{"id":2365350,"date":"2020-09-24T09:00:00","date_gmt":"2020-09-24T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2365350.html"},"modified":"2026-05-13T15:43:39","modified_gmt":"2026-05-13T15:43:39","slug":"education-at-a-glance-2020-valorizar-a-aprendizagem-baseada-no-trabalho-e-construir-sociedades-mais-resilientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2365350","title":{"rendered":"Education at a Glance 2020 &#8211; Valorizar a aprendizagem baseada no trabalho e construir sociedades mais resilientes"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 605px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"0.jpg\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/21910254_mP5yK.jpeg\" alt=\"0.jpg\" width=\"605\" height=\"655\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) \u00e9 a fonte autorizada para reunir e apresentar informa\u00e7\u00e3o atualizada e compar\u00e1vel sobre o estado da educa\u00e7\u00e3o em todo o mundo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No seu relat\u00f3rio anual <em>Education at a Glance<\/em>, publicado a 8 de setembro de 2020, analisa a educa\u00e7\u00e3o em cada pa\u00eds, o seu financiamento e impacto no mercado de trabalho e economia.<\/p>\n<p><\/p>\n<div>Este ano os dados reunidos reportam-se ao per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia causada pelo coronav\u00edrus SARS-CoV-2 e pela doen\u00e7a Covid-19 e incluem uma publica\u00e7\u00e3o complementar, The impact of COVID-19 on education &#8211; Insights from Education at a Glance 2020, que os posiciona neste contexto. Em Portugal a pandemia provocou 17 semanas de encerramento das escolas p\u00fablicas, mais 3 semanas do que a m\u00e9dia da OCDE.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Valorizar a aprendizagem baseada no trabalho<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A crise de sa\u00fade p\u00fablica e econ\u00f3mica n\u00e3o criou, mas amplificou exponencialmente as fragilidades e desigualdades sociais, particularmente na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A aprendizagem profissional &#8211; tema principal do relat\u00f3rio &#8211; foi o setor da educa\u00e7\u00e3o mais afetado pela pandemia porque inclui um ensino pr\u00e1tico que n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, porque est\u00e1 associada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a partir das empresas (que sofreram quedas de produ\u00e7\u00e3o resultantes do encerramento e de uma menor procura) e, em geral, porque muitos dos seus estudantes s\u00e3o de meios desfavorecidos. Por estas raz\u00f5es, verifica-se uma menor procura e um encerramento de muitos cursos de ensino profissional e esta situa\u00e7\u00e3o ocorre em circunst\u00e2ncias em que trabalhadores com esta forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais necess\u00e1rios. Com efeito, durante o confinamento foram sobretudo trabalhadores provenientes de setores profissionais habitualmente negligenciados (enfermeiros, comerciantes, artes\u00e3os, motoristas, cozinheiros, seguran\u00e7as, varredores \u2026) que asseguraram os servi\u00e7os essenciais.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00c1ngel Gurr\u00eda, Secret\u00e1rio-Geral da OCDE, sublinha no Editorial do relat\u00f3rio, que \u201ca evid\u00eancia de pa\u00edses com sistemas vocacionais de alto desempenho \u00e9 que eles fornecem um meio muito eficaz de integrar os alunos no mercado de trabalho e abrir caminhos para mais aprendizagem e crescimento pessoal\u201d.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A consci\u00eancia desta necessidade deve fortalecer a liga\u00e7\u00e3o que a escola mant\u00e9m com o setor privado, no sentido de incentivar a aprendizagem com base na experi\u00eancia pr\u00e1tica adquirida nas empresas, no contacto dos alunos com os trabalhadores e empregadores, na compreens\u00e3o das necessidades do mercado de trabalho e no aprofundamento das compet\u00eancias relevantes nesta \u00e1rea, sem negligenciar compet\u00eancias gerais fundamentais como a aritm\u00e9tica, leitura e escrita.