{"id":2232366,"date":"2019-02-12T11:29:00","date_gmt":"2019-02-12T11:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2232366.html"},"modified":"2026-05-13T16:48:55","modified_gmt":"2026-05-13T16:48:55","slug":"evolucionismo-casa-das-ciencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2232366","title":{"rendered":"Evolucionismo | casa das ci\u00eancias"},"content":{"rendered":"<div class=\"abstract\"><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><a href=\"https:\/\/rce.casadasciencias.org\/rceapp\/art\/2014\/318\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"ce.png\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/21350254_jvMN2.png\" alt=\"ce.png\" width=\"324\" height=\"462\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<pre><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>por<\/em> Catarina Moreira |\u00a0Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de Lisboa<\/span><br \/><br \/><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Refer\u00eancia:<\/strong>\u00a0Moreira, C., (2014)\u00a0<em>Evolucionismo<\/em>, Rev. Ci\u00eancia Elem., V2(4):318<\/span><br \/><br \/><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>DOI<\/strong>\u00a0<a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/doi.org\/10.24927\/rce2014.318\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/doi.org\/10.24927\/rce2014.318<\/a><\/span><\/pre>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<h2><strong>Resumo<\/strong><\/h2>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\"><strong>O evolucionismo admite que as esp\u00e9cies podem sofrer transforma\u00e7\u00f5es ao longo do tempo.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\"><\/p>\n<p class=\"mainText\">O evolucionismo, contrariamente ao que se pensa tem as suas ra\u00edzes nos fil\u00f3sofos da Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica. Anaximandro poder\u00e1 ser considerado o precursor da teoria moderna do desenvolvimento, quando defende que os organismos vivos, se transformam gradualmente a partir da \u00e1gua por a\u00e7\u00e3o do <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2014\/121\/\">calor<\/a> at\u00e9 se formarem as formas mais complexas e que o Homem tem a sua origem em animais de outro tipo. Dem\u00f3crito defendia que as formas de vida mais simples tinham origem no \u201clodo primordial\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Muito mais tarde, j\u00e1 nos s\u00e9culos XVII e XVIII, o trabalho do conde de Buffon, George-Louis Leclerc (1707-1788) permite desenvolver a ideia de \u201c<strong>Transformismo<\/strong>\u201d, onde se admite que as diferentes esp\u00e9cies derivam uma das outras por degenera\u00e7\u00e3o num processo lento e progressivo, existindo esp\u00e9cies interm\u00e9dias at\u00e9 surgirem as formas atuais. Nesta conce\u00e7\u00e3o transformista da diferencia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies a no\u00e7\u00e3o de tempo geol\u00f3gico \u00e9 fundamental, dado que Buffon admitia que as condi\u00e7\u00f5es ambientais a que as esp\u00e9cies estavam sujeitas eram fundamentais ao processo de degenera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Outro transformista da \u00e9poca era Pierre Louis Maupertuis (1698-1759) que acreditava que as esp\u00e9cies resultavam de uma sele\u00e7\u00e3o provocada pelo meio ambiente resultando na infinidade de seres vivos que eram observados na atualidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Em pleno s\u00e9culo XVIII, a geologia tem um papel de destaque na compreens\u00e3o dos fen\u00f3menos da natureza. Em 1778, James Hutton (1726-1759), considerado o pai da geologia moderna, publica Theory of the Earth (Teoria da Terra), um tratado sobre fen\u00f3menos geol\u00f3gicos que abala as ideias catastrofistas. Hutton estabelece uma idade para a Terra bastante superior \u00e0quela admitida at\u00e9 ent\u00e3o e defende que as for\u00e7as naturais de hoje s\u00e3o as mesmas desde sempre, isto \u00e9, os fen\u00f3menos geol\u00f3gicos repetem-se ao longo da hist\u00f3ria da Terra \u2013 <strong>Teoria do Uniformitarismo<\/strong>.