{"id":2304571,"date":"2019-11-02T12:07:00","date_gmt":"2019-11-02T12:07:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2304571.html"},"modified":"2026-05-13T16:12:27","modified_gmt":"2026-05-13T16:12:27","slug":"jorge-de-sena-1919-1978","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2304571","title":{"rendered":"Jorge de Sena | 1919-1978"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 250px; padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"Jorge_de_Sena.jpg\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/21600052_QFP87.jpeg\" alt=\"Jorge_de_Sena.jpg\" width=\"250\" height=\"349\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><span style=\"font-size: 10pt;\">ilustra\u00e7\u00e3o de Victor Couto<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-head-content-headline\"><\/p>\n<p class=\"article-head-content-headline-lead\"><em>Na altura em que a cole\u00e7\u00e3o Miniatura reedita &#8220;Sinais de Fogo&#8221;, <strong>Carlos Maria Bobone<\/strong> <strong>escreve<\/strong> sobre o &#8220;romance abafado&#8221; onde Jorge de Sena tece &#8220;uma esp\u00e9cie de vida asfixiada num mundo pequenino&#8221;.<\/em><\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-head-authors article-head-main-info-authors\">\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<p>\u201cNo romance n\u00e3o me restrinjo em nada: cenas, personagens, descri\u00e7\u00f5es sexuais, a linguagem e os gestos crus, tudo est\u00e1 posto friamente por claro, atrav\u00e9s de um narrador que sou e n\u00e3o sou eu.(\u2026) Por enquanto, contento-me com acabar o 1\u00ba volume: o p\u00f3rtico dessa\u00a0<em>recherche du temps perdu<\/em>, mas contada n\u00e3o por um Proust mas por uma esp\u00e9cie de C\u00e9line na crueza que o Proust evitou.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Assim descreve Sena a Eug\u00e9nio de Andrade aquilo que, sabemo-lo, viria a ser\u00a0<em>Sinais de Fogo<\/em>. Ora, aquilo que queria para o livro, conseguiu-o Sena para esta apresenta\u00e7\u00e3o: mais do que um descritivo do seu romance, \u00e9 um \u201cp\u00f3rtico\u201d para toda a personalidade liter\u00e1ria de Jorge de Sena. Cada palavra \u00e9 quase um tra\u00e7o de car\u00e1cter: a ambi\u00e7\u00e3o desmedida, s\u00e9ria e infantil ao mesmo tempo, a vontade de tocar tudo, uma certa aspereza intelectual e at\u00e9 uma incerteza ou inseguran\u00e7a que o levava a tentear por v\u00e1rios caminhos liter\u00e1rios. Sena foi tudo aquilo que escreve.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o me restrinjo em nada\u201d, avisa, como em tantas das promessas de devastar o meio liter\u00e1rio portugu\u00eas, meio que lhe considerava t\u00e3o adverso, por mais honras que lhe prestassem. Tinha, \u00e9 certo, alguns inimigos de estima\u00e7\u00e3o, entre Nat\u00e1lia Correia e Cesariny, que tomara de ponta a vaidade um tanto pueril de Sena e gostava de a picar. Acontece que em Sena este orgulho ferido foi v\u00e1rias vezes fermento po\u00e9tico de gabarito. N\u00e3o \u00e9 preciso chegar \u00e0s famosas Dedic\u00e1cias, em que alguns dos poemas sat\u00edricos s\u00e3o do mais violento que h\u00e1; h\u00e1, mesmo quando n\u00e3o se dirige a ningu\u00e9m, um tom devastador na literatura de Sena. Eug\u00e9nio Lisboa nota, numa apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 poesia de Jorge de Sena, a import\u00e2ncia que ele d\u00e1 ao mar. Sena, o marinheiro falhado contra vontade, o rapaz insatisfeito que conseguiu aplacar o nervoso no mar e se viu obrigado a desistir de o navegar, teria conservado uma imagem maravilhada do Oceano.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\" style=\"text-align: right;\"><strong>Ler mais <a href=\"https:\/\/observador.pt\/2017\/07\/19\/jorge-de-sena-o-homem-que-queria-ser-tudo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">&gt;&gt;<\/a><\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4mRZsA-A0zg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" loading=\"lazy\"><\/iframe><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado relacionado:<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/www.rtp.pt\/noticias\/cultura\/faz-cem-anos-que-nasceu-jorge-de-sena_v1183278\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Faz cem anos que nasceu Jorge de Sena <\/a>| rtp not\u00edcias<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/arquivos.rtp.pt\/conteudos\/jorge-de-sena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge de Sena <\/a>| arquivos rtp &#8211;\u00a0 inclui testemunhos de v\u00e1rios autores portugueses sobre a vida e obra do escritor.