{"id":2458436,"date":"2021-05-21T09:00:00","date_gmt":"2021-05-21T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2458436.html"},"modified":"2026-05-13T15:20:38","modified_gmt":"2026-05-13T15:20:38","slug":"a-centralidade-da-cultura-multiplos-olhares-e-tessituras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2458436","title":{"rendered":"A centralidade da cultura: m\u00faltiplos olhares e tessituras"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-05-21 human-2944065_1920.jpg\" class=\"editing\" height=\"317\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22089069_oIb1I.jpeg\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" width=\"605\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da imagem: <a href=\"https:\/\/pixabay.com\/images\/id-2944065\/\">https:\/\/pixabay.com\/images\/id-2944065\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Di\u00e1logo e o Desenvolvimento, celebrado a<strong>\u00a0<\/strong>21 de maio,\u00a0foi proclamado pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), atrav\u00e9s da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.un.org\/en\/ga\/search\/view_doc.asp?symbol=A\/RES\/57\/249\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Resolu\u00e7\u00e3o 57\/249<\/a>, de 20 de fevereiro de 2003, na sequ\u00eancia da aprova\u00e7\u00e3o da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.unesco.org\/new\/fileadmin\/MULTIMEDIA\/HQ\/CLT\/diversity\/pdf\/declaration_cultural_diversity_pt.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Declara\u00e7\u00e3o Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural<\/a>\u00a0que ocorreu em 2001.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A Declara\u00e7\u00e3o da UNESCO anuncia, pela primeira vez, a Diversidade Cultural como \u201cheran\u00e7a comum da humanidade\u201d, assumindo que \u201ca diversidade cultural \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria para a humanidade como a biodiversidade para a natureza\u201d. Por seu lado, a ONU, proclama uma data para celebra\u00e7\u00e3o da cultura, nas suas diferentes manifesta\u00e7\u00f5es, e o modo como ela pode contribuir para o di\u00e1logo, a compreens\u00e3o m\u00fatua e o desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este apelo internacional conjunto visa promover a coopera\u00e7\u00e3o cultural entre pa\u00edses e promover uma ordem mundial baseada na manuten\u00e7\u00e3o da paz, atrav\u00e9s do di\u00e1logo intercultural e inter-religioso, no respeito pelo Estado de Direito e pelos Direitos Humanos, no refor\u00e7o de um tronco comum de valores universais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Perante este apelo algumas quest\u00f5es nos assaltam: que raz\u00f5es poder\u00e3o justificar a cria\u00e7\u00e3o de uma data espec\u00edfica para se comemorar a cultura, se, em certo sentido, esta sempre foi importante?; por que raz\u00e3o a cultura se encontra no centro de tantas discuss\u00f5es e debates, no presente momento?; por que se torna conveniente a cria\u00e7\u00e3o de um instrumento jur\u00eddico internacional sobre a diversidade cultural?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>J\u00e1 n\u00e3o estamos naqueles tempos dos valores assumidos pela tradi\u00e7\u00e3o intelectual do ocidente: da cultura nascida na Gr\u00e9cia, que encontrou express\u00e3o no Cristianismo, antes de assumir uma maior express\u00e3o no Iluminismo, a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII, quando se exaltou a raz\u00e3o como fonte de autoridade e legitimidade e os valores do progresso, da liberdade, da toler\u00e2ncia e da democracia. Uma cultura que se identificava com um ideal e um universo humanista, que se caracterizava pela solidez e coer\u00eancia da explica\u00e7\u00e3o do mundo, e que se organizava em torno de pontos de refer\u00eancia institucionais e\/ou sagrados, com fronteiras bem definidas e hierarquizadas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A partir do s\u00e9culo XIX come\u00e7am a esbater-se fronteiras e hierarquias. Com o advento da cultura de massas, fruto da