{"id":2431614,"date":"2021-03-29T09:00:00","date_gmt":"2021-03-29T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2431614.html"},"modified":"2026-05-13T15:27:23","modified_gmt":"2026-05-13T15:27:23","slug":"as-cronicas-cc-na-biblioteca-da-escola-secundaria-domingos-sequeira-leiria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2431614","title":{"rendered":"As Cr\u00f3nicas CC na Biblioteca da Escola Secund\u00e1ria Domingos Sequeira (Leiria)"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-03-29 CC1.jpg\" height=\"351\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22050640_W9q54.jpeg\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" width=\"605\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>No in\u00edcio, \u2026 bem no in\u00edcio, n\u00e3o foi o verbo. Antes uma imagem. Melhor, um boneco em pasta de papel, articulado, tamanho natural, sentado na cadeira de realizador, na zona dos filmes da biblioteca. N\u00e3o lhe faltava nada: o chap\u00e9u, a bengala, uma bobina, uma claquete, at\u00e9 um foco de luz. Mas ainda n\u00e3o tinha voz. Era necess\u00e1rio animar aquele boneco, dar-lhe alma, faz\u00ea-lo comungar do esp\u00edrito daquele espa\u00e7o. Foi ent\u00e3o que surgiu a ideia de lhe atribuir uma tarefa que, n\u00e3o s\u00f3 o mantivesse ativo, como tamb\u00e9m ao servi\u00e7o da biblioteca. Os tempos eram duros, o v\u00edrus circulava, poucos clientes apareciam e um agente de marketing vinha mesmo a calhar. Foram definidas as linhas de interven\u00e7\u00e3o: escreveria cr\u00f3nicas regulares, publicaria no Facebook da Biblioteca e faria os desabafos que entendesse deste que mencionasse sempre um livro, um filme ou uma atividade da biblioteca. Como veem, um pacto justo: dava liberdade ao artista, mas simultaneamente impunha-lhe algumas obriga\u00e7\u00f5es. Contrato feito. Luz, a\u00e7\u00e3o: click! Tir\u00e1mos fotos (\u2026 e o jeito que ele tinha para a c\u00e2mara, quem diria?!), fizemos revis\u00e3o de provas e as cr\u00f3nicas come\u00e7aram a sair, uma, duas, \u2026 j\u00e1 vai na 11.\u00aa! Porqu\u00ea \u201cCC\u201d? Porque em junho de\u00a0 2020, antes de arrancamos com a 1.\u00aa cr\u00f3nica, cri\u00e1mos um momento de intriga, desafiando os seguidores a identificarem o cronista atrav\u00e9s dos olhos e as iniciais CC do seu nome. O jogo pegou e j\u00e1 n\u00e3o volt\u00e1mos atr\u00e1s: passaria a ser o CC.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para seguir as cr\u00f3nicas: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/becre.sequeira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.facebook.com\/becre.sequeira\/<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>CC \u2013 cr\u00f3nica 11<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<div><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem1.jpg\" height=\"228\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22050653_q95SB.jpeg\" style=\"float: right; width: 213px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" width=\"213\" \/>Sa\u00fado todos os que me leem, voc\u00eas s\u00e3o a minha t\u00e1bua de liga\u00e7\u00e3o com o mundo nesta fase de isolamento, fatal para uma alma de artista. Mesmo na condi\u00e7\u00e3o de imortal, habitu\u00e1mo-nos \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, ao palco, \u00e0s palmas (e assobios), \u00e0 tela, aos flashes das fotos, \u00e0s primeiras p\u00e1ginas e \u00e9 dif\u00edcil apagar tudo isso e estar aqui sentado na cadeira de realizador. Claro que os livros s\u00e3o boa companhia, mas muitas vezes \u201cler \u00e9 ma\u00e7ada\u201d, como dizia Fernando Pessoa.\u00a0<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ficheiro:Carl_Spitzweg_021.