{"id":2296097,"date":"2019-10-11T14:27:00","date_gmt":"2019-10-11T14:27:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2296097.html"},"modified":"2026-05-13T16:17:00","modified_gmt":"2026-05-13T16:17:00","slug":"eugenio-de-andrade-1923-2005","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2296097","title":{"rendered":"Eug\u00e9nio de Andrade | 1923 &#8211; 2005"},"content":{"rendered":"<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"width: 519px; padding: 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"ea.jpg\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/21579875_Alz4A.jpeg\" alt=\"ea.jpg\" width=\"760\" height=\"349\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Artigo de Teresa Carvalho<\/span><\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><strong>O bem-amado<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><strong>Poeta de ineg\u00e1vel presen\u00e7a can\u00f3nica na poesia portuguesa do s\u00e9culo XX, Eug\u00e9nio de Andrade fez das palavras o of\u00edcio de uma vida e da poesia uma \u00abarte de m\u00fasica\u00bb. Faria hoje 94 anos (19\/01\/2017).<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O autor de <em>Ostinato Rigore<\/em> comparava o seu trabalho de poeta ao of\u00edcio de pedreiro que fora o do av\u00f4, concluindo a aproxima\u00e7\u00e3o nos seguintes termos: \u00abEle usava o granito como material, as suas casas est\u00e3o ainda de p\u00e9; o neto trabalha com poeira, sem nenhuma pretens\u00e3o de desafiar o tempo\u00bb. A verdade \u00e9 que s\u00e3o muitas as vozes que dizem que ter\u00e1 constru\u00eddo um <em>monumento perene<\/em>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00abNo prato da balan\u00e7a um verso basta\/ para pesar no outro a minha vida\u00bb &#8211; escreveu Eug\u00e9nio de Andrade num breve poema, consciente do desacerto que h\u00e1 entre a vida e a poesia, que nele n\u00e3o diferiam.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Ant\u00f3nio Ramos Rosa chamou-lhe rei Midas do verbo: palavra que tocasse virava ouro de lei. E tocou algumas. Palavras \u00abnuas e limpas\u00bb que apelam aos sentidos e se combinam em exerc\u00edcio conjugado da intelig\u00eancia e da emo\u00e7\u00e3o \u2013 o imenso tesouro de Eug\u00e9nio de Andrade, herdeiro de \u00abum desprezo pelo luxo\u00bb que, nas suas m\u00faltiplas formas, considerava uma degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Revelado em 1948 com <em>As M\u00e3os e os Frutos<\/em>, o seu mais emblem\u00e1tico livro, que ent\u00e3o impressionava pela afirma\u00e7\u00e3o da corporalidade e do desejo, estreia-se com Adolescente (1942), volume que depois retirou da sua bibliografia por considerar que o verdadeiro timbre da sua voz po\u00e9tica estava ainda ausente.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Definiu-se como \u00abum poeta solar\u00bb e respondia mais depressa \u00e0 chamada da \u00abluz limpa do sul\u00bb com que incendiava os seus versos que ao nome de baptismo: Jos\u00e9 Fontinhas, nascido na P\u00f3voa da Atalaia, uma pequena aldeia da Beira Baixa, situada entre o Fund\u00e3o e Castelo Branco, cidade de onde foi levado para Lisboa, aos sete anos, pela m\u00e3o da m\u00e3e Maria dos Anjos, figura tutelar da sua vida e presen\u00e7a central da sua po\u00e9tica. Uma po\u00e9tica que os t\u00edtulos em prosa \u2013 <em>Mem\u00f3ria Doutro Rio<\/em> (1978), <em>Vertentes do Olhar<\/em> (1987) \u2013 realizam com igual fulgor.