{"id":2426418,"date":"2021-03-16T14:00:00","date_gmt":"2021-03-16T14:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2426418.html"},"modified":"2026-05-13T15:28:41","modified_gmt":"2026-05-13T15:28:41","slug":"porque-e-que-isto-nao-funcionou-tera-sido-um-problema-de-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2426418","title":{"rendered":"Porque \u00e9 que isto n\u00e3o funcionou? Ter\u00e1 sido um problema de cultura?"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" alt=\"2021-03-17 stanislav-ferrao-Pqe_VGnAieo-unsplash.j\" height=\"403\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/22038799_tzqwN.jpeg\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" width=\"605\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Photo by <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/@scobra?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Stanislav Ferrao<\/a> on <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/\">Unsplash<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Num tempo em que o mundo inteiro se encontra numa situa\u00e7\u00e3o que levou a que se coloquem em causa modos de vida considerados como adquiridos, h\u00e1 palavras que ganharam novo protagonismo. Mudan\u00e7a, transforma\u00e7\u00e3o, transi\u00e7\u00e3o\u2026 Todos as sentimos como inevit\u00e1veis e a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom\u00ednio que, embora j\u00e1 h\u00e1 muito necessitado de mudar, tem agora inexoravelmente de abra\u00e7ar a mudan\u00e7a, para, como diz Nigel Coutts, no seu post de 7 de fevereiro, preparar os alunos para o mundo que v\u00e3o herdar. Mas mudar, implica interiorizar as mudan\u00e7as na cultura do sistema.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Convidamos-vos \u00e0 leitura das reflex\u00f5es de Nigel Coutts <strong>[1]<\/strong> sobre este assunto, que, com a sua autoriza\u00e7\u00e3o, traduzimos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A mudan\u00e7a nunca \u00e9 f\u00e1cil.<\/strong> Diz-se frequentemente que embora todos desejem a mudan\u00e7a, poucas pessoas est\u00e3o dispostas a mudar. N\u00e3o deve ser demasiado surpreendente que as mudan\u00e7as mais significativas dentro das grandes organiza\u00e7\u00f5es falhem. Ent\u00e3o, porque \u00e9 que tantas grandes ideias n\u00e3o conseguem sobreviver? Ser\u00e1 que a pr\u00f3pria ideia n\u00e3o reunia os requisitos necess\u00e1rios \u00e0 sobreviv\u00eancia, ou ser\u00e1 algo mais? Tem algo a ver com a cultura da organiza\u00e7\u00e3o e, em caso afirmativo, como poder\u00e1 uma compreens\u00e3o mais profunda dos fatores culturais em jogo apoiar ou influenciar os resultados?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es educativas s\u00e3o fortemente moldadas pela sua cultura, concentrando-se na oferta de servi\u00e7os humanos prestados por professores que se identificam profundamente com a sua pr\u00f3pria conce\u00e7\u00e3o do que significa ser professor. Emo\u00e7\u00e3o e cultura est\u00e3o ligadas, e a mudan\u00e7a de cultura suscita frequentemente uma resposta emocional.<br \/>&#8220;O sentido de identidade de uma pessoa \u00e9 em parte determinado pelos seus valores, que podem coincidir ou colidir com valores organizacionais&#8221; (Smollan &amp; Sayers 2009 p.439) <strong>[2]. <\/strong>Smollan &amp; Sayers constataram que quando a mudan\u00e7a cultural \u00e9 procurada numa escola, e n\u00e3o \u00e9 vista como compat\u00edvel com os valores de cada um, ou p\u00f5e e causa esses valores, s\u00e3o comuns respostas emocionais tais como medo, raiva ou tristeza. Isto \u00e9 observado em mudan\u00e7as que resultam no questionamento do profissionalismo e autonomia dos professores, incluindo altera\u00e7\u00f5es ao curr\u00edculo e \u00e0 pedagogia. Esta liga\u00e7\u00e3o entre identidade e cultura e as subsequentes depend\u00eancias emocionais exigem uma gest\u00e3o muit\u00edssimo cuidadosa e a consci\u00eancia dos fatores humanos envolvidos na mudan\u00e7a.