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Charles Lyell (1797-1875), ge\u00f3logo brit\u00e2nico, prossegue com as ideias avan\u00e7adas por Hutton e confirma a Teoria do Uniformitarismo concluindo que:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>as leis naturais s\u00e3o constantes no espa\u00e7o e no tempo<\/li>\n<p><\/p>\n<li>a maioria das altera\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas d\u00e1-se de forma lenta e gradual<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">A ideia de um gradualismo na natureza est\u00e1 lan\u00e7ada, e embora Lyell seja relutante em admitir a transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, as transforma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas inevitavelmente levam ao surgimento de teorias relativas \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">V\u00e1rios cientistas v\u00e3o defender a ideia de a diversidade biol\u00f3gica ser resultado de um processo din\u00e2mico de transforma\u00e7\u00e3o dos organismos ao longo do tempo. Os nomes mais marcantes ser\u00e3o os de Jean Baptiste de Monet, cavaleiro de Lamarck (1744-1829), Charles <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2015\/258\/\">Darwin<\/a> (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913).<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\"><strong>Lamarck<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Lamarck, naturalista franc\u00eas, bot\u00e2nico no Jardim Bot\u00e2nico de Paris ao servi\u00e7o do rei, elaborou diversos estudos taxon\u00f3micos que o levaram a concluir que as esp\u00e9cies n\u00e3o s\u00f3 se relacionam entre si, como sofrem altera\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. Em 1809, publica Philosophie Zoologique onde exp\u00f5e as suas ideias defendendo que a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente leva o indiv\u00edduo a iniciar o seu processo evolutivo. A sua teoria baseava-se em dois princ\u00edpios:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Lei do Uso e do Desuso<\/strong> \u2013 a necessidade de um certo \u00f3rg\u00e3o em determinado ambiente cria esse \u00f3rg\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o modifica-o, isto \u00e9, quando um \u00f3rg\u00e3o \u00e9 muito utilizado desenvolve-se e torna-se vigoroso e quando n\u00e3o \u00e9 utilizado degenera e atrofia.<\/li>\n<p><\/p>\n<li><strong>Lei da Heran\u00e7a de Caracteres Adquiridos<\/strong> \u2013 as modifica\u00e7\u00f5es adquiridas pelo indiv\u00edduo, pelo usos e desuso de um determinado \u00f3rg\u00e3o, \u00e9 transmitida aos descendentes.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\u00a0<\/div>\n<p><a name=\"cutid1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"ljcut\" text=\"Ler mais...\"><\/p>\n<div class=\"article-body\">\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\n<p class=\"mainText\">Estas ideias de Lamarck embora muito importantes foram muito contestadas. As principais cr\u00edticas a Lamarck foram:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>a teoria de Lamarck admitia que os seres vivos se modificavam com o objetivo \u00faltimo de se tornarem melhores<\/li>\n<p><\/p>\n<li>a lei do uso e do desuso, embora v\u00e1lida para alguns \u00f3rg\u00e3os, n\u00e3o explicava todas as modifica\u00e7\u00f5es<\/li>\n<p><\/p>\n<li>a lei da heran\u00e7a de caracteres adquiridos, n\u00e3o \u00e9 observ\u00e1vel. A atrofia ou o desenvolvimento de determinadas estruturas adquiridas durante a vida de um individuo n\u00e3o s\u00e3o transmitidas \u00e0 descend\u00eancia<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\n<p class=\"mainText\">Os avan\u00e7os cient\u00edficos vieram demonstrar que as caracter\u00edsticas do indiv\u00edduo \u2013 fen\u00f3tipo \u2013 s\u00e3o resultado da intera\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico herdado dos progenitores \u2013 gen\u00f3tipo \u2013 com o meio ambiente. Lamarck incorporava ainda na sua teoria os princ\u00edpios que viriam a ser refutados, como por exemplo, epis\u00f3dios de cria\u00e7\u00e3o por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, ou prop\u00f3sitos finalistas de \u201cmelhoria\u201d como for\u00e7a evolutiva.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\"><strong>Darwin e Wallace<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">As ideias de Darwin e Wallace foram apresentadas em 1858 numa reuni\u00e3o da Sociedade Lineana, em Londres. Embora o primeiro seja mais popular que o segundo, ambos os naturalistas de forma isolada chegaram a modelos evolutivos semelhantes. Darwin, contudo, trabalhava h\u00e1 20 anos na compila\u00e7\u00e3o de in\u00fameros exemplos e argumentos em torno da sua teoria e publica em 1859 as suas ideias evolucionistas no livro A Origem das Esp\u00e9cies, expondo tamb\u00e9m as suas observa\u00e7\u00f5es que recolheu durante a sua viagem a bordo do HMS Beagle \u00e0 volta do mundo. A sua Teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural baseou-se em dados de v\u00e1rios tipos:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Dados biogeogr\u00e1ficos<\/strong> \u2013 por uma lado, a uniformidade entre os seres vivos levou-o a considerar uma ancestralidade comum, e por outro, a exist\u00eancia de variabilidade entre popula\u00e7\u00f5es de locais pr\u00f3ximos levou-o a admitir a possibilidade de cada uma dessas popula\u00e7\u00f5es ser o resultado de um processo de transforma\u00e7\u00e3o continuado condicionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais particulares<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Dados geol\u00f3gicos<\/strong> \u2013 durante a sua viagem a bordo do Beagle, Darwin leu o livro de Lyell \u201cPrinc\u00edpios de Geologia\u201d (que lhe foi oferecido pelo comandante do Beagle, Robert Fitzroy), que o ajudou a compreender a import\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o do tempo geol\u00f3gico e dos fen\u00f3menos geol\u00f3gicos que atuaram e atuam na natureza, nos processos de transforma\u00e7\u00e3o lentos e graduais.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Dados econ\u00f3micos e sociais<\/strong> \u2013 j\u00e1 regressado da sua viagem de circum-navega\u00e7\u00e3o Darwin teve acesso \u00e0 obra de Thomas Malthus \u201cEnsaio sobre o princ\u00edpio da popula\u00e7\u00e3o\u201d (do ingl\u00eas \u2018<em>Essay on the principle of population<\/em>\u2019), onde o autor defendia que a popula\u00e7\u00e3o humana tende a crescer exponencialmente enquanto os recursos crescem aritmeticamente. Esta rela\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e os recursos dispon\u00edveis leva a um excedente populacional e \u00e0 escassez dos recursos, ocorrendo uma sele\u00e7\u00e3o natural, condicionada pela fome se os recursos forem alimentares. Darwin transp\u00f4s esta ideia para as popula\u00e7\u00f5es naturais, onde face a um meio com recursos finitos haveria uma luta cont\u00ednua pela sobreviv\u00eancia.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><strong>Dados de <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2015\/164\/\">sele\u00e7\u00e3o artificial<\/a><\/strong> \u2013 a sele\u00e7\u00e3o artificial efectuada pelo Homem \u00e9 uma t\u00e9cnica utilizada desde os prim\u00f3rdios dos tempos, com o objetivo de apurar determinadas caracter\u00edsticas de animais ou plantas, selecionando-se indiv\u00edduos portadores dessas caracter\u00edsticas e promovendo cruzamentos entre eles. Desta maneira assegura-se que a frequ\u00eancia das caracter\u00edsticas selecionadas aumenta progressivamente na descend\u00eancia. Na natureza, um processo semelhante dever\u00e1 atuar sobre os seres vivos, onde s\u00e3o selecionados os indiv\u00edduos com caracter\u00edsticas que conferem mais vantagens em determinado ambiente, chamando a este mecanismo sele\u00e7\u00e3o natural.<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\n<p class=\"mainText\">Embora Darwin n\u00e3o planeasse publicar a sua teoria evolucionista em vida, tendo instru\u00eddo a sua esposa para o fazer ap\u00f3s a sua morte, a recep\u00e7\u00e3o de uma carta de Alfred Russel Wallace, em 1858, junto com um manuscrito onde o jovem naturalista descrevia as suas ideias sobre uma teoria que tinha desenvolvido sobre a origem e transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, f\u00ea-lo precipitar e antecipar a sua publica\u00e7\u00e3o. Wallace no seu manuscrito resumia os principais pontos da teoria a que Darwin havia dedicado uma boa parte dos seus estudos. Foi fundamental o apoio de Lyell e Hooker para convencer Darwin a apresentar em p\u00fablico as suas ideias numa sess\u00e3o da Sociedade Lineana.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">As ideias de Darwin, aceites por alguns foram tamb\u00e9m alvo de fortes cr\u00edticas por parte da n\u00e3o s\u00f3 <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2015\/259\/\">comunidade<\/a> em geral mas tamb\u00e9m da cient\u00edfica, dado que punha em causa algumas cren\u00e7as e convic\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m n\u00e3o explicava alguns fatores como: as lacunas estratigr\u00e1ficas com aus\u00eancias de algumas formas f\u00f3sseis interm\u00e9dias que corroborassem a ideia de uma evolu\u00e7\u00e3o lenta e gradual dos seres vivos; a presen\u00e7a de uma grande heterogeneidade entre os indiv\u00edduos; e o mecanismo de transmiss\u00e3o das caracter\u00edsticas entre gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Darwin prop\u00f5e a que