{"id":2219585,"date":"2018-12-04T10:35:00","date_gmt":"2018-12-04T10:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2219585.html"},"modified":"2026-05-13T16:55:19","modified_gmt":"2026-05-13T16:55:19","slug":"padre-antonio-vieira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2219585","title":{"rendered":"Padre Ant\u00f3nio Vieira"},"content":{"rendered":"<table style=\"border-collapse: collapse; width: 55.8824%; height: 360px;\" border=\"1\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 100%;\"><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"pav.png\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/21264375_Mzweh.png\" alt=\"pav.png\" width=\"500\" height=\"436\" \/><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Texto de Carlos Fiolhais<\/span> |<\/p>\n<p><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ant%C3%B3nio_Vieira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Padre Ant\u00f3nio Vieira<\/a> viveu numa \u00e9poca de ouro da ci\u00eancia, a \u00a0\u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, na qual sobressa\u00edram grandes nomes como <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ren%C3%A9_Descartes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ren\u00e9 Descartes<\/a>, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Galileu_Galilei\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Galileu Galilei<\/a> e <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Isaac_Newton\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Isaac Newton<\/a>. N\u00e3o sendo um cientista, tanto pela prepara\u00e7\u00e3o que adquiriu no <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Col%C3%A9gio_dos_Jesu%C3%ADtas_(Salvador)\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Col\u00e9gio da Ba\u00eda<\/a>, no Brasil (um n\u00f3 da rede global dos col\u00e9gios jesu\u00edtas) como pelas suas numerosas leituras durante a sua longa vida, estava a par da ci\u00eancia do seu tempo. Aos seus conhecimentos cient\u00edficos ia ami\u00fade buscar exemplos que serviam no seu discurso catequ\u00e9tico e prof\u00e9tico. \u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">No discurso de Padre Ant\u00f3nio Vieira coexistem refer\u00eancias a autores antigos, como Arist\u00f3teles, que era a cartilha nas escolas jesu\u00edtas, e a autores modernos, como Descartes. Este fil\u00f3sofo e matem\u00e1tico apresentou em 1637, num ap\u00eandice ao famos\u00edssimo <a href=\"https:\/\/fr.wikipedia.org\/wiki\/Discours_de_la_m%C3%A9thode\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Discours de la M\u00e9thode<\/a>, uma descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do arco-\u00edris: este n\u00e3o era mais do que o resultado da refrac\u00e7\u00e3o e da reflex\u00e3o da luz solar em gotas de \u00e1gua na atmosfera. A luz solar batia na gota, desviava-se, reflectia-se no fundo da gota e voltava a desviar-se ao sair. Descartes foi, com o holand\u00eas Snell, o autor das leis da refrac\u00e7\u00e3o, que descrevem matematicamente o desvio da luz quando passa de um meio para outro, no caso o ar e a \u00e1gua. Mais tarde, Newton, que realizou experi\u00eancias com prismas de vidro em 1666, explicar\u00e1 que o desvio da luz de um meio para outro se devia \u00e0 diferente velocidade de diferentes part\u00edculas de luz nos dois meios. A luz solar \u00e9 branca, mas, como a luz branca \u00e9 feita de part\u00edculas correspondentes \u00e0s diferentes cores, as cores apareceriam diferenciadas dentro da gota e, ainda mais, \u00e0 sa\u00edda dela. No s\u00e9culo XVII, o arco-\u00edris era considerado \u201c<em>um dos principais ornamentos do trono de Deus<\/em>\u201d (<em>Discours sur l&#8217;histoire universelle,<\/em>\u00a01681, do bispo e te\u00f3logo franc\u00eas Jacques de Bossuet)\u00a0e, conforme est\u00e1 escrito no\u00a0<em>G\u00e9nesis,<\/em>\u00a0o sinal da alian\u00e7a que Deus tinha celebrado com os homens ap\u00f3s o Dil\u00favio universal\u00a0<em>(<\/em><em>\u201co meu arco que coloquei nas nuvens. Ser\u00e1 o sinal da minha\u00a0<\/em><em>alian\u00e7a<\/em><em>\u00a0<\/em><em>com a terra\u201d,<\/em>\u00a0<em>Gn.