{"id":2321025,"date":"2019-12-15T20:27:00","date_gmt":"2019-12-15T20:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2321025.html"},"modified":"2026-05-13T16:02:35","modified_gmt":"2026-05-13T16:02:35","slug":"vida-pedagogica-das-escolas-15-programas-a-rbe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2321025","title":{"rendered":"Vida pedag\u00f3gica das escolas | 15 programas | A RBE"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 600px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"pisa.jpeg\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/21645796_eo7U4.jpeg\" alt=\"pisa.jpeg\" width=\"600\" height=\"285\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><a href=\"https:\/\/www.educare.pt\/noticias\/noticia\/ver\/?id=158386&amp;langid=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-size: 12pt;\">educare.pt<\/span><\/a> |<\/p>\n<p><\/p>\n<h5><span style=\"font-size: 14pt;\">Investiga\u00e7\u00e3o conclui que h\u00e1 fatores cr\u00edticos que impedem que o sistema escolar seja mais democr\u00e1tico e, consequentemente, que os alunos obtenham melhores resultados. \u201cPol\u00edticas educativas e desempenho de Portugal no PISA (2000-2015)\u201d analisa 15 programas, entrevista professores, diretores e inspetores, para compreender o que mudou na Educa\u00e7\u00e3o e que explique os resultados alcan\u00e7ados no programa internacional de avalia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/h5>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 uma an\u00e1lise extensa e pormenorizada sobre pol\u00edticas educativas e o desempenho dos alunos portugueses no PISA &#8211; Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos entre 2000 e 2015. <strong>Analisaram-se 15 programas<\/strong> que materializam as pol\u00edticas p\u00fablicas das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas para compreender o que mudou no sistema escolar que possa estar relacionado com a melhoria da qualidade da Educa\u00e7\u00e3o, tendo em conta os resultados do PISA. \u201cPol\u00edticas educativas e desempenho de Portugal no PISA (2000-2015)\u201d re\u00fane os resultados das an\u00e1lises feitas por uma equipa coordenada por Domingos Fernandes, do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Lisboa. H\u00e1 conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><a name=\"cutid1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"ljcut\" text=\"Ler mais...\">\u201cPortugal tem sido um dos pa\u00edses e economias da OCDE cujos progressos t\u00eam sido relevados nos relat\u00f3rios internacionais dos \u00faltimos quatro ciclos do programa (2006, 2009, 2012, 2015), n\u00e3o s\u00f3 pela consistente melhoria dos resultados obtidos pelos alunos em Matem\u00e1tica, Leitura e Ci\u00eancias, mas tamb\u00e9m porque, nesses dom\u00ednios, a percentagem de alunos com desempenhos de n\u00edvel superior tem aumentado, havendo uma redu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea do n\u00famero de alunos com desempenhos mais baixos. Os resultados obtidos na edi\u00e7\u00e3o de 2015 do PISA foram superiores \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses e economias da OCDE participantes no estudo, ainda que no caso da Matem\u00e1tica a diferen\u00e7a entre as respetivas m\u00e9dias n\u00e3o seja estatisticamente significativa\u201d, sublinha-se neste documento.<\/p>\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o procura estabelecer rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito, mas contribuir, de forma fundamentada, para a compreens\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es que possam fazer sentido entre as pol\u00edticas p\u00fablicas de Educa\u00e7\u00e3o e os resultados nacionais no PISA. Entrevistaram-se 37 docentes, cinco diretores de agrupamentos e seis inspetores, e analisaram-se 15 programas com base em informa\u00e7\u00e3o institucional disponibilizada, avalia\u00e7\u00f5es externas, documenta\u00e7\u00e3o avulsa, legisla\u00e7\u00e3o. Analisaram-se tamb\u00e9m rela\u00e7\u00f5es entre os resultados globais obtidos por Portugal nas diferentes edi\u00e7\u00f5es do PISA, tendo como refer\u00eancia as m\u00e9dias globais da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico), e algumas das principais carater\u00edsticas das respetivas amostras de alunos participantes.<\/p>\n<p>Os resultados dos alunos portugueses no PISA melhoraram de forma consistente, entre 2000 e 2015, e a qualidade de ensino e das aprendizagens melhorou \u201cmais ou menos significativamente\u201d, mas, segundo os investigadores, h\u00e1 uma diversidade de pontos cr\u00edticos que impedem que o sistema escolar seja mais democr\u00e1tico e, consequentemente, que os alunos obtenham melhores resultados tanto nas provas de avalia\u00e7\u00e3o externa nacionais, como nas provas de avalia\u00e7\u00e3o externa internacionais, como o PISA.<\/p>\n<p><strong>As reten\u00e7\u00f5es, as faltas \u00e0s aulas, e a frequ\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar s\u00e3o os tr\u00eas pontos cr\u00edticos considerados mais pertinentes <\/strong>nesta pesquisa. Os n\u00fameros demonstram que a reten\u00e7\u00e3o tem vindo a descer, mas ainda \u00e9 um flagelo. Trinta e um por cento dos alunos portugueses que participaram no PISA de 2015 tinham uma ou mais reten\u00e7\u00f5es no seu percurso escolar, enquanto que a m\u00e9dia global dos restantes pa\u00edses participantes era 12%. A diferen\u00e7a \u00e9 muito significativa, mais do dobro. \u201cO sistema escolar portugu\u00eas continua a ter bastantes dificuldades em lidar com as diferen\u00e7as e com pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que sejam capazes de ganhar todos e cada um dos alunos para percursos livres de reten\u00e7\u00f5es. Ou seja, continua a ter dificuldades em ser verdadeiramente mais inclusivo, mais democr\u00e1tico\u201d, l\u00ea-se no documento.