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Da primeira inf\u00e2ncia reter\u00e1, para al\u00e9m das feridas pela aus\u00eancia do pai, figura que recusou \u00aba vida inteira. Inteiramente\u00bb, o ber\u00e7o campon\u00eas de nascimento, uma \u00abarquitectura extremamente clara e despedida\u00bb, que os seus poemas tanto reflectem, lugares selectos, despertares, incluindo o da poesia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Em 1947, j\u00e1 regressado de Coimbra, onde permanece entre 1943 e 1946, estreitando rela\u00e7\u00f5es de amizade com Miguel Torga e estabelecendo um di\u00e1logo cultural com figuras de sucessivas gera\u00e7\u00f5es (Afonso Duarte, Paulo Quintela, Eduardo Louren\u00e7o, Carlos de Oliveira), torna-se funcion\u00e1rio p\u00fablico, passando a trabalhar como inspector administrativo nos Servi\u00e7os M\u00e9dico-Sociais, cargo que exercer\u00e1 ao longo de 35 anos. Resolvida a quest\u00e3o econ\u00f3mica, p\u00f4de prosseguir assim o seu of\u00edcio po\u00e9tico, a busca rigorosa da linguagem, sem pressa, seguindo, de resto, o \u00abConselho\u00bb metaliter\u00e1rio que a si mesmo dera na colect\u00e2nea que o imp\u00f5e como poeta: \u00abS\u00ea paciente; espera\/ que a palavra amadure\u00e7a\/ e se desprenda como um fruto\/ ao passar o vento que a mere\u00e7a\u00bb. O segundo livro de poesia, <em>Os Amantes Sem Dinheiro<\/em>, surgia em 1950.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Neste mesmo ano, a sua vida profissional na Inspec\u00e7\u00e3o Administrativa condu-lo ao Porto, cidade que adopta como a sua terra e onde viver\u00e1 at\u00e9 \u00e0 morte, sempre ao abrigo da vida social, liter\u00e1ria e mundana, atento \u00e0s coisas simples e \u00e0s palavras que as dizem: neve, \u00e1gua, mar, navio, vento, fruto, terra, ave, boca \u2013 eis o seu l\u00e9xico, de larga flu\u00eancia metaf\u00f3rica, rigorosamente eleito e carregado de uma singular energia s\u00e9mica que se expande e reformula.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><em>As Palavras Interditas<\/em> (1951), <em>Ostinato Rigore<\/em> (1964), <em>Obscuro Dom\u00ednio<\/em> (1971), <em>Limiar dos P\u00e1ssaros<\/em> (1972), <em>Mat\u00e9ria Solar<\/em> (1980), <em>O Sal da L\u00edngua<\/em> (1995), <em>Os Lugares do Lume<\/em>(1998) s\u00e3o alguns dos mais conhecidos t\u00edtulos que lhe comp\u00f5em o vulto de poeta \u00edmpar.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Antologiador de Cam\u00f5es e de Pessoa, autor de uma recolha de poesia er\u00f3tica contempor\u00e2nea (<em>Eros de Passagem<\/em>, 1982) e de duas selec\u00e7\u00f5es de poesia e prosa dedicadas ao Porto e a Coimbra \u2013 respectivamente <em>Daqui Houve Nome Portugal<\/em> (1968) e <em>Mem\u00f3rias de Alegria<\/em> (1971) \u2013, Eug\u00e9nio de Andrade ofereceu-nos tamb\u00e9m um panorama geral da poesia portuguesa, desde os cancioneiros medievais at\u00e9 Ruy Belo. Entre os muitos pr\u00e9mios com que foi distinguido, figura o Pr\u00e9mio Cam\u00f5es (2001).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Morreu em Junho de 2005. Estava escrito: \u00abPela manh\u00e3 de Junho \u00e9 que eu iria\/ pela \u00faltima vez\u00bb.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<h4 class=\"referenceString selectable\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong><em>: Eug\u00e9nio de Andrade. O bem-amado<\/em>. (2019).\u00a0<em>ionline<\/em>. Retrieved 11 October 2019, from <a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/544766\/eugenio-de-andrade-o-bem-amado?seccao=Mais_i\">https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/544766\/eugenio-de-andrade-o-bem-amado?seccao=Mais_i<\/a><\/span><\/h4>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/anchor.fm\/rede-de-bibliotecas-escolares\/embed\/episodes\/Eugenio-de-Andrade-partiu-ha-uma-decada-e6n09j\" width=\"400px\" height=\"102px\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" loading=\"lazy\"><\/iframe><\/p>\n<p><\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: 10pt;\">Eug\u00e9nio de Andrade completaria em janeiro de 2015, 92 anos. A RTP recorda o poeta.