{"id":2445762,"date":"2021-04-27T09:52:00","date_gmt":"2021-04-27T09:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2445762.html"},"modified":"2026-05-13T15:23:48","modified_gmt":"2026-05-13T15:23:48","slug":"educar-para-o-desconhecido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2445762","title":{"rendered":"Educar para o desconhecido"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"2021-04-27 sandra-seitamaa-7-3cGWyQlV0-unsplash.jp\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22073156_zsgYq.jpeg\" alt=\"2021-04-27 sandra-seitamaa-7-3cGWyQlV0-unsplash.jp\" width=\"605\" height=\"403\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Foto de <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@seitamaaphotography?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sandra Seitamaa<\/a> em <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/photos\/7-3cGWyQlV0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unsplash<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>No mundo interconectado e em veloz transforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode esperar o futuro como extens\u00e3o do presente, mas como incerteza, imprevisibilidade, da qual a pandemia Covid 19 \u00e9 exemplo. \u00c9 com lentid\u00e3o que a educa\u00e7\u00e3o se adapta \u00e0s possibilidades da internet, \u00e0 intelig\u00eancia artificial e \u00e0 <a href=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/semana-todos-digitais-2021-2427112\">Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/a>. Da\u00ed perguntar-se: quando o conhecimento \u00e9 omnipresente, gratuito e \u00e0 medida de cada um, como educar para uma realidade que desconhecemos?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Provavelmente j\u00e1 n\u00e3o precisamos ensinar rios e montanhas de Portugal ou cronologia dos Descobrimentos, mas precisamos que as crian\u00e7as e jovens aprendam a pensar e a desenvolver solu\u00e7\u00f5es criativas para um problema, identificar informa\u00e7\u00e3o relevante e ler criticamente not\u00edcias, construir um portf\u00f3lio e desenvolver um projeto, discutir e comunicar em p\u00fablico, falando fluentemente diferentes l\u00ednguas e usando v\u00e1rios <em>media<\/em>, ajudar colegas e a associa\u00e7\u00e3o local, nadar ou brincar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo Ken Robinson <strong>1 <\/strong>para educar para a imprevisibilidade \u00e9 preciso fomentar a criatividade &#8211; capacidade de ter ideias originais com valor social &#8211; e as artes, t\u00e3o importantes como aprender a ler e escrever. Quando chegam \u00e0 escola, as crian\u00e7as s\u00e3o criativas, mas \u201ca escola mata a criatividade\u201d porque as prepara para um modelo de aprendizagem acad\u00e9mico, verbal e l\u00f3gico-matem\u00e1tico que incide a sua a\u00e7\u00e3o na cabe\u00e7a, esquecendo o resto do corpo. \u00c9 assim que curr\u00edculos do mundo inteiro privilegiam matem\u00e1ticas, ci\u00eancias e l\u00ednguas e desprezam educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e artes e, dentro das artes, tamb\u00e9m criam hierarquias: artes visuais e m\u00fasica t\u00eam estatuto mais elevado do que teatro ou dan\u00e7a &#8211; \u201cN\u00e3o h\u00e1 um sistema educacional no planeta que ensine dan\u00e7a todos os dias \u00e0s crian\u00e7as da mesma forma que ensina matem\u00e1tica.\u00a0 Por qu\u00ea?\u00a0 Por que n\u00e3o? <strong>2<\/strong>\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para Howard Gardner, autor da <strong>Teoria das Intelig\u00eancias M\u00faltiplas<\/strong> (MI), a criatividade tem duas caracter\u00edsticas principais: exige dom\u00ednio aprofundado da mat\u00e9ria e \u00e9, n\u00e3o uma intelig\u00eancia independente, mas uma caracter\u00edstica da personalidade associada ao gosto em correr riscos, n\u00e3o ter medo de falhar e tentar novamente, ser atra\u00eddo pelo desconhecido, ir al\u00e9m do <em>status quo<\/em> <strong>4<\/strong>. Este tra\u00e7o de personalidade pode manifestar-se em diversas intelig\u00eancias independentes entre si que, para o psic\u00f3logo da Harvard School of Education, s\u00e3o sete principais:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Verbal ou lingu\u00edstica, manifesta em escritores como Agustina Bessa-lu\u00eds ou jornalistas como