novo quadro contextual, fazendo surgir uma esp\u00e9cie de cultura sem fronteiras, de fluxos e de redes, e que imp\u00f5e ao ser humano novas dimens\u00f5es da sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo, com o conhecimento, com a cultura, com os outros e consigo pr\u00f3prio. Estes contextos, e outros similares, obrigam o indiv\u00edduo, a um esfor\u00e7o de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria realidade. Obrigam-no a ser \u00e1gil no pensamento, a ser flex\u00edvel na resolu\u00e7\u00e3o de problemas e a desenvolver um conjunto de outras habilidades e destrezas, absolutamente essenciais \u00e0 vida do quotidiano, que v\u00e3o muito para al\u00e9m do saber ler, escrever ou contar. (N\u00e3o \u00e9 por acaso que hoje se fala em \u201caprendizagem ao longo da vida\u201d). As crian\u00e7as e os jovens est\u00e3o a crescer num mundo onde as tecnologias digitais s\u00e3o ub\u00edquas. Eles n\u00e3o conhecem, nem conseguem reconhecer outra forma de viver. Isto n\u00e3o significa, por\u00e9m, que estejam naturalmente equipados com as compet\u00eancias adequadas para usar as ferramentas digitais de forma eficaz e consciente e para extrair significado de tudo o que s\u00e3o capazes de ler.Da\u00ed serem t\u00e3o necess\u00e1rias as literacias. Hoje, a aventura j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mas a sua compreens\u00e3o. A literacia apresenta-se como um recurso b\u00e1sico da contemporaneidade. Por um lado, constitui-se como uma condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para a reflexividade (seja no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, seja na possibilidade de aprender ao longo da vida, &#8230;) e, por outro, para o exerc\u00edcio de uma cidadania cr\u00edtica e participativa. O conceito est\u00e1 incutido daquilo a que Paulo Freire designa por \u201cleitura da palavra e leitura do mundo\u201d, numa perspetiva consciente e cr\u00edtica, pedagogicamente transformadora, como a\u00e7\u00e3o para o conhecimento e liberdade. Mas as nossas institui\u00e7\u00f5es ainda s\u00e3o muito um reflexo do per\u00edodo em que foram criadas. O modelo de sala de aula \u00e9 um bom exemplo disso. Essa decis\u00e3o sobre o design foi tomada h\u00e1 mais de 150 anos e, apesar de estar incorporada no contexto pol\u00edtico, econ\u00f3mico e social do s\u00e9culo XIX, ainda perdura, de certa forma, nos dias de hoje. Torna-se, por isso, necess\u00e1rio, que a escola transponha o paradigma do ambiente do quadro negro (s\u00edmbolo dessa sala de aula) e que os professores, dotados de um conjunto de compet\u00eancias digitais, espec\u00edficas para a sua profiss\u00e3o, favore\u00e7am a cria\u00e7\u00e3o de ambientes, espa\u00e7os e formas de trabalho que rompam com aquele modelo escolar tradicional, e se implemente um credo pedag\u00f3gico mais favor\u00e1vel \u00e0 vida e \u00e0 realidade do s\u00e9culo XXI, permitindo ocorrer aquilo a que Ant\u00f3nio N\u00f3voa recentemente se referiu como a \u201cMetamorfose da escola\u201d. A par dessa circunst\u00e2ncia, surge, tamb\u00e9m, a necessidade de conhecermos e de formarmos um novo tipo de leitor: o leitor prossumidor, ou seja, aquele que \u00e9 simultaneamente produtor e consumidor de textos multim\u00e9dia e que hoje transita pelas redes. Que gram\u00e1ticas e habilidades deve dominar? Que comportamentos \u00e9ticos na gest\u00e3o do conhecimento ou na intera\u00e7\u00e3o com os outros deve ter? Etc&#8230;A compreens\u00e3o e o conhecimento deste perfil de leitor \u00e9 fundamental para se proceder a um ensino ancorado em estrat\u00e9gias e metodologias adequadas e eficazes para ajudar os alunos a moverem-se nesses contextos mais fluidos. Atenta a esta necessidade, e \u00e0queles contextos, a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), tem vindo a desbravar e a consolidar caminhos, no \u00e2mbito das literacias, por meio de diversas iniciativas e de parcerias em projetos de \u00e2mbito nacional. O referencial Aprender com a Biblioteca Escolar, \u00e9 um documento da RBE que foi publicado em 2012 e revisto em 2017, e constitui-se, hoje, como uma refer\u00eancia fundamental para o trabalho das bibliotecas escolares, no \u00e2mbito das literacias. Tendo por destinat\u00e1rios os alunos de todos os ciclos de ensino, define conhecimentos, capacidades e atitudes\/ valores a promover nas \u00e1reas da Literacia da Leitura, dos Media e da informa\u00e7\u00e3o. Para al\u00e9m de descritores de aprendizagem orientadores, para cada uma dessas \u00e1reas, prop\u00f5e tamb\u00e9m recursos e atividades, com vista a orientar as pr\u00e1ticas de ensino. Esta publica\u00e7\u00e3o foi complementada com a cria\u00e7\u00e3o do s\u00edtio Aprender com a Biblioteca Escolar: Atividades e recursos, com vista a auxiliar o trabalho das bibliotecas na implementa\u00e7\u00e3o do referencial e refor\u00e7ar o seu contributo no suporte \u00e0s aprendizagens, no apoio ao curr\u00edculo, no desenvolvimento da literacia digital, da informa\u00e7\u00e3o e dos media, na forma\u00e7\u00e3o de leitores cr\u00edticos e na constru\u00e7\u00e3o da cidadania. A par desta iniciativa, a RBE tem apostado tamb\u00e9m num conjunto alargado de projetos (31 em curso) que, desenvolvidos em parceria com