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, qualquer esfor\u00e7o de mudan\u00e7a que n\u00e3o considere a cultura em que essa mudan\u00e7a \u00e9 introduzida, tem poucas probabilidades de ser bem-sucedido. O pior cen\u00e1rio poss\u00edvel \u00e9 aquele em que o esfor\u00e7o de mudan\u00e7a encontra tal resist\u00eancia que nunca \u00e9 verdadeiramente implementado. Contudo, em muitos casos, o esfor\u00e7o de mudan\u00e7a n\u00e3o produz o tipo de resultados inicialmente imaginados, apesar dos esfor\u00e7os de todos os envolvidos para abra\u00e7ar a mudan\u00e7a. Embora sejam adotados novos comportamentos, algo corre mal e nem sempre a culpa \u00e9 imput\u00e1vel \u00e0 nova ideia em si.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Consideremos uma escola que est\u00e1 a adotar um enfoque no pensamento cr\u00edtico do aluno. S\u00e3o identificadas e aprovadas uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias de ensino a serem implementados pelos professores. Estas podem ser facilmente ensinadas, aprendidas e monitorizadas. Quando apresentados aos professores atrav\u00e9s de oportunidades de acompanhamento e forma\u00e7\u00e3o profissional cont\u00ednua, \u00e9 razo\u00e1vel esperar que os novos m\u00e9todos sejam adquiridos e, no entanto, as coisas ainda podem correr mal. De alguma forma, os alunos ainda s\u00e3o descritos como pensadores relutantes que, em vez disso, se concentram, em recitar respostas. O que correu mal? Porque \u00e9 que os estudantes n\u00e3o est\u00e3o a abra\u00e7ar estas novas formas de pensar?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O problema situa-se provavelmente ao n\u00edvel da cultura.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os alunos t\u00eam a sua conce\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a escola. Aprendem isto desde muito cedo e as mensagens que recebem diariamente refor\u00e7am as suas cren\u00e7as. Num determinado momento, o professor pode falar de modos de pensar, mas para os alunos esta \u00e9 mais uma ret\u00f3rica a par de todas as outras mensagens que recebem.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Respostas corretas no teste correspondem a boas notas na avalia\u00e7\u00e3o. As respostas r\u00e1pidas aos question\u00e1rios na sala de aula s\u00e3o recompensadas. Os bons alunos respondem a mais perguntas do que as que fazem. Aprender \u00e9 memorizar os factos. Regras de trabalho claras. As aulas das disciplinas mais valorizadas ocorrem de manh\u00e3. &#8216;Inteligente&#8217; significa saber responder a mais perguntas em disciplinas como matem\u00e1tica e ingl\u00eas. Os alunos sabem que, embora pensar seja agrad\u00e1vel, h\u00e1 outras coisas mais importantes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 que o foco no pensamento cr\u00edtico n\u00e3o tenha sido uma boa ideia ou mesmo que os m\u00e9todos utilizados tenham sido inadequados. O esfor\u00e7o de mudan\u00e7a falhou porque, na melhor das hip\u00f3teses, foi apenas superficial. N\u00e3o abordou suficientemente a quest\u00e3o da cultura. Se queremos realmente concentrar-nos no pensamento cr\u00edtico, ent\u00e3o precisamos de olhar atentamente para a forma como ele \u00e9 abordado em cada mensagem que enviamos. Se h\u00e1 a\u00e7\u00f5es que contrariam o nosso foco no pensamento, ent\u00e3o temos de ponderar como isto pode ser mudado. Ao fazermos isto, incorporamos o pensamento cr\u00edtico na cultura da escola.