{"id":2434057,"date":"2021-04-09T09:00:00","date_gmt":"2021-04-09T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2434057.html"},"modified":"2026-05-13T15:26:41","modified_gmt":"2026-05-13T15:26:41","slug":"os-memes-da-internet-e-o-seu-potencial-didatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2434057","title":{"rendered":"Os Memes da Internet e o Seu Potencial Did\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"2021-04-07 Imagem meme.png\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22055248_aFiBj.png\" alt=\"2021-04-07 Imagem meme.png\" width=\"605\" height=\"340\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><em>Meme<\/em><\/strong> \u00e9 um conceito inicialmente cunhado, em 1976, pelo bi\u00f3logo Richard Dawkins, no seu livro <em>O Gene Ego\u00edsta e<\/em> \u00e9 para a mem\u00f3ria o an\u00e1logo do gene na gen\u00e9tica. Enquanto os genes s\u00e3o replicadores biol\u00f3gicos, respons\u00e1veis pela transmiss\u00e3o das caracter\u00edsticas herdadas geneticamente, os memes s\u00e3o definidos, por Dawkins, como pequenas unidades culturais de transmiss\u00e3o que se propagam de pessoa para pessoa. Exemplos de memes podem ser ideias ou partes de ideias, capacidades, valores est\u00e9ticos e morais, ou qualquer outra informa\u00e7\u00e3o que possa ser transmitida como unidade aut\u00f3noma, como p.ex. a ideia de Deus. [Cf. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4BVpEoQ4T2M&amp;feature=emb_rel_pause\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo<\/a> de Dawkins.\u00a0 Oxford Union, Fevereiro de 2014]<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Quando usado num contexto informal e n\u00e3o cient\u00edfico, o termo meme pode significar apenas a <strong>transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o de uma mente para outra<\/strong>. De acordo com Knobel e Lankshear, citados por Shifman (2013), a palavra meme \u00e9 empregue por utilizadores da internet principalmente para descrever a r\u00e1pida aceita\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de uma \u201cideia particular, apresentada como um texto escrito, imagem, &#8216;movimento&#8217; de linguagem ou alguma outra unidade de &#8216;material&#8217; \u2018cultural\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O conceito, desde que foi apropriado pelos internautas, afastou-se do prop\u00f3sito original de Dawkins. Este explica como um &#8220;meme da internet&#8221; \u00e9 um sequestro da ideia original, j\u00e1 que, em vez de se replicar por autopropaga\u00e7\u00e3o, \u00e9 alterado deliberadamente pela criatividade humana [cf. <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GFn-ixX9edg&amp;feature=emb_logo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeo<\/a>, <em>Just for Hits,<\/em> Richard Dawkins]. Ou seja, por detr\u00e1s da sua replica\u00e7\u00e3o est\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o das pessoas que se posicionam, n\u00e3o como vetores naturais de transmiss\u00e3o cultural, mas como agentes que alteram intencionalmente conte\u00fados. Este fen\u00f3meno \u00e9 bem vis\u00edvel quando examinamos casos nos quais o significado inicial de um meme foi dramaticamente alterado no decurso da sua difus\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Um meme pode ser uma imagem, uma ideia, informa\u00e7\u00e3o ou comportamento que geralmente corresponde \u00e0 sua reutiliza\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o e que, gradativamente, se transforma num fen\u00f3meno de partilha na Internet. Se o meme da internet ganha vida pr\u00f3pria no universo digital, caso os internautas assim o decidam, a sua plasticidade \u00e9 concedida pelas altera\u00e7\u00f5es que estes introduzem e pela natureza aleat\u00f3ria e espont\u00e2nea de todo este processo que, apesar de tudo, segue alguns crit\u00e9rios &#8211; <strong>para o sucesso de um meme \u00e9 necess\u00e1rio um toque de ironia e de absurdo, algum humor ou s\u00e1tira, crueza ou esp\u00edrito transgressivo<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A apropria\u00e7\u00e3o dos memes pelos internautas torna-se bem vis\u00edvel numa simples pesquisa no google &#8211; <a href=\"https:\/\/www.museudememes.