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Carl_Spitzweg_021.jpeg\" height=\"492\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22050656_5TTk8.jpeg\" style=\"float: left; width: 269px; padding: 10px;\" width=\"384\" \/><\/a>Ent\u00e3o, levanto-me e ando por a\u00ed entre as estantes \u00e0 procura de outra alma. \u00c0s vezes encontro-a, como aconteceu h\u00e1 dias com o \u201cGuarda-Livros Jer\u00f3nimo\u201d. Guarda-Livros Jer\u00f3nimo? O que \u00e9 isso? perguntam voc\u00eas. Pois, h\u00e1 por aqui uns fantasmas, principalmente \u00e0 noite, quando\u2026 Aeih! Aeih! O que vai a\u00ed de hist\u00f3rias! \u00c9 o que d\u00e1 estar sozinho! Nada disso, aqui n\u00e3o h\u00e1 fantasmas, repito, aqui n\u00e3o h\u00e1 fantasmas, e este \u201cGuarda-Livros Jer\u00f3nimo\u201d \u00e9 o nome que as professoras da casa deram a uma gravura de Carl Spitzweg que t\u00eam emoldurada na parede e a quem chamam do seu padroeiro. Segundo me explicaram, o S. Jer\u00f3nimo \u00e9 considerado o padroeiro dos bibliotec\u00e1rios e dos livreiros e l\u00e1 acharam que aquela figura do criado, em cima do escadote a ler em vez de limpar, se encaixava mais com um amante de livros do que aquele te\u00f3logo e historiador da antiguidade, S.Jer\u00f3nimo de Estrid\u00e3o, que ficou conhecido pela sua tradu\u00e7\u00e3o para o latim da B\u00edblia e pela sua extrema dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho intelectual. Quando andam a fazer uma visita guiada aqui na biblioteca, oi\u00e7o-as sempre dizer com uma pontinha de orgulho: \u201c\u2026 e aqui nesta parede, est\u00e1 o nosso padroeiro, o guarda-livros Jer\u00f3nimo!\u201d S\u00f3 falta colocarem l\u00e1 um vaso com flores, mas adiante\u2026 a verdade \u00e9 que eu e o Guarda-Livros Jer\u00f3nimo estivemos, h\u00e1 dias, em amena cavaqueira e at\u00e9 descobrimos umas coisas que, se n\u00e3o rep\u00f5em a verdade dos factos e dos nomes (sabe-se l\u00e1 o que \u00e9 isso de verdade!), pelo menos acrescentam mais varia\u00e7\u00f5es e vers\u00f5es. \u00c9 que aquele \u201ccriado-guarda-livros\u201d n\u00e3o gosta l\u00e1 muito do nome de \u201cJer\u00f3nimo\u201d e at\u00e9 acha que, a haver um padroeiro dos bibliotec\u00e1rios, ficaria melhor entregue a S. Louren\u00e7o de Roma que foi morto pelos romanos em 258 d. C. por negar-se a entregar a cole\u00e7\u00e3o de tesouros e documentos do cristianismo os quais ele estava encarregado de guardar. Bem\u2026 eu ouvi-o e n\u00e3o discuto estes direitos quando envolvem m\u00e1rtires de causas, mas julgo que h\u00e1 uma figura da antiguidade cl\u00e1ssica mais apropriada: \u00e9 Cal\u00edmaco de Cirene, poeta e bibliotec\u00e1rio na grande biblioteca de Alexandria que\u00a0se encarregou do seu cat\u00e1logo no s\u00e9culo III a.C. Li esta informa\u00e7\u00e3o no livro \u201cO infinito num junco\u201d da investigadora espanhola Irene Vallejo (em destaque na cr\u00f3nica anterior).<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem2.png\" height=\"267\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22050660_waaEe.png\" style=\"float: right; width: 299px; padding: 10px;\" width=\"341\" \/>Aproveitei para ler ao guarda-livros a passagem do livro da estudiosa: <em>\u201cCal\u00edmaco \u00e9 considerado o pai dos bibliotec\u00e1rios. Imagino-o a preencher as primeiras fichas bibliogr\u00e1ficas da Hist\u00f3ria \u2013 que seriam tabuinhas \u2013 e a inventar algum antecedente remoto dos c\u00f3digos. Talvez tenha conhecido o segredo das bibliotecas babil\u00f3nicas e ass\u00edrias e se tenha inspirado nos seus m\u00e9todos de organiza\u00e7\u00e3o, mas chegou muito mais longe do que qualquer dos seus antecessores. Resolveu problemas de autenticidade e falsas atribui\u00e7\u00f5es. Encontrou rolos sem t\u00edtulo que era preciso identificar.\u201d<\/em> (p.150)<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"Imagem3.png\" height=\"289\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22050661_dfKlB.png\" style=\"float: left; width: 298px; padding: 10px;\" width=\"499\" \/>O texto alonga-se com mais elogios e confesso que fiquei rendido \u00e0quela personalidade fascinante do passado. Acho at\u00e9 que ele est\u00e1 mais perto do trabalho real de uma biblioteca (e eu sei do que estou a falar porque bem observo as professoras aqui na sua lida di\u00e1ria). Cheg\u00e1mos a um acordo: o guarda-livros ficava aliviado do peso de \u201cS. Jer\u00f3nimo\u201d e passava a chamar-se s\u00f3 \u201cGuarda-Livros\u201d, sem a carga do passado.