outras institui\u00e7\u00f5es, concorrem para a cria\u00e7\u00e3o de ambientes de aprendizagem, interativos, ricos e significativos.Tais projetos orientam o desenvolvimento de pr\u00e1ticas, experi\u00eancias e\/ou atividades em m\u00faltiplas literacias, que t\u00eam vindo a ser dinamizadas, de forma cada vez mais reiterada pelas escolas e a ganhar um crescente interesse por parte dos alunos. Destaco, apenas, alguns exemplos: o Mi\u00fados a Votos e o Concurso Imagens contra a corrup\u00e7\u00e3o s\u00e3o projetos que incentivam \u00e0 leitura e \u00e0 participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica; o projeto Conto contigo aborda o desenvolvimento de compet\u00eancias de literacia emergente das crian\u00e7as em idade pr\u00e9-escolar, atrav\u00e9s do refor\u00e7o das pr\u00e1ticas de literacia familiar; o projeto R\u00e1dio Mi\u00fados \u00e9 uma forma de incentivar os jovens \u00e0 frui\u00e7\u00e3o dos media; o Cientificamente prov\u00e1vel, ou o WEIWE\u00aeBE ou ainda o Debaqi s\u00e3o projetos que se dedicam ao desenvolvimento de compet\u00eancias de investiga\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Todos estes projetos, e muitos outros, t\u00eam contribu\u00eddo n\u00e3o s\u00f3 para o enriquecimento dos percursos formativos dos jovens, como, ainda, para mostrar o valor do papel da biblioteca no desenvolvimento de leitores mais entusiastas, mais aut\u00f3nomos e competentes, por via da sensibiliza\u00e7\u00e3o, discuss\u00e3o e pr\u00e1tica. Termino a minha interven\u00e7\u00e3o, lembrando duas coisas: 1\u00aa ideiaA biblioteca trabalha com gente. Gente mi\u00fada, jovem ou adulta. Gente que muda e que cresce. Gente capaz de afirmar ou negar valores, de criar ou transgredir. Gente curiosa, inteligente. Gente rica, gente pobre. Enfim, muita gente, diferente! 2\u00aa ideia Citando Jacquinot-Delaunay, Lucia Santaella, recorda-nos que \u201ch\u00e1 valores humanos tradicionais que devem resistir \u00e0 corros\u00e3o do tempo. A escola \u00e9 a grande transmissora desses valores, um lugar \u00e0 parte, em que se constroem progressivamente e de maneira formal e estruturante os saberes, as habilidades e o saber-ser que n\u00e3o podem ser elaborados em outras inst\u00e2ncias de socializa\u00e7\u00e3o. Mas Isso n\u00e3o significa desconectar as aprendizagens escolares do novo ambiente cultural e tecnol\u00f3gico das jovens gera\u00e7\u00f5es\u201d (Santaella, pp.21-22) Relembro tamb\u00e9m, que a leitura \u00e9, ela mesma, a grande arma no combate \u00e0s desigualdades, \u00e0s intoler\u00e2ncias ou \u00e0 exclus\u00e3o, e que a habilidade leitora \u00e9 aquela que melhor garante a defesa da dignidade da pessoa humana. Finalmente, a biblioteca \u00e9 um lugar onde todos cabem e tamb\u00e9m \u00e9 um \u201cpresente para o futuro\u201d. Um presente que se sustenta na vis\u00e3o daqueles que \u201cacolhem, apoiam, colaboram, desafiam, transformam e empoderam as suas comunidades educativas\u201d. Sabendo, no entanto, e parafraseando Tolentino Mendon\u00e7a, que;\u201ch\u00e1 um passado maior do que n\u00f3s, um presente que \u00e9 nosso, e um futuro. E que n\u00f3s vivemos neste tr\u00e2nsito permanente.N\u00e3o podemos viver obsidiados, simplesmente, pelo presente que temos ou n\u00e3o temos. Precisamos de olhar para o futuro. E esperar do futuro\u201d (Mendon\u00e7a: p.116) Exatamente porque \u201ch\u00e1 o tempo. E que este n\u00e3o \u00e9 apenas o cron\u00f3metro que me faz correr, mas \u00e9 pensar de onde venho e para onde vou\u201d (Mendon\u00e7a: p.115) termino, convicta de que este tempo pode ser o momento para irmos ao encontro daquilo de que a escola verdadeiramente precisa e que \u201co respeito \u00e0 autonomia e \u00e0 dignidade de cada um \u00e9 um imperativo \u00e9tico e n\u00e3o um favor que podemos ou n\u00e3o conceder uns aos outros\u201d. (Freire, p.59) \u00a0 Refer\u00eancias: Freire, Paulo (2007). Pedagogia da autonomia: saberes necess\u00e1rios \u00e0 pr\u00e1tica educativa. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra. Mendon\u00e7a, J. Tolentino (2020). O que \u00e9 amar um pa\u00eds. O poder da esperan\u00e7a. Lisboa: Quetzal Editores Santaella, L. (2010). A aprendizagem ub\u00edqua substitui a educa\u00e7\u00e3o formal? ReCeT: Revista de Computa\u00e7\u00e3o e Tecnologia da PUC-SP\u2014 Departamento de Computa\u00e7\u00e3o\/FCET\/PUC-SP. Vol.2, N\u00ba1.17-22.\u00a0https:\/\/docplayer.com.br\/16554536-A-aprendizagem-ubiqua-substitui-a-educacao-formal.html<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[48,88,189],"tags":[],"class_list":["post-2487371","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-comunicacao","category-literacias","category-projetos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2487371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2487371"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2487371\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087673,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2487371\/revisions\/3087673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2487371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2487371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2487371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}