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>O ensino profissionalizante comporta outros desafios decorrentes das seguintes quest\u00f5es:<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres nestes cursos, particularmente naqueles que podem gerar empregos est\u00e1veis e bem remunerados, como s\u00e3o os da \u00e1rea da STEM (Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica);<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; imprevisibilidade do mercado de emprego e crescente digitaliza\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, os quais exigem a adapta\u00e7\u00e3o dos seus programas e do acesso a n\u00edveis mais elevados de educa\u00e7\u00e3o que permitam o autodesenvolvimento e acrescentem valor ao trabalho (em Portugal todos os cursos profissionais permitem o acesso ao ensino superior &#8211; a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 70%).<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>De acordo com a sua Country Note, Portugal tem 26% de estudantes &#8211; do ensino b\u00e1sico aos cursos t\u00e9cnicos superiores &#8211; numa via profissional, encontrando-se 6% abaixo da m\u00e9dia da OCDE. S\u00e3o sobretudo os estudantes do ensino secund\u00e1rio que se matriculam nestes cursos: em m\u00e9dia 40%, 2% abaixo da m\u00e9dia da OCDE. Segundo o relat\u00f3rio, habitualmente \u201cos alunos do ensino profissional t\u00eam menor probabilidade de concluir a sua forma\u00e7\u00e3o do que os dos programas gerais\u201d, mas \u201cPortugal \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o\u201d porque a taxa de conclus\u00e3o destes cursos sem reprova\u00e7\u00f5es \u00e9 semelhante \u00e0 dos alunos matriculados nos cursos cient\u00edfico-human\u00edsticos (57%). A empregabilidade dos jovens adultos (25-34 anos) com ensino profissional tende a ser mais elevada (88%) do que entre os que conclu\u00edram o secund\u00e1rio geral e n\u00e3o prosseguiram estudos (83%) e tamb\u00e9m a n\u00edvel salarial, h\u00e1 vantagem (4%) nestes cursos.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>A mesma fonte sublinha, no entanto, que \u201cn\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o mais elevados aumenta a empregabilidade e est\u00e3o associados a rendimentos mais elevados\u201d (adultos com qualifica\u00e7\u00e3o profissional m\u00e9dia ganham 34% menos do que os com ensino superior), para al\u00e9m de aumentarem mais a produtividade do pa\u00eds.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Construir sociedades mais resilientes\u00a0<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>No Editorial do relat\u00f3rio, Gurr\u00eda afirma que \u201cos cen\u00e1rios mais otimistas preveem uma recess\u00e3o brutal. Mesmo se uma segunda onda de infe\u00e7\u00f5es for evitada, a atividade econ\u00f3mica global dever\u00e1 cair 6% em 2020, com o desemprego m\u00e9dio nos pa\u00edses da OCDE subindo de 5,4%, em 2019, para 9,2%.\u201d Por conseguinte, h\u00e1 o risco dos gastos com a educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o diminu\u00edrem em favor do investimento na sa\u00fade e seguran\u00e7a social.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Este cen\u00e1rio pode comprometer a qualidade futura da educa\u00e7\u00e3o, que enfrenta grandes desafios, como por exemplo:<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; Aumentar e adaptar \u00e0 nova realidade os cursos profissionais e de ensino superior (em Portugal 37% dos jovens entre os 25-34 anos tem o ensino superior \u2013 a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 de 45% e 45% das mulheres nesta idade tem o ensino superior em compara\u00e7\u00e3o com 29% dos seus cong\u00e9neres masculinos \u2013 a m\u00e9dia da OCDE para esta idade \u00e9, respetivamente, de 51% e 39%);<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; Valorizar e renovar o corpo docente (em Portugal apenas 1% dos professores \u00e9 considerado jovem, isto \u00e9, tem menos de 30 anos e a diferen\u00e7a salarial entre professores de in\u00edcio e de fim de carreira \u00e9 de 116%);<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211;\u00a0 Melhorar as compet\u00eancias digitais dos