<\/span><\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado relacionado:<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"http:\/\/ensina.rtp.pt\/tag-artigo\/eugenio-de-andrade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eug\u00e9nio de Andrade<\/a> | rtp ensina<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=c4Iat2bVSxA&amp;feature=youtu.be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O Sorriso<\/a> | declamado por e. de andrade<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=f2zvaGmSG_U&amp;feature=youtu.be\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">As palavras interditas<\/a> |\u00a0por e. de andrade<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/509161\/eugenio-de-andrade-o-poeta-que-sonhava-no-arame?seccao=Mais_i\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eug\u00e9nio de Andrade. O poeta que sonhava no arame<\/a> | jornal i<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"http:\/\/ensina.rtp.pt\/artigo\/um-biografia-de-eugenio-de-andrade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Uma biografia de Eug\u00e9nio de Andrade<\/a> | rtp ensina<\/span><\/li>\n<p><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Eug%C3%A9nio_de_Andrade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Eug\u00e9nio de Andrade<\/a> | wikip\u00e9dia<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\">\u00a0\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Teresa Carvalho O bem-amado Poeta de ineg\u00e1vel presen\u00e7a can\u00f3nica na poesia portuguesa do s\u00e9culo XX, Eug\u00e9nio de Andrade fez das palavras o of\u00edcio de uma vida e da poesia uma \u00abarte de m\u00fasica\u00bb. Faria hoje 94 anos (19\/01\/2017). O autor de Ostinato Rigore comparava o seu trabalho de poeta ao of\u00edcio de pedreiro que fora o do av\u00f4, concluindo a aproxima\u00e7\u00e3o nos seguintes termos: \u00abEle usava o granito como material, as suas casas est\u00e3o ainda de p\u00e9; o neto trabalha com poeira, sem nenhuma pretens\u00e3o de desafiar o tempo\u00bb. A verdade \u00e9 que s\u00e3o muitas as vozes que dizem que ter\u00e1 constru\u00eddo um monumento perene. \u00abNo prato da balan\u00e7a um verso basta\/ para pesar no outro a minha vida\u00bb &#8211; escreveu Eug\u00e9nio de Andrade num breve poema, consciente do desacerto que h\u00e1 entre a vida e a poesia, que nele n\u00e3o diferiam. Ant\u00f3nio Ramos Rosa chamou-lhe rei Midas do verbo: palavra que tocasse virava ouro de lei. E tocou algumas. Palavras \u00abnuas e limpas\u00bb que apelam aos sentidos e se combinam em exerc\u00edcio conjugado da intelig\u00eancia e da emo\u00e7\u00e3o \u2013 o imenso tesouro de Eug\u00e9nio de Andrade, herdeiro de \u00abum desprezo pelo luxo\u00bb que, nas suas m\u00faltiplas formas, considerava uma degrada\u00e7\u00e3o. Revelado em 1948 com As M\u00e3os e os Frutos, o seu mais emblem\u00e1tico livro, que ent\u00e3o impressionava pela afirma\u00e7\u00e3o da corporalidade e do desejo, estreia-se com Adolescente (1942), volume que depois retirou da sua bibliografia por considerar que o verdadeiro timbre da sua voz po\u00e9tica estava ainda ausente. Definiu-se como \u00abum poeta solar\u00bb e respondia mais depressa \u00e0 chamada da \u00abluz limpa do