{"id":2437642,"date":"2021-04-13T09:00:00","date_gmt":"2021-04-13T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2437642.html"},"modified":"2026-05-13T15:25:44","modified_gmt":"2026-05-13T15:25:44","slug":"as-bibliotecas-escolares-e-a-luta-contra-as-fake-news","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2437642","title":{"rendered":"As bibliotecas escolares e a luta contra as fake news"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Lucas Maxwell \u0406 25 de janeiro 2021<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-04-13 facebook-app-on-screen-2.jpg\" height=\"324\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22059100_eoVY7.jpeg\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" width=\"605\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Fonte: <a href=\"https:\/\/bookriot.com\/how-to-teach-about-fake-news\/\">How to Teach About Fake News in School Libraries (bookriot.com)<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na biblioteca escolar onde trabalho estou a tentar assegurar que os alunos entre os 11 e os 19 anos tomem consci\u00eancia do flagelo que representam as <em>fake news<\/em>. N\u00e3o me interpretem mal; os alunos est\u00e3o conscientes da exist\u00eancia de not\u00edcias falsas<em>,<\/em> mas n\u00e3o compreendem necessariamente o qu\u00e3o perigosas podem ser, sobretudo no atual panorama medi\u00e1tico fragmentado.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Recentemente, numa entrevista que dei \u00e0 Amy Hermon para o programa em podcast da <em>School Librarians United<\/em> ela perguntou-me porque \u00e9 que decidi ajudar os alunos a lutar contra este problema. Parece-me que \u00e9 das coisas mais importantes que qualquer pessoa ligada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o deveria estar a fazer. A Hist\u00f3ria soltou-se, a realidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um objeto tang\u00edvel que possamos invocar para nos mantermos focados, calmos e reagirmos com sensatez. Vimos isto no epis\u00f3dio do ataque ao Capit\u00f3lio, vimos isto com o aumento das teorias da conspira\u00e7\u00e3o <em>QAnon, <\/em>e s\u00f3 ir\u00e1 piorar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m conhecemos o impacto das not\u00edcias falsas e da desinforma\u00e7\u00e3o aqui no Reino Unido. Os te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o destru\u00edram 77 torres de WiFi 5G por considerarem que as torres espalhavam a COVID-19.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>E neste momento, as not\u00edcias falsas continuam a fazer caminho levando as pessoas do Sul da \u00c1sia que residem no Reino Unido a rejeitar as vacinas contra a COVID-19. Trata-se de um problema s\u00e9rio \u2013 j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o apenas memes est\u00fapidos, \u00e9 uma amea\u00e7a real e perigosa \u00e0 sa\u00fade p\u00fabica e \u00e0 democracia no seu todo. Na minha opini\u00e3o, trata-se de uma emerg\u00eancia pol\u00edtica e social.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Portanto, como lutamos contra isto? Pode parecer incontrol\u00e1vel; pessoalmente, evito perseguir os <em>trolls,<\/em> pois s\u00e3o demasiados e n\u00e3o conseguimos mudar as suas cabe\u00e7as. N\u00e3o sei quem fez a afirma\u00e7\u00e3o, mas vem-me \u00e0 ideia esta frase \u00aba mente n\u00e3o \u00e9 um <em>boomerang<\/em>, se a lan\u00e7as para muito longe, pode n\u00e3o regressar\u00bb.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A minha abordagem consistiu em levar o assunto para as aulas que os alunos t\u00eam na escola. Durante um m\u00eas ensinarei cerca de 700 alunos. Dentro de alguns meses, vou tentar trazer este assunto para a ribalta e dar-lhes ferramentas para lutarem contra as not\u00edcias falsas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tento envolver os alunos e abordar o assunto de forma l\u00fadica. Eis como procedi antes do atual confinamento:<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Organizei os alunos em seis grupos de cinco elementos. Cada grupo recebeu uma not\u00edcia diferente. Cada not\u00edcia tinha sido publicada; por outras palavras, n\u00e3o inventei nenhuma das not\u00edcias. Estas not\u00edcias foram criadas e divulgadas na Internet. O truque consistia no facto de apenas uma das not\u00edcias ser real. Os grupos tiveram de ler a not\u00edcia que lhes coube e decidir se se tratava da not\u00edcia verdadeira.