{"id":2443275,"date":"2021-04-22T10:20:00","date_gmt":"2021-04-22T10:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2443275.html"},"modified":"2026-05-13T15:24:24","modified_gmt":"2026-05-13T15:24:24","slug":"metodologias-ativas-o-trabalho-de-projeto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2443275","title":{"rendered":"Metodologias ativas | O trabalho de projeto"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-04-22 vijay-kumar-gaba-YuW9XN9Jx2s-unsplash -\" height=\"383\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22069305_IPAlt.jpeg\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" width=\"605\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Photo by\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@vijay_kumar_gaba?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Vijay Kumar Gaba<\/a>\u00a0on\u00a0<a href=\"https:\/\/unsplash.com\/s\/photos\/reserach-togheter?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Unsplash<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O mundo inconstante e plural em que vivemos exige-nos, frequentemente, a cria\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de projetos, pessoais ou profissionais. Tamb\u00e9m em educa\u00e7\u00e3o a utiliza\u00e7\u00e3o do trabalho de projeto \u00e9 cada vez mais frequente, pois coloca o aluno no centro da sua pr\u00f3pria aprendizagem. O projeto permite desenvolver compet\u00eancias consideradas essenciais para a vida em sociedade, nomeadamente o de enfrentar problemas complexos, para al\u00e9m das vantagens que traz ao n\u00edvel da motiva\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o com os outros ou resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A abordagem por projeto leva o aluno a conceber, organizar e avaliar projetos, favorecendo situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem com significado (Perrenoud, 1999). Para al\u00e9m disso, o projeto mobiliza os alunos, pois apoia-se em situa\u00e7\u00f5es concretas, isto \u00e9, em pr\u00e1ticas sociais que favorecem a autonomia e a capacidade de fazer escolhas e de negociar. Desta forma, fomenta a diferencia\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, porque se adapta \u00e0 heterogeneidade do grupo turma e ajuda os alunos a terem confian\u00e7a nas suas capacidades e a desenvolverem o esp\u00edrito de coopera\u00e7\u00e3o e de equipa, pois, em conjunto, t\u00eam de resolver problemas, gerando processos de socializa\u00e7\u00e3o e de transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com o saber.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 o trabalho de projeto?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O trabalho de projeto \u00e9 uma abordagem pedag\u00f3gica, realizada num <strong>contexto<\/strong> que se caracteriza pela intera\u00e7\u00e3o entre pares e pela autorregula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da qual os alunos, ao realizarem de forma ativa e <strong>aut\u00f3noma<\/strong>, sob a supervis\u00e3o do professor, um conjunto de atividades que planearam, com vista \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o de um determinado projeto que responde a um <strong>problema de partida<\/strong>, desenvolvem compet\u00eancias, n\u00e3o s\u00f3 espec\u00edficas de determinadas \u00e1reas do saber, mas sobretudo transversais, num processo de <strong>aprendizagem cont\u00ednuo<\/strong> que lhes permite atribuir sentido \u00e0s suas aprendizagens (Ferreira Rodrigues, 2005).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta defini\u00e7\u00e3o real\u00e7a:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; a import\u00e2ncia do <strong>contexto e da intera\u00e7\u00e3o<\/strong> entre os alunos e o pr\u00f3prio professor, que assume um papel de supervisor, de mediador;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; o papel da <strong>autorregula\u00e7\u00e3o<\/strong>, essencial para avaliar o processo de realiza\u00e7\u00e3o do projeto, tendo em conta a consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos definidos, e para orientar a tomada de decis\u00f5es dos alunos;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; o desenvolvimento de <strong>compet\u00eancias<\/strong>, n\u00e3o s\u00f3 espec\u00edficas de determinadas \u00e1reas curriculares, mas sobretudo transversais, isto \u00e9, metodol\u00f3gicas, sociais, intelectuais;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; a passagem da inten\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da planifica\u00e7\u00e3o, ao <strong>resultado<\/strong>, \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o do projeto, que se traduz num produto final.