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o de uma cultura do pensamento \u00e9 desenvolvida de forma s\u00f3lida atrav\u00e9s do trabalho de Ron Ritchhart e do Project Zero atrav\u00e9s do seu trabalho na Cria\u00e7\u00e3o de Culturas de Pensamento. As oito for\u00e7as culturais oferecem tanto uma Lente como uma Alavanca para aqueles que procuram avaliar e mudar a sua cultura para uma outra que valorize o pensamento. Mas o pensamento cr\u00edtico n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica mudan\u00e7a dentro das escolas que exige um tratamento aprofundado. Considere-se como a aprendizagem baseada na investiga\u00e7\u00e3o pode ser implementada se n\u00e3o abordar os aspetos culturais da investiga\u00e7\u00e3o. A menos que exista dentro da escola uma cultura que valorize a investiga\u00e7\u00e3o como um modo de aprendizagem, esse nunca ser\u00e1 considerado um bom processo para responder a uma quest\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o. A representa\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e9 outro exemplo claro de um conceito que s\u00f3 pode produzir mudan\u00e7as insignificantes nas escolas, porque nunca vai al\u00e9m de uma abordagem b\u00e1sica. Quando a representa\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e9 genuinamente abra\u00e7ada, as suas impress\u00f5es digitais devem ser evidentes na cultura da escola. Deve ser considerado antinatural (e n\u00e3o uma simpatia ocasional) n\u00e3o incluir a voz dos alunos em qualquer decis\u00e3o que tenha impacto nos estudantes.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>As pr\u00e1ticas de avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o outro caso em que a cultura tem um impacto significativo no efeito que uma iniciativa de mudan\u00e7a pode ou n\u00e3o ter. Leia o trabalho de Dylan Wiliam, perito em avalia\u00e7\u00e3o altamente respeitado, e ver\u00e1 que o impacto mais significativo ocorre quando as escolas abra\u00e7am abordagens de avalia\u00e7\u00e3o para a aprendizagem ou avalia\u00e7\u00e3o formativa. Duas cita\u00e7\u00f5es de Wiliam esclarecem os conceitos-chave subjacentes a uma abordagem de avalia\u00e7\u00e3o formativa:<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>\u00c9 formativa apenas se a informa\u00e7\u00e3o for utilizada pelo aprendente para fazer melhorias que efetivamente levem a sua pr\u00f3pria aprendizagem para a frente. \u00c9 por isso que para ser formativa, a avalia\u00e7\u00e3o deve incluir uma receita para a\u00e7\u00f5es futuras.<\/em> &#8211; Dylan Wiliam<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Se o que est\u00e1 a fazer sob o t\u00edtulo de avalia\u00e7\u00e3o para a aprendizagem ou avalia\u00e7\u00e3o formativa envolver a coloca\u00e7\u00e3o de qualquer coisa numa folha de c\u00e1lculo, ou a utiliza\u00e7\u00e3o de uma caneta que n\u00e3o seja para fazer coment\u00e1rios num caderno de um aluno, ent\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 a fazer a avalia\u00e7\u00e3o para a aprendizagem que faz a diferen\u00e7a&#8217;.<\/em> &#8211; Dylan Wiliam<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Aprofundando mais a defini\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o formativa, Wiliam partilha <em>&#8220;A pr\u00e1tica numa sala de aula \u00e9 formativa na medida em que as evid\u00eancias sobre os resultados dos alunos s\u00e3o recolhidas, interpretadas e utilizadas por professores, alunos, ou seus pares, para tomar decis\u00f5es sobre os pr\u00f3ximos passos no ensino que provavelmente ser\u00e3o melhores, ou mais bem fundamentadas, do que as decis\u00f5es que teriam tomado sem evid\u00eancias que foram recolhidas<\/em>&#8220;. Isto aponta-nos claramente para pr\u00e1ticas que permitem a todos os envolvidos na aprendizagem compreender onde o aprendente est\u00e1 na sua aprendizagem, o que poder\u00e1 fazer a seguir e o que outros (professores, pais, etc.) poder\u00e3o fazer para ajudar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Este processo n\u00e3o \u00e9 suportado por uma classifica\u00e7\u00e3o ou uma nota. Ambas falham em esclarecer as especificidades do que foi alcan\u00e7ado ou do que pode resultar em crescimento.