ficou conhecida pela <strong>Teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural<\/strong>. O grande avan\u00e7o de Darwin foi expor um mecanismo para a evolu\u00e7\u00e3o \u2013 a sele\u00e7\u00e3o natural. Segundo a sua teoria:<\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li>a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a unidade evolutiva<\/li>\n<p><\/p>\n<li>nas popula\u00e7\u00f5es existe heterogeneidade, isto \u00e9, os indiv\u00edduos apresentam variabilidade nas suas caracter\u00edsticas<\/li>\n<p><\/p>\n<li>o ambiente atua sobre as popula\u00e7\u00f5es exercendo sele\u00e7\u00e3o natural em que os indiv\u00edduos mais aptos t\u00eam mais <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2014\/165\/\">probabilidade<\/a> de sobreviverem e se reproduzirem<\/li>\n<p><\/p>\n<li>os indiv\u00edduos mais aptos t\u00eam um maior sucesso reprodutor, logo maior n\u00famero de descendentes \u2013 reprodu\u00e7\u00e3o diferencial<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\"><strong>Teoria Sint\u00e9tica da Evolu\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">O termo Neodarwinismo \u00e9, por vezes, utilizado para descrever a s\u00edntese moderna da evolu\u00e7\u00e3o de Darwin por meio de sele\u00e7\u00e3o natural, mas n\u00e3o ser\u00e1 o termo correto uma vez que originalmente o termo \u201cneodarwinismo\u201d foi utilizado por G.J. Romanes, em 1895, para se referir \u00e0s ideias de August Weissmann e Wallace como invalidando o neo-Lamarckismo. Weissman postulou que a linha germinal nunca poderia ser afetada pela linha som\u00e1tica, isto \u00e9, as caracter\u00edsticas adquiridas n\u00e3o podiam ser herdadas, declarando que a sele\u00e7\u00e3o era a \u00fanica <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2018\/007\/\">for\u00e7a<\/a> evolutiva. Mayr (1984) escrever sobre a confus\u00e3o entre os termos: &#8220;&#8230;<em>the term neo-Darwinism for the synthetic theory is wrong, because the term neo-Darwinism was coined by Romanes in 1895 as a designation of Weismann&#8217;s theory<\/em>.&#8221;<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Com a morte de Darwin, a teoria da sele\u00e7\u00e3o natural perde o seu principal defensor e as quest\u00f5es que Darwin n\u00e3o responde tomam maior relevo. Como \u00e9 que a nova variabilidade \u00e9 mantida? A origem de novas esp\u00e9cies \u00e9 saltacionista ou gradual (por isolamento)? Ser\u00e1 a variabilidade cont\u00ednua ou descont\u00ednua?<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Em 1900, os trabalhos de <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2013\/085\/\">Mendel<\/a> s\u00e3o redescobertos por Hugo De Vries, e embora mais tarde os seus resultados tenham respondido a algumas das quest\u00f5es deixadas em aberto por Darwin, na altura defensores de Mendel e Darwin n\u00e3o se entenderam quanto \u00e0 hereditariedade. Segundo os defensores de Mendel a hereditariedade seria fatorial, as novas caracter\u00edsticas tinham origem em grandes saltos, macromuta\u00e7\u00f5es, explicadas exclusivamente por press\u00f5es mutacionais. Pelo contr\u00e1rio os defensores de Darwin, consideravam a sele\u00e7\u00e3o natural como a principal for\u00e7a respons\u00e1vel por uma evolu\u00e7\u00e3o gradualista.<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p class=\"mainText\">Os fatores a que Mendel atribu\u00eda a hereditariedade, eram unidades f\u00edsicas localizadas em locais espec\u00edficos do <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2015\/026\/\">cromossoma<\/a>, como Thomas Hunt <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2014\/302\/\">Morgan<\/a>, A.H. Sturtevant e Hermann Muller viriam a descobrir. As suas experi\u00eancias com cruzamentos de <em>Drosophila<\/em>mostraram que genes para determinadas caracter\u00edsticas s\u00e3o herdados como unidades discretas, permanecendo inalter\u00e1veis ao longo das gera\u00e7\u00f5es. A <strong>Teoria Cromoss\u00f3mica<\/strong>, viria a desmistificar a origem de variabilidade <a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/rce.casadasciencias.org\/art\/2013\/051\/\">gen\u00e9tica<\/a> atrav\u00e9s da ocorr\u00eancia de muta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas e recombina\u00e7\u00e3o cromoss\u00f3mica.<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\u00a0<\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-body\">\n<p class=\"mainText\"><strong>Materiais relacionados dispon\u00edveis na <a class=\"external text\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Casa das Ci\u00eancias<\/a>: (por ora estes links est\u00e3o quebrados na fonte. contamos corrigi-los em breve.)