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Como se implementa? <\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>As etapas propostas por Ferreira Rodrigues (2005) para a realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho de projeto s\u00e3o apresentadas na figura abaixo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-04-22 Imagem1.png\" height=\"265\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22069307_CDgaN.png\" style=\"width: 500px; padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;\" width=\"500\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Figura 1 <\/strong>\u2013 Etapas do trabalho de projeto<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Apresenta-se de seguida cada uma destas fases.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fase 1 &#8211; Escolha do Problema<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta fase inicial \u00e9 essencial para o sucesso de qualquer projeto. Nesse sentido, \u00e9 importante que o problema definido seja:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>significativo, pertinente e desafiante, para que os alunos invistam na sua realiza\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>exequ\u00edvel, isto \u00e9, os alunos devem ser confrontados com situa\u00e7\u00f5es resol\u00faveis, pelo que se deve ter em conta, entre outros, o grau de complexidade, as caracter\u00edsticas dos alunos, os recursos e o tempo dispon\u00edveis;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>real, pois s\u00f3 assim os alunos se envolver\u00e3o na descoberta de pistas, explorando ideias, discutindo e pondo em quest\u00e3o a sua pr\u00f3pria maneira de pensar e a dos outros, validando resultados.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>A <strong>resolu\u00e7\u00e3o de problemas<\/strong> \u00e9 aqui vista na ace\u00e7\u00e3o de Polya (1994), para quem resolver um problema \u00e9 descobrir um modo desconhecido, encontrar uma forma de contornar um obst\u00e1culo, atingir um fim desejado.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fase 2 &#8211; Formula\u00e7\u00e3o de problemas parcelares<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a escolha do problema a trabalhar, os grupos, previamente formados, dever\u00e3o reunir, para definir problemas parcelares, que devem levar \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do problema central, com base em:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>an\u00e1lise do problema apresentado,<\/li>\n<p><\/p>\n<li>discuss\u00e3o de propostas individuais,<\/li>\n<p><\/p>\n<li>negocia\u00e7\u00e3o de propostas,<\/li>\n<p><\/p>\n<li>formula\u00e7\u00e3o de objetivos.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>A formula\u00e7\u00e3o de problemas parcelares \u00e9 importante, pois, para al\u00e9m de facilitar a distribui\u00e7\u00e3o de tarefas no seio do grupo, permite delimitar claramente o <strong>campo de investiga\u00e7\u00e3o<\/strong>. Estes problemas parcelares devem ser apresentados e discutidos em plen\u00e1rio, procedendo-se \u00e0 sua valida\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fase 3 &#8211; Prepara\u00e7\u00e3o e planifica\u00e7\u00e3o do trabalho<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nesta fase, o grupo deve estabelecer a estrat\u00e9gia a seguir e para isso \u00e9 preciso que haja:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>defini\u00e7\u00e3o de regras claras de funcionamento;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>distribui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is e de tarefas;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>organiza\u00e7\u00e3o de subgrupos de trabalho, se necess\u00e1rio;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>gest\u00e3o dos recursos existentes;<\/li>\n<p><\/p>\n<li>defini\u00e7\u00e3o de mecanismos de controlo.