professores, reinventar os ambientes de aprendizagem e expandir a digitaliza\u00e7\u00e3o das ofertas acad\u00e9micas \u00e9 uma necessidade assumida por todos os pa\u00edses da OCDE;<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; Diminuir as desigualdades no emprego (o teletrabalho, por exemplo, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o apenas para os trabalhadores mais qualificados);<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; Relan\u00e7ar de modo criativo a mobilidade de estudantes internacionais (em Portugal 4% dos estudantes estudam no estrangeiro, mais 2% que a m\u00e9dia da OCDE.<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>Para construir sociedades mais resilientes no horizonte de complexidade, incerteza e interdepend\u00eancia em que vivemos, Gurr\u00eda estabelece, no Editorial do relat\u00f3rio, duas condi\u00e7\u00f5es:<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; dar prioridade e investir na educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cos sistemas educativos t\u00eam de estar no centro do planeamento do desenvolvimento das compet\u00eancias e habilidades necess\u00e1rias para a sociedade de amanh\u00e3\u201d;<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>&#8211; \u201crenovar o nosso compromisso pol\u00edtico para alcan\u00e7ar os Objetivos para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d. \u00c9 no quadro de uma educa\u00e7\u00e3o para todos, equitativa e ao longo da vida e de uma economia que tenha como prop\u00f3sito a cria\u00e7\u00e3o de empregos dignos e a prote\u00e7\u00e3o do ambiente e da cultura\/ patrim\u00f3nio que a humanidade se protege contra as adversidades e perspetiva a sua prosperidade, bem-estar e desenvolvimento.\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div><strong>Fontes:\u00a0<\/strong><\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>OCDE. <a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/\">http:\/\/www.oecd.org\/<\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>OECD. (08. 09. 2020). Education at a Glance 2020: Indicadores da OCDE. <a href=\"http:\/\/www.oecd.org\/education\/education-at-a-glance\/\">http:\/\/www.oecd.org\/education\/education-at-a-glance\/<\/a> | <a href=\"https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/education-at-a-glance-2020_69096873-en\">https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/education-at-a-glance-2020_69096873-en\u00a0<\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div>OECD. (08.09.2020). The impact of COVID-19 on education &#8211; Insights from Education at a Glance 2020. <a href=\"https:\/\/www.oecd.org\/education\/the-impact-of-covid-19-on-education-insights-education-at-a-glance-2020.pdf\">https:\/\/www.oecd.org\/education\/the-impact-of-covid-19-on-education-insights-education-at-a-glance-2020.pdf<\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div>\u00a0<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico (OCDE) \u00e9 a fonte autorizada para reunir e apresentar informa\u00e7\u00e3o atualizada e compar\u00e1vel sobre o estado da educa\u00e7\u00e3o em todo o mundo. No seu relat\u00f3rio anual Education at a Glance, publicado a 8 de setembro de 2020, analisa a educa\u00e7\u00e3o em cada pa\u00eds, o seu financiamento e impacto no mercado de trabalho e economia. Este ano os dados reunidos reportam-se ao per\u00edodo anterior \u00e0 pandemia causada pelo coronav\u00edrus SARS-CoV-2 e pela doen\u00e7a Covid-19 e incluem uma publica\u00e7\u00e3o complementar, The impact of COVID-19 on education &#8211; Insights from Education at a Glance 2020, que os posiciona neste contexto. Em Portugal a pandemia provocou 17 semanas de encerramento das escolas p\u00fablicas, mais 3 semanas do que a m\u00e9dia da OCDE.