<\/p>\n<p>\u201cAs raz\u00f5es para esta situa\u00e7\u00e3o poder\u00e3o passar por uma certa tradi\u00e7\u00e3o \u2018pedag\u00f3gica\u2019 em que a reten\u00e7\u00e3o \u00e9 encarada como algo que \u00e9 normal e que, \u2018com certos alunos\u2019, pouco ou nada h\u00e1 a fazer para a debelar ou erradicar. Mas tamb\u00e9m por uma diversidade de raz\u00f5es relacionadas com as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas e a organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento das escolas que, em geral, t\u00eam assumidas dificuldades em lidar com as diferen\u00e7as\u201d, referem os investigadores. H\u00e1 esfor\u00e7os que t\u00eam produzido resultados e que at\u00e9 poder\u00e3o ser replicados com as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e justific\u00e1veis. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m aspetos que precisam de ser repensados e aprofundados, tendo em conta as experi\u00eancias de sucesso que j\u00e1 est\u00e3o em pr\u00e1tica em v\u00e1rios agrupamentos.<\/p>\n<p>Em Portugal, os alunos faltam mais \u00e0s aulas do que a m\u00e9dia verificada na OCDE, o que \u201cgera, naturalmente, dificuldades ao n\u00edvel das aprendizagens pois os alunos t\u00eam menos oportunidades para aprender\u201d. Quanto \u00e0 frequ\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar, apesar de ter vindo a subir, \u201c\u00e9 ainda significativamente inferior\u201d no contexto dos pa\u00edses da OCDE. No PISA de 2012, a diferen\u00e7a entre o n\u00famero de crian\u00e7as que frequentavam a educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar em Portugal e nos restantes pa\u00edses da OCDE era de 10%.<\/p>\n<p>A partir de 1986, com a publica\u00e7\u00e3o da Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), a qualidade da Educa\u00e7\u00e3o, as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, e as aprendizagens dos alunos melhoraram. E os professores n\u00e3o s\u00e3o alheios a essas melhorias e a uma evolu\u00e7\u00e3o positiva em v\u00e1rios dom\u00ednios fundamentais, nomeadamente na capacidade para conceber e desenvolver projetos para resolver dificuldades de aprendizagem, nas rela\u00e7\u00f5es com os pais e encarregados de educa\u00e7\u00e3o, nas compet\u00eancias para refletir acerca dos problemas pedag\u00f3gicos. H\u00e1 uma melhoria das compet\u00eancias pedag\u00f3gicas e organizacionais. \u201cPode dizer-se que os agrupamentos e as escolas prestam melhores servi\u00e7os educativos e que t\u00eam sido capazes de gerar melhores resultados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Conhecimento superficial, resultados pouco valorizados<\/strong><br \/>A investiga\u00e7\u00e3o revela que o PISA \u00e9 mal conhecido nos agrupamentos e nas escolas. A v\u00e1rios n\u00edveis. Quer nos seus prop\u00f3sitos e no seu \u00e2mbito, quer na natureza das suas provas e no tratamento da informa\u00e7\u00e3o gerada, quer ainda nas suas rela\u00e7\u00f5es com o curr\u00edculo. Os investigadores referem que o conhecimento \u201c\u00e9 bastante superficial, limitando-se \u00e0s informa\u00e7\u00f5es mais ou menos esparsas ou mais ou menos bomb\u00e1sticas veiculadas pela maioria dos \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social\u201d.<\/p>\n<p>\u201cConsequentemente, os resultados do PISA tendem a ser muito pouco ou mesmo nada valorizados por um assinal\u00e1vel n\u00famero de diretores e de professores. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel sob muitos pontos de vista pois, inclusivamente, as pessoas n\u00e3o t\u00eam oportunidades para se aperceber e\/ou compreender a relev\u00e2ncia do seu trabalho pedag\u00f3gico\u201d. Tudo isso mostra que as escolas e os professores, embora n\u00e3o o tenham afirmado nesta investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reconhecem o seu pr\u00f3prio trabalho \u201ccomo central para a melhoria da provis\u00e3o p\u00fablica de educa\u00e7\u00e3o\u201d. Nesse sentido, os investigadores recomendam que se definam estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o que \u201cdivulguem os resultados dos alunos portugueses neste ou noutros estudos internacionais e chamem a aten\u00e7\u00e3o para os seus diferentes significados\u201d.