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>A planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o sucesso do projeto, pelo que os alunos dever\u00e3o planificar cuidadosamente o trabalho a realizar, em cada etapa, tendo em conta as caracter\u00edsticas individuais de cada elemento do grupo, os recursos existentes, o tempo dispon\u00edvel, bem como o pr\u00f3prio contexto e os objetivos a atingir. \u00c9 tamb\u00e9m nesta fase que os alunos distribuem <strong>tarefas<\/strong>, escolhem modos de regula\u00e7\u00e3o do <strong>funcionamento do grupo<\/strong>, definem o calend\u00e1rio de trabalho e os <strong>m\u00e9todos<\/strong> a utilizar para a recolha de dados.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fase 4 &#8211; Pesquisa e tratamento da informa\u00e7\u00e3o recolhida<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O per\u00edodo de pesquisa e tratamento da informa\u00e7\u00e3o recolhida implica o acesso a <strong>fontes diversificadas<\/strong>, que permitam a recolha de todos os elementos necess\u00e1rios. Para isso, os alunos devem fazer um invent\u00e1rio de todos os recursos existentes, tendo em conta a sua adequa\u00e7\u00e3o aos objetivos do projeto. O professor assume nesta fase um papel importante, pois, para al\u00e9m de sugerir recursos complementares, deve levar os alunos a refletir sobre a pertin\u00eancia dos recursos que escolheram. Para o tratamento da informa\u00e7\u00e3o recolhida, os alunos devem traduzir fielmente as informa\u00e7\u00f5es pertinentes, indicando as suas fontes; distinguir o essencial do acess\u00f3rio; estruturar a informa\u00e7\u00e3o recolhida com base nos problemas parcelares definidos e com vista \u00e0 sua resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este \u00e9 o tempo prop\u00edcio para a <strong>aquisi\u00e7\u00e3o de saberes<\/strong>. \u00c9, por excel\u00eancia, o per\u00edodo de experimenta\u00e7\u00e3o, em que os alunos desenvolvem compet\u00eancias metodol\u00f3gicas, como a observa\u00e7\u00e3o, a tomada de notas e a an\u00e1lise dos dados. \u00c9 tamb\u00e9m nesta fase que se efetua a an\u00e1lise, compara\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o dos dados recolhidos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fase 5 \u2013 Prepara\u00e7\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ap\u00f3s a fase de pesquisa e tratamento da informa\u00e7\u00e3o, o grupo est\u00e1 preparado para apresentar e <strong>discutir os resultados alcan\u00e7ados<\/strong>, isto \u00e9 para propor a resolu\u00e7\u00e3o para os problemas definidos. Para isso, tem de preparar a apresenta\u00e7\u00e3o do seu projeto, planificando-a, com base nos objetivos, os meios dispon\u00edveis, o p\u00fablico-alvo e o tempo dispon\u00edvel. O professor deve facultar aos alunos a informa\u00e7\u00e3o sobre os v\u00e1rios tipos e modalidades de apresenta\u00e7\u00e3o existentes, para que estes possam escolher a que melhor se adequa ao seu projeto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fase 6 &#8211; Apresenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma etapa muito importante, pois o grupo transmite aos outros o resultado do seu projeto, isto \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o de uma inten\u00e7\u00e3o do grupo e assume, por isso, uma dupla <strong>fun\u00e7\u00e3o<\/strong>, <strong>social e formadora<\/strong>. Desta forma, valoriza-se n\u00e3o s\u00f3 o trabalho do grupo, evidenciando-se as capacidades de <strong>comunica\u00e7\u00e3o<\/strong>, individuais ou coletivas, mas tamb\u00e9m a obra realizada e a sua utilidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Fase 7 &#8211; Avalia\u00e7\u00e3o Global<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o decorre ao longo de todo o projeto, sempre com car\u00e1cter <strong>formativo e regulador<\/strong>. Deve