\u00a0<\/em>9, 13). Ainda hoje o arco-\u00edris se diz Arco da Velha: Velha significa Velha Alian\u00e7a. Ora, num dos<em>\u00a0Serm\u00f5es do Sant\u00edssimo Sacramento (<\/em><em>in\u00a0<\/em><em>Obra Completa do Padre Ant\u00f3nio Vieira<\/em>,\u00a0\u00a0<em>Paren\u00e9tica,<\/em>\u00a0tomo II, vol. VI, dir. Jos\u00e9 Eduardo Franco e Pedro Calafate, Lisboa: C\u00edrculo de Leitores, 2013-2014, p. 84),<em>\u00a0<\/em>proferido\u00a0em Santa Engr\u00e1cia, Lisboa, em 1645, escassos oito anos ap\u00f3s ter sa\u00eddo o livro de Descartes, Vieira diz:\u00a0<em>\u201cNa \u00cdris ou Arco celeste, todos os nossos olhos jurar\u00e3o que est\u00e3o vendo variedade de cores: e contudo ensina a verdadeira Filosofia que naquele Arco n\u00e3o h\u00e1 cores, sen\u00e3o luz, e \u00e1gua\u201d. \u00a0<\/em><\/p>\n<p>A verdadeira Filosofia significa a ci\u00eancia dos modernos, entre os quais estava Descartes. Mais tarde, no\u00a0<em>Serm\u00e3o da Segunda Dominga da Quaresma (<\/em><em>idem,<\/em>\u00a0tomo II, vol. III, p. 49), pregado na Capela Real em 1651, Vieira afirma:<em>\u00a0\u201cIsto, que chamamos C\u00e9u, \u00e9 uma mentira azul, e o que chamamos \u00cdris ou Arco-celeste, \u00e9 outra mentira de tr\u00eas cores<\/em>\u201d.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><a name=\"cutid1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"ljcut\" text=\"Ler mais...\"><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Com efeito, sabemos hoje que a cor azul do c\u00e9u se deve \u00e0 difus\u00e3o da luz branca pelas mol\u00e9culas que constituem o ar: o c\u00e9u, de facto, \u00e9 preto, como poder\u00e1 confirmar hoje um astronauta da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. E sabemos tamb\u00e9m que as cores todas do arco-\u00edris (convencionalmente sete, mas, na realidade, tantas quantas se quiserem pois existem todas as cambiantes entre o vermelho e o violeta) podem ser obtidas combinando as tr\u00eas cores prim\u00e1rias: vermelho, azul e verde. Numa linha cient\u00edfica coerente, Vieira, numa outra pr\u00e9dica, o\u00a0<em>Serm\u00e3o da Quinta Quarta-feira da Quaresma<\/em><em>(<\/em><em>idem<\/em><em>,<\/em>\u00a0tomo II, vol. IV, p. 215), dito na Miseric\u00f3rdia de Lisboa em 1669, explica o arco-\u00edris com base na refrac\u00e7\u00e3o da luz, como Descartes tinha aventado:\u00a0<em>\u201cO r\u00fastico, porque \u00e9 ignorante, v\u00ea muita variedade de cores no que ele chama Arco-da-Velha<\/em>;<em>\u00a0mas o Fil\u00f3sofo, porque \u00e9 s\u00e1bio, e conhece que at\u00e9 a luz engana (quando se dobra), v\u00ea que ali n\u00e3o h\u00e1 cores, sen\u00e3o enganos corados, e ilus\u00f5es da vista\u201d.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Repare-se como \u00e9 dada a primazia ao saber do \u201cfil\u00f3sofo\u201d (fil\u00f3sofo natural, entenda-se) em rela\u00e7\u00e3o ao saber comum. Uma das marcas da ci\u00eancia moderna \u00e9 precisamente a ultrapassagem do senso comum: esta \u00e9 ainda mais vis\u00edvel em Galileu e Newton do que em Descartes. O arco-\u00edris \u00e9 real, mas, para ele existir, t\u00eam de concorrer tr\u00eas coisas: a luz solar, as gotas de \u00e1gua e os olhos do observador. Cada observador ter\u00e1 sempre um arco-\u00edris em torno de si, raz\u00e3o pela qual nunca poder\u00e1 alcan\u00e7ar uma ponta.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Passando agora da terra para o c\u00e9u, foi em 1609 que Galileu dirigiu pela primeira vez a sua luneta para o firmamento. A observa\u00e7\u00e3o que fez das luas de J\u00fapiter foi n\u00e3o uma prova do sistema helioc\u00eantrico, mas uma indica\u00e7\u00e3o da sua plausibilidade, j\u00e1 que havia, al\u00e9m da Terra, um astro com luas em \u00f3rbita. Vieira, embora conhecendo a\u00a0 tese helioc\u00eantrica de Nicolau Cop\u00e9rnico, publicada em\u00a01543,\u00a0e defendida muito mais tarde por Galileu, com a oposi\u00e7\u00e3o da Igreja, n\u00e3o a sustentou, como ali\u00e1s seria de esperar de um ministro da Igreja. Mas Vieira n\u00e3o menosprezou o poder explicativo do sistema helioc\u00eantrico. Sobre ele afirmou no\u00a0<em>Serm\u00e3o do Primeira Dominga do Advento (idem<\/em>, tomo II, vol. I, pp. 181-182), pregado na Capela Real em 