<\/p>\n<p>O trabalho pedag\u00f3gico desenvolvido nas escolas \u00e9 fundamental e \u00e9 importante compreender com profundidade o que acontece nos mais variados contextos escolares. \u201cNa verdade, a investiga\u00e7\u00e3o em dom\u00ednios tais como a organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento pedag\u00f3gico das escolas, o desenvolvimento curricular, a autonomia e a flexibilidade curricular, a avalia\u00e7\u00e3o das (e para as) aprendizagens e, em geral, as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, ser\u00e1 fundamental para compreender e melhorar as pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o\u201d, l\u00ea-se no relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Neste estudo, a avalia\u00e7\u00e3o externa das escolas mereceu da parte dos docentes e diretores de agrupamentos refer\u00eancias positivas e, por isso, aconselha-se a aprofundar o conhecimento das estrat\u00e9gias utilizadas no \u00e2mbito desse programa para refor\u00e7ar o que deve continuar e que, por outro lado, se criem mecanismos que permitam enfrentar os problemas de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento pedag\u00f3gico e de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o educativo por parte das escolas. \u201cDesse modo, poder-se-\u00e3o combater mais eficaz e eficientemente fen\u00f3menos tais como o abandono e a reten\u00e7\u00e3o escolares e, consequentemente melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o e dos seus resultados\u201d.<\/p>\n<p><strong>Melhoria da vida pedag\u00f3gica das escolas<\/strong><br \/><strong>Os investigadores analisaram 15 programas.<\/strong> Minerva &#8211; Meios Inform\u00e1ticos no Ensino: Racionaliza\u00e7\u00e3o, Valoriza\u00e7\u00e3o, Atualiza\u00e7\u00e3o. Programa Interministerial de Promo\u00e7\u00e3o do Sucesso Escolar (PIPSE). Programa FOCO (Forma\u00e7\u00e3o Cont\u00ednua de Professores). Programa Educa\u00e7\u00e3o para Todos (PEPT). Programa Ci\u00eancia Viva. Programa N\u00f3nio. <strong>Programa da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE).<\/strong> Programa dos Territ\u00f3rios Educativos de Interven\u00e7\u00e3o Priorit\u00e1ria (TEIP). Programa Iniciativa Novas Oportunidades (INO). Programa de Forma\u00e7\u00e3o em Ensino Experimental das Ci\u00eancias (PFEEC). Plano de A\u00e7\u00e3o da Matem\u00e1tica (PAM). Nacional do Ensino do Portugu\u00eas (PNEP). Plano Nacional de Leitura (PNL). Plano Tecnol\u00f3gico da Educa\u00e7\u00e3o (PTE). Programa Mais Sucesso Escolar (PMSE).<\/div>\n<p><\/p>\n<p>A grande maioria dos 15 programas analisados teve efeitos positivos nas escolas, nos professores e nos alunos. H\u00e1, no entanto, alguns que merecem particular destaque quer nas interven\u00e7\u00f5es dos participantes no estudo, quer nas avalia\u00e7\u00f5es, estudos ou reflex\u00f5es que foram consultados. <strong>A RBE<\/strong>, por exemplo,<strong> \u00e9 um programa cujo sucesso \u00e9 referido unanimemente por todos os intervenientes. \u201cA sua forma de organiza\u00e7\u00e3o e estrutura funcional, o facto de as escolas terem de criar um projeto para aderir ao programa, a forma como est\u00e1 inserido nas escolas, as din\u00e2micas criadas atrav\u00e9s dos projetos que se geram no seu \u00e2mbito e a colabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com os alunos e com os seus professores parecem ser aspetos, entre outros, que fizeram deste programa, j\u00e1 com cerca de 22 anos, um interessante exemplo que em muito tem contribu\u00eddo para melhorar os n\u00edveis de literacia da leitura dos alunos portugueses, muito particularmente ao n\u00edvel do Ensino B\u00e1sico\u201d.<\/strong><\/p>\n<p><a name=\"cutid2\"><\/a><\/p>\n<div class=\"ljcut\" text=\"Ler mais...\">O TEIP tem tamb\u00e9m rea\u00e7\u00f5es muito positivas. O programa apoia a comunidade educativa e estimula o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es \u201cque se imp\u00f5em para apoiar as crian\u00e7as e jovens que, por qualquer raz\u00e3o, t\u00eam assinal\u00e1veis desvantagens dos pontos de vista social, econ\u00f3mico e cultural em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 generalidade dos alunos\u201d. \u201cTrata-se, assim, de um programa que se destina a tornar o sistema escolar portugu\u00eas mais inclusivo e, por isso, mais democr\u00e1tico\u201d. No entanto, em termos de resultados, os agrupamentos e escolas TEIP \u201cainda estar\u00e3o aqu\u00e9m do que se poder\u00e1 considerar mais desej\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p>Ainda assim, a equipa de investigadores real\u00e7a que \u201ch\u00e1 assinal\u00e1veis resultados alcan\u00e7ados em aspetos t\u00e3o relevantes como a redu\u00e7\u00e3o do abandono e da reten\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias na vida das escolas, a significativa melhoria da vida pedag\u00f3gica das institui\u00e7\u00f5es e a qualidade do acompanhamento e apoio social, psicol\u00f3gico e pedag\u00f3gico aos alunos\u201d. E os professores destas escolas sentem-se melhor preparados para lidar com as diferen\u00e7as, colaboram mais uns com os outros na cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de projetos, e melhoraram as suas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Dois programas nos dom\u00ednios da L\u00edngua Portuguesa e da Matem\u00e1tica, o PNEP e o PAM, t\u00eam tido efeitos unanimemente considerados bastante positivos, sobretudo ao n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o dos professores. S\u00e3o programas inovadores nas estrat\u00e9gias utilizadas na forma\u00e7\u00e3o dos professores, na rela\u00e7\u00e3o entre formadores e formandos, nos processos de acompanhamento das pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, na produ\u00e7\u00e3o e partilha de materiais e no trabalho colaborativo entre os professores.