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De facto, o problema com as notas ou classifica\u00e7\u00f5es \u00e9 maior do que possamos imaginar. Ruth Butler investigou o impacto das notas na motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca, e as suas conclus\u00f5es s\u00e3o significativas. Os alunos que receberam <em>feedback <\/em>apenas com coment\u00e1rios, retiraram o m\u00e1ximo proveito do <em>feedback<\/em> fornecido. Quando os estudantes receberam apenas notas, ou mesmo notas e um coment\u00e1rio, o efeito foi um enfraquecimento do seu interesse e desempenho. O esfor\u00e7o feito pelo professor para complementar a nota com um coment\u00e1rio significativo que pudesse orientar o aluno na sua aprendizagem foi desfeito pela atribui\u00e7\u00e3o dessa nota.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O desafio que muitas escolas enfrentam quando implementam a avalia\u00e7\u00e3o formativa decorre mais claramente da cultura e das cren\u00e7as que a cultivam. Os professores acreditam que uma parte do seu trabalho \u00e9 fornecer aos alunos uma nota, mesmo em situa\u00e7\u00f5es em que o sistema n\u00e3o o exige. Os professores tamb\u00e9m acreditam que precisam de manter uma caderneta para as notas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os pais contribuem para isso, insistindo nas notas e a cren\u00e7a de que boas notas s\u00e3o um indicador satisfat\u00f3rio de aprendizagem \u00e9 generalizada. Por imers\u00e3o nesta cultura, os alunos aprendem que o sucesso na escola \u00e9 demonstrado pelas boas notas. Emily Mitchum, uma estudante que reflete sobre a sua aprendizagem e a cultura que viveu publicou um artigo de opini\u00e3o na Pittsburgh Post-Gazette onde escreveu,<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>Este sistema&#8230;fez com que a minha gera\u00e7\u00e3o desenvolvesse uma obsess\u00e3o pouco saud\u00e1vel por notas em vez de aprender, na minha opini\u00e3o. A dura realidade \u00e9 que n\u00e3o estamos realmente a aprender tanto quanto pod\u00edamos. Estudamos porque temos testes e no dia seguinte ao teste esquecemo-nos de toda a informa\u00e7\u00e3o que estud\u00e1mos.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O nosso enfoque persistente nas notas est\u00e1 a moldar a perce\u00e7\u00e3o dos nossos alunos sobre o que \u00e9 a aprendizagem e a convenc\u00ea-los de que imaginar n\u00e3o \u00e9 positivo. Quando avaliamos a efic\u00e1cia do nosso esfor\u00e7o para implementar uma avalia\u00e7\u00e3o formativa, devemos considerar o impacto que este enfoque cultural tem nas notas. Alterar as nossas pr\u00e1ticas de avalia\u00e7\u00e3o sem abordar o preconceito cultural tem poucas probabilidades de ser um sucesso.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O padr\u00e3o mant\u00e9m-se para muitos aspetos da mudan\u00e7a. A ado\u00e7\u00e3o de novas pr\u00e1ticas \u00e9 relativamente f\u00e1cil. Alterar a cultura de modo a que a mudan\u00e7a se torne uma rotina de funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio. Quando chega o momento de avaliar uma mudan\u00e7a, o elemento cultural tem de ser considerado.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Demasiadas boas ideias foram descartadas, n\u00e3o porque a ideia tivesse falhas, mas porque n\u00e3o se enquadrava na cultura da organiza\u00e7\u00e3o em que foi introduzida. Este ponto pode revelar-se crucial em tempos de mudan\u00e7a r\u00e1pida em que novos desafios s\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. <strong>Embora possamos reconhecer a necessidade de mudan\u00e7as na forma como os jovens est\u00e3o preparados para o mundo que herdar\u00e3o, ser\u00e1 que a cultura dos sistemas educativos ter\u00e1 capacidade de se ajustar a tempo?