explos\u00e3o dos meios de reprodu\u00e7\u00e3o (jornal, fotografia e cinema) e de difus\u00e3o (r\u00e1dio e televis\u00e3o), a tradicional divis\u00e3o entre cultura erudita e cultura popular come\u00e7ou a ruir e, mais tarde, com o aparecimento dos computadores e da internet, esta rutura acabou por ganhar uma express\u00e3o e alcance totalmente novos, com a chamada revolu\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O impacto da revolu\u00e7\u00e3o cultural, operada pelo desenvolvimento das TIC, sobre a sociedade global e a vida quotidiana, no final do s\u00e9culo XX, foi t\u00e3o significativo e sem precedentes que justifica uma reflex\u00e3o em torno da centralidade da cultura na vida contempor\u00e2nea. Em particular, no que diz respeito \u00e0 coexist\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico global.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Hoje a cultura invadiu todas as esferas da nossa vida (social, econ\u00f3mica e pessoal), ganhando uma centralidade incontorn\u00e1vel. Como sublinha Lipovetsky, vivemos numa \u201c<em>cultura-mundo<\/em>\u201d que se infiltra em todos setores de atividade humana. \u201cUma cultura-mundo que n\u00e3o \u00e9 o reflexo do mundo, mas que o constitui, o engendra, o modela, o faz evoluir e tudo isto de forma planet\u00e1ria (&#8230;) Uma hipercultura que (&#8230;) n\u00e3o cessa de remodelar os nossos conhecimentos sobre o mundo (&#8230;) e transforma a vida pol\u00edtica, os modos de exist\u00eancia e a vida cultural (&#8230;)\u201d (Lipovetsky, 2010:14-16).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, o aparecimento do digital e a explos\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es trouxeram consigo a cibercultura e as comunidades virtuais, que criam um novo quadro contextual, fazendo surgir uma cultura sem fronteiras, de fluxos e de redes, que imp\u00f5e ao ser humano novas dimens\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o com o mundo, com o conhecimento, com a cultura, com os outros e consigo pr\u00f3prio.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Criou-se a \u201csociedade em rede\u201d que, impulsionada pela Internet e sustentada pelos <em>media<\/em>, revalorizou o conhecimento, expandindo as suas fronteiras \u00e0 escala global, autonomizou os interventores sociais, atribuindo aos indiv\u00edduos o poder de serem autores no hipertexto universal, aumentou o investimento econ\u00f3mico na cultura, favorecendo a multiplica\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias audiovisuais, e retirou \u00e0s Institui\u00e7\u00f5es, por essa via, a hegemonia e o monop\u00f3lio do conhecimento e o poder da regulamenta\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta maneira contempor\u00e2nea de pensar as rela\u00e7\u00f5es em rede, tem como base e inspira\u00e7\u00e3o a tem\u00e1tica do rizoma (de origem bot\u00e2nica), tal como formulada na obra <em>Mil Plat\u00f4s &#8211;<\/em> <em>Capitalismo e Esquizofrenia,<\/em> por Deleuze e Guattari. O rizoma seria uma maneira de expressar as multiplicidades e o devir, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 met\u00e1fora tradicional da \u00e1rvore, como forma de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento que remete para o uno, uma vez que os conhecimentos s\u00e3o derivados de um \u00fanico tronco. Agora, o relacionamento entre os indiv\u00edduos, e destes com os diferentes conhecimentos e linguagens, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 hier\u00e1rquico, estruturado do topo para a base, do geral para o particular, ou por qualquer outro tipo de ordem sequencial. Ele d\u00e1-se em todas as dire\u00e7\u00f5es e pelas intera\u00e7\u00f5es criativas de que o sujeito \u00e9 capaz quando dialoga em rede.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Entramos na \u00e9poca dos prefixos \u201cmeta\u201d (metadados; metaconhecimento; metacomunica\u00e7\u00e3o&#8230;) e \u201ctrans\u201d (transversal; transdisciplinar; transcultural&#8230;) onde tudo se mistura e tanto exprime a ideia de sucess\u00e3o, de mudan\u00e7a ou transforma\u00e7\u00e3o (meta), como exprime a ideia de atrav\u00e9s de, para al\u00e9m de (trans)<span style=\"color: #000000;\">[1].