<\/p>\n<p>\u201cAs pol\u00edticas p\u00fablicas desenvolvidas ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da LBSE, analisadas atrav\u00e9s dos 15 programas considerados nesta investiga\u00e7\u00e3o, produziram efeitos considerados positivos ou mesmo muito positivos em v\u00e1rios dom\u00ednios do sistema escolar. De tal modo que os resultados de Portugal nas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es do PISA, a partir de 2009, poder\u00e3o ser vistos como uma medida da melhoria da qualidade da educa\u00e7\u00e3o com, pelo menos, alguma credibilidade\u201d, concluem os investigadores que recomendam que \u201cas pol\u00edticas p\u00fablicas deveriam continuar a apostar no desenvolvimento de programas com as carater\u00edsticas que foram sinalizadas\u201d, al\u00e9m de uma \u201ceventual refunda\u00e7\u00e3o e melhoria de alguns programas em curso, o relan\u00e7amento de outros que tenham sido descontinuados ou o lan\u00e7amento de novos que se considerem necess\u00e1rios\u201d.<\/p>\n<p>Nas recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e1 o refor\u00e7o do combate ao abandono e \u00e0 reten\u00e7\u00e3o, assim como \u00e0s faltas \u00e0s aulas nos programas em curso ou a criar. Recomendam-se medidas que permitam aumentar o n\u00famero de crian\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar e que garantam a melhoria das condi\u00e7\u00f5es nas escolas, no que se refere ao acesso \u00e0 internet, a software educativo de qualidade e ao equipamento laboratorial.<\/p>\n<p><strong>\u201cPoderoso instrumento de coopera\u00e7\u00e3o e de aprendizagem\u201d<\/strong><br \/>No mais recente relat\u00f3rio do PISA, cujos resultados foram divulgados h\u00e1 dias, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o conclui que o sistema educativo portugu\u00eas \u201c\u00e9 o \u00fanico da OCDE que apresenta melhorias significativas\u201d. \u201cOs resultados que agora conhecemos, recolhidos em 2018, mostram bem como as compet\u00eancias reveladas agora pelos jovens nascidos no ano de 2002 resultam de muitos fatores que a enriqueceriam. Estes estudantes ingressaram no 1.\u00ba Ciclo em 2008 encontrando-se, a maioria, no ano letivo de 2015\/2016, o primeiro da nossa governa\u00e7\u00e3o j\u00e1 no 8.\u00ba ano\u201d, referiu o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Tiago Brand\u00e3o Rodrigues.<\/p>\n<p>Desde 2000, Portugal apresentou, segundo o governante, \u201cum caminho de melhoria cont\u00ednua e significativa nos tr\u00eas dom\u00ednios\u201d e acima da m\u00e9dia da OCDE. Na sua opini\u00e3o, a descida do n\u00edvel m\u00e9dio de compet\u00eancias dos alunos na Leitura, na Matem\u00e1tica e Ci\u00eancias, no espa\u00e7o da OCDE, ainda que ligeira, deve ser motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cPor isso mesmo, para Portugal, mais do que um ranking internacional, o PISA \u00e9 um poderoso instrumento de coopera\u00e7\u00e3o internacional e de aprendizagem com os outros\u201d, referiu.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio internacional apresenta Portugal como uma das \u00fanicas sete economias, entre 79 analisadas, onde, ao longo da sua participa\u00e7\u00e3o no PISA, os resultados foram de progresso consistente nos tr\u00eas dom\u00ednios avaliados. Al\u00e9m de Portugal, apenas Alb\u00e2nia, Col\u00f4mbia, Macau (China), Rep\u00fablica da Mold\u00e1via, Per\u00fa e Qatar o conseguiram. Apesar dos progressos, os resultados dos alunos portugueses a Ci\u00eancias pioraram em 2018 face aos registados no relat\u00f3rio anterior, em 2015.<br \/>Segundo o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um caminho a percorrer e muito a fazer. \u201cE porque precisamos de fazer mais dentro e fora da escola, resgat\u00e1mos a centralidade do Programa Ci\u00eancia Viva e do Plano Nacional de Leitura. Precisamos fazer ainda mais e melhor na equidade, pois o estatuto econ\u00f3mico dos pais ainda \u00e9 prescritor de sucesso escolar maior em Portugal do que noutros pa\u00edses\u201d. O secret\u00e1rio de Estado Adjunto e da Educa\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Costa, tamb\u00e9m considera que os resultados do \u00faltimo PISA devem \u201cmotivar para um trabalho mais profundo\u201d. Na sua perspetiva, os indicadores \u201cpermitem contrariar a express\u00e3o: no antigamente \u00e9 que era bom. Temos um sistema educativo que tem vindo a fazer uma produ\u00e7\u00e3o continuada e sustentada\u201d.<\/p>\n<p>O \u00faltimo PISA mostra que os resultados dos alunos de origem socioecon\u00f3mica mais favorecida ficam 95 pontos acima dos que t\u00eam maiores dificuldades econ\u00f3mica. Este diferencial \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE, de 89 pontos. Em 2009, a diferen\u00e7a resultante da origem socioecon\u00f3mica dos alunos era de 87 pontos, em linha com a m\u00e9dia da OCDE. Entre os alunos com desempenho de topo nas compet\u00eancias de Leitura, 16% s\u00e3o de classes mais altas e apenas 2% de origem desfavorecida.<\/p><\/div>\n<p><\/p>\n<p>O Presidente da Rep\u00fablica v\u00ea nos resultados do PISA um esfor\u00e7o em melhorar a qualidade da Educa\u00e7\u00e3o e o peso do contexto socioecon\u00f3mico. \u201cH\u00e1 duas realidades. Uma realidade \u00e9 que aqueles que t\u00eam piores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e sociais tamb\u00e9m t\u00eam piores condi\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes, quer de afirma\u00e7\u00e3o, quer de recupera\u00e7\u00e3o, quer de progress\u00e3o. Mas, em geral, h\u00e1 um esfor\u00e7o demonstrado por estes resultados no sentido de melhorar a qualidade do ensino e da educa\u00e7\u00e3o em Portugal\u201d, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que \u201capesar de aspetos cr\u00edticos no nosso sistema de educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 passos positivos que est\u00e3o a ser dados\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<h4 class=\"referenceString selectable\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong>: Oliveira, S. (2019).