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">museus<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.pinterest.pt\/knowyourmeme\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cole\u00e7\u00f5es<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.pinterest.pt\/pin\/418482990359415866\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">temas<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=XeOhvHeCRTQ&amp;t=32s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">v\u00eddeos<\/a>, <a href=\"https:\/\/clideo.com\/meme-maker\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ferramentas<\/a> , <a href=\"https:\/\/www.memecenter.com\/fun\/3377699721008202\/finally-a-meme-calendar\/comments\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">calend\u00e1rios<\/a> , <a href=\"https:\/\/www.whatdoyoumemecustom.com\/?utm_source=shopify&amp;utm_medium=cpc&amp;utm_content=custom_card_site\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">cart\u00f5es<\/a>, etc.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De acordo com Limor Shifman (2013), existem tr\u00eas atributos principais atribu\u00eddos aos memes que s\u00e3o de particular relev\u00e2ncia para a an\u00e1lise da cultura digital contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os memes transformaram-se num fen\u00f3meno social partilhado (favorecido pela forma como a cultura \u00e9 veiculada na Web 2.0, atrav\u00e9s de plataformas como o YouTube, Twitter, Facebook, Wikipedia ou outros), reproduziram-se por v\u00e1rios meios de imita\u00e7\u00e3o e remix (j\u00e1 que uma infinidade de aplica\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis permitem que as pessoas baixem, reeditem e distribuam conte\u00fado com muita facilidade), e a sua difus\u00e3o permite uma investiga\u00e7\u00e3o sem precedentes (j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel rastrear na internet a sua propaga\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das metainforma\u00e7\u00f5es que se est\u00e3o a tornar, cada vez mais, uma parte vis\u00edvel do pr\u00f3prio processo).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O surgimento da cultura digital aumentou exponencialmente a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e alterou a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. A converg\u00eancia de <em>media<\/em> permitiu a interfer\u00eancia direta do p\u00fablico na produ\u00e7\u00e3o e partilha de dados \u00e0 escala global, o aparecimento de novas linguagens, de novos suportes e de novas formas de rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O ambiente digital instaurou uma rela\u00e7\u00e3o com textos e c\u00f3digos diferente das conhecidas e praticadas [Hastags (#), ganham express\u00e3o quando associados a assuntos ou discuss\u00f5es que se deseja indexar em redes sociais; emoticons, modificam a mensagem nas quais s\u00e3o inclu\u00eddos e d\u00e3o um sentido de proximidade ao emissor a ao recetor das mensagens; \u00edcones, passaram a ser utilizados como forma de executar aplica\u00e7\u00f5es e\/ou determinadas tarefas, etc.].<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ou seja, todas estas a\u00e7\u00f5es, subentendidas na leitura e na escrita em contexto digital, transformaram-se em modos de ler e interpretar, escrever, colaborar e difundir informa\u00e7\u00e3o, incorporando, simultaneamente, um repert\u00f3rio de novas formas discursivas e de tra\u00e7os comportamentais pr\u00f3prios de relacionamento <em>online<\/em>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 nesta vertente discursiva, social e cultural que antevemos potencialidades did\u00e1ticas para uma explora\u00e7\u00e3o dos memes em contexto educativo. Particularmente em tr\u00eas dimens\u00f5es: a primeira diz respeito principalmente ao <strong>conte\u00fado dos memes<\/strong> (tanto \u00e0s ideias quanto \u00e0s ideologias por ele veiculadas); a segunda relaciona-se com a <strong>forma<\/strong> (a dimens\u00e3o f\u00edsica da mensagem &#8211; aspetos visuais\/auditivos espec\u00edficos) e, finalmente, a <strong>dimens\u00e3o comunicativa<\/strong> (o tom, o estilo, as maneiras pelas quais o sujeito se posiciona em rela\u00e7\u00e3o ao texto e toma decis\u00f5es).