sul\u00bb com que incendiava os seus versos que ao nome de baptismo: Jos\u00e9 Fontinhas, nascido na P\u00f3voa da Atalaia, uma pequena aldeia da Beira Baixa, situada entre o Fund\u00e3o e Castelo Branco, cidade de onde foi levado para Lisboa, aos sete anos, pela m\u00e3o da m\u00e3e Maria dos Anjos, figura tutelar da sua vida e presen\u00e7a central da sua po\u00e9tica. Uma po\u00e9tica que os t\u00edtulos em prosa \u2013 Mem\u00f3ria Doutro Rio (1978), Vertentes do Olhar (1987) \u2013 realizam com igual fulgor. Da primeira inf\u00e2ncia reter\u00e1, para al\u00e9m das feridas pela aus\u00eancia do pai, figura que recusou \u00aba vida inteira. Inteiramente\u00bb, o ber\u00e7o campon\u00eas de nascimento, uma \u00abarquitectura extremamente clara e despedida\u00bb, que os seus poemas tanto reflectem, lugares selectos, despertares, incluindo o da poesia. Em 1947, j\u00e1 regressado de Coimbra, onde permanece entre 1943 e 1946, estreitando rela\u00e7\u00f5es de amizade com Miguel Torga e estabelecendo um di\u00e1logo cultural com figuras de sucessivas gera\u00e7\u00f5es (Afonso Duarte, Paulo Quintela, Eduardo Louren\u00e7o, Carlos de Oliveira), torna-se funcion\u00e1rio p\u00fablico, passando a trabalhar como inspector administrativo nos Servi\u00e7os M\u00e9dico-Sociais, cargo que exercer\u00e1 ao longo de 35 anos. Resolvida a quest\u00e3o econ\u00f3mica, p\u00f4de prosseguir assim o seu of\u00edcio po\u00e9tico, a busca rigorosa da linguagem, sem pressa, seguindo, de resto, o \u00abConselho\u00bb metaliter\u00e1rio que a si mesmo dera na colect\u00e2nea que o imp\u00f5e como poeta: \u00abS\u00ea paciente; espera\/ que a palavra amadure\u00e7a\/ e se desprenda como um fruto\/ ao passar o vento que a mere\u00e7a\u00bb. O segundo livro de poesia, Os Amantes Sem Dinheiro, surgia em 1950. Neste mesmo ano, a sua vida profissional na Inspec\u00e7\u00e3o Administrativa condu-lo ao Porto, cidade que adopta como a sua terra e onde viver\u00e1 at\u00e9 \u00e0 morte, sempre ao abrigo da vida social, liter\u00e1ria e mundana, atento \u00e0s coisas simples e \u00e0s palavras que as dizem: neve, \u00e1gua, mar, navio, vento, fruto, terra, ave, boca \u2013 eis o seu l\u00e9xico, de larga flu\u00eancia metaf\u00f3rica, rigorosamente eleito e carregado de uma singular energia s\u00e9mica que se expande e reformula.\u00a0 As Palavras Interditas (1951), Ostinato Rigore (1964), Obscuro Dom\u00ednio (1971), Limiar dos P\u00e1ssaros (1972), Mat\u00e9ria Solar (1980), O Sal da L\u00edngua (1995), Os Lugares do Lume(1998) s\u00e3o alguns dos mais conhecidos t\u00edtulos que lhe comp\u00f5em o vulto de poeta \u00edmpar. Antologiador de Cam\u00f5es e de Pessoa, autor de uma recolha de poesia er\u00f3tica contempor\u00e2nea (Eros de Passagem, 1982) e de duas selec\u00e7\u00f5es de poesia e prosa dedicadas ao Porto e a Coimbra \u2013 respectivamente Daqui Houve Nome Portugal (1968) e Mem\u00f3rias de Alegria (1971) \u2013, Eug\u00e9nio de Andrade ofereceu-nos tamb\u00e9m um panorama geral da poesia portuguesa, desde os cancioneiros medievais at\u00e9 Ruy Belo. Entre os muitos pr\u00e9mios com que foi distinguido, figura o Pr\u00e9mio Cam\u00f5es (2001). Morreu em Junho de 2005. Estava escrito: \u00abPela manh\u00e3 de Junho \u00e9 que eu iria\/ pela \u00faltima vez\u00bb. \u00a0 Refer\u00eancia: Eug\u00e9nio de Andrade. O bem-amado. (2019).\u00a0ionline. Retrieved 11 October 2019, from https:\/\/ionline.sapo.pt\/artigo\/544766\/eugenio-de-andrade-o-bem-amado?seccao=Mais_i \u00a0 Eug\u00e9nio de Andrade completaria em janeiro de 2015, 92 anos. 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