\u00a0 \u00a0 Valorizar a aprendizagem baseada no trabalho \u00a0 A crise de sa\u00fade p\u00fablica e econ\u00f3mica n\u00e3o criou, mas amplificou exponencialmente as fragilidades e desigualdades sociais, particularmente na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o. \u00a0 A aprendizagem profissional &#8211; tema principal do relat\u00f3rio &#8211; foi o setor da educa\u00e7\u00e3o mais afetado pela pandemia porque inclui um ensino pr\u00e1tico que n\u00e3o \u00e9 compat\u00edvel com o ensino \u00e0 dist\u00e2ncia, porque est\u00e1 associada \u00e0 educa\u00e7\u00e3o a partir das empresas (que sofreram quedas de produ\u00e7\u00e3o resultantes do encerramento e de uma menor procura) e, em geral, porque muitos dos seus estudantes s\u00e3o de meios desfavorecidos. Por estas raz\u00f5es, verifica-se uma menor procura e um encerramento de muitos cursos de ensino profissional e esta situa\u00e7\u00e3o ocorre em circunst\u00e2ncias em que trabalhadores com esta forma\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais necess\u00e1rios. Com efeito, durante o confinamento foram sobretudo trabalhadores provenientes de setores profissionais habitualmente negligenciados (enfermeiros, comerciantes, artes\u00e3os, motoristas, cozinheiros, seguran\u00e7as, varredores \u2026) que asseguraram os servi\u00e7os essenciais.\u00a0 \u00a0 \u00c1ngel Gurr\u00eda, Secret\u00e1rio-Geral da OCDE, sublinha no Editorial do relat\u00f3rio, que \u201ca evid\u00eancia de pa\u00edses com sistemas vocacionais de alto desempenho \u00e9 que eles fornecem um meio muito eficaz de integrar os alunos no mercado de trabalho e abrir caminhos para mais aprendizagem e crescimento pessoal\u201d. \u00a0 A consci\u00eancia desta necessidade deve fortalecer a liga\u00e7\u00e3o que a escola mant\u00e9m com o setor privado, no sentido de incentivar a aprendizagem com base na experi\u00eancia pr\u00e1tica adquirida nas empresas, no contacto dos alunos com os trabalhadores e empregadores, na compreens\u00e3o das necessidades do mercado de trabalho e no aprofundamento das compet\u00eancias relevantes nesta \u00e1rea, sem negligenciar compet\u00eancias gerais fundamentais como a aritm\u00e9tica, leitura e escrita. \u00a0 O ensino profissionalizante comporta outros desafios decorrentes das seguintes quest\u00f5es: \u00a0 &#8211; sub-representa\u00e7\u00e3o das mulheres nestes cursos, particularmente naqueles que podem gerar empregos est\u00e1veis e bem remunerados, como s\u00e3o os da \u00e1rea da STEM (Ci\u00eancia, Tecnologia, Engenharia e Matem\u00e1tica); \u00a0 &#8211; imprevisibilidade do mercado de emprego e crescente digitaliza\u00e7\u00e3o e automa\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, os quais exigem a adapta\u00e7\u00e3o dos seus programas e do acesso a n\u00edveis mais elevados de educa\u00e7\u00e3o que permitam o autodesenvolvimento e acrescentem valor ao trabalho (em Portugal todos os cursos profissionais permitem o acesso ao ensino superior &#8211; a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 70%). \u00a0 De acordo com a sua Country Note, Portugal tem 26% de estudantes &#8211; do ensino b\u00e1sico aos cursos t\u00e9cnicos superiores &#8211; numa via profissional, encontrando-se 6% abaixo da m\u00e9dia da OCDE. S\u00e3o sobretudo os estudantes do ensino secund\u00e1rio que se matriculam nestes cursos: em m\u00e9dia 40%, 2% abaixo da m\u00e9dia da OCDE. Segundo o relat\u00f3rio, habitualmente \u201cos alunos do ensino profissional t\u00eam menor probabilidade de concluir a sua forma\u00e7\u00e3o do que os dos programas gerais\u201d, mas \u201cPortugal \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o\u201d porque a taxa de conclus\u00e3o destes cursos sem reprova\u00e7\u00f5es \u00e9 semelhante \u00e0 dos alunos matriculados nos cursos cient\u00edfico-human\u00edsticos (57%). A empregabilidade dos jovens adultos (25-34 anos) com ensino profissional tende a ser mais elevada (88%) do que entre os que conclu\u00edram o secund\u00e1rio geral e n\u00e3o prosseguiram estudos (83%) e tamb\u00e9m a n\u00edvel salarial, h\u00e1 vantagem (4%) nestes cursos. \u00a0 A mesma fonte sublinha, no entanto, que \u201cn\u00edveis de instru\u00e7\u00e3o mais elevados aumenta a empregabilidade e est\u00e3o associados a rendimentos mais elevados\u201d (adultos com qualifica\u00e7\u00e3o profissional m\u00e9dia ganham 34% menos do que os com ensino superior), para al\u00e9m de aumentarem mais a produtividade do pa\u00eds. \u00a0 Construir sociedades mais resilientes\u00a0 \u00a0 No Editorial do relat\u00f3rio, Gurr\u00eda afirma que \u201cos cen\u00e1rios mais otimistas preveem uma recess\u00e3o brutal. Mesmo se uma segunda onda de infe\u00e7\u00f5es for evitada, a atividade econ\u00f3mica global dever\u00e1 cair 6% em 2020, com o desemprego m\u00e9dio nos pa\u00edses da OCDE subindo de 5,4%, em 2019, para 9,2%.