F\u00e1tima Ferreira;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; L\u00f3gico-matem\u00e1tica, em cientistas como Elvira Fortunato ou V\u00edtor Cardoso;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Visual ou espacial, em pintoras como Sarah Afonso e arquitetos como Souto Moura;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Musical, em maestros como Joana Carneiro;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Cinest\u00e9sica e f\u00edsica, em bailarinos como Ant\u00f3nio Casalinho e futebolistas como J\u00e9ssica Silva;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Interpessoal, em l\u00edderes como Ant\u00f3nio Guterres;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; Intrapessoal [capacidade de se conhecer a si pr\u00f3prio], em terapeutas como J\u00falio Machado Vaz.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 237px; padding: 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"Captura de ecra\u0303 2021-04-27, a\u0300s 10.14.18.png\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22073159_F2jmu.png\" alt=\"Captura de ecra\u0303 2021-04-27, a\u0300s 10.14.18.png\" width=\"470\" height=\"353\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte da Imagem: Gardner, H. (2006). <em>Multiple Intelligences<\/em>. Basic Books. <a href=\"https:\/\/www.basicbooks.com\/titles\/howard-e-gardner\/multiple-intelligences\/9780786721870\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.basicbooks.com\/titles\/howard-e-gardner\/multiple-intelligences\/9780786721870\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Segundo Gardner todos os seres humanos possuem todas estas intelig\u00eancias\/ talentos num certo grau, mas o modo, estilo e contexto com que cada um as combina e aprende \u00e9 diverso, raz\u00e3o pela qual \u00e9 preciso <strong>centrar a educa\u00e7\u00e3o no indiv\u00edduo<\/strong> e suas diferen\u00e7as, seguindo uma abordagem personalizada e desenvolver <strong>estrat\u00e9gias de aprendizagem diversificadas<\/strong>: hist\u00f3rias, debates, jogos, filmes, diagramas, exerc\u00edcios pr\u00e1ticos, dramatiza\u00e7\u00f5es, visitas guiadas\u2026 Habitualmente estas intelig\u00eancias manifestam-se de forma articulada &#8211; a intelig\u00eancia tecnol\u00f3gica resulta da combina\u00e7\u00e3o entre as intelig\u00eancias l\u00f3gica, espacial e f\u00edsica e o humor das intelig\u00eancias l\u00f3gica e intrapessoal \u2013 e desta intera\u00e7\u00e3o gera-se criatividade. Outro aspeto a destacar \u00e9 que \u201cAs crian\u00e7as [sobretudo as mais novas, abaixo dos 10 anos] aprendem melhor quando est\u00e3o ativamente envolvidas na mat\u00e9ria; elas querem <strong>trabalhar diretamente com materiais e <em>media<\/em><\/strong>; nas artes estas for\u00e7as e inclina\u00e7\u00f5es traduzem-se quase sempre em fazer\/ produzir algo\u201d <strong>5.<\/strong> \u00a0Tamb\u00e9m \u00e9 importante que a aprendizagem seja significativa, que o curr\u00edculo se enra\u00edze em temas-problemas e materiais ligados \u00e0 vida das crian\u00e7as. Sobre a constru\u00e7\u00e3o de portef\u00f3lios -\u201cprocessfolios\u201d, termo que prefere &#8211; de que \u00e9 adepto, Gardner sugere que integrem n\u00e3o apenas os melhores trabalhos, pelos quais o estudante seria julgado numa competi\u00e7\u00e3o, mas o trabalho integral em curso &#8211; \u201cesbo\u00e7os provis\u00f3rios, cr\u00edticas de si pr\u00f3prio e de outros, obras de arte de outros que admira ou n\u00e3o gosta\u201d, devendo expressar a consci\u00eancia sobre suas for\u00e7as e fraquezas, capacidade de refletir com rigor, autocriticar-se e fazer uso de cr\u00edticas dos outros, identificar e resolver novos problemas, estabelecer marcos de desenvolvimento pessoal <strong>6<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na escola, a biblioteca distingue-se dos outros espa\u00e7os de sala de aula por dispor de oportunidades para <strong>desenvolver a intelig\u00eancia de modo integral<\/strong>. Esta \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o de Gardner de uma das primeiras <strong>bibliotecas escolares MI<\/strong> <strong>7<\/strong>:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201ca express\u00e3o biblioteca de m\u00faltiplas intelig\u00eancias parece um ox\u00edmoro porque as bibliotecas sugerem a hegemonia de