\u00a0<em>PISA | Reten\u00e7\u00f5es, faltas \u00e0s aulas, frequ\u00eancia no pr\u00e9-escolar. Tr\u00eas pontos a aprofundar<\/em>.\u00a0<em>Educare.pt<\/em>. Retrieved 15 December 2019, from <a href=\"https:\/\/www.educare.pt\/noticias\/noticia\/ver\/?id=158386&amp;langid=1\">https:\/\/www.educare.pt\/noticias\/noticia\/ver\/?id=158386&amp;langid=1<\/a><\/span><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>educare.pt | Investiga\u00e7\u00e3o conclui que h\u00e1 fatores cr\u00edticos que impedem que o sistema escolar seja mais democr\u00e1tico e, consequentemente, que os alunos obtenham melhores resultados. \u201cPol\u00edticas educativas e desempenho de Portugal no PISA (2000-2015)\u201d analisa 15 programas, entrevista professores, diretores e inspetores, para compreender o que mudou na Educa\u00e7\u00e3o e que explique os resultados alcan\u00e7ados no programa internacional de avalia\u00e7\u00e3o. \u00a0 \u00c9 uma an\u00e1lise extensa e pormenorizada sobre pol\u00edticas educativas e o desempenho dos alunos portugueses no PISA &#8211; Programa Internacional de Avalia\u00e7\u00e3o de Alunos entre 2000 e 2015. Analisaram-se 15 programas que materializam as pol\u00edticas p\u00fablicas das \u00faltimas tr\u00eas d\u00e9cadas para compreender o que mudou no sistema escolar que possa estar relacionado com a melhoria da qualidade da Educa\u00e7\u00e3o, tendo em conta os resultados do PISA. \u201cPol\u00edticas educativas e desempenho de Portugal no PISA (2000-2015)\u201d re\u00fane os resultados das an\u00e1lises feitas por uma equipa coordenada por Domingos Fernandes, do Instituto de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de Lisboa. H\u00e1 conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es. \u201cPortugal tem sido um dos pa\u00edses e economias da OCDE cujos progressos t\u00eam sido relevados nos relat\u00f3rios internacionais dos \u00faltimos quatro ciclos do programa (2006, 2009, 2012, 2015), n\u00e3o s\u00f3 pela consistente melhoria dos resultados obtidos pelos alunos em Matem\u00e1tica, Leitura e Ci\u00eancias, mas tamb\u00e9m porque, nesses dom\u00ednios, a percentagem de alunos com desempenhos de n\u00edvel superior tem aumentado, havendo uma redu\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea do n\u00famero de alunos com desempenhos mais baixos. Os resultados obtidos na edi\u00e7\u00e3o de 2015 do PISA foram superiores \u00e0 m\u00e9dia dos pa\u00edses e economias da OCDE participantes no estudo, ainda que no caso da Matem\u00e1tica a diferen\u00e7a entre as respetivas m\u00e9dias n\u00e3o seja estatisticamente significativa\u201d, sublinha-se neste documento. A investiga\u00e7\u00e3o n\u00e3o procura estabelecer rela\u00e7\u00f5es de causa e efeito, mas contribuir, de forma fundamentada, para a compreens\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es que possam fazer sentido entre as pol\u00edticas p\u00fablicas de Educa\u00e7\u00e3o e os resultados nacionais no PISA. Entrevistaram-se 37 docentes, cinco diretores de agrupamentos e seis inspetores, e analisaram-se 15 programas com base em informa\u00e7\u00e3o institucional disponibilizada, avalia\u00e7\u00f5es externas, documenta\u00e7\u00e3o avulsa, legisla\u00e7\u00e3o. Analisaram-se tamb\u00e9m rela\u00e7\u00f5es entre os resultados globais obtidos por Portugal nas diferentes edi\u00e7\u00f5es do PISA, tendo como refer\u00eancia as m\u00e9dias globais da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f3mico), e algumas das principais carater\u00edsticas das respetivas amostras de alunos participantes. Os resultados dos alunos portugueses no PISA melhoraram de forma consistente, entre 2000 e 2015, e a qualidade de ensino e das aprendizagens melhorou \u201cmais ou menos significativamente\u201d, mas, segundo os investigadores, h\u00e1 uma diversidade de pontos cr\u00edticos que impedem que o sistema escolar seja mais democr\u00e1tico e, consequentemente, que os alunos obtenham melhores resultados tanto nas provas de avalia\u00e7\u00e3o externa nacionais, como nas provas de avalia\u00e7\u00e3o externa internacionais, como o PISA. As reten\u00e7\u00f5es, as faltas \u00e0s aulas, e a frequ\u00eancia na educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar s\u00e3o os tr\u00eas pontos cr\u00edticos considerados mais pertinentes nesta pesquisa. Os n\u00fameros demonstram que a reten\u00e7\u00e3o tem vindo a descer, mas ainda \u00e9 um flagelo. Trinta e um por cento dos alunos portugueses que participaram no PISA de 2015 tinham uma ou mais reten\u00e7\u00f5es no seu percurso escolar, enquanto que a m\u00e9dia global dos restantes pa\u00edses participantes era 12%. A diferen\u00e7a \u00e9 muito significativa, mais do dobro. \u201cO sistema escolar portugu\u00eas continua a ter bastantes dificuldades em lidar com as diferen\u00e7as e com pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas que sejam capazes de ganhar todos e cada um dos alunos para percursos livres de reten\u00e7\u00f5es. Ou seja, continua a ter dificuldades em ser verdadeiramente mais inclusivo, mais democr\u00e1tico\u201d, l\u00ea-se no documento. \u201cAs raz\u00f5es para esta situa\u00e7\u00e3o poder\u00e3o passar por uma certa tradi\u00e7\u00e3o \u2018pedag\u00f3gica\u2019 em que a reten\u00e7\u00e3o \u00e9 encarada como algo que \u00e9 normal e que, \u2018com certos alunos\u2019, pouco ou nada h\u00e1 a fazer para a debelar ou erradicar. Mas tamb\u00e9m por uma diversidade de raz\u00f5es relacionadas com as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas e a organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento das escolas que, em geral, t\u00eam assumidas dificuldades em lidar com as diferen\u00e7as\u201d, referem os investigadores. H\u00e1 esfor\u00e7os que t\u00eam produzido resultados e que at\u00e9 poder\u00e3o ser replicados com as adapta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e justific\u00e1veis. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m aspetos que precisam de ser repensados e aprofundados, tendo em conta as experi\u00eancias de sucesso que j\u00e1 est\u00e3o em pr\u00e1tica em v\u00e1rios agrupamentos. Em Portugal, os alunos faltam mais \u00e0s aulas do que a m\u00e9dia verificada na OCDE, o que \u201cgera, naturalmente, dificuldades ao n\u00edvel das aprendizagens pois os alunos t\u00eam menos oportunidades para aprender\u201d. Quanto \u00e0 frequ\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar, apesar de ter vindo a subir, \u201c\u00e9 ainda significativamente inferior\u201d no contexto dos pa\u00edses da OCDE. No PISA de 2012, a diferen\u00e7a entre o n\u00famero de crian\u00e7as que frequentavam a educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar em Portugal e nos restantes pa\u00edses da OCDE era de 10%. A partir de 1986, com a publica\u00e7\u00e3o da Lei de Bases do Sistema Educativo (LBSE), a qualidade da Educa\u00e7\u00e3o, as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, e as aprendizagens dos alunos melhoraram. E os professores n\u00e3o s\u00e3o alheios a essas melhorias e a uma evolu\u00e7\u00e3o positiva em v\u00e1rios dom\u00ednios fundamentais, nomeadamente na capacidade para conceber e desenvolver projetos para resolver dificuldades de aprendizagem, nas rela\u00e7\u00f5es com os pais e encarregados de educa\u00e7\u00e3o, nas compet\u00eancias para refletir acerca dos problemas pedag\u00f3gicos. H\u00e1 uma melhoria das compet\u00eancias pedag\u00f3gicas e organizacionais. \u201cPode dizer-se que os agrupamentos e as escolas prestam melhores servi\u00e7os educativos e que t\u00eam sido capazes de gerar melhores resultados\u201d. Conhecimento superficial, resultados pouco valorizadosA investiga\u00e7\u00e3o revela que o PISA \u00e9 mal conhecido nos agrupamentos e nas escolas. A v\u00e1rios n\u00edveis. Quer nos seus prop\u00f3sitos e no seu \u00e2mbito, quer na natureza das suas provas e no tratamento da informa\u00e7\u00e3o gerada, quer ainda nas suas rela\u00e7\u00f5es com o curr\u00edculo. Os investigadores referem que o conhecimento \u201c\u00e9 bastante superficial, limitando-se \u00e0s informa\u00e7\u00f5es mais ou menos esparsas ou mais ou menos bomb\u00e1sticas veiculadas pela maioria dos \u00f3rg\u00e3os da comunica\u00e7\u00e3o social\u201d. \u201cConsequentemente, os resultados do PISA tendem a ser muito pouco ou mesmo nada valorizados por um assinal\u00e1vel n\u00famero de diretores e de professores. Esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel sob muitos pontos de vista pois, inclusivamente, as pessoas n\u00e3o t\u00eam oportunidades para se aperceber e\/ou compreender a relev\u00e2ncia do seu trabalho pedag\u00f3gico\u201d. Tudo isso mostra que as escolas e os professores, embora n\u00e3o o tenham afirmado nesta investiga\u00e7\u00e3o, n\u00e3o reconhecem o seu pr\u00f3prio trabalho \u201ccomo central para a melhoria da provis\u00e3o p\u00fablica de educa\u00e7\u00e3o\u201d. Nesse sentido, os investigadores recomendam que se definam estrat\u00e9gias de comunica\u00e7\u00e3o que \u201cdivulguem os resultados dos alunos portugueses neste ou noutros estudos internacionais e chamem a aten\u00e7\u00e3o para os seus diferentes significados\u201d. O trabalho pedag\u00f3gico desenvolvido nas escolas \u00e9 fundamental e \u00e9 importante compreender com profundidade o que acontece nos mais variados contextos escolares. \u201cNa verdade, a investiga\u00e7\u00e3o em dom\u00ednios tais como a organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento pedag\u00f3gico das escolas, o desenvolvimento curricular, a autonomia e a flexibilidade curricular, a avalia\u00e7\u00e3o das (e para as) aprendizagens e, em geral, as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, ser\u00e1 fundamental para compreender e melhorar as pol\u00edticas p\u00fablicas de educa\u00e7\u00e3o\u201d, l\u00ea-se no relat\u00f3rio. Neste estudo, a avalia\u00e7\u00e3o externa das escolas mereceu da parte dos docentes e diretores de agrupamentos refer\u00eancias positivas e, por isso, aconselha-se a aprofundar o conhecimento das estrat\u00e9gias utilizadas no \u00e2mbito desse programa para refor\u00e7ar o que deve continuar e que, por outro lado, se criem mecanismos que permitam enfrentar os problemas de organiza\u00e7\u00e3o e funcionamento pedag\u00f3gico e de presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o educativo por parte das escolas. \u201cDesse modo, poder-se-\u00e3o combater mais eficaz e eficientemente fen\u00f3menos tais como o abandono e a reten\u00e7\u00e3o escolares e, consequentemente melhorar a qualidade da