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o did\u00e1tica dos memes pode ajudar o aluno na compreens\u00e3o da cultura digital, da dimens\u00e3o participativa e ativa dos sujeitos nas redes sociais e no processo de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento, capacitando-o na apropria\u00e7\u00e3o de uma diversidade dos g\u00e9neros e <em>media<\/em> digitais e no desenvolvimento de posturas \u00e9ticas e de compet\u00eancias cr\u00edticas face \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que consome, aos conte\u00fados que cria, remixa ou replica na internet.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o das multiliteracias e de pr\u00e1ticas da cultura digital no ensino, contribui para uma participa\u00e7\u00e3o mais efetiva e cr\u00edtica por parte dos alunos e amplia de forma significativa a produ\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos, muito associados \u00e0 criatividade e inova\u00e7\u00e3o. Os memes, enquanto artefatos da cultura digital, funcionam como <strong>micronarrativas colaborativas<\/strong>, marcadas pela inova\u00e7\u00e3o no formato, com alto poder de s\u00edntese e pelo exerc\u00edcio da transposi\u00e7\u00e3o da comicidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim, a escola pode desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de uma cultura digital, mediando a rela\u00e7\u00e3o do aluno no processo de compreens\u00e3o da realidade e da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Por que n\u00e3o come\u00e7ar pelos memes?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Destaques<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Veja as propostas pedag\u00f3gicas dispon\u00edveis em <em>Aprender com a biblioteca escolar- atividades e recursos:<\/em> <a href=\"https:\/\/sites.google.com\/mail-rbe.org\/aprenderbe-rbe\/media\/3-%C2%BA-ciclo\/entendermemeas%C3%A9rio?authuser=0\">#EntenderMemeAS\u00e9rio<\/a>; <a href=\"https:\/\/sites.google.com\/mail-rbe.org\/aprenderbe-rbe\/media\/secund%C3%A1rio\/memesnossosdecadadia?authuser=0\">#MemesNossosDeCadaDia<\/a>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Explore as <a href=\"https:\/\/digital-rbe-d01.blogspot.com\/search\/label\/Memes\">ferramentas<\/a> para elabora\u00e7\u00e3o de memes que encontra na biblioteca escolar digital.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Shifman, L. (2013). Memes in a Digital World: Reconciling with a Conceptual Troublemaker. <em>Journal of Computer-Mediated Communication<\/em>, Volume 18, Issue 3, 1 April 2013, Pages 362\u2013377, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1111\/jcc4.12013\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/doi.org\/10.1111\/jcc4.12013<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meme \u00e9 um conceito inicialmente cunhado, em 1976, pelo bi\u00f3logo Richard Dawkins, no seu livro O Gene Ego\u00edsta e \u00e9 para a mem\u00f3ria o an\u00e1logo do gene na gen\u00e9tica. Enquanto os genes s\u00e3o replicadores biol\u00f3gicos, respons\u00e1veis pela transmiss\u00e3o das caracter\u00edsticas herdadas geneticamente, os memes s\u00e3o definidos, por Dawkins, como pequenas unidades culturais de transmiss\u00e3o que se propagam de pessoa para pessoa. Exemplos de memes podem ser ideias ou partes de ideias, capacidades, valores est\u00e9ticos e morais, ou qualquer outra informa\u00e7\u00e3o que possa ser transmitida como unidade aut\u00f3noma, como p.ex. a ideia de Deus. [Cf. v\u00eddeo de Dawkins.