livros e, portanto, de uma ou duas intelig\u00eancias. De facto, a biblioteca MI [da New City School em St. Louis, Escola B\u00e1sica do Estado de Missouri, EUA] tem generosamente guardados livros, quer para as crian\u00e7as, quer para os pais e adultos interessados. Os livros s\u00e3o organizados tendo em vista as intelig\u00eancias que o seu conte\u00fado implica. Mas <strong>o que torna a biblioteca diferente \u00e9 o seu aprovisionamento de uma variedade de ambientes de aprendizagem nos quais as crian\u00e7as podem exibir e desenvolver v\u00e1rias intelig\u00eancias<\/strong> \u2013 \u00e1reas para desenhar e fazer constru\u00e7\u00f5es tridimensionais; para criar em filmes e <em>media<\/em> digitais; para espet\u00e1culos de teatro; para explora\u00e7\u00f5es musicais; para trabalho de grupo para as crian\u00e7as, tal como \u00e1reas confort\u00e1veis onde os adultos se podem sentar, relaxar (\u2026) ler sozinhos ou com as suas crian\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Fundador do <strong>Projeto <em>Spectrum<\/em><\/strong> <strong>8<\/strong>, Gardner trabalha no sentido de desenvolver em cada crian\u00e7a um perfil de compet\u00eancias ou espectro de intelig\u00eancias din\u00e2mico, por meio da educa\u00e7\u00e3o e ambientes ricos em recursos e atividades.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No futuro considera que o desafio da sociedade n\u00e3o est\u00e1 tanto em formar indiv\u00edduos mais inteligentes, mas em <strong>humanizar a intelig\u00eancia<\/strong>, dando-lhe um sentido de responsabilidade \u00e9tica, de modo a que os fins que a dirigem sejam orientados para a pr\u00e1tica universal do bem <strong>9<\/strong>. Desenvolver um modelo de aprendizagem hol\u00edstico centrado no relacionamento dever\u00e1 ser uma tend\u00eancia a aprofundar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>1.<\/strong> Robinson, K. <em>Blog<\/em>. <a href=\"http:\/\/sirkenrobinson.com\/blog\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/sirkenrobinson.com\/blog\/<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>2.<\/strong> Robinson, K. (2006). <em>As escolas matam a criatividade?<\/em> TED conference. <a href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/sir_ken_robinson_do_schools_kill_creativity\/transcript\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ted.com\/talks\/sir_ken_robinson_do_schools_kill_creativity\/transcript<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>3.<\/strong> Robinson, K. <em>Sir Ken Robinson (still) wants an education revolution<\/em>. TED [interview]. <a href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/the_ted_interview_sir_ken_robinson_still_wants_an_education_revolution\/transcript\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.ted.com\/talks\/the_ted_interview_sir_ken_robinson_still_wants_an_education_revolution\/transcript<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>4.<\/strong> Gardner, H. (2006). <em>Multiple intelligences \u2013 New Horizons<\/em>. Basic Books, p. 67.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>5.<\/strong> Ibid., p. 153.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>6.<\/strong> Ibid., pp. 161, 162.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>7.<\/strong> Ibid., p. 250.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>8.<\/strong> Harvard School of Education.<em> Project Spectrum. <\/em><em>Project Zero.<\/em> <a href=\"http:\/\/www.pz.harvard.edu\/projects\/project-spectrum\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.pz.harvard.edu\/projects\/project-spectrum<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>9.<\/strong> Gardner, H. (2006), p. 240.