<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Zygmunt Bauman criou o conceito de <em>modernidade l\u00edquida<\/em> para descrever este novo padr\u00e3o cultural de uma sociedade que \u00e9 mut\u00e1vel, que adota formas em permanente mudan\u00e7a (l\u00edquidas), por oposi\u00e7\u00e3o a um modelo de exist\u00eancia tradicional, caracterizado pela estabilidade (solidez). Esta modernidade l\u00edquida indicia que passamos a ter uma sociedade\/cultura que se transformou <em>num mundo cuja circunfer\u00eancia passou a estar em todo o lado e o centro em lado nenhum<\/em> (Lipovetsky, 2010:12) e que, por isso, se tornou imprevis\u00edvel e complexa.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Naturalmente que este descentramento acarreta m\u00faltiplas interroga\u00e7\u00f5es, incertezas e inquieta\u00e7\u00f5es, particularmente quanto aos modos de exist\u00eancia dos indiv\u00edduos, no \u00e2mbito do espa\u00e7o p\u00fablico global.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Alteraram-se os padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, com uma corrida crescente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o em massa das tecnologias inform\u00e1ticas (nomeadamente em redes sociais), que implicam um novo modelo de rela\u00e7\u00f5es sociais a que v\u00e1rios autores chamam de <em>rela\u00e7\u00f5es reticulares<\/em>, por serem fundadas em conex\u00f5es aleat\u00f3rias, sem necessidade de uma presen\u00e7a f\u00edsica e com interlocutores desconhecidos, bem diferente do modelo de proximidade caracter\u00edstico das rela\u00e7\u00f5es familiares tradicionais.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Questiona-se a qualidade da participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e das intera\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos no espa\u00e7o p\u00fablico. Daniel Innerarity, no livro <em>Novo Espa\u00e7o P\u00fablico<\/em>, insiste na necessidade de auto compreens\u00e3o deste conceito, por vivermos num (ciber)espa\u00e7o dominado pelo emocional, onde tudo se dramatiza e converte em experi\u00eancia sensacional (Innerarity, 2010: 40-41), onde se constr\u00f3i a imagem do mundo, segundo boatos (Innerarity, 2010:89) e onde se instaura, por essa via, uma incapacidade de auto questionamento coletivo, uma esp\u00e9cie de vazio reflexivo, j\u00e1 que os atores emitem apenas opini\u00f5es, s\u00f3 se citam a si pr\u00f3prios e n\u00e3o entram em verdadeiras sequ\u00eancias de interroga\u00e7\u00e3o e resposta (Innerarity, 2010: 16).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, a par das ineg\u00e1veis conquistas, trazidas pelas revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica, tamb\u00e9m emergiram, uma s\u00e9rie de novos problemas globais (crises econ\u00f3micas, terrorismo, ecologia, imigra\u00e7\u00e3o, apatridia, etc.) e existenciais (novas pobrezas e exclus\u00f5es; diferentes formas de viol\u00eancia; precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, novas formas de escravatura, etc.) que obrigam, Estado(s) e indiv\u00edduo(s), a repensar a democracia \u00e0 luz de uma cidadania esclarecida, do respeito pela liberdade, pelo pluralismo e aceita\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, num apelo constante \u00e0 pondera\u00e7\u00e3o de diversas legitimidades &#8211; pessoais, sociais, hist\u00f3ricas e culturais.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as perplexidades com as quais nos confrontamos: que s\u00e3o as redes sociais hoje sen\u00e3o circuitos fechados, que n\u00e3o criam compromissos de abertura? como cultivar o gosto pela verdade, num mundo que se deixa aprisionar por <em>fake news<\/em>?; como criar media\u00e7\u00f5es eficientes no sentido de se perpetuar uma cultura de paz, num mundo confrontado com discursos de \u00f3dio?; como promover a din\u00e2mica entre as culturas, valorizar as diferen\u00e7as, encontrar pontos comuns entre pessoas, sem reflex\u00e3o e procura de consensos alargados? como construir uma sociedade justa, na defesa de princ\u00edpios e valores humanos que respeitem a alteridade, num mundo onde se instauram o individualismo e os nacionalismos?