<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ol><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37601559&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">A Autoestrada da Vida<\/a>, acompanhe a viagem da vida pelos caminhos da evolu\u00e7\u00e3o<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37601558&amp;Itemid=23\">Mecanismos de Evolu\u00e7\u00e3o<\/a>, como \u00e9 que a sele\u00e7\u00e3o natural leva \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica?<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37601557&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 6<\/a>, os pseudogenes e os retrov\u00edrus end\u00f3genos como prova da evolu\u00e7\u00e3o<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37601556&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 5<\/a>, que nos dizem os genomas acerca a evolu\u00e7\u00e3o?<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37601555&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 4<\/a>, h\u00e1 tempo suficiente para a evolu\u00e7\u00e3o? Esta e outras evid\u00eancias<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37601554&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 3<\/a>, o registo f\u00f3ssil, a especia\u00e7\u00e3o e a hibrida\u00e7\u00e3o como provas da evolu\u00e7\u00e3o<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37601553&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 2<\/a>, mais evid\u00eancias da evolu\u00e7\u00e3o: \u00f3rg\u00e3os vestigiais, biogeografia, etc<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37586306&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Do Big Bang ao Homem III: Da Eva At\u00e9 Hoje<\/a>, viaje pela hist\u00f3ria dos primeiros seres humanos<\/li>\n<p><\/p>\n<li><a class=\"a-link\" href=\"http:\/\/www.casadasciencias.org\/index.php?option=com_docman&amp;task=doc_details&amp;gid=37586305&amp;Itemid=23\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Do Big Bang ao Homem II: Da Vida a Eva<\/a>, viaje pela hist\u00f3ria da vida na Terra<\/li>\n<p><\/ol>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"article-view-number\">\u00a0<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Catarina Moreira |\u00a0Faculdade de Ci\u00eancias da Universidade de LisboaRefer\u00eancia:\u00a0Moreira, C., (2014)\u00a0Evolucionismo, Rev. Ci\u00eancia Elem., V2(4):318DOI\u00a0http:\/\/doi.org\/10.24927\/rce2014.318 \u00a0 \u00a0 Resumo O evolucionismo admite que as esp\u00e9cies podem sofrer transforma\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. \u00a0 O evolucionismo, contrariamente ao que se pensa tem as suas ra\u00edzes nos fil\u00f3sofos da Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica. Anaximandro poder\u00e1 ser considerado o precursor da teoria moderna do desenvolvimento, quando defende que os organismos vivos, se transformam gradualmente a partir da \u00e1gua por a\u00e7\u00e3o do calor at\u00e9 se formarem as formas mais complexas e que o Homem tem a sua origem em animais de outro tipo. Dem\u00f3crito defendia que as formas de vida mais simples tinham origem no \u201clodo primordial\u201d. \u00a0 Muito mais tarde, j\u00e1 nos s\u00e9culos XVII e XVIII, o trabalho do conde de Buffon, George-Louis Leclerc (1707-1788) permite desenvolver a ideia de \u201cTransformismo\u201d, onde se admite que as diferentes esp\u00e9cies derivam uma das outras por degenera\u00e7\u00e3o num processo lento e progressivo, existindo esp\u00e9cies interm\u00e9dias at\u00e9 surgirem as formas atuais. Nesta conce\u00e7\u00e3o transformista da diferencia\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies a no\u00e7\u00e3o de tempo geol\u00f3gico \u00e9 fundamental, dado que Buffon admitia que as condi\u00e7\u00f5es ambientais a que as esp\u00e9cies estavam sujeitas eram fundamentais ao processo de degenera\u00e7\u00e3o. \u00a0 Outro transformista da \u00e9poca era Pierre Louis Maupertuis (1698-1759) que acreditava que as esp\u00e9cies resultavam de uma sele\u00e7\u00e3o provocada pelo meio ambiente resultando na infinidade de seres vivos que eram observados na atualidade. \u00a0 Em pleno s\u00e9culo XVIII, a geologia tem um papel de destaque na compreens\u00e3o dos fen\u00f3menos da natureza. Em 1778, James Hutton (1726-1759), considerado o pai da geologia moderna, publica Theory of the Earth (Teoria da Terra), um tratado sobre fen\u00f3menos geol\u00f3gicos que abala as ideias