\u201d Por conseguinte, h\u00e1 o risco dos gastos com a educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o diminu\u00edrem em favor do investimento na sa\u00fade e seguran\u00e7a social.\u00a0 \u00a0 Este cen\u00e1rio pode comprometer a qualidade futura da educa\u00e7\u00e3o, que enfrenta grandes desafios, como por exemplo: \u00a0 &#8211; Aumentar e adaptar \u00e0 nova realidade os cursos profissionais e de ensino superior (em Portugal 37% dos jovens entre os 25-34 anos tem o ensino superior \u2013 a m\u00e9dia da OCDE \u00e9 de 45% e 45% das mulheres nesta idade tem o ensino superior em compara\u00e7\u00e3o com 29% dos seus cong\u00e9neres masculinos \u2013 a m\u00e9dia da OCDE para esta idade \u00e9, respetivamente, de 51% e 39%); \u00a0 &#8211; Valorizar e renovar o corpo docente (em Portugal apenas 1% dos professores \u00e9 considerado jovem, isto \u00e9, tem menos de 30 anos e a diferen\u00e7a salarial entre professores de in\u00edcio e de fim de carreira \u00e9 de 116%); \u00a0 &#8211;\u00a0 Melhorar as compet\u00eancias digitais dos professores, reinventar os ambientes de aprendizagem e expandir a digitaliza\u00e7\u00e3o das ofertas acad\u00e9micas \u00e9 uma necessidade assumida por todos os pa\u00edses da OCDE; \u00a0 &#8211; Diminuir as desigualdades no emprego (o teletrabalho, por exemplo, \u00e9 uma op\u00e7\u00e3o apenas para os trabalhadores mais qualificados); \u00a0 &#8211; Relan\u00e7ar de modo criativo a mobilidade de estudantes internacionais (em Portugal 4% dos estudantes estudam no estrangeiro, mais 2% que a m\u00e9dia da OCDE. \u00a0 Para construir sociedades mais resilientes no horizonte de complexidade, incerteza e interdepend\u00eancia em que vivemos, Gurr\u00eda estabelece, no Editorial do relat\u00f3rio, duas condi\u00e7\u00f5es: \u00a0 &#8211; dar prioridade e investir na educa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o \u2013 \u201cos sistemas educativos t\u00eam de estar no centro do planeamento do desenvolvimento das compet\u00eancias e habilidades necess\u00e1rias para a sociedade de amanh\u00e3\u201d; \u00a0 &#8211; \u201crenovar o nosso compromisso pol\u00edtico para alcan\u00e7ar os Objetivos para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d. \u00c9 no quadro de uma educa\u00e7\u00e3o para todos, equitativa e ao longo da vida e de uma economia que tenha como prop\u00f3sito a cria\u00e7\u00e3o de empregos dignos e a prote\u00e7\u00e3o do ambiente e da cultura\/ patrim\u00f3nio que a humanidade se protege contra as adversidades e perspetiva a sua prosperidade, bem-estar e desenvolvimento.\u00a0 \u00a0 Fontes:\u00a0 \u00a0 OCDE. http:\/\/www.oecd.org\/ \u00a0 OECD. (08. 09. 2020). Education at a Glance 2020: Indicadores da OCDE. http:\/\/www.oecd.org\/education\/education-at-a-glance\/ | https:\/\/www.oecd-ilibrary.org\/education\/education-at-a-glance-2020_69096873-en\u00a0 \u00a0 OECD. (08.09.2020). The impact of COVID-19 on education &#8211; Insights from Education at a Glance 2020. https:\/\/www.oecd.org\/education\/the-impact-of-covid-19-on-education-insights-education-at-a-glance-2020.pdf \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159],"tags":[],"class_list":["post-2365350","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2365350","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2365350"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2365350\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3088209,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2365350\/revisions\/3088209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2365350"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2365350"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2365350"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}