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Enfim, tendo adquirido um valor estrutural na sociedade contempor\u00e2nea, a cultura coloca cada vez mais o desafio de se procurar encontrar um modelo pol\u00edtico capaz de assegurar a liberdade e o respeito dos direitos de todos os indiv\u00edduos e grupos, numa sociedade que se quer democr\u00e1tica, literata e aberta \u00e0 escala planet\u00e1ria.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Uma a\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-reflexiva, baseada numa \u00e9tica global e em valores humanistas, dever\u00e1 nortear o agir dos cidad\u00e3os, para que se consiga transformar o desenvolvimento econ\u00f3mico, cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico em verdadeiro desenvolvimento humano. Nesse sentido, falar de integra\u00e7\u00e3o implica falar do direito a ter direitos, do respeito democr\u00e1tico pela pluralidade, da toler\u00e2ncia baseada na reciprocidade e na partilha, visando-se, dessa forma, a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais coesa, justa e humana.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Da\u00ed a cultura se encontrar no centro de tantas discuss\u00f5es e debates e, por outro lado, apresentar-se como conveniente a cria\u00e7\u00e3o de um instrumento jur\u00eddico internacional sobre a diversidade cultural. As pol\u00edticas de democratiza\u00e7\u00e3o cultural ilustram um desejo coletivo de regras universais, que exigem consensos e novas f\u00f3rmulas, capazes de colocar os Estados ao servi\u00e7o da cultura e da educa\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o apenas do lucro), procurando linhas de a\u00e7\u00f5es comuns e de regulamenta\u00e7\u00f5es transnacionais, determinando com precis\u00e3o o que se pretende fazer quanto \u00e0 press\u00e3o exercida por grupos organizados de interesses e no combate \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Porque nada se resolve com declara\u00e7\u00f5es, decretos, campanhas, programas especiais, modas ou reformas, acima de tudo o que se torna necess\u00e1rio \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o h\u00e1bil de pol\u00edticas de atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por parte de pessoas e Estados, na devida homenagem \u00e0 vida coletiva e \u00e0 diversidade cultural, enquanto heran\u00e7a comum da humanidade, que se situa muito para al\u00e9m dos limites e debates sobre\u00a0a intoler\u00e2ncia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Embora os desafios sejam enormes, a disc\u00f3rdia intensa, os questionamentos sem respostas garantidas, exige-se de cada um de n\u00f3s, e ao Estado tamb\u00e9m, um questionar constante, uma tomada de consci\u00eancia sobre a nossa Humanidade e os comportamentos \u00e9ticos necess\u00e1rios para sustentar a sua dignidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas, sobretudo, \u00e9 preciso acreditar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Como diz Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, <em>h\u00e1 uma arte de resist\u00eancia da qual precisamos de viver<\/em>, porque n\u00e3o s\u00f3 <em>no meio do caos a beleza pode resistir<\/em>, como <em>n\u00f3s <\/em>(humanos)<em> n\u00e3o temos apenas \u00e2ncoras, tamb\u00e9m temos asas<\/em>. (Tolentino, 2020, p.117-118)<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, o dia 21 de maio \u00e9 certamente um bom dia para acreditar, para reavivar mem\u00f3rias, para contar a nossa Hist\u00f3ria e, sobretudo, para nos mostrarmos \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias, conscientes das nossas imperfei\u00e7\u00f5es, superarmo-nos, evitando generaliza\u00e7\u00f5es apressadas, resistirmos \u00e0 arrog\u00e2ncia, procurando ser mais humildes quanto aos nossos pontos de vista, e, sobretudo, n\u00e3o esquecermos que o mais importante talvez