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Achei justo e quando mais tarde regressei ao meu posto, estava seguro de ter ali um amigo para conversar. Nessa noite, pareceu-me que, algures, num canto da biblioteca, decorria um conc\u00edlio de s\u00e1bios onde se esgrimiam nomes para o guarda-livros: \u201cLouren\u00e7o! N\u00e3o, Jer\u00f3nimo! Cal\u00edmaco \u00e9 que \u00e9!\u201d Deixei-os debater e fiquei no meu cantinho sem me mexer, nem respirar. Em mat\u00e9ria de fantasmas, como j\u00e1 disse, sou c\u00e9tico, mas pelo sim, pelo n\u00e3o\u2026\u00a0<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div>O vosso CC<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio, \u2026 bem no in\u00edcio, n\u00e3o foi o verbo. Antes uma imagem. Melhor, um boneco em pasta de papel, articulado, tamanho natural, sentado na cadeira de realizador, na zona dos filmes da biblioteca. N\u00e3o lhe faltava nada: o chap\u00e9u, a bengala, uma bobina, uma claquete, at\u00e9 um foco de luz. Mas ainda n\u00e3o tinha voz. Era necess\u00e1rio animar aquele boneco, dar-lhe alma, faz\u00ea-lo comungar do esp\u00edrito daquele espa\u00e7o. Foi ent\u00e3o que surgiu a ideia de lhe atribuir uma tarefa que, n\u00e3o s\u00f3 o mantivesse ativo, como tamb\u00e9m ao servi\u00e7o da biblioteca. Os tempos eram duros, o v\u00edrus circulava, poucos clientes apareciam e um agente de marketing vinha mesmo a calhar. Foram definidas as linhas de interven\u00e7\u00e3o: escreveria cr\u00f3nicas regulares, publicaria no Facebook da Biblioteca e faria os desabafos que entendesse deste que mencionasse sempre um livro, um filme ou uma atividade da biblioteca. Como veem, um pacto justo: dava liberdade ao artista, mas simultaneamente impunha-lhe algumas obriga\u00e7\u00f5es. Contrato feito. Luz, a\u00e7\u00e3o: click! Tir\u00e1mos fotos (\u2026 e o jeito que ele tinha para a c\u00e2mara, quem diria?!), fizemos revis\u00e3o de provas e as cr\u00f3nicas come\u00e7aram a sair, uma, duas, \u2026 j\u00e1 vai na 11.\u00aa! Porqu\u00ea \u201cCC\u201d? Porque em junho de\u00a0 2020, antes de arrancamos com a 1.\u00aa cr\u00f3nica, cri\u00e1mos um momento de intriga, desafiando os seguidores a identificarem o cronista atrav\u00e9s dos olhos e as iniciais CC do seu nome. O jogo pegou e j\u00e1 n\u00e3o volt\u00e1mos atr\u00e1s: passaria a ser o CC. Para seguir as cr\u00f3nicas: https:\/\/www.facebook.com\/becre.sequeira\/ \u00a0 CC \u2013 cr\u00f3nica 11 Sa\u00fado todos os que me leem, voc\u00eas s\u00e3o a minha t\u00e1bua de liga\u00e7\u00e3o com o mundo nesta fase de isolamento, fatal para uma alma de artista. Mesmo na condi\u00e7\u00e3o de imortal, habitu\u00e1mo-nos \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o, ao palco, \u00e0s palmas (e assobios), \u00e0 tela, aos flashes das fotos, \u00e0s primeiras p\u00e1ginas e \u00e9 dif\u00edcil apagar tudo isso e estar aqui sentado na cadeira de realizador. Claro que os livros s\u00e3o boa companhia, mas muitas vezes \u201cler \u00e9 ma\u00e7ada\u201d, como dizia Fernando Pessoa.\u00a0 Ent\u00e3o, levanto-me e ando por a\u00ed entre as estantes \u00e0 procura de outra alma. \u00c0s vezes encontro-a, como aconteceu h\u00e1 dias com o \u201cGuarda-Livros Jer\u00f3nimo\u201d. Guarda-Livros Jer\u00f3nimo? O que \u00e9 isso? perguntam voc\u00eas. Pois, h\u00e1 por aqui uns fantasmas, principalmente \u00e0 noite, quando\u2026 Aeih! Aeih! O que vai a\u00ed de hist\u00f3rias! \u00c9 o que d\u00e1 estar sozinho! Nada disso, aqui n\u00e3o h\u00e1 fantasmas, repito, aqui n\u00e3o h\u00e1 fantasmas, e este \u201cGuarda-Livros Jer\u00f3nimo\u201d \u00e9 o nome que as professoras da casa deram a uma gravura de Carl Spitzweg que t\u00eam emoldurada na parede e a quem chamam do seu padroeiro. Segundo me explicaram, o S. Jer\u00f3nimo \u00e9 considerado o padroeiro dos bibliotec\u00e1rios e dos livreiros e l\u00e1 acharam que aquela figura do criado, em cima do escadote a ler em vez de limpar, se encaixava mais com um amante de livros do que aquele te\u00f3logo e historiador da antiguidade, S.Jer\u00f3nimo de Estrid\u00e3o, que ficou conhecido pela sua tradu\u00e7\u00e3o para o latim da B\u00edblia e pela sua extrema dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho intelectual. Quando andam a fazer uma visita guiada aqui na biblioteca, oi\u00e7o-as sempre dizer com uma pontinha de orgulho: \u201c\u2026 e aqui nesta parede, est\u00e1 o nosso padroeiro, o guarda-livros Jer\u00f3nimo!