privilegiar-se, sobretudo, a autoavalia\u00e7\u00e3o e a coavalia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o pelos outros. Esta avalia\u00e7\u00e3o pode ser efetuada de variad\u00edssimas formas, dependendo dos objetivos que se pretendem alcan\u00e7ar, de que s\u00e3o exemplo os relat\u00f3rios, os di\u00e1rios, os portfolios ou as grelhas de verifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o final, que deve ser promovida nesta etapa do projeto, com base nos <strong>crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o<\/strong> previamente definidos e discutidos com os alunos, \u00e9 um tempo de <strong>reflex\u00e3o<\/strong> e reajustamento, tendo em conta os objetivos definidos e os resultados alcan\u00e7ados, quer pelo aluno e pelo grupo, quer pela turma e pelo pr\u00f3prio professor.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Deve avaliar-se n\u00e3o s\u00f3 o produto final e a sua adequa\u00e7\u00e3o aos objetivos inicialmente definidos, mas tamb\u00e9m todo o processo de realiza\u00e7\u00e3o do projeto, quer do ponto de vista dos alunos, quer do professor, ou seja, as aprendizagens efetuadas, e as compet\u00eancias desenvolvidas, ao n\u00edvel cognitivo, afetivo, interpessoal, comunicacional e metodol\u00f3gico (Proulx, 2004).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Esta proposta, bem como as etapas que a constituem, \u00e9 apenas <strong>indicativa<\/strong>, visto que cada projeto tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e condicionantes que est\u00e3o dependentes n\u00e3o s\u00f3 do contexto em que se inserem e dos atores que o realizam, mas tamb\u00e9m dos objetivos delineados para esse projeto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Qual o papel da biblioteca escolar?<\/strong><strong>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A <strong>biblioteca escolar<\/strong> pode contribuir de forma significativa para a implementa\u00e7\u00e3o desta metodologia, nas suas v\u00e1rias fases:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; favorece o contacto dos alunos com <strong>fontes de informa\u00e7\u00e3o<\/strong> diversificadas, apoiando o tratamento da informa\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; fomenta a utiliza\u00e7\u00e3o de <strong>ferramentas digitais<\/strong> adequadas a cada momento do trabalho e \u00e0s caracter\u00edsticas dos alunos e do projeto;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; apoia os alunos na cria\u00e7\u00e3o de artefactos digitais, sobretudo para a apresenta\u00e7\u00e3o do projeto;<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; apoia os professores ao longo do projeto, nomeadamente na (co)avalia\u00e7\u00e3o formativa, que \u00e9 transversal a todo o projeto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>&#8211; \u2026<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Ferreira Rodrigues, A. P. (2005). <em>Desenvolver\u00a0compet\u00eancias\u00a0atrav\u00e9s\u00a0de\u00a0projetos: Os contributos da \u00e1rea de projeto. Um estudo\u00a0de\u00a0caso<\/em>\u00a0(Tese de Mestrado). Lisboa: Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Perrenoud, P. (1999). Apprendre \u00e0 l\u2019\u00e9cole \u00e0 travers des projets: Pourquoi? Comment\u00a0?. Acedido em 15\/04\/2021 em <a href=\"https:\/\/bit.ly\/3tErKgr\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/bit.ly\/3tErKgr<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Polya, G. (1994). <em>Comment poser et r\u00e9soudre un probl\u00e8me<\/em>. Sceaux\u00a0: \u00c9ditions Jacques Gabay.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Proulx, J. (2004). <em>Apprentissage par projet<\/em>. Qu\u00e9bec\u00a0: Presses de l\u2019Universit\u00e9 du Qu\u00e9bec.