seja mudarmos a forma como vivemos e n\u00e3o apenas mudar a forma como discutimos sobre como vivemos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"\/rbe\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[<\/a>1<a style=\"color: #000000;\" href=\"\/rbe\/#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">]<\/a><\/span> [in Ciberd\u00favidas da L\u00edngua Portuguesa, <a href=\"https:\/\/ciberduvidas.iscte-iul.pt\/consultorio\/perguntas\/meta--e-trans-\/3492\">https:\/\/ciberduvidas.iscte-iul.pt\/consultorio\/perguntas\/meta&#8211;e-trans-\/3492<\/a> [consultado em 16-05-2021]<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Innerarity, D. (2010). <em>O Novo Espa\u00e7o P\u00fablico<\/em>. Lisboa: Teorema<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Lipovetsky, G. (2010). <em>A cultura-Mundo-Resposta a uma sociedade desorientada<\/em>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mendon\u00e7a, J. Tolentino (2020). <em>O Que \u00c9 Amar Um Pa\u00eds. O Poder da Esperan\u00e7a<\/em>. Lisboa: Quetzal editores<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte da imagem: https:\/\/pixabay.com\/images\/id-2944065\/ O Dia Mundial da Diversidade Cultural para o Di\u00e1logo e o Desenvolvimento, celebrado a\u00a021 de maio,\u00a0foi proclamado pela Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), atrav\u00e9s da\u00a0Resolu\u00e7\u00e3o 57\/249, de 20 de fevereiro de 2003, na sequ\u00eancia da aprova\u00e7\u00e3o da\u00a0Declara\u00e7\u00e3o Universal da UNESCO sobre a Diversidade Cultural\u00a0que ocorreu em 2001. A Declara\u00e7\u00e3o da UNESCO anuncia, pela primeira vez, a Diversidade Cultural como \u201cheran\u00e7a comum da humanidade\u201d, assumindo que \u201ca diversidade cultural \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1ria para a humanidade como a biodiversidade para a natureza\u201d. Por seu lado, a ONU, proclama uma data para celebra\u00e7\u00e3o da cultura, nas suas diferentes manifesta\u00e7\u00f5es, e o modo como ela pode contribuir para o di\u00e1logo, a compreens\u00e3o m\u00fatua e o desenvolvimento sustent\u00e1vel. Este apelo internacional conjunto visa promover a coopera\u00e7\u00e3o cultural entre pa\u00edses e promover uma ordem mundial baseada na manuten\u00e7\u00e3o da paz, atrav\u00e9s do di\u00e1logo intercultural e inter-religioso, no respeito pelo Estado de Direito e pelos Direitos Humanos, no refor\u00e7o de um tronco comum de valores universais. Perante este apelo algumas quest\u00f5es nos assaltam: que raz\u00f5es poder\u00e3o justificar a cria\u00e7\u00e3o de uma data espec\u00edfica para se comemorar a cultura, se, em certo sentido, esta sempre foi importante?; por que raz\u00e3o a cultura se encontra no centro de tantas discuss\u00f5es e debates, no presente momento?; por que se torna conveniente a cria\u00e7\u00e3o de um instrumento jur\u00eddico internacional sobre a diversidade cultural? J\u00e1 n\u00e3o estamos naqueles tempos dos valores assumidos pela tradi\u00e7\u00e3o intelectual do ocidente: da cultura nascida na Gr\u00e9cia, que encontrou express\u00e3o no Cristianismo, antes de assumir uma maior express\u00e3o no Iluminismo, a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII, quando se exaltou a raz\u00e3o como fonte de autoridade e legitimidade e os valores do progresso, da liberdade, da toler\u00e2ncia e da democracia. Uma cultura que se identificava com um ideal e um universo humanista, que se caracterizava pela solidez e coer\u00eancia da explica\u00e7\u00e3o do mundo, e que se organizava em torno de pontos de refer\u00eancia institucionais e\/ou sagrados, com fronteiras bem definidas e hierarquizadas. A partir do s\u00e9culo XIX come\u00e7am a esbater-se fronteiras e hierarquias. Com o advento da cultura de massas, fruto da explos\u00e3o dos meios de reprodu\u00e7\u00e3o (jornal, fotografia e cinema) e de difus\u00e3o (r\u00e1dio e televis\u00e3o), a tradicional divis\u00e3o entre cultura erudita e cultura popular come\u00e7ou a ruir e, mais tarde, com o aparecimento dos computadores e da internet, esta rutura acabou por