<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>[1]<\/strong> Coutts, Nigel. <a href=\"https:\/\/thelearnersway.net\/ideas\/2021\/2\/7\/why-didnt-that-work-maybe-it-s-culture\">Why didn&#8217;t that work? Maybe it\u2019s culture?<\/a>. <em>The Learner\u2019s Way<\/em>, 23\/11\/2020. Acedido em 09\/03\/2021 em <a href=\"https:\/\/thelearnersway.net\/ideas\/2021\/2\/7\/why-didnt-that-work-maybe-it-s-culture\">https:\/\/thelearnersway.net\/ideas\/2021\/2\/7\/why-didnt-that-work-maybe-it-s-culture<\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>[2]<\/strong> Smollan, R &amp; Sayers, J. (2009) Organizational Culture, Change and Emotions: A Qualitative Study, <em>Journal of Change Management<\/em>, 9:4, 435-457<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Photo by Stanislav Ferrao on Unsplash Num tempo em que o mundo inteiro se encontra numa situa\u00e7\u00e3o que levou a que se coloquem em causa modos de vida considerados como adquiridos, h\u00e1 palavras que ganharam novo protagonismo. Mudan\u00e7a, transforma\u00e7\u00e3o, transi\u00e7\u00e3o\u2026 Todos as sentimos como inevit\u00e1veis e a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um dom\u00ednio que, embora j\u00e1 h\u00e1 muito necessitado de mudar, tem agora inexoravelmente de abra\u00e7ar a mudan\u00e7a, para, como diz Nigel Coutts, no seu post de 7 de fevereiro, preparar os alunos para o mundo que v\u00e3o herdar. Mas mudar, implica interiorizar as mudan\u00e7as na cultura do sistema. Convidamos-vos \u00e0 leitura das reflex\u00f5es de Nigel Coutts [1] sobre este assunto, que, com a sua autoriza\u00e7\u00e3o, traduzimos. A mudan\u00e7a nunca \u00e9 f\u00e1cil. Diz-se frequentemente que embora todos desejem a mudan\u00e7a, poucas pessoas est\u00e3o dispostas a mudar. N\u00e3o deve ser demasiado surpreendente que as mudan\u00e7as mais significativas dentro das grandes organiza\u00e7\u00f5es falhem. Ent\u00e3o, porque \u00e9 que tantas grandes ideias n\u00e3o conseguem sobreviver? Ser\u00e1 que a pr\u00f3pria ideia n\u00e3o reunia os requisitos necess\u00e1rios \u00e0 sobreviv\u00eancia, ou ser\u00e1 algo mais? Tem algo a ver com a cultura da organiza\u00e7\u00e3o e, em caso afirmativo, como poder\u00e1 uma compreens\u00e3o mais profunda dos fatores culturais em jogo apoiar ou influenciar os resultados? As organiza\u00e7\u00f5es educativas s\u00e3o fortemente moldadas pela sua cultura, concentrando-se na oferta de servi\u00e7os humanos prestados por professores que se identificam profundamente com a sua pr\u00f3pria conce\u00e7\u00e3o do que significa ser professor. Emo\u00e7\u00e3o e cultura est\u00e3o ligadas, e a mudan\u00e7a de cultura suscita frequentemente uma resposta emocional.&#8220;O sentido de identidade de uma pessoa \u00e9 em parte determinado pelos seus valores, que podem coincidir ou colidir com valores organizacionais&#8221; (Smollan &amp; Sayers 2009 p.439) [2]. Smollan &amp; Sayers constataram que quando a mudan\u00e7a cultural \u00e9 procurada numa escola, e n\u00e3o \u00e9 vista como compat\u00edvel com os valores de cada um, ou p\u00f5e e causa esses valores, s\u00e3o comuns respostas emocionais tais como medo, raiva ou tristeza. Isto \u00e9 observado em mudan\u00e7as que resultam no questionamento do profissionalismo e autonomia dos professores, incluindo altera\u00e7\u00f5es ao curr\u00edculo e \u00e0 pedagogia. Esta liga\u00e7\u00e3o entre identidade e cultura e as subsequentes depend\u00eancias emocionais exigem uma gest\u00e3o muit\u00edssimo cuidadosa e a consci\u00eancia dos fatores humanos envolvidos na mudan\u00e7a. Em termos pr\u00e1ticos, qualquer esfor\u00e7o de mudan\u00e7a que n\u00e3o considere