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>N\u00e3o estou a tentar deprimir nem assustar ningu\u00e9m, mas as not\u00edcias v\u00e3o desde \u00abMulher encontra 90,000 abelhas no carro\u00bb e \u00abPinturas rupestres retratam humanos a combater os dinossauros\u00bb.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Parece-me que esta \u00e9 uma boa forma de fazer com que os alunos falem sobre o assunto sem os massacrarmos. Quando terminamos a tarefa, refletimos sobre as pistas que nos permitem identificar uma not\u00edcia falsa. Observamos o tipo de linguagem, o texto escrito com letras mai\u00fasculas, pontos de exclama\u00e7\u00e3o, analisamos quando algo \u00e9 demasiado bom para ser verdade. Atentamos nas reclama\u00e7\u00f5es sem fundamento, nos erros gramaticais e ortogr\u00e1ficos, nas imagens sem refer\u00eancias, entre outras coisas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando terminamos, mostro uma p\u00e1gina web falsa aos alunos para a analisarem. Cont\u00e9m todas as carater\u00edsticas de que fal\u00e1mos anteriormente. Plastifico as p\u00e1ginas web, pe\u00e7o-lhes para usarem marcadores e fazerem um c\u00edrculo com bandeiras vermelhas em tornos das not\u00edcias falsas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Isto resulta sempre numa boa discuss\u00e3o, sobretudo sobre os uniformes escolares que at\u00e9 certo ponto quase todos os alunos no Reino Unido t\u00eam de usar. Apercebi-me que depois de dar o primeiro passo nesta aula, os alunos s\u00e3o suficientemente perspicazes para identificarem os potenciais problemas relacionados com artigos falsos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando terminamos esta atividade, fazemos um question\u00e1rio sobre not\u00edcias falsas. O meu objetivo com este question\u00e1rio \u00e9 mostrar aos alunos o tipo de manchetes que circulam frequentemente na Internet. Estas manchetes e hist\u00f3rias foram tornadas p\u00fablicas e algumas foram partilhadas por celebridades. Este \u00faltimo aspeto, muitas vezes, d\u00e1 mais credibilidades \u00e0s hist\u00f3rias do que outros. No question\u00e1rio, os alunos t\u00eam de ler uma manchete e decidir se acham que \u00e9 verdadeira ou falsa. Parece f\u00e1cil, mas pode ser complicado. J\u00e1 apliquei este question\u00e1rio a cerca de 400 alunos e a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia \u00e9 de 64%, o que significa que ainda h\u00e1 trabalho a ser feito.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O artigo <a href=\"https:\/\/bookriot.com\/how-to-teach-about-fake-news\/\">\u00abSchool libraries and their fight against fake news \u00bb<\/a> foi originalmente publicado no s\u00edtio <a href=\"https:\/\/bookriot.com\/\">Bookriot<\/a>. Texto traduzido livremente a partir do ingl\u00eas, com autoriza\u00e7\u00e3o do autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lucas Maxwell \u0406 25 de janeiro 2021 Fonte: How to Teach About Fake News in School Libraries (bookriot.com) Na biblioteca escolar onde trabalho estou a tentar assegurar que os alunos entre os 11 e os 19 anos tomem consci\u00eancia do flagelo que representam as fake news. N\u00e3o me interpretem mal; os alunos est\u00e3o conscientes da exist\u00eancia de not\u00edcias falsas, mas n\u00e3o compreendem necessariamente o qu\u00e3o perigosas podem ser, sobretudo no atual panorama medi\u00e1tico fragmentado. Recentemente, numa entrevista que dei \u00e0 Amy Hermon para o programa em podcast da School Librarians United ela perguntou-me porque \u00e9 que decidi ajudar os alunos a lutar contra este problema. Parece-me que \u00e9 das coisas mais importantes que qualquer pessoa ligada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o deveria estar a fazer. A Hist\u00f3ria soltou-se, a realidade j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um objeto tang\u00edvel que possamos invocar para nos mantermos focados, calmos e reagirmos com sensatez. Vimos isto no epis\u00f3dio do ataque ao Capit\u00f3lio, vimos isto com o aumento das teorias da conspira\u00e7\u00e3o QAnon, e s\u00f3 ir\u00e1 piorar. Tamb\u00e9m conhecemos o impacto das not\u00edcias falsas e da desinforma\u00e7\u00e3o aqui no Reino Unido. Os te\u00f3ricos da conspira\u00e7\u00e3o destru\u00edram 77 torres de WiFi 5G por considerarem que as torres espalhavam a COVID-19. E neste momento, as not\u00edcias falsas continuam a fazer caminho levando as pessoas do Sul da \u00c1sia que residem no Reino Unido a rejeitar as vacinas contra a COVID-19. Trata-se de um problema s\u00e9rio \u2013 j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o apenas memes est\u00fapidos, \u00e9 