catastrofistas. Hutton estabelece uma idade para a Terra bastante superior \u00e0quela admitida at\u00e9 ent\u00e3o e defende que as for\u00e7as naturais de hoje s\u00e3o as mesmas desde sempre, isto \u00e9, os fen\u00f3menos geol\u00f3gicos repetem-se ao longo da hist\u00f3ria da Terra \u2013 Teoria do Uniformitarismo. \u00a0 Charles Lyell (1797-1875), ge\u00f3logo brit\u00e2nico, prossegue com as ideias avan\u00e7adas por Hutton e confirma a Teoria do Uniformitarismo concluindo que: as leis naturais s\u00e3o constantes no espa\u00e7o e no tempo a maioria das altera\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas d\u00e1-se de forma lenta e gradual \u00a0 A ideia de um gradualismo na natureza est\u00e1 lan\u00e7ada, e embora Lyell seja relutante em admitir a transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, as transforma\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas inevitavelmente levam ao surgimento de teorias relativas \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. \u00a0 V\u00e1rios cientistas v\u00e3o defender a ideia de a diversidade biol\u00f3gica ser resultado de um processo din\u00e2mico de transforma\u00e7\u00e3o dos organismos ao longo do tempo. Os nomes mais marcantes ser\u00e3o os de Jean Baptiste de Monet, cavaleiro de Lamarck (1744-1829), Charles Darwin (1809-1882) e Alfred Russel Wallace (1823-1913). \u00a0 Lamarck Lamarck, naturalista franc\u00eas, bot\u00e2nico no Jardim Bot\u00e2nico de Paris ao servi\u00e7o do rei, elaborou diversos estudos taxon\u00f3micos que o levaram a concluir que as esp\u00e9cies n\u00e3o s\u00f3 se relacionam entre si, como sofrem altera\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. Em 1809, publica Philosophie Zoologique onde exp\u00f5e as suas ideias defendendo que a necessidade de adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente leva o indiv\u00edduo a iniciar o seu processo evolutivo. A sua teoria baseava-se em dois princ\u00edpios: Lei do Uso e do Desuso \u2013 a necessidade de um certo \u00f3rg\u00e3o em determinado ambiente cria esse \u00f3rg\u00e3o e a fun\u00e7\u00e3o modifica-o, isto \u00e9, quando um \u00f3rg\u00e3o \u00e9 muito utilizado desenvolve-se e torna-se vigoroso e quando n\u00e3o \u00e9 utilizado degenera e atrofia. Lei da Heran\u00e7a de Caracteres Adquiridos \u2013 as modifica\u00e7\u00f5es adquiridas pelo indiv\u00edduo, pelo usos e desuso de um determinado \u00f3rg\u00e3o, \u00e9 transmitida aos descendentes. \u00a0 \u00a0 Estas ideias de Lamarck embora muito importantes foram muito contestadas. As principais cr\u00edticas a Lamarck foram: a teoria de Lamarck admitia que os seres vivos se modificavam com o objetivo \u00faltimo de se tornarem melhores a lei do uso e do desuso, embora v\u00e1lida para alguns \u00f3rg\u00e3os, n\u00e3o explicava todas as modifica\u00e7\u00f5es a lei da heran\u00e7a de caracteres adquiridos, n\u00e3o \u00e9 observ\u00e1vel. A atrofia ou o desenvolvimento de determinadas estruturas adquiridas durante a vida de um individuo n\u00e3o s\u00e3o transmitidas \u00e0 descend\u00eancia \u00a0 Os avan\u00e7os cient\u00edficos vieram demonstrar que as caracter\u00edsticas do indiv\u00edduo \u2013 fen\u00f3tipo \u2013 s\u00e3o resultado da intera\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico herdado dos progenitores \u2013 gen\u00f3tipo \u2013 com o meio ambiente. Lamarck incorporava ainda na sua teoria os princ\u00edpios que viriam a ser refutados, como por exemplo, epis\u00f3dios de cria\u00e7\u00e3o por gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, ou prop\u00f3sitos finalistas de \u201cmelhoria\u201d como for\u00e7a evolutiva. \u00a0 Darwin e Wallace As ideias de Darwin e Wallace foram apresentadas em 1858 numa reuni\u00e3o da Sociedade Lineana, em Londres. Embora o primeiro seja mais popular que o segundo, ambos os naturalistas de forma isolada chegaram a modelos evolutivos semelhantes. Darwin, contudo, trabalhava h\u00e1 20 anos na compila\u00e7\u00e3o de in\u00fameros exemplos e argumentos em torno da sua teoria e publica em 1859 as suas ideias evolucionistas no livro A Origem das Esp\u00e9cies, expondo tamb\u00e9m as suas observa\u00e7\u00f5es que recolheu durante a sua viagem a bordo do HMS Beagle \u00e0 volta do mundo. A sua Teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural baseou-se em dados de v\u00e1rios tipos: Dados biogeogr\u00e1ficos \u2013 por uma lado, a uniformidade entre os seres vivos levou-o a considerar uma ancestralidade comum, e por outro, a exist\u00eancia de variabilidade entre