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto de Sandra Seitamaa em Unsplash \u00a0No mundo interconectado e em veloz transforma\u00e7\u00e3o, n\u00e3o se pode esperar o futuro como extens\u00e3o do presente, mas como incerteza, imprevisibilidade, da qual a pandemia Covid 19 \u00e9 exemplo. \u00c9 com lentid\u00e3o que a educa\u00e7\u00e3o se adapta \u00e0s possibilidades da internet, \u00e0 intelig\u00eancia artificial e \u00e0 Quarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Da\u00ed perguntar-se: quando o conhecimento \u00e9 omnipresente, gratuito e \u00e0 medida de cada um, como educar para uma realidade que desconhecemos? Provavelmente j\u00e1 n\u00e3o precisamos ensinar rios e montanhas de Portugal ou cronologia dos Descobrimentos, mas precisamos que as crian\u00e7as e jovens aprendam a pensar e a desenvolver solu\u00e7\u00f5es criativas para um problema, identificar informa\u00e7\u00e3o relevante e ler criticamente not\u00edcias, construir um portf\u00f3lio e desenvolver um projeto, discutir e comunicar em p\u00fablico, falando fluentemente diferentes l\u00ednguas e usando v\u00e1rios media, ajudar colegas e a associa\u00e7\u00e3o local, nadar ou brincar. Segundo Ken Robinson 1 para educar para a imprevisibilidade \u00e9 preciso fomentar a criatividade &#8211; capacidade de ter ideias originais com valor social &#8211; e as artes, t\u00e3o importantes como aprender a ler e escrever. Quando chegam \u00e0 escola, as crian\u00e7as s\u00e3o criativas, mas \u201ca escola mata a criatividade\u201d porque as prepara para um modelo de aprendizagem acad\u00e9mico, verbal e l\u00f3gico-matem\u00e1tico que incide a sua a\u00e7\u00e3o na cabe\u00e7a, esquecendo o resto do corpo. \u00c9 assim que curr\u00edculos do mundo inteiro privilegiam matem\u00e1ticas, ci\u00eancias e l\u00ednguas e desprezam educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica e artes e, dentro das artes, tamb\u00e9m criam hierarquias: artes visuais e m\u00fasica t\u00eam estatuto mais elevado do que teatro ou dan\u00e7a &#8211; \u201cN\u00e3o h\u00e1 um sistema educacional no planeta que ensine dan\u00e7a todos os dias \u00e0s crian\u00e7as da mesma forma que ensina matem\u00e1tica.\u00a0 Por qu\u00ea?\u00a0 Por que n\u00e3o? 2\u201d Para Howard Gardner, autor da Teoria das Intelig\u00eancias M\u00faltiplas (MI), a criatividade tem duas caracter\u00edsticas principais: exige dom\u00ednio aprofundado da mat\u00e9ria e \u00e9, n\u00e3o uma intelig\u00eancia independente, mas uma caracter\u00edstica da personalidade associada ao gosto em correr riscos, n\u00e3o ter medo de falhar e tentar novamente, ser atra\u00eddo pelo desconhecido, ir al\u00e9m do status quo 4. Este tra\u00e7o de personalidade pode manifestar-se em diversas intelig\u00eancias independentes entre si que, para o psic\u00f3logo da Harvard School of Education, s\u00e3o sete principais: &#8211; Verbal ou lingu\u00edstica, manifesta em escritores como Agustina Bessa-lu\u00eds ou jornalistas como F\u00e1tima Ferreira; &#8211; L\u00f3gico-matem\u00e1tica, em cientistas como Elvira Fortunato ou V\u00edtor Cardoso; &#8211; Visual ou espacial, em pintoras como Sarah Afonso e arquitetos como Souto Moura; &#8211; Musical, em maestros como Joana Carneiro; &#8211; Cinest\u00e9sica e f\u00edsica, em bailarinos como Ant\u00f3nio Casalinho e futebolistas como J\u00e9ssica Silva; &#8211; Interpessoal, em l\u00edderes como Ant\u00f3nio Guterres; &#8211; Intrapessoal [capacidade de se conhecer a si pr\u00f3prio], em terapeutas como J\u00falio Machado Vaz. Fonte da Imagem: Gardner, H. (2006). Multiple Intelligences. Basic Books. https:\/\/www.basicbooks.com\/titles\/howard-e-gardner\/multiple-intelligences\/9780786721870\/ Segundo Gardner todos os seres humanos possuem todas estas intelig\u00eancias\/ talentos num certo grau, mas o modo, estilo e contexto com que cada um as combina e aprende \u00e9 diverso, raz\u00e3o pela qual \u00e9 preciso centrar a educa\u00e7\u00e3o no indiv\u00edduo e suas diferen\u00e7as, seguindo uma abordagem personalizada e desenvolver estrat\u00e9gias de aprendizagem diversificadas: hist\u00f3rias, debates, jogos, filmes, diagramas, exerc\u00edcios pr\u00e1ticos, dramatiza\u00e7\u00f5es, visitas guiadas\u2026 Habitualmente estas intelig\u00eancias manifestam-se de forma articulada &#8211; a intelig\u00eancia tecnol\u00f3gica resulta da combina\u00e7\u00e3o entre as intelig\u00eancias l\u00f3gica, espacial e f\u00edsica e o humor das intelig\u00eancias l\u00f3gica e intrapessoal \u2013 e desta intera\u00e7\u00e3o gera-se criatividade. Outro aspeto a destacar \u00e9 que \u201cAs crian\u00e7as [sobretudo as mais novas, abaixo dos 10 anos] aprendem melhor quando est\u00e3o ativamente envolvidas na mat\u00e9ria; elas querem trabalhar diretamente com materiais e media; nas artes estas for\u00e7as e inclina\u00e7\u00f5es traduzem-se quase sempre em fazer\/ produzir algo\u201d 5. \u00a0Tamb\u00e9m \u00e9 importante