a cultura em que essa mudan\u00e7a \u00e9 introduzida, tem poucas probabilidades de ser bem-sucedido. O pior cen\u00e1rio poss\u00edvel \u00e9 aquele em que o esfor\u00e7o de mudan\u00e7a encontra tal resist\u00eancia que nunca \u00e9 verdadeiramente implementado. Contudo, em muitos casos, o esfor\u00e7o de mudan\u00e7a n\u00e3o produz o tipo de resultados inicialmente imaginados, apesar dos esfor\u00e7os de todos os envolvidos para abra\u00e7ar a mudan\u00e7a. Embora sejam adotados novos comportamentos, algo corre mal e nem sempre a culpa \u00e9 imput\u00e1vel \u00e0 nova ideia em si. Consideremos uma escola que est\u00e1 a adotar um enfoque no pensamento cr\u00edtico do aluno. S\u00e3o identificadas e aprovadas uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es e estrat\u00e9gias de ensino a serem implementados pelos professores. Estas podem ser facilmente ensinadas, aprendidas e monitorizadas. Quando apresentados aos professores atrav\u00e9s de oportunidades de acompanhamento e forma\u00e7\u00e3o profissional cont\u00ednua, \u00e9 razo\u00e1vel esperar que os novos m\u00e9todos sejam adquiridos e, no entanto, as coisas ainda podem correr mal. De alguma forma, os alunos ainda s\u00e3o descritos como pensadores relutantes que, em vez disso, se concentram, em recitar respostas. O que correu mal? Porque \u00e9 que os estudantes n\u00e3o est\u00e3o a abra\u00e7ar estas novas formas de pensar? O problema situa-se provavelmente ao n\u00edvel da cultura. Os alunos t\u00eam a sua conce\u00e7\u00e3o do que \u00e9 a escola. Aprendem isto desde muito cedo e as mensagens que recebem diariamente refor\u00e7am as suas cren\u00e7as. Num determinado momento, o professor pode falar de modos de pensar, mas para os alunos esta \u00e9 mais uma ret\u00f3rica a par de todas as outras mensagens que recebem. Respostas corretas no teste correspondem a boas notas na avalia\u00e7\u00e3o. As respostas r\u00e1pidas aos question\u00e1rios na sala de aula s\u00e3o recompensadas. Os bons alunos respondem a mais perguntas do que as que fazem. Aprender \u00e9 memorizar os factos. Regras de trabalho claras. As aulas das disciplinas mais valorizadas ocorrem de manh\u00e3. &#8216;Inteligente&#8217; significa saber responder a mais perguntas em disciplinas como matem\u00e1tica e ingl\u00eas. Os alunos sabem que, embora pensar seja agrad\u00e1vel, h\u00e1 outras coisas mais importantes. N\u00e3o \u00e9 que o foco no pensamento cr\u00edtico n\u00e3o tenha sido uma boa ideia ou mesmo que os m\u00e9todos utilizados tenham sido inadequados. O esfor\u00e7o de mudan\u00e7a falhou porque, na melhor das hip\u00f3teses, foi apenas superficial. N\u00e3o abordou suficientemente a quest\u00e3o da cultura. Se queremos realmente concentrar-nos no pensamento cr\u00edtico, ent\u00e3o precisamos de olhar atentamente para a forma como ele \u00e9 abordado em cada mensagem que enviamos. Se h\u00e1 a\u00e7\u00f5es que contrariam o nosso foco no pensamento, ent\u00e3o temos de ponderar como isto pode ser mudado. Ao fazermos isto, incorporamos o pensamento cr\u00edtico na cultura da escola. A constru\u00e7\u00e3o de uma cultura do pensamento \u00e9 desenvolvida de forma s\u00f3lida atrav\u00e9s do trabalho de Ron Ritchhart e do Project Zero atrav\u00e9s do seu trabalho na Cria\u00e7\u00e3o de Culturas de Pensamento. As oito for\u00e7as culturais oferecem tanto uma Lente como uma Alavanca para aqueles que procuram avaliar e mudar a sua cultura para uma outra que valorize o pensamento. Mas o pensamento cr\u00edtico n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica mudan\u00e7a dentro das escolas que exige um tratamento aprofundado. Considere-se como a aprendizagem baseada na investiga\u00e7\u00e3o pode ser implementada se n\u00e3o abordar os aspetos culturais da investiga\u00e7\u00e3o. A menos