popula\u00e7\u00f5es de locais pr\u00f3ximos levou-o a admitir a possibilidade de cada uma dessas popula\u00e7\u00f5es ser o resultado de um processo de transforma\u00e7\u00e3o continuado condicionado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais particulares Dados geol\u00f3gicos \u2013 durante a sua viagem a bordo do Beagle, Darwin leu o livro de Lyell \u201cPrinc\u00edpios de Geologia\u201d (que lhe foi oferecido pelo comandante do Beagle, Robert Fitzroy), que o ajudou a compreender a import\u00e2ncia da no\u00e7\u00e3o do tempo geol\u00f3gico e dos fen\u00f3menos geol\u00f3gicos que atuaram e atuam na natureza, nos processos de transforma\u00e7\u00e3o lentos e graduais. Dados econ\u00f3micos e sociais \u2013 j\u00e1 regressado da sua viagem de circum-navega\u00e7\u00e3o Darwin teve acesso \u00e0 obra de Thomas Malthus \u201cEnsaio sobre o princ\u00edpio da popula\u00e7\u00e3o\u201d (do ingl\u00eas \u2018Essay on the principle of population\u2019), onde o autor defendia que a popula\u00e7\u00e3o humana tende a crescer exponencialmente enquanto os recursos crescem aritmeticamente. Esta rela\u00e7\u00e3o entre a popula\u00e7\u00e3o e os recursos dispon\u00edveis leva a um excedente populacional e \u00e0 escassez dos recursos, ocorrendo uma sele\u00e7\u00e3o natural, condicionada pela fome se os recursos forem alimentares. Darwin transp\u00f4s esta ideia para as popula\u00e7\u00f5es naturais, onde face a um meio com recursos finitos haveria uma luta cont\u00ednua pela sobreviv\u00eancia. Dados de sele\u00e7\u00e3o artificial \u2013 a sele\u00e7\u00e3o artificial efectuada pelo Homem \u00e9 uma t\u00e9cnica utilizada desde os prim\u00f3rdios dos tempos, com o objetivo de apurar determinadas caracter\u00edsticas de animais ou plantas, selecionando-se indiv\u00edduos portadores dessas caracter\u00edsticas e promovendo cruzamentos entre eles. Desta maneira assegura-se que a frequ\u00eancia das caracter\u00edsticas selecionadas aumenta progressivamente na descend\u00eancia. Na natureza, um processo semelhante dever\u00e1 atuar sobre os seres vivos, onde s\u00e3o selecionados os indiv\u00edduos com caracter\u00edsticas que conferem mais vantagens em determinado ambiente, chamando a este mecanismo sele\u00e7\u00e3o natural. \u00a0 Embora Darwin n\u00e3o planeasse publicar a sua teoria evolucionista em vida, tendo instru\u00eddo a sua esposa para o fazer ap\u00f3s a sua morte, a recep\u00e7\u00e3o de uma carta de Alfred Russel Wallace, em 1858, junto com um manuscrito onde o jovem naturalista descrevia as suas ideias sobre uma teoria que tinha desenvolvido sobre a origem e transforma\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, f\u00ea-lo precipitar e antecipar a sua publica\u00e7\u00e3o. Wallace no seu manuscrito resumia os principais pontos da teoria a que Darwin havia dedicado uma boa parte dos seus estudos. Foi fundamental o apoio de Lyell e Hooker para convencer Darwin a apresentar em p\u00fablico as suas ideias numa sess\u00e3o da Sociedade Lineana. \u00a0 As ideias de Darwin, aceites por alguns foram tamb\u00e9m alvo de fortes cr\u00edticas por parte da n\u00e3o s\u00f3 comunidade em geral mas tamb\u00e9m da cient\u00edfica, dado que punha em causa algumas cren\u00e7as e convic\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m n\u00e3o explicava alguns fatores como: as lacunas estratigr\u00e1ficas com aus\u00eancias de algumas formas f\u00f3sseis interm\u00e9dias que corroborassem a ideia de uma evolu\u00e7\u00e3o lenta e gradual dos seres vivos; a presen\u00e7a de uma grande heterogeneidade entre os indiv\u00edduos; e o mecanismo de transmiss\u00e3o das caracter\u00edsticas entre gera\u00e7\u00f5es. \u00a0 Darwin prop\u00f5e a que ficou conhecida pela Teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural. O grande avan\u00e7o de Darwin foi expor um mecanismo para a evolu\u00e7\u00e3o \u2013 a sele\u00e7\u00e3o natural. Segundo a sua teoria: a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a unidade evolutiva nas popula\u00e7\u00f5es existe heterogeneidade, isto \u00e9, os indiv\u00edduos apresentam variabilidade nas suas caracter\u00edsticas o ambiente atua sobre as popula\u00e7\u00f5es exercendo sele\u00e7\u00e3o natural em que os indiv\u00edduos mais aptos t\u00eam mais probabilidade de sobreviverem e se reproduzirem os indiv\u00edduos mais aptos t\u00eam um maior sucesso reprodutor, logo maior n\u00famero de descendentes \u2013 reprodu\u00e7\u00e3o diferencial \u00a0 Teoria Sint\u00e9tica da Evolu\u00e7\u00e3o O termo Neodarwinismo \u00e9, por