ganhar uma express\u00e3o e alcance totalmente novos, com a chamada revolu\u00e7\u00e3o digital. O impacto da revolu\u00e7\u00e3o cultural, operada pelo desenvolvimento das TIC, sobre a sociedade global e a vida quotidiana, no final do s\u00e9culo XX, foi t\u00e3o significativo e sem precedentes que justifica uma reflex\u00e3o em torno da centralidade da cultura na vida contempor\u00e2nea. Em particular, no que diz respeito \u00e0 coexist\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o de indiv\u00edduos e institui\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o p\u00fablico global. Hoje a cultura invadiu todas as esferas da nossa vida (social, econ\u00f3mica e pessoal), ganhando uma centralidade incontorn\u00e1vel. Como sublinha Lipovetsky, vivemos numa \u201ccultura-mundo\u201d que se infiltra em todos setores de atividade humana. \u201cUma cultura-mundo que n\u00e3o \u00e9 o reflexo do mundo, mas que o constitui, o engendra, o modela, o faz evoluir e tudo isto de forma planet\u00e1ria (&#8230;) Uma hipercultura que (&#8230;) n\u00e3o cessa de remodelar os nossos conhecimentos sobre o mundo (&#8230;) e transforma a vida pol\u00edtica, os modos de exist\u00eancia e a vida cultural (&#8230;)\u201d (Lipovetsky, 2010:14-16). Assim, o aparecimento do digital e a explos\u00e3o das telecomunica\u00e7\u00f5es trouxeram consigo a cibercultura e as comunidades virtuais, que criam um novo quadro contextual, fazendo surgir uma cultura sem fronteiras, de fluxos e de redes, que imp\u00f5e ao ser humano novas dimens\u00f5es de rela\u00e7\u00e3o com o mundo, com o conhecimento, com a cultura, com os outros e consigo pr\u00f3prio. Criou-se a \u201csociedade em rede\u201d que, impulsionada pela Internet e sustentada pelos media, revalorizou o conhecimento, expandindo as suas fronteiras \u00e0 escala global, autonomizou os interventores sociais, atribuindo aos indiv\u00edduos o poder de serem autores no hipertexto universal, aumentou o investimento econ\u00f3mico na cultura, favorecendo a multiplica\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias audiovisuais, e retirou \u00e0s Institui\u00e7\u00f5es, por essa via, a hegemonia e o monop\u00f3lio do conhecimento e o poder da regulamenta\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas. Esta maneira contempor\u00e2nea de pensar as rela\u00e7\u00f5es em rede, tem como base e inspira\u00e7\u00e3o a tem\u00e1tica do rizoma (de origem bot\u00e2nica), tal como formulada na obra Mil Plat\u00f4s &#8211; Capitalismo e Esquizofrenia, por Deleuze e Guattari. O rizoma seria uma maneira de expressar as multiplicidades e o devir, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 met\u00e1fora tradicional da \u00e1rvore, como forma de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento que remete para o uno, uma vez que os conhecimentos s\u00e3o derivados de um \u00fanico tronco. Agora, o relacionamento entre os indiv\u00edduos, e destes com os diferentes conhecimentos e linguagens, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 hier\u00e1rquico, estruturado do topo para a base, do geral para o particular, ou por qualquer outro tipo de ordem sequencial. Ele d\u00e1-se em todas as dire\u00e7\u00f5es e pelas intera\u00e7\u00f5es criativas de que o sujeito \u00e9 capaz quando dialoga em rede. Entramos na \u00e9poca dos prefixos \u201cmeta\u201d (metadados; metaconhecimento; metacomunica\u00e7\u00e3o&#8230;) e \u201ctrans\u201d (transversal; transdisciplinar; transcultural&#8230;) onde tudo se mistura e tanto exprime a ideia de sucess\u00e3o, de mudan\u00e7a ou transforma\u00e7\u00e3o (meta), como exprime a ideia de atrav\u00e9s de, para al\u00e9m de (trans)[1]. O soci\u00f3logo Zygmunt Bauman criou o conceito de modernidade l\u00edquida para descrever este novo padr\u00e3o cultural de uma sociedade que \u00e9 mut\u00e1vel, que adota formas em permanente mudan\u00e7a (l\u00edquidas), por oposi\u00e7\u00e3o a um modelo de exist\u00eancia tradicional, caracterizado pela estabilidade (solidez). Esta modernidade l\u00edquida indicia que passamos a ter uma sociedade\/cultura