uma amea\u00e7a real e perigosa \u00e0 sa\u00fade p\u00fabica e \u00e0 democracia no seu todo. Na minha opini\u00e3o, trata-se de uma emerg\u00eancia pol\u00edtica e social. Portanto, como lutamos contra isto? Pode parecer incontrol\u00e1vel; pessoalmente, evito perseguir os trolls, pois s\u00e3o demasiados e n\u00e3o conseguimos mudar as suas cabe\u00e7as. N\u00e3o sei quem fez a afirma\u00e7\u00e3o, mas vem-me \u00e0 ideia esta frase \u00aba mente n\u00e3o \u00e9 um boomerang, se a lan\u00e7as para muito longe, pode n\u00e3o regressar\u00bb. A minha abordagem consistiu em levar o assunto para as aulas que os alunos t\u00eam na escola. Durante um m\u00eas ensinarei cerca de 700 alunos. Dentro de alguns meses, vou tentar trazer este assunto para a ribalta e dar-lhes ferramentas para lutarem contra as not\u00edcias falsas. Tento envolver os alunos e abordar o assunto de forma l\u00fadica. Eis como procedi antes do atual confinamento: Organizei os alunos em seis grupos de cinco elementos. Cada grupo recebeu uma not\u00edcia diferente. Cada not\u00edcia tinha sido publicada; por outras palavras, n\u00e3o inventei nenhuma das not\u00edcias. Estas not\u00edcias foram criadas e divulgadas na Internet. O truque consistia no facto de apenas uma das not\u00edcias ser real. Os grupos tiveram de ler a not\u00edcia que lhes coube e decidir se se tratava da not\u00edcia verdadeira. N\u00e3o estou a tentar deprimir nem assustar ningu\u00e9m, mas as not\u00edcias v\u00e3o desde \u00abMulher encontra 90,000 abelhas no carro\u00bb e \u00abPinturas rupestres retratam humanos a combater os dinossauros\u00bb. Parece-me que esta \u00e9 uma boa forma de fazer com que os alunos falem sobre o assunto sem os massacrarmos. Quando terminamos a tarefa, refletimos sobre as pistas que nos permitem identificar uma not\u00edcia falsa. Observamos o tipo de linguagem, o texto escrito com letras mai\u00fasculas, pontos de exclama\u00e7\u00e3o, analisamos quando algo \u00e9 demasiado bom para ser verdade. Atentamos nas reclama\u00e7\u00f5es sem fundamento, nos erros gramaticais e ortogr\u00e1ficos, nas imagens sem refer\u00eancias, entre outras coisas. Quando terminamos, mostro uma p\u00e1gina web falsa aos alunos para a analisarem. Cont\u00e9m todas as carater\u00edsticas de que fal\u00e1mos anteriormente. Plastifico as p\u00e1ginas web, pe\u00e7o-lhes para usarem marcadores e fazerem um c\u00edrculo com bandeiras vermelhas em tornos das not\u00edcias falsas. Isto resulta sempre numa boa discuss\u00e3o, sobretudo sobre os uniformes escolares que at\u00e9 certo ponto quase todos os alunos no Reino Unido t\u00eam de usar. Apercebi-me que depois de dar o primeiro passo nesta aula, os alunos s\u00e3o suficientemente perspicazes para identificarem os potenciais problemas relacionados com artigos falsos. Quando terminamos esta atividade, fazemos um question\u00e1rio sobre not\u00edcias falsas. O meu objetivo com este question\u00e1rio \u00e9 mostrar aos alunos o tipo de manchetes que circulam frequentemente na Internet. Estas manchetes e hist\u00f3rias foram tornadas p\u00fablicas e algumas foram partilhadas por celebridades. Este \u00faltimo aspeto, muitas vezes, d\u00e1 mais credibilidades \u00e0s hist\u00f3rias do que outros. No question\u00e1rio, os alunos t\u00eam de ler uma manchete e decidir se acham que \u00e9 verdadeira ou falsa. Parece f\u00e1cil, mas pode ser complicado. J\u00e1 apliquei este question\u00e1rio a cerca de 400 alunos e a pontua\u00e7\u00e3o m\u00e9dia \u00e9 de 64%, o que significa que ainda h\u00e1 trabalho a ser feito.\u00a0 O artigo \u00abSchool libraries and their fight against fake news \u00bb foi originalmente publicado no s\u00edtio Bookriot. Texto traduzido livremente a partir do ingl\u00eas, com autoriza\u00e7\u00e3o do autor.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[103,160],"tags":[],"class_list":["post-2437642","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-etica","category-literacia-dos-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2437642","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2437642"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2437642\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087929,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2437642\/revisions\/3087929"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2437642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2437642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2437642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}