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Photo by\u00a0Vijay Kumar Gaba\u00a0on\u00a0Unsplash O mundo inconstante e plural em que vivemos exige-nos, frequentemente, a cria\u00e7\u00e3o, gest\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o de projetos, pessoais ou profissionais. Tamb\u00e9m em educa\u00e7\u00e3o a utiliza\u00e7\u00e3o do trabalho de projeto \u00e9 cada vez mais frequente, pois coloca o aluno no centro da sua pr\u00f3pria aprendizagem. O projeto permite desenvolver compet\u00eancias consideradas essenciais para a vida em sociedade, nomeadamente o de enfrentar problemas complexos, para al\u00e9m das vantagens que traz ao n\u00edvel da motiva\u00e7\u00e3o, coopera\u00e7\u00e3o com os outros ou resolu\u00e7\u00e3o de problemas. A abordagem por projeto leva o aluno a conceber, organizar e avaliar projetos, favorecendo situa\u00e7\u00f5es de aprendizagem com significado (Perrenoud, 1999). Para al\u00e9m disso, o projeto mobiliza os alunos, pois apoia-se em situa\u00e7\u00f5es concretas, isto \u00e9, em pr\u00e1ticas sociais que favorecem a autonomia e a capacidade de fazer escolhas e de negociar. Desta forma, fomenta a diferencia\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica, porque se adapta \u00e0 heterogeneidade do grupo turma e ajuda os alunos a terem confian\u00e7a nas suas capacidades e a desenvolverem o esp\u00edrito de coopera\u00e7\u00e3o e de equipa, pois, em conjunto, t\u00eam de resolver problemas, gerando processos de socializa\u00e7\u00e3o e de transforma\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o com o saber. \u00a0 O que \u00e9 o trabalho de projeto? O trabalho de projeto \u00e9 uma abordagem pedag\u00f3gica, realizada num contexto que se caracteriza pela intera\u00e7\u00e3o entre pares e pela autorregula\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da qual os alunos, ao realizarem de forma ativa e aut\u00f3noma, sob a supervis\u00e3o do professor, um conjunto de atividades que planearam, com vista \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o de um determinado projeto que responde a um problema de partida, desenvolvem compet\u00eancias, n\u00e3o s\u00f3 espec\u00edficas de determinadas \u00e1reas do saber, mas sobretudo transversais, num processo de aprendizagem cont\u00ednuo que lhes permite atribuir sentido \u00e0s suas aprendizagens (Ferreira Rodrigues, 2005). Esta defini\u00e7\u00e3o real\u00e7a: &#8211; a import\u00e2ncia do contexto e da intera\u00e7\u00e3o entre os alunos e o pr\u00f3prio professor, que assume um papel de supervisor, de mediador; &#8211; o papel da autorregula\u00e7\u00e3o, essencial para avaliar o processo de realiza\u00e7\u00e3o do projeto, tendo em conta a consecu\u00e7\u00e3o dos objetivos definidos, e para orientar a tomada de decis\u00f5es dos alunos; &#8211; o desenvolvimento de compet\u00eancias, n\u00e3o s\u00f3 espec\u00edficas de determinadas \u00e1reas curriculares, mas sobretudo transversais, isto \u00e9, metodol\u00f3gicas, sociais, intelectuais; &#8211; a passagem da inten\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, da planifica\u00e7\u00e3o, ao resultado, \u00e0 consecu\u00e7\u00e3o do projeto, que se traduz num produto final. \u00a0 Como se implementa? As etapas propostas por Ferreira Rodrigues (2005) para a realiza\u00e7\u00e3o de um trabalho de projeto s\u00e3o apresentadas na figura abaixo. Figura 1 \u2013 Etapas do trabalho de projeto \u00a0 Apresenta-se de seguida cada uma destas fases. \u00a0 Fase 1 &#8211; Escolha do Problema Esta fase inicial \u00e9 essencial para o sucesso de qualquer projeto. Nesse sentido, \u00e9 importante que o problema definido seja: significativo, pertinente e desafiante, para que os alunos invistam na sua realiza\u00e7\u00e3o; exequ\u00edvel, isto \u00e9, os alunos devem ser confrontados com situa\u00e7\u00f5es resol\u00faveis, pelo que se deve ter em conta, entre outros, o grau de complexidade, as caracter\u00edsticas dos alunos, os recursos e o tempo dispon\u00edveis; real, pois s\u00f3 assim os alunos se envolver\u00e3o na descoberta de pistas, explorando ideias, discutindo e pondo em quest\u00e3o a sua pr\u00f3pria maneira de pensar e a dos outros, validando resultados. A resolu\u00e7\u00e3o de problemas \u00e9 aqui vista na ace\u00e7\u00e3o de Polya (1994), para quem resolver um problema \u00e9 descobrir um modo desconhecido, encontrar uma forma de contornar um obst\u00e1culo, atingir um fim desejado. \u00a0 Fase 2 &#8211; Formula\u00e7\u00e3o de problemas parcelares Ap\u00f3s a escolha