que exista dentro da escola uma cultura que valorize a investiga\u00e7\u00e3o como um modo de aprendizagem, esse nunca ser\u00e1 considerado um bom processo para responder a uma quest\u00e3o de investiga\u00e7\u00e3o. A representa\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e9 outro exemplo claro de um conceito que s\u00f3 pode produzir mudan\u00e7as insignificantes nas escolas, porque nunca vai al\u00e9m de uma abordagem b\u00e1sica. Quando a representa\u00e7\u00e3o dos alunos \u00e9 genuinamente abra\u00e7ada, as suas impress\u00f5es digitais devem ser evidentes na cultura da escola. Deve ser considerado antinatural (e n\u00e3o uma simpatia ocasional) n\u00e3o incluir a voz dos alunos em qualquer decis\u00e3o que tenha impacto nos estudantes. As pr\u00e1ticas de avalia\u00e7\u00e3o s\u00e3o outro caso em que a cultura tem um impacto significativo no efeito que uma iniciativa de mudan\u00e7a pode ou n\u00e3o ter. Leia o trabalho de Dylan Wiliam, perito em avalia\u00e7\u00e3o altamente respeitado, e ver\u00e1 que o impacto mais significativo ocorre quando as escolas abra\u00e7am abordagens de avalia\u00e7\u00e3o para a aprendizagem ou avalia\u00e7\u00e3o formativa. Duas cita\u00e7\u00f5es de Wiliam esclarecem os conceitos-chave subjacentes a uma abordagem de avalia\u00e7\u00e3o formativa: \u00c9 formativa apenas se a informa\u00e7\u00e3o for utilizada pelo aprendente para fazer melhorias que efetivamente levem a sua pr\u00f3pria aprendizagem para a frente. \u00c9 por isso que para ser formativa, a avalia\u00e7\u00e3o deve incluir uma receita para a\u00e7\u00f5es futuras. &#8211; Dylan Wiliam Se o que est\u00e1 a fazer sob o t\u00edtulo de avalia\u00e7\u00e3o para a aprendizagem ou avalia\u00e7\u00e3o formativa envolver a coloca\u00e7\u00e3o de qualquer coisa numa folha de c\u00e1lculo, ou a utiliza\u00e7\u00e3o de uma caneta que n\u00e3o seja para fazer coment\u00e1rios num caderno de um aluno, ent\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 a fazer a avalia\u00e7\u00e3o para a aprendizagem que faz a diferen\u00e7a&#8217;. &#8211; Dylan Wiliam Aprofundando mais a defini\u00e7\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o formativa, Wiliam partilha &#8220;A pr\u00e1tica numa sala de aula \u00e9 formativa na medida em que as evid\u00eancias sobre os resultados dos alunos s\u00e3o recolhidas, interpretadas e utilizadas por professores, alunos, ou seus pares, para tomar decis\u00f5es sobre os pr\u00f3ximos passos no ensino que provavelmente ser\u00e3o melhores, ou mais bem fundamentadas, do que as decis\u00f5es que teriam tomado sem evid\u00eancias que foram recolhidas&#8220;. Isto aponta-nos claramente para pr\u00e1ticas que permitem a todos os envolvidos na aprendizagem compreender onde o aprendente est\u00e1 na sua aprendizagem, o que poder\u00e1 fazer a seguir e o que outros (professores, pais, etc.) poder\u00e3o fazer para ajudar. Este processo n\u00e3o \u00e9 suportado por uma classifica\u00e7\u00e3o ou uma nota. Ambas falham em esclarecer as especificidades do que foi alcan\u00e7ado ou do que pode resultar em crescimento. De facto, o problema com as notas ou classifica\u00e7\u00f5es \u00e9 maior do que possamos imaginar. Ruth Butler investigou o impacto das notas na motiva\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca, e as suas conclus\u00f5es s\u00e3o significativas. Os alunos que receberam feedback apenas com coment\u00e1rios, retiraram o m\u00e1ximo proveito do feedback fornecido. Quando os estudantes receberam apenas notas, ou mesmo notas e um coment\u00e1rio, o efeito foi um enfraquecimento do seu interesse e desempenho. O esfor\u00e7o feito pelo professor para complementar a nota com um coment\u00e1rio significativo que pudesse orientar o aluno na sua aprendizagem foi desfeito pela atribui\u00e7\u00e3o