que a aprendizagem seja significativa, que o curr\u00edculo se enra\u00edze em temas-problemas e materiais ligados \u00e0 vida das crian\u00e7as. Sobre a constru\u00e7\u00e3o de portef\u00f3lios -\u201cprocessfolios\u201d, termo que prefere &#8211; de que \u00e9 adepto, Gardner sugere que integrem n\u00e3o apenas os melhores trabalhos, pelos quais o estudante seria julgado numa competi\u00e7\u00e3o, mas o trabalho integral em curso &#8211; \u201cesbo\u00e7os provis\u00f3rios, cr\u00edticas de si pr\u00f3prio e de outros, obras de arte de outros que admira ou n\u00e3o gosta\u201d, devendo expressar a consci\u00eancia sobre suas for\u00e7as e fraquezas, capacidade de refletir com rigor, autocriticar-se e fazer uso de cr\u00edticas dos outros, identificar e resolver novos problemas, estabelecer marcos de desenvolvimento pessoal 6. Na escola, a biblioteca distingue-se dos outros espa\u00e7os de sala de aula por dispor de oportunidades para desenvolver a intelig\u00eancia de modo integral. Esta \u00e9 a descri\u00e7\u00e3o de Gardner de uma das primeiras bibliotecas escolares MI 7: \u201ca express\u00e3o biblioteca de m\u00faltiplas intelig\u00eancias parece um ox\u00edmoro porque as bibliotecas sugerem a hegemonia de livros e, portanto, de uma ou duas intelig\u00eancias. De facto, a biblioteca MI [da New City School em St. Louis, Escola B\u00e1sica do Estado de Missouri, EUA] tem generosamente guardados livros, quer para as crian\u00e7as, quer para os pais e adultos interessados. Os livros s\u00e3o organizados tendo em vista as intelig\u00eancias que o seu conte\u00fado implica. Mas o que torna a biblioteca diferente \u00e9 o seu aprovisionamento de uma variedade de ambientes de aprendizagem nos quais as crian\u00e7as podem exibir e desenvolver v\u00e1rias intelig\u00eancias \u2013 \u00e1reas para desenhar e fazer constru\u00e7\u00f5es tridimensionais; para criar em filmes e media digitais; para espet\u00e1culos de teatro; para explora\u00e7\u00f5es musicais; para trabalho de grupo para as crian\u00e7as, tal como \u00e1reas confort\u00e1veis onde os adultos se podem sentar, relaxar (\u2026) ler sozinhos ou com as suas crian\u00e7as.\u201d Fundador do Projeto Spectrum 8, Gardner trabalha no sentido de desenvolver em cada crian\u00e7a um perfil de compet\u00eancias ou espectro de intelig\u00eancias din\u00e2mico, por meio da educa\u00e7\u00e3o e ambientes ricos em recursos e atividades. No futuro considera que o desafio da sociedade n\u00e3o est\u00e1 tanto em formar indiv\u00edduos mais inteligentes, mas em humanizar a intelig\u00eancia, dando-lhe um sentido de responsabilidade \u00e9tica, de modo a que os fins que a dirigem sejam orientados para a pr\u00e1tica universal do bem 9. Desenvolver um modelo de aprendizagem hol\u00edstico centrado no relacionamento dever\u00e1 ser uma tend\u00eancia a aprofundar. \u00a0 Refer\u00eancias 1. Robinson, K. Blog. http:\/\/sirkenrobinson.com\/blog\/ 2. Robinson, K. (2006). As escolas matam a criatividade? TED conference. https:\/\/www.ted.com\/talks\/sir_ken_robinson_do_schools_kill_creativity\/transcript 3. Robinson, K. Sir Ken Robinson (still) wants an education revolution. TED [interview]. https:\/\/www.ted.com\/talks\/the_ted_interview_sir_ken_robinson_still_wants_an_education_revolution\/transcript 4. Gardner, H. (2006). Multiple intelligences \u2013 New Horizons. Basic Books, p. 67. 5. Ibid., p. 153. 6. Ibid., pp. 161, 162. 7. Ibid., p. 250. 8. Harvard School of Education. Project Spectrum. Project Zero. http:\/\/www.pz.harvard.edu\/projects\/project-spectrum 9. Gardner, H. (2006), p. 240.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[177,65],"tags":[],"class_list":["post-2445762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-arte","category-criatividade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2445762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2445762"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2445762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087885,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2445762\/revisions\/3087885"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2445762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2445762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2445762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}