educa\u00e7\u00e3o e dos seus resultados\u201d. Melhoria da vida pedag\u00f3gica das escolasOs investigadores analisaram 15 programas. Minerva &#8211; Meios Inform\u00e1ticos no Ensino: Racionaliza\u00e7\u00e3o, Valoriza\u00e7\u00e3o, Atualiza\u00e7\u00e3o. Programa Interministerial de Promo\u00e7\u00e3o do Sucesso Escolar (PIPSE). Programa FOCO (Forma\u00e7\u00e3o Cont\u00ednua de Professores). Programa Educa\u00e7\u00e3o para Todos (PEPT). Programa Ci\u00eancia Viva. Programa N\u00f3nio. Programa da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE). Programa dos Territ\u00f3rios Educativos de Interven\u00e7\u00e3o Priorit\u00e1ria (TEIP). Programa Iniciativa Novas Oportunidades (INO). Programa de Forma\u00e7\u00e3o em Ensino Experimental das Ci\u00eancias (PFEEC). Plano de A\u00e7\u00e3o da Matem\u00e1tica (PAM). Nacional do Ensino do Portugu\u00eas (PNEP). Plano Nacional de Leitura (PNL). Plano Tecnol\u00f3gico da Educa\u00e7\u00e3o (PTE). Programa Mais Sucesso Escolar (PMSE). A grande maioria dos 15 programas analisados teve efeitos positivos nas escolas, nos professores e nos alunos. H\u00e1, no entanto, alguns que merecem particular destaque quer nas interven\u00e7\u00f5es dos participantes no estudo, quer nas avalia\u00e7\u00f5es, estudos ou reflex\u00f5es que foram consultados. A RBE, por exemplo, \u00e9 um programa cujo sucesso \u00e9 referido unanimemente por todos os intervenientes. \u201cA sua forma de organiza\u00e7\u00e3o e estrutura funcional, o facto de as escolas terem de criar um projeto para aderir ao programa, a forma como est\u00e1 inserido nas escolas, as din\u00e2micas criadas atrav\u00e9s dos projetos que se geram no seu \u00e2mbito e a colabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com os alunos e com os seus professores parecem ser aspetos, entre outros, que fizeram deste programa, j\u00e1 com cerca de 22 anos, um interessante exemplo que em muito tem contribu\u00eddo para melhorar os n\u00edveis de literacia da leitura dos alunos portugueses, muito particularmente ao n\u00edvel do Ensino B\u00e1sico\u201d. O TEIP tem tamb\u00e9m rea\u00e7\u00f5es muito positivas. O programa apoia a comunidade educativa e estimula o desenvolvimento de a\u00e7\u00f5es \u201cque se imp\u00f5em para apoiar as crian\u00e7as e jovens que, por qualquer raz\u00e3o, t\u00eam assinal\u00e1veis desvantagens dos pontos de vista social, econ\u00f3mico e cultural em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 generalidade dos alunos\u201d. \u201cTrata-se, assim, de um programa que se destina a tornar o sistema escolar portugu\u00eas mais inclusivo e, por isso, mais democr\u00e1tico\u201d. No entanto, em termos de resultados, os agrupamentos e escolas TEIP \u201cainda estar\u00e3o aqu\u00e9m do que se poder\u00e1 considerar mais desej\u00e1vel\u201d. Ainda assim, a equipa de investigadores real\u00e7a que \u201ch\u00e1 assinal\u00e1veis resultados alcan\u00e7ados em aspetos t\u00e3o relevantes como a redu\u00e7\u00e3o do abandono e da reten\u00e7\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias na vida das escolas, a significativa melhoria da vida pedag\u00f3gica das institui\u00e7\u00f5es e a qualidade do acompanhamento e apoio social, psicol\u00f3gico e pedag\u00f3gico aos alunos\u201d. E os professores destas escolas sentem-se melhor preparados para lidar com as diferen\u00e7as, colaboram mais uns com os outros na cria\u00e7\u00e3o e desenvolvimento de projetos, e melhoraram as suas pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas. Dois programas nos dom\u00ednios da L\u00edngua Portuguesa e da Matem\u00e1tica, o PNEP e o PAM, t\u00eam tido efeitos unanimemente considerados bastante positivos, sobretudo ao n\u00edvel da forma\u00e7\u00e3o dos professores. S\u00e3o programas inovadores nas estrat\u00e9gias utilizadas na forma\u00e7\u00e3o dos professores, na rela\u00e7\u00e3o entre formadores e formandos, nos processos de acompanhamento das pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas, na produ\u00e7\u00e3o e partilha de materiais e no trabalho colaborativo entre os professores. \u201cAs pol\u00edticas p\u00fablicas desenvolvidas ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da LBSE, analisadas atrav\u00e9s dos 15 programas considerados nesta investiga\u00e7\u00e3o, produziram efeitos considerados positivos ou mesmo muito positivos em v\u00e1rios dom\u00ednios do sistema escolar. De tal modo que os resultados de Portugal nas \u00faltimas edi\u00e7\u00f5es do PISA, a partir de 2009, poder\u00e3o ser vistos como uma medida da melhoria da qualidade da educa\u00e7\u00e3o com, pelo menos, alguma credibilidade\u201d, concluem os investigadores que recomendam que \u201cas pol\u00edticas p\u00fablicas deveriam continuar a apostar no desenvolvimento de programas com as carater\u00edsticas que foram sinalizadas\u201d, al\u00e9m de uma \u201ceventual refunda\u00e7\u00e3o e melhoria de alguns programas em curso, o relan\u00e7amento de outros que tenham sido descontinuados ou o lan\u00e7amento de novos que se considerem necess\u00e1rios\u201d. Nas recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e1 o refor\u00e7o do combate ao abandono e \u00e0 reten\u00e7\u00e3o, assim como \u00e0s faltas \u00e0s aulas nos programas em curso ou a criar. Recomendam-se medidas que permitam aumentar o n\u00famero de crian\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-escolar e que garantam a melhoria das condi\u00e7\u00f5es nas escolas, no que se refere ao acesso \u00e0 internet, a software educativo de qualidade e ao equipamento laboratorial. \u201cPoderoso instrumento de coopera\u00e7\u00e3o e de aprendizagem\u201dNo mais recente relat\u00f3rio do PISA, cujos resultados foram divulgados h\u00e1 dias, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o conclui que o sistema educativo portugu\u00eas \u201c\u00e9 o \u00fanico da OCDE que apresenta melhorias significativas\u201d. \u201cOs resultados que agora conhecemos, recolhidos em 2018, mostram bem como as compet\u00eancias reveladas agora pelos jovens nascidos no ano de 2002 resultam de muitos fatores que a enriqueceriam. Estes estudantes ingressaram no 1.