\u201d S\u00f3 falta colocarem l\u00e1 um vaso com flores, mas adiante\u2026 a verdade \u00e9 que eu e o Guarda-Livros Jer\u00f3nimo estivemos, h\u00e1 dias, em amena cavaqueira e at\u00e9 descobrimos umas coisas que, se n\u00e3o rep\u00f5em a verdade dos factos e dos nomes (sabe-se l\u00e1 o que \u00e9 isso de verdade!), pelo menos acrescentam mais varia\u00e7\u00f5es e vers\u00f5es. \u00c9 que aquele \u201ccriado-guarda-livros\u201d n\u00e3o gosta l\u00e1 muito do nome de \u201cJer\u00f3nimo\u201d e at\u00e9 acha que, a haver um padroeiro dos bibliotec\u00e1rios, ficaria melhor entregue a S. Louren\u00e7o de Roma que foi morto pelos romanos em 258 d. C. por negar-se a entregar a cole\u00e7\u00e3o de tesouros e documentos do cristianismo os quais ele estava encarregado de guardar. Bem\u2026 eu ouvi-o e n\u00e3o discuto estes direitos quando envolvem m\u00e1rtires de causas, mas julgo que h\u00e1 uma figura da antiguidade cl\u00e1ssica mais apropriada: \u00e9 Cal\u00edmaco de Cirene, poeta e bibliotec\u00e1rio na grande biblioteca de Alexandria que\u00a0se encarregou do seu cat\u00e1logo no s\u00e9culo III a.C. Li esta informa\u00e7\u00e3o no livro \u201cO infinito num junco\u201d da investigadora espanhola Irene Vallejo (em destaque na cr\u00f3nica anterior). Aproveitei para ler ao guarda-livros a passagem do livro da estudiosa: \u201cCal\u00edmaco \u00e9 considerado o pai dos bibliotec\u00e1rios. Imagino-o a preencher as primeiras fichas bibliogr\u00e1ficas da Hist\u00f3ria \u2013 que seriam tabuinhas \u2013 e a inventar algum antecedente remoto dos c\u00f3digos. Talvez tenha conhecido o segredo das bibliotecas babil\u00f3nicas e ass\u00edrias e se tenha inspirado nos seus m\u00e9todos de organiza\u00e7\u00e3o, mas chegou muito mais longe do que qualquer dos seus antecessores. Resolveu problemas de autenticidade e falsas atribui\u00e7\u00f5es. Encontrou rolos sem t\u00edtulo que era preciso identificar.\u201d (p.150) O texto alonga-se com mais elogios e confesso que fiquei rendido \u00e0quela personalidade fascinante do passado. Acho at\u00e9 que ele est\u00e1 mais perto do trabalho real de uma biblioteca (e eu sei do que estou a falar porque bem observo as professoras aqui na sua lida di\u00e1ria). Cheg\u00e1mos a um acordo: o guarda-livros ficava aliviado do peso de \u201cS. Jer\u00f3nimo\u201d e passava a chamar-se s\u00f3 \u201cGuarda-Livros\u201d, sem a carga do passado.\u00a0 Achei justo e quando mais tarde regressei ao meu posto, estava seguro de ter ali um amigo para conversar. Nessa noite, pareceu-me que, algures, num canto da biblioteca, decorria um conc\u00edlio de s\u00e1bios onde se esgrimiam nomes para o guarda-livros: \u201cLouren\u00e7o! N\u00e3o, Jer\u00f3nimo! Cal\u00edmaco \u00e9 que \u00e9!\u201d Deixei-os debater e fiquei no meu cantinho sem me mexer, nem respirar. Em mat\u00e9ria de fantasmas, como j\u00e1 disse, sou c\u00e9tico, mas pelo sim, pelo n\u00e3o\u2026\u00a0 O vosso CC \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[114,66,76],"tags":[],"class_list":["post-2431614","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-atividades","category-cinema","category-jornalismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2431614","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2431614"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2431614\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087952,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2431614\/revisions\/3087952"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2431614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2431614"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2431614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}