do problema a trabalhar, os grupos, previamente formados, dever\u00e3o reunir, para definir problemas parcelares, que devem levar \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o do problema central, com base em: an\u00e1lise do problema apresentado, discuss\u00e3o de propostas individuais, negocia\u00e7\u00e3o de propostas, formula\u00e7\u00e3o de objetivos. A formula\u00e7\u00e3o de problemas parcelares \u00e9 importante, pois, para al\u00e9m de facilitar a distribui\u00e7\u00e3o de tarefas no seio do grupo, permite delimitar claramente o campo de investiga\u00e7\u00e3o. Estes problemas parcelares devem ser apresentados e discutidos em plen\u00e1rio, procedendo-se \u00e0 sua valida\u00e7\u00e3o. \u00a0 Fase 3 &#8211; Prepara\u00e7\u00e3o e planifica\u00e7\u00e3o do trabalho Nesta fase, o grupo deve estabelecer a estrat\u00e9gia a seguir e para isso \u00e9 preciso que haja: defini\u00e7\u00e3o de regras claras de funcionamento; distribui\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is e de tarefas; organiza\u00e7\u00e3o de subgrupos de trabalho, se necess\u00e1rio; gest\u00e3o dos recursos existentes; defini\u00e7\u00e3o de mecanismos de controlo. A planifica\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para o sucesso do projeto, pelo que os alunos dever\u00e3o planificar cuidadosamente o trabalho a realizar, em cada etapa, tendo em conta as caracter\u00edsticas individuais de cada elemento do grupo, os recursos existentes, o tempo dispon\u00edvel, bem como o pr\u00f3prio contexto e os objetivos a atingir. \u00c9 tamb\u00e9m nesta fase que os alunos distribuem tarefas, escolhem modos de regula\u00e7\u00e3o do funcionamento do grupo, definem o calend\u00e1rio de trabalho e os m\u00e9todos a utilizar para a recolha de dados. \u00a0 Fase 4 &#8211; Pesquisa e tratamento da informa\u00e7\u00e3o recolhida O per\u00edodo de pesquisa e tratamento da informa\u00e7\u00e3o recolhida implica o acesso a fontes diversificadas, que permitam a recolha de todos os elementos necess\u00e1rios. Para isso, os alunos devem fazer um invent\u00e1rio de todos os recursos existentes, tendo em conta a sua adequa\u00e7\u00e3o aos objetivos do projeto. O professor assume nesta fase um papel importante, pois, para al\u00e9m de sugerir recursos complementares, deve levar os alunos a refletir sobre a pertin\u00eancia dos recursos que escolheram. Para o tratamento da informa\u00e7\u00e3o recolhida, os alunos devem traduzir fielmente as informa\u00e7\u00f5es pertinentes, indicando as suas fontes; distinguir o essencial do acess\u00f3rio; estruturar a informa\u00e7\u00e3o recolhida com base nos problemas parcelares definidos e com vista \u00e0 sua resolu\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o tempo prop\u00edcio para a aquisi\u00e7\u00e3o de saberes. \u00c9, por excel\u00eancia, o per\u00edodo de experimenta\u00e7\u00e3o, em que os alunos desenvolvem compet\u00eancias metodol\u00f3gicas, como a observa\u00e7\u00e3o, a tomada de notas e a an\u00e1lise dos dados. \u00c9 tamb\u00e9m nesta fase que se efetua a an\u00e1lise, compara\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o dos dados recolhidos. \u00a0 Fase 5 \u2013 Prepara\u00e7\u00e3o da apresenta\u00e7\u00e3o Ap\u00f3s a fase de pesquisa e tratamento da informa\u00e7\u00e3o, o grupo est\u00e1 preparado para apresentar e discutir os resultados alcan\u00e7ados, isto \u00e9 para propor a resolu\u00e7\u00e3o para os problemas definidos. Para isso, tem de preparar a apresenta\u00e7\u00e3o do seu projeto, planificando-a, com base nos objetivos, os meios dispon\u00edveis, o p\u00fablico-alvo e o tempo dispon\u00edvel. O professor deve facultar aos alunos a informa\u00e7\u00e3o sobre os v\u00e1rios tipos e modalidades de apresenta\u00e7\u00e3o existentes, para que estes possam escolher a que melhor se adequa ao seu projeto. \u00a0 Fase 6 &#8211; Apresenta\u00e7\u00e3o Esta \u00e9 uma etapa muito importante, pois o grupo transmite aos outros o resultado do seu projeto, isto \u00e9 a concretiza\u00e7\u00e3o de uma inten\u00e7\u00e3o do grupo e assume, por isso, uma dupla fun\u00e7\u00e3o, social e formadora. Desta