dessa nota. O desafio que muitas escolas enfrentam quando implementam a avalia\u00e7\u00e3o formativa decorre mais claramente da cultura e das cren\u00e7as que a cultivam. Os professores acreditam que uma parte do seu trabalho \u00e9 fornecer aos alunos uma nota, mesmo em situa\u00e7\u00f5es em que o sistema n\u00e3o o exige. Os professores tamb\u00e9m acreditam que precisam de manter uma caderneta para as notas. Os pais contribuem para isso, insistindo nas notas e a cren\u00e7a de que boas notas s\u00e3o um indicador satisfat\u00f3rio de aprendizagem \u00e9 generalizada. Por imers\u00e3o nesta cultura, os alunos aprendem que o sucesso na escola \u00e9 demonstrado pelas boas notas. Emily Mitchum, uma estudante que reflete sobre a sua aprendizagem e a cultura que viveu publicou um artigo de opini\u00e3o na Pittsburgh Post-Gazette onde escreveu, Este sistema&#8230;fez com que a minha gera\u00e7\u00e3o desenvolvesse uma obsess\u00e3o pouco saud\u00e1vel por notas em vez de aprender, na minha opini\u00e3o. A dura realidade \u00e9 que n\u00e3o estamos realmente a aprender tanto quanto pod\u00edamos. Estudamos porque temos testes e no dia seguinte ao teste esquecemo-nos de toda a informa\u00e7\u00e3o que estud\u00e1mos. O nosso enfoque persistente nas notas est\u00e1 a moldar a perce\u00e7\u00e3o dos nossos alunos sobre o que \u00e9 a aprendizagem e a convenc\u00ea-los de que imaginar n\u00e3o \u00e9 positivo. Quando avaliamos a efic\u00e1cia do nosso esfor\u00e7o para implementar uma avalia\u00e7\u00e3o formativa, devemos considerar o impacto que este enfoque cultural tem nas notas. Alterar as nossas pr\u00e1ticas de avalia\u00e7\u00e3o sem abordar o preconceito cultural tem poucas probabilidades de ser um sucesso. O padr\u00e3o mant\u00e9m-se para muitos aspetos da mudan\u00e7a. A ado\u00e7\u00e3o de novas pr\u00e1ticas \u00e9 relativamente f\u00e1cil. Alterar a cultura de modo a que a mudan\u00e7a se torne uma rotina de funcionamento da organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio. Quando chega o momento de avaliar uma mudan\u00e7a, o elemento cultural tem de ser considerado. Demasiadas boas ideias foram descartadas, n\u00e3o porque a ideia tivesse falhas, mas porque n\u00e3o se enquadrava na cultura da organiza\u00e7\u00e3o em que foi introduzida. Este ponto pode revelar-se crucial em tempos de mudan\u00e7a r\u00e1pida em que novos desafios s\u00e3o lan\u00e7ados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Embora possamos reconhecer a necessidade de mudan\u00e7as na forma como os jovens est\u00e3o preparados para o mundo que herdar\u00e3o, ser\u00e1 que a cultura dos sistemas educativos ter\u00e1 capacidade de se ajustar a tempo? \u00a0 Refer\u00eancias [1] Coutts, Nigel. Why didn&#8217;t that work? Maybe it\u2019s culture?. The Learner\u2019s Way, 23\/11\/2020. Acedido em 09\/03\/2021 em https:\/\/thelearnersway.net\/ideas\/2021\/2\/7\/why-didnt-that-work-maybe-it-s-culture [2] Smollan, R &amp; Sayers, J. (2009) Organizational Culture, Change and Emotions: A Qualitative Study, Journal of Change Management, 9:4, 435-457<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159,12],"tags":[],"class_list":["post-2426418","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-inovacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2426418","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2426418"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2426418\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3087972,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2426418\/revisions\/3087972"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2426418"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2426418"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2426418"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}