que se transformou num mundo cuja circunfer\u00eancia passou a estar em todo o lado e o centro em lado nenhum (Lipovetsky, 2010:12) e que, por isso, se tornou imprevis\u00edvel e complexa. Naturalmente que este descentramento acarreta m\u00faltiplas interroga\u00e7\u00f5es, incertezas e inquieta\u00e7\u00f5es, particularmente quanto aos modos de exist\u00eancia dos indiv\u00edduos, no \u00e2mbito do espa\u00e7o p\u00fablico global. Alteraram-se os padr\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, com uma corrida crescente \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o em massa das tecnologias inform\u00e1ticas (nomeadamente em redes sociais), que implicam um novo modelo de rela\u00e7\u00f5es sociais a que v\u00e1rios autores chamam de rela\u00e7\u00f5es reticulares, por serem fundadas em conex\u00f5es aleat\u00f3rias, sem necessidade de uma presen\u00e7a f\u00edsica e com interlocutores desconhecidos, bem diferente do modelo de proximidade caracter\u00edstico das rela\u00e7\u00f5es familiares tradicionais.\u00a0 Questiona-se a qualidade da participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica e das intera\u00e7\u00f5es dos indiv\u00edduos no espa\u00e7o p\u00fablico. Daniel Innerarity, no livro Novo Espa\u00e7o P\u00fablico, insiste na necessidade de auto compreens\u00e3o deste conceito, por vivermos num (ciber)espa\u00e7o dominado pelo emocional, onde tudo se dramatiza e converte em experi\u00eancia sensacional (Innerarity, 2010: 40-41), onde se constr\u00f3i a imagem do mundo, segundo boatos (Innerarity, 2010:89) e onde se instaura, por essa via, uma incapacidade de auto questionamento coletivo, uma esp\u00e9cie de vazio reflexivo, j\u00e1 que os atores emitem apenas opini\u00f5es, s\u00f3 se citam a si pr\u00f3prios e n\u00e3o entram em verdadeiras sequ\u00eancias de interroga\u00e7\u00e3o e resposta (Innerarity, 2010: 16). Assim, a par das ineg\u00e1veis conquistas, trazidas pelas revolu\u00e7\u00f5es cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica, tamb\u00e9m emergiram, uma s\u00e9rie de novos problemas globais (crises econ\u00f3micas, terrorismo, ecologia, imigra\u00e7\u00e3o, apatridia, etc.) e existenciais (novas pobrezas e exclus\u00f5es; diferentes formas de viol\u00eancia; precariza\u00e7\u00e3o do trabalho, novas formas de escravatura, etc.) que obrigam, Estado(s) e indiv\u00edduo(s), a repensar a democracia \u00e0 luz de uma cidadania esclarecida, do respeito pela liberdade, pelo pluralismo e aceita\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, num apelo constante \u00e0 pondera\u00e7\u00e3o de diversas legitimidades &#8211; pessoais, sociais, hist\u00f3ricas e culturais. S\u00e3o muitas as perplexidades com as quais nos confrontamos: que s\u00e3o as redes sociais hoje sen\u00e3o circuitos fechados, que n\u00e3o criam compromissos de abertura? como cultivar o gosto pela verdade, num mundo que se deixa aprisionar por fake news?; como criar media\u00e7\u00f5es eficientes no sentido de se perpetuar uma cultura de paz, num mundo confrontado com discursos de \u00f3dio?; como promover a din\u00e2mica entre as culturas, valorizar as diferen\u00e7as, encontrar pontos comuns entre pessoas, sem reflex\u00e3o e procura de consensos alargados? como construir uma sociedade justa, na defesa de princ\u00edpios e valores humanos que respeitem a alteridade, num mundo onde se instauram o individualismo e os nacionalismos? Enfim, tendo adquirido um valor estrutural na sociedade contempor\u00e2nea, a cultura coloca cada vez mais o desafio de se procurar encontrar um modelo pol\u00edtico capaz de assegurar a liberdade e o respeito dos direitos de todos os indiv\u00edduos e grupos, numa sociedade que se quer democr\u00e1tica, literata e aberta \u00e0 escala planet\u00e1ria. Uma a\u00e7\u00e3o te\u00f3rico-reflexiva, baseada numa \u00e9tica global e em valores humanistas, dever\u00e1 nortear o agir dos cidad\u00e3os, para que se consiga transformar o desenvolvimento econ\u00f3mico, cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico em verdadeiro desenvolvimento humano. Nesse