forma, valoriza-se n\u00e3o s\u00f3 o trabalho do grupo, evidenciando-se as capacidades de comunica\u00e7\u00e3o, individuais ou coletivas, mas tamb\u00e9m a obra realizada e a sua utilidade. \u00a0 Fase 7 &#8211; Avalia\u00e7\u00e3o Global A avalia\u00e7\u00e3o decorre ao longo de todo o projeto, sempre com car\u00e1cter formativo e regulador. Deve privilegiar-se, sobretudo, a autoavalia\u00e7\u00e3o e a coavalia\u00e7\u00e3o, isto \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o pelos outros. Esta avalia\u00e7\u00e3o pode ser efetuada de variad\u00edssimas formas, dependendo dos objetivos que se pretendem alcan\u00e7ar, de que s\u00e3o exemplo os relat\u00f3rios, os di\u00e1rios, os portfolios ou as grelhas de verifica\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o final, que deve ser promovida nesta etapa do projeto, com base nos crit\u00e9rios de avalia\u00e7\u00e3o previamente definidos e discutidos com os alunos, \u00e9 um tempo de reflex\u00e3o e reajustamento, tendo em conta os objetivos definidos e os resultados alcan\u00e7ados, quer pelo aluno e pelo grupo, quer pela turma e pelo pr\u00f3prio professor. Deve avaliar-se n\u00e3o s\u00f3 o produto final e a sua adequa\u00e7\u00e3o aos objetivos inicialmente definidos, mas tamb\u00e9m todo o processo de realiza\u00e7\u00e3o do projeto, quer do ponto de vista dos alunos, quer do professor, ou seja, as aprendizagens efetuadas, e as compet\u00eancias desenvolvidas, ao n\u00edvel cognitivo, afetivo, interpessoal, comunicacional e metodol\u00f3gico (Proulx, 2004). Esta proposta, bem como as etapas que a constituem, \u00e9 apenas indicativa, visto que cada projeto tem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias e condicionantes que est\u00e3o dependentes n\u00e3o s\u00f3 do contexto em que se inserem e dos atores que o realizam, mas tamb\u00e9m dos objetivos delineados para esse projeto. \u00a0 Qual o papel da biblioteca escolar?\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 A biblioteca escolar pode contribuir de forma significativa para a implementa\u00e7\u00e3o desta metodologia, nas suas v\u00e1rias fases: &#8211; favorece o contacto dos alunos com fontes de informa\u00e7\u00e3o diversificadas, apoiando o tratamento da informa\u00e7\u00e3o; &#8211; fomenta a utiliza\u00e7\u00e3o de ferramentas digitais adequadas a cada momento do trabalho e \u00e0s caracter\u00edsticas dos alunos e do projeto; &#8211; apoia os alunos na cria\u00e7\u00e3o de artefactos digitais, sobretudo para a apresenta\u00e7\u00e3o do projeto; &#8211; apoia os professores ao longo do projeto, nomeadamente na (co)avalia\u00e7\u00e3o formativa, que \u00e9 transversal a todo o projeto. &#8211; \u2026 \u00a0 Refer\u00eancias\u00a0 Ferreira Rodrigues, A. P. (2005). Desenvolver\u00a0compet\u00eancias\u00a0atrav\u00e9s\u00a0de\u00a0projetos: Os contributos da \u00e1rea de projeto. Um estudo\u00a0de\u00a0caso\u00a0(Tese de Mestrado). Lisboa: Faculdade de Ci\u00eancias Sociais e Humanas, Universidade Nova de Lisboa. Perrenoud, P. (1999). Apprendre \u00e0 l\u2019\u00e9cole \u00e0 travers des projets: Pourquoi? Comment\u00a0?. Acedido em 15\/04\/2021 em https:\/\/bit.ly\/3tErKgr Polya, G. (1994). Comment poser et r\u00e9soudre un probl\u00e8me. Sceaux\u00a0: \u00c9ditions Jacques Gabay. Proulx, J. (2004). Apprentissage par projet. Qu\u00e9bec\u00a0: Presses de l\u2019Universit\u00e9 du Qu\u00e9bec.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32,198],"tags":[],"class_list":["post-2443275","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aprendizagem","category-metodologias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2443275","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2443275"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2443275\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087905,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2443275\/revisions\/3087905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2443275"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2443275"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2443275"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}