<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"http:\/\/cvc.instituto-camoes.pt\/seculo-xx\/jorge-de-sena-55876-dp1.html#.Xb1vkkX7R0s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge de Sena<\/a> | instituto cam\u00f5es<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=S7FdNWlgihI&amp;feature=youtu.be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge de Sena | Uma pequenina luz<\/a> \/ por pedro lamares<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"http:\/\/ensina.rtp.pt\/artigo\/jorge-de-sena\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge de Sena, escritor exilado<\/a> | rtp ensina<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=YUp_U0wrWRE\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Sophia de Mello Breyner Andresen &amp; Jorge de Sena dizem a sua poesia<\/a> | cole\u00e7\u00e3o &#8230;dizem os poetas<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Jorge_de_Sena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jorge de Sena<\/a> | wikip\u00e9dia<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ilustra\u00e7\u00e3o de Victor Couto Na altura em que a cole\u00e7\u00e3o Miniatura reedita &#8220;Sinais de Fogo&#8221;, Carlos Maria Bobone escreve sobre o &#8220;romance abafado&#8221; onde Jorge de Sena tece &#8220;uma esp\u00e9cie de vida asfixiada num mundo pequenino&#8221;. \u00a0 \u201cNo romance n\u00e3o me restrinjo em nada: cenas, personagens, descri\u00e7\u00f5es sexuais, a linguagem e os gestos crus, tudo est\u00e1 posto friamente por claro, atrav\u00e9s de um narrador que sou e n\u00e3o sou eu.(\u2026) Por enquanto, contento-me com acabar o 1\u00ba volume: o p\u00f3rtico dessa\u00a0recherche du temps perdu, mas contada n\u00e3o por um Proust mas por uma esp\u00e9cie de C\u00e9line na crueza que o Proust evitou.\u201d Assim descreve Sena a Eug\u00e9nio de Andrade aquilo que, sabemo-lo, viria a ser\u00a0Sinais de Fogo. Ora, aquilo que queria para o livro, conseguiu-o Sena para esta apresenta\u00e7\u00e3o: mais do que um descritivo do seu romance, \u00e9 um \u201cp\u00f3rtico\u201d para toda a personalidade liter\u00e1ria de Jorge de Sena. Cada palavra \u00e9 quase um tra\u00e7o de car\u00e1cter: a ambi\u00e7\u00e3o desmedida, s\u00e9ria e infantil ao mesmo tempo, a vontade de tocar tudo, uma certa aspereza intelectual e at\u00e9 uma incerteza ou inseguran\u00e7a que o levava a tentear por v\u00e1rios caminhos liter\u00e1rios. Sena foi tudo aquilo que escreve. \u201cN\u00e3o me restrinjo em nada\u201d, avisa, como em tantas das promessas de devastar o meio liter\u00e1rio portugu\u00eas, meio que lhe considerava t\u00e3o adverso, por mais honras que lhe prestassem. Tinha, \u00e9 certo, alguns inimigos de estima\u00e7\u00e3o, entre Nat\u00e1lia Correia e Cesariny, que tomara de ponta a vaidade um tanto pueril de Sena e gostava de a picar. Acontece que em Sena este orgulho ferido foi v\u00e1rias vezes fermento po\u00e9tico de gabarito. N\u00e3o \u00e9 preciso chegar \u00e0s famosas Dedic\u00e1cias, em que alguns dos poemas sat\u00edricos s\u00e3o do mais violento que h\u00e1; h\u00e1, mesmo quando n\u00e3o se dirige a ningu\u00e9m, um tom devastador na literatura de Sena. Eug\u00e9nio Lisboa nota, numa apresenta\u00e7\u00e3o \u00e0 poesia de Jorge de Sena, a import\u00e2ncia que ele d\u00e1 ao mar. Sena, o marinheiro falhado contra vontade, o rapaz insatisfeito que conseguiu aplacar o nervoso no mar e se viu obrigado a desistir de o navegar, teria conservado uma imagem maravilhada do Oceano. Ler mais &gt;&gt; \u00a0 \u00a0 \u00a0 Conte\u00fado relacionado: Faz cem anos que nasceu Jorge de Sena | rtp not\u00edcias Jorge de Sena | arquivos rtp &#8211;\u00a0 inclui testemunhos de v\u00e1rios autores portugueses sobre a vida e obra do escritor. 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