sentido, falar de integra\u00e7\u00e3o implica falar do direito a ter direitos, do respeito democr\u00e1tico pela pluralidade, da toler\u00e2ncia baseada na reciprocidade e na partilha, visando-se, dessa forma, a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade mais coesa, justa e humana. Da\u00ed a cultura se encontrar no centro de tantas discuss\u00f5es e debates e, por outro lado, apresentar-se como conveniente a cria\u00e7\u00e3o de um instrumento jur\u00eddico internacional sobre a diversidade cultural. As pol\u00edticas de democratiza\u00e7\u00e3o cultural ilustram um desejo coletivo de regras universais, que exigem consensos e novas f\u00f3rmulas, capazes de colocar os Estados ao servi\u00e7o da cultura e da educa\u00e7\u00e3o (e n\u00e3o apenas do lucro), procurando linhas de a\u00e7\u00f5es comuns e de regulamenta\u00e7\u00f5es transnacionais, determinando com precis\u00e3o o que se pretende fazer quanto \u00e0 press\u00e3o exercida por grupos organizados de interesses e no combate \u00e0s discrimina\u00e7\u00f5es. Porque nada se resolve com declara\u00e7\u00f5es, decretos, campanhas, programas especiais, modas ou reformas, acima de tudo o que se torna necess\u00e1rio \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o h\u00e1bil de pol\u00edticas de atua\u00e7\u00e3o p\u00fablica, por parte de pessoas e Estados, na devida homenagem \u00e0 vida coletiva e \u00e0 diversidade cultural, enquanto heran\u00e7a comum da humanidade, que se situa muito para al\u00e9m dos limites e debates sobre\u00a0a intoler\u00e2ncia. Embora os desafios sejam enormes, a disc\u00f3rdia intensa, os questionamentos sem respostas garantidas, exige-se de cada um de n\u00f3s, e ao Estado tamb\u00e9m, um questionar constante, uma tomada de consci\u00eancia sobre a nossa Humanidade e os comportamentos \u00e9ticos necess\u00e1rios para sustentar a sua dignidade. Mas, sobretudo, \u00e9 preciso acreditar. Como diz Jos\u00e9 Tolentino Mendon\u00e7a, h\u00e1 uma arte de resist\u00eancia da qual precisamos de viver, porque n\u00e3o s\u00f3 no meio do caos a beleza pode resistir, como n\u00f3s (humanos) n\u00e3o temos apenas \u00e2ncoras, tamb\u00e9m temos asas. (Tolentino, 2020, p.117-118) Assim, o dia 21 de maio \u00e9 certamente um bom dia para acreditar, para reavivar mem\u00f3rias, para contar a nossa Hist\u00f3ria e, sobretudo, para nos mostrarmos \u00e0 altura das circunst\u00e2ncias, conscientes das nossas imperfei\u00e7\u00f5es, superarmo-nos, evitando generaliza\u00e7\u00f5es apressadas, resistirmos \u00e0 arrog\u00e2ncia, procurando ser mais humildes quanto aos nossos pontos de vista, e, sobretudo, n\u00e3o esquecermos que o mais importante talvez seja mudarmos a forma como vivemos e n\u00e3o apenas mudar a forma como discutimos sobre como vivemos. \u00a0 [1] [in Ciberd\u00favidas da L\u00edngua Portuguesa, https:\/\/ciberduvidas.iscte-iul.pt\/consultorio\/perguntas\/meta&#8211;e-trans-\/3492 [consultado em 16-05-2021] \u00a0 \u00a0 Refer\u00eancias\u00a0 Innerarity, D. (2010). O Novo Espa\u00e7o P\u00fablico. Lisboa: Teorema Lipovetsky, G. (2010). A cultura-Mundo-Resposta a uma sociedade desorientada. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70 Mendon\u00e7a, J. Tolentino (2020). O Que \u00c9 Amar Um Pa\u00eds. O Poder da Esperan\u00e7a. Lisboa: Quetzal editores<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,81,168],"tags":[],"class_list":["post-2458436","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidadania","category-cultura","category-interculturalidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2458436","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2458436"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2458436\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087828,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2458436\/revisions\/3087828"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2458436"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2458436"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2458436"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}