\u00ba Ciclo em 2008 encontrando-se, a maioria, no ano letivo de 2015\/2016, o primeiro da nossa governa\u00e7\u00e3o j\u00e1 no 8.\u00ba ano\u201d, referiu o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Tiago Brand\u00e3o Rodrigues. Desde 2000, Portugal apresentou, segundo o governante, \u201cum caminho de melhoria cont\u00ednua e significativa nos tr\u00eas dom\u00ednios\u201d e acima da m\u00e9dia da OCDE. Na sua opini\u00e3o, a descida do n\u00edvel m\u00e9dio de compet\u00eancias dos alunos na Leitura, na Matem\u00e1tica e Ci\u00eancias, no espa\u00e7o da OCDE, ainda que ligeira, deve ser motivo de preocupa\u00e7\u00e3o. \u201cPor isso mesmo, para Portugal, mais do que um ranking internacional, o PISA \u00e9 um poderoso instrumento de coopera\u00e7\u00e3o internacional e de aprendizagem com os outros\u201d, referiu. O relat\u00f3rio internacional apresenta Portugal como uma das \u00fanicas sete economias, entre 79 analisadas, onde, ao longo da sua participa\u00e7\u00e3o no PISA, os resultados foram de progresso consistente nos tr\u00eas dom\u00ednios avaliados. Al\u00e9m de Portugal, apenas Alb\u00e2nia, Col\u00f4mbia, Macau (China), Rep\u00fablica da Mold\u00e1via, Per\u00fa e Qatar o conseguiram. Apesar dos progressos, os resultados dos alunos portugueses a Ci\u00eancias pioraram em 2018 face aos registados no relat\u00f3rio anterior, em 2015.Segundo o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um caminho a percorrer e muito a fazer. \u201cE porque precisamos de fazer mais dentro e fora da escola, resgat\u00e1mos a centralidade do Programa Ci\u00eancia Viva e do Plano Nacional de Leitura. Precisamos fazer ainda mais e melhor na equidade, pois o estatuto econ\u00f3mico dos pais ainda \u00e9 prescritor de sucesso escolar maior em Portugal do que noutros pa\u00edses\u201d. O secret\u00e1rio de Estado Adjunto e da Educa\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Costa, tamb\u00e9m considera que os resultados do \u00faltimo PISA devem \u201cmotivar para um trabalho mais profundo\u201d. Na sua perspetiva, os indicadores \u201cpermitem contrariar a express\u00e3o: no antigamente \u00e9 que era bom. Temos um sistema educativo que tem vindo a fazer uma produ\u00e7\u00e3o continuada e sustentada\u201d. O \u00faltimo PISA mostra que os resultados dos alunos de origem socioecon\u00f3mica mais favorecida ficam 95 pontos acima dos que t\u00eam maiores dificuldades econ\u00f3mica. Este diferencial \u00e9 superior \u00e0 m\u00e9dia da OCDE, de 89 pontos. Em 2009, a diferen\u00e7a resultante da origem socioecon\u00f3mica dos alunos era de 87 pontos, em linha com a m\u00e9dia da OCDE. Entre os alunos com desempenho de topo nas compet\u00eancias de Leitura, 16% s\u00e3o de classes mais altas e apenas 2% de origem desfavorecida. O Presidente da Rep\u00fablica v\u00ea nos resultados do PISA um esfor\u00e7o em melhorar a qualidade da Educa\u00e7\u00e3o e o peso do contexto socioecon\u00f3mico. \u201cH\u00e1 duas realidades. Uma realidade \u00e9 que aqueles que t\u00eam piores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f3micas e sociais tamb\u00e9m t\u00eam piores condi\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes, quer de afirma\u00e7\u00e3o, quer de recupera\u00e7\u00e3o, quer de progress\u00e3o. Mas, em geral, h\u00e1 um esfor\u00e7o demonstrado por estes resultados no sentido de melhorar a qualidade do ensino e da educa\u00e7\u00e3o em Portugal\u201d, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que \u201capesar de aspetos cr\u00edticos no nosso sistema de educa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 passos positivos que est\u00e3o a ser dados\u201d. \u00a0 Refer\u00eancia: Oliveira, S. (2019).\u00a0PISA | Reten\u00e7\u00f5es, faltas \u00e0s aulas, frequ\u00eancia no pr\u00e9-escolar. Tr\u00eas pontos a aprofundar.\u00a0Educare.pt. Retrieved 15 December 2019, from https:\/\/www.educare.pt\/noticias\/noticia\/ver\/?id=158386&amp;langid=1<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[159,15,41,36],"tags":[],"class_list":["post-2321025","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao","category-escolas","category-estudos","category-rbe"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2321025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2321025"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2321025\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3088501,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2321025\/revisions\/3088501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2321025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2321025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2321025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}