1652<em>:<\/em>\u00a0<em>\u201cCop\u00e9rnico, insigne Matem\u00e1tico do pr\u00f3ximo s\u00e9culo, inventou um novo sistema do mundo, em que demonstrou, ou quis demonstrar (posto que erradamente) que n\u00e3o era o Sol o que se movia, e rodeava o mundo, sen\u00e3o que esta mesma terra, em que vivemos, sem n\u00f3s o sentirmos, \u00e9 a que se move, e anda sempre \u00e0 roda. De sorte, que quando a terra d\u00e1 meia volta, ent\u00e3o descobre o Sol, e dizemos que nasce, e quando acaba de dar a outra meia volta, ent\u00e3o lhe desaparece o Sol, e dizemos que se p\u00f5e. E a maravilha deste novo invento \u00e9 que na suposi\u00e7\u00e3o dele corre todo o governo do universo, e as propor\u00e7\u00f5es dos astros, e medidas dos tempos com a mesma pontualidade, e certeza, com que at\u00e9 agora se tinham observado, e estabelecido na suposi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria\u201d.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Apesar de apontar o erro do esquema copernicano, atente-se na sua express\u00e3o admirativa: \u201c<em>a maravilha do novo invento\u201d.<\/em>\u00a0No\u00a0<em>Serm\u00e3o da Dominga D\u00e9cima Sexta Post Pentecosten<\/em>\u00a0(<em>idem<\/em>, tomo II, vol. V, p. 287), dito na Capela Real em 1651, Vieira esclareceu que Cop\u00e9rnico estava errado por contrariar a B\u00edblia:\u00a0<em>\u201cOpini\u00e3o foi antiga de muitos Fil\u00f3sofos que n\u00e3o era o Sol o que se movia, e dava volta ao mundo, sen\u00e3o que permanecendo sempre fixo, e im\u00f3vel, esta terra em que estamos \u00e9 que, sem n\u00f3s o sentirmos, se move, e nos leva consigo (&#8230;). Mas esta opini\u00e3o, ou imagina\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, assim como ressuscitou em nossos tempos, assim foi tamb\u00e9m condenada como err\u00f3nea, por ser expressamente encontrada com as Escrituras divinas\u201d.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O heliocentrismo era antigo (Aristarco de Samos tinha-o defendido no s\u00e9culo III a.C.) mas eram Galileu e Kepler, Galileu com bastante mais estrondo, que agora o propalavam. Em Portugal, as ideias helioc\u00eantricas, embora tivessem sido no s\u00e9culo XVI do conhecimento do matem\u00e1tico Pedro Nunes, \u201ccosm\u00f3grafo-mor do Reino\u201d, demoraram muito tempo at\u00e9 encontrarem acolhimento generalizado. Ainda em finais do s\u00e9culo XVIII eram vistas com muitas reservas entre n\u00f3s.<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Se Vieira n\u00e3o foi copernicano, de facto no seu tempo quase ningu\u00e9m era. Mas foi moderno em muitos aspectos. Viajante por v\u00e1rias vezes ao Brasil e observador da realidade dos tr\u00f3picos, chamou a aten\u00e7\u00e3o para o extraordin\u00e1rio valor das observa\u00e7\u00f5es dos portugueses de novas terras, novas esp\u00e9cies e novas gentes. O conhecimento emp\u00edrico passou a contrapor-se, nos s\u00e9culos XV e XVI, ao saber das antigas autoridades, num prel\u00fadio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. No\u00a0<em>Serm\u00e3o da Terceira Dominga do Advento (<\/em><em>idem,<\/em>tomo II, vol. I, p. 262), pregado na Capela Real em 1650:<em>\u00a0\u00a0<\/em><em>\u201cNenhuma coisa houve mais assentada na antiguidade, que ser inabit\u00e1vel a Zona t\u00f3rrida: e as raz\u00f5es, com que os Fil\u00f3sofos o provavam, eram ao parecer t\u00e3o evidentes, que ningu\u00e9m havia que o negasse. Descobriram finalmente os Pilotos, e marinheiros Portugueses as costas da \u00c1frica, e da Am\u00e9rica; e souberam mais, e filosofaram melhor sobre um s\u00f3 dia de vista, que todos os S\u00e1bios e Fil\u00f3sofos do mundo em cinco mil anos de especula\u00e7\u00e3o. Os discursos de quem n\u00e3o viu s\u00e3o discursos: os ditames de quem viu s\u00e3o profecias\u201d.