\u00a0 Oxford Union, Fevereiro de 2014] Quando usado num contexto informal e n\u00e3o cient\u00edfico, o termo meme pode significar apenas a transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o de uma mente para outra. De acordo com Knobel e Lankshear, citados por Shifman (2013), a palavra meme \u00e9 empregue por utilizadores da internet principalmente para descrever a r\u00e1pida aceita\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o de uma \u201cideia particular, apresentada como um texto escrito, imagem, &#8216;movimento&#8217; de linguagem ou alguma outra unidade de &#8216;material&#8217; \u2018cultural\u201d. O conceito, desde que foi apropriado pelos internautas, afastou-se do prop\u00f3sito original de Dawkins. Este explica como um &#8220;meme da internet&#8221; \u00e9 um sequestro da ideia original, j\u00e1 que, em vez de se replicar por autopropaga\u00e7\u00e3o, \u00e9 alterado deliberadamente pela criatividade humana [cf. v\u00eddeo, Just for Hits, Richard Dawkins]. Ou seja, por detr\u00e1s da sua replica\u00e7\u00e3o est\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o das pessoas que se posicionam, n\u00e3o como vetores naturais de transmiss\u00e3o cultural, mas como agentes que alteram intencionalmente conte\u00fados. Este fen\u00f3meno \u00e9 bem vis\u00edvel quando examinamos casos nos quais o significado inicial de um meme foi dramaticamente alterado no decurso da sua difus\u00e3o. Um meme pode ser uma imagem, uma ideia, informa\u00e7\u00e3o ou comportamento que geralmente corresponde \u00e0 sua reutiliza\u00e7\u00e3o ou altera\u00e7\u00e3o e que, gradativamente, se transforma num fen\u00f3meno de partilha na Internet. Se o meme da internet ganha vida pr\u00f3pria no universo digital, caso os internautas assim o decidam, a sua plasticidade \u00e9 concedida pelas altera\u00e7\u00f5es que estes introduzem e pela natureza aleat\u00f3ria e espont\u00e2nea de todo este processo que, apesar de tudo, segue alguns crit\u00e9rios &#8211; para o sucesso de um meme \u00e9 necess\u00e1rio um toque de ironia e de absurdo, algum humor ou s\u00e1tira, crueza ou esp\u00edrito transgressivo. A apropria\u00e7\u00e3o dos memes pelos internautas torna-se bem vis\u00edvel numa simples pesquisa no google &#8211; museus, cole\u00e7\u00f5es, temas, v\u00eddeos, ferramentas , calend\u00e1rios , cart\u00f5es, etc. De acordo com Limor Shifman (2013), existem tr\u00eas atributos principais atribu\u00eddos aos memes que s\u00e3o de particular relev\u00e2ncia para a an\u00e1lise da cultura digital contempor\u00e2nea. Os memes transformaram-se num fen\u00f3meno social partilhado (favorecido pela forma como a cultura \u00e9 veiculada na Web 2.0, atrav\u00e9s de plataformas como o YouTube, Twitter, Facebook, Wikipedia ou outros), reproduziram-se por v\u00e1rios meios de imita\u00e7\u00e3o e remix (j\u00e1 que uma infinidade de aplica\u00e7\u00f5es amig\u00e1veis permitem que as pessoas baixem, reeditem e distribuam conte\u00fado com muita facilidade), e a sua difus\u00e3o permite uma investiga\u00e7\u00e3o sem precedentes (j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel rastrear na internet a sua propaga\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s das metainforma\u00e7\u00f5es que se est\u00e3o a tornar, cada vez mais, uma parte vis\u00edvel do pr\u00f3prio processo). O surgimento da cultura digital aumentou exponencialmente a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o e alterou a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. A converg\u00eancia de media permitiu a interfer\u00eancia direta do p\u00fablico na produ\u00e7\u00e3o e partilha de dados \u00e0 escala global, o aparecimento de novas linguagens, de novos suportes e de novas formas de rela\u00e7\u00e3o com o conhecimento. O ambiente digital instaurou uma rela\u00e7\u00e3o com textos e c\u00f3digos diferente das conhecidas e praticadas [Hastags (#), ganham express\u00e3o quando associados a assuntos ou discuss\u00f5es que se deseja indexar em redes sociais; emoticons, modificam a mensagem nas quais s\u00e3o inclu\u00eddos e d\u00e3o um sentido de proximidade ao emissor a ao recetor das mensagens; \u00edcones, passaram a ser utilizados como forma de executar aplica\u00e7\u00f5es e\/ou determinadas tarefas, etc.]. Ou seja, todas estas a\u00e7\u00f5es, subentendidas na leitura e na escrita em contexto digital, transformaram-se em modos de ler e interpretar, escrever, colaborar e difundir informa\u00e7\u00e3o, incorporando, simultaneamente, um repert\u00f3rio de novas formas discursivas e de tra\u00e7os comportamentais pr\u00f3prios de relacionamento online. \u00c9 nesta vertente discursiva, social e cultural que antevemos potencialidades did\u00e1ticas para uma explora\u00e7\u00e3o dos memes em contexto educativo. Particularmente em tr\u00eas dimens\u00f5es: a primeira diz respeito principalmente ao conte\u00fado dos memes (tanto \u00e0s ideias quanto \u00e0s ideologias por ele veiculadas); a segunda relaciona-se com a forma (a dimens\u00e3o f\u00edsica da mensagem &#8211; aspetos visuais\/auditivos espec\u00edficos) e, finalmente, a dimens\u00e3o comunicativa (o tom, o estilo, as maneiras pelas quais o sujeito se posiciona em rela\u00e7\u00e3o ao texto e toma decis\u00f5es). A explora\u00e7\u00e3o did\u00e1tica dos memes pode ajudar o aluno na compreens\u00e3o da cultura digital, da dimens\u00e3o participativa e ativa dos sujeitos nas redes sociais e no processo de constru\u00e7\u00e3o de conhecimento, capacitando-o na apropria\u00e7\u00e3o de uma diversidade dos g\u00e9neros e media digitais e no desenvolvimento de posturas \u00e9ticas e de compet\u00eancias cr\u00edticas face \u00e0 informa\u00e7\u00e3o que consome, aos conte\u00fados que cria, remixa ou replica na internet. A integra\u00e7\u00e3o das multiliteracias e de pr\u00e1ticas da cultura digital no ensino, contribui para uma participa\u00e7\u00e3o mais efetiva e cr\u00edtica por parte dos alunos e amplia de forma significativa a produ\u00e7\u00e3o de novos conhecimentos, muito associados \u00e0 criatividade e inova\u00e7\u00e3o. Os memes, enquanto artefatos da cultura digital, funcionam como micronarrativas colaborativas, marcadas pela inova\u00e7\u00e3o no formato, com alto poder de s\u00edntese e pelo exerc\u00edcio da transposi\u00e7\u00e3o da comicidade. Assim, a escola pode desempenhar um papel fundamental no desenvolvimento de uma cultura digital, mediando a rela\u00e7\u00e3o do aluno no processo de compreens\u00e3o da realidade e da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Por que n\u00e3o come\u00e7ar pelos memes? \u00a0 Destaques Veja as propostas pedag\u00f3gicas dispon\u00edveis em Aprender com a biblioteca escolar- atividades e recursos: #EntenderMemeAS\u00e9rio; #MemesNossosDeCadaDia. Explore as ferramentas para elabora\u00e7\u00e3o de memes que encontra na biblioteca escolar digital. \u00a0 Refer\u00eancia Shifman, L. (2013). Memes in a Digital World: Reconciling with a Conceptual Troublemaker. Journal of Computer-Mediated Communication, Volume 18, Issue 3, 1 April 2013, Pages 362\u2013377, https:\/\/doi.org\/10.1111\/jcc4.12013 \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[32,114],"tags":[],"class_list":["post-2434057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-aprendizagem","category-atividades"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2434057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2434057"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2434057\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087942,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2434057\/revisions\/3087942"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2434057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2434057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2434057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}