vezes, utilizado para descrever a s\u00edntese moderna da evolu\u00e7\u00e3o de Darwin por meio de sele\u00e7\u00e3o natural, mas n\u00e3o ser\u00e1 o termo correto uma vez que originalmente o termo \u201cneodarwinismo\u201d foi utilizado por G.J. Romanes, em 1895, para se referir \u00e0s ideias de August Weissmann e Wallace como invalidando o neo-Lamarckismo. Weissman postulou que a linha germinal nunca poderia ser afetada pela linha som\u00e1tica, isto \u00e9, as caracter\u00edsticas adquiridas n\u00e3o podiam ser herdadas, declarando que a sele\u00e7\u00e3o era a \u00fanica for\u00e7a evolutiva. Mayr (1984) escrever sobre a confus\u00e3o entre os termos: &#8220;&#8230;the term neo-Darwinism for the synthetic theory is wrong, because the term neo-Darwinism was coined by Romanes in 1895 as a designation of Weismann&#8217;s theory.&#8221; \u00a0 Com a morte de Darwin, a teoria da sele\u00e7\u00e3o natural perde o seu principal defensor e as quest\u00f5es que Darwin n\u00e3o responde tomam maior relevo. Como \u00e9 que a nova variabilidade \u00e9 mantida? A origem de novas esp\u00e9cies \u00e9 saltacionista ou gradual (por isolamento)? Ser\u00e1 a variabilidade cont\u00ednua ou descont\u00ednua? \u00a0 Em 1900, os trabalhos de Mendel s\u00e3o redescobertos por Hugo De Vries, e embora mais tarde os seus resultados tenham respondido a algumas das quest\u00f5es deixadas em aberto por Darwin, na altura defensores de Mendel e Darwin n\u00e3o se entenderam quanto \u00e0 hereditariedade. Segundo os defensores de Mendel a hereditariedade seria fatorial, as novas caracter\u00edsticas tinham origem em grandes saltos, macromuta\u00e7\u00f5es, explicadas exclusivamente por press\u00f5es mutacionais. Pelo contr\u00e1rio os defensores de Darwin, consideravam a sele\u00e7\u00e3o natural como a principal for\u00e7a respons\u00e1vel por uma evolu\u00e7\u00e3o gradualista. \u00a0 Os fatores a que Mendel atribu\u00eda a hereditariedade, eram unidades f\u00edsicas localizadas em locais espec\u00edficos do cromossoma, como Thomas Hunt Morgan, A.H. Sturtevant e Hermann Muller viriam a descobrir. As suas experi\u00eancias com cruzamentos de Drosophilamostraram que genes para determinadas caracter\u00edsticas s\u00e3o herdados como unidades discretas, permanecendo inalter\u00e1veis ao longo das gera\u00e7\u00f5es. A Teoria Cromoss\u00f3mica, viria a desmistificar a origem de variabilidade gen\u00e9tica atrav\u00e9s da ocorr\u00eancia de muta\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas e recombina\u00e7\u00e3o cromoss\u00f3mica. \u00a0 Materiais relacionados dispon\u00edveis na Casa das Ci\u00eancias: (por ora estes links est\u00e3o quebrados na fonte. contamos corrigi-los em breve.) A Autoestrada da Vida, acompanhe a viagem da vida pelos caminhos da evolu\u00e7\u00e3o Mecanismos de Evolu\u00e7\u00e3o, como \u00e9 que a sele\u00e7\u00e3o natural leva \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica? Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 6, os pseudogenes e os retrov\u00edrus end\u00f3genos como prova da evolu\u00e7\u00e3o Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 5, que nos dizem os genomas acerca a evolu\u00e7\u00e3o? Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 4, h\u00e1 tempo suficiente para a evolu\u00e7\u00e3o? Esta e outras evid\u00eancias Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 3, o registo f\u00f3ssil, a especia\u00e7\u00e3o e a hibrida\u00e7\u00e3o como provas da evolu\u00e7\u00e3o Os Factos da Evolu\u00e7\u00e3o \u2013 Cap\u00edtulo 2, mais evid\u00eancias da evolu\u00e7\u00e3o: \u00f3rg\u00e3os vestigiais, biogeografia, etc Do Big Bang ao Homem III: Da Eva At\u00e9 Hoje, viaje pela hist\u00f3ria dos primeiros seres humanos Do Big Bang ao Homem II: Da Vida a Eva, viaje pela hist\u00f3ria da vida na Terra \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[82,51],"tags":[],"class_list":["post-2232366","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ciencia","category-recursos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2232366","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2232366"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2232366\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3089122,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2232366\/revisions\/3089122"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2232366"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2232366"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2232366"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}