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">Um bom exemplo da contraposi\u00e7\u00e3o entre os saberes antigo e moderno \u00e9 a exist\u00eancia humana nos ant\u00edpodas. Vale a pena ouvir a poderosa voz de Vieira<em>(<\/em>in\u00a0<em>Autos do Processo da Inquisi\u00e7\u00e3o, idem, Obra Prof\u00e9tica,\u00a0<\/em>tomo III, vol. IV, p. \u00a0439<em>)\u00a0<\/em>afirmando<em>\u00a0<\/em>que os Portugueses sabiam bem mais sobre o assunto do que os antigos:\u00a0<em>\u201cJ\u00e1 disse que acerca da zona t\u00f3rrida e dos ant\u00edpodas ensinaram os pilotos portugueses ao mundo, sem saberem ler nem escrever, o que n\u00e3o alcan\u00e7ou Arist\u00f3teles, nem Santo Agostinho pela diferen\u00e7a dos tempos; e sendo os tempos, como confessam os mesmos padres, o melhor int\u00e9rprete das profecias, bem pode acontecer sem maravilha e cuidar-se sem presun\u00e7\u00e3o, que um homem muito menos s\u00e1bio possa atender, depois do<\/em><em>discurso de largos anos e sucessos, algumas profecias que os antigos, sapient\u00edssimos e sant\u00edssimos, por falta de not\u00edcia n\u00e3o declararam nem alcan\u00e7aram.\u201d<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">O pr\u00f3prio Vieira foi um descobridor dos c\u00e9us.<em>\u00a0<\/em>Forneceu contribui\u00e7\u00f5es para a ci\u00eancia ao deixar registos das suas observa\u00e7\u00f5es de cometas, alguns delas in\u00e9ditas, como o cometa que viu na Ba\u00eda em 1695, quase no fim da sua vida. Para ele os cometas eram sinais de Deus. Por isso, com atent\u00edssimo olhar, perscrutava as mudan\u00e7as na ab\u00f3bada celeste. No seu tempo, as esferas s\u00f3lidas e fixas do c\u00e9u do sistema geoc\u00eantrico de Arist\u00f3teles e Ptolomeu estavam a ser substitu\u00eddas pelo conceito de c\u00e9u fluido, um c\u00e9u que os cometas conseguiam romper para chegarem perto da Terra. O c\u00e9u deixava de estar longe e separado da Terra.<\/p>\n<p>(publicado tamb\u00e9m como cap\u00edtulo de livro in\u00a0<em>&#8220;Vieira, Esse povo de palavras&#8221;,\u00a0<\/em>coord. Jos\u00e9 Eduardo Franco, Aida S. lemos e Paulo S. Ferreira, Esfera do Caos, 2016, pp. 111-114)<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<h4 class=\"referenceString selectable\"><span style=\"font-size: 10pt;\"><strong>Refer\u00eancia<\/strong>: Fiolhais, C. (2016).\u00a0<em>VIEIRA E A CI\u00caNCIA<\/em>.\u00a0<em>Dererummundi.blogspot.com<\/em>. Retrieved 4 December 2018, from <a href=\"http:\/\/dererummundi.blogspot.com\/2016\/06\/vieira-e-ciencia.html\">http:\/\/dererummundi.blogspot.com\/2016\/06\/vieira-e-ciencia.html<\/a><\/span><\/h4>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\"><strong>Conte\u00fado relacionado<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/ensina.rtp.pt\/artigo\/padre-antonio-vieira-defensor-dos-indios-e-dos-escravos-negros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Padre Ant\u00f3nio Vieira, defensor dos \u00edndios e dos escravos negros<\/a> | ensina rtp<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/ensina.rtp.pt\/artigo\/sermao-de-st-antonio-aos-peixes-do-padre-antonio-vieira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Padre Ant\u00f3nio Vieira come\u00e7a a pregar aos peixes<\/a> | ensina rtp<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"http:\/\/ensina.rtp.pt\/artigo\/padre-antonio-vieira-o-imperador-da-lingua-portuguesa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Padre Ant\u00f3nio Vieira, o imperador da L\u00edngua Portuguesa<\/a> | ensina rtp<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/vimeo.com\/11928187\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Serm\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio aos Peixes |<\/a> companhia das ideias<\/li>\n<p><\/p>\n<li style=\"font-weight: 400;\"><a href=\"https:\/\/expresso.sapo.pt\/cultura\/concluida-a-edicao-da-obra-integral-do-padre-antonio-vieira=f899900#gs.jAJ9RIQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conclu\u00edda a edi\u00e7\u00e3o da obra integral do Padre Ant\u00f3nio Vieira<\/a> | expresso &#8211; 2014<\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/p>\n<p style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Carlos Fiolhais | \u00a0 O Padre Ant\u00f3nio Vieira viveu numa \u00e9poca de ouro da ci\u00eancia, a \u00a0\u00e9poca da revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, na qual sobressa\u00edram grandes nomes como Ren\u00e9 Descartes, Galileu Galilei e Isaac Newton. N\u00e3o sendo um cientista, tanto pela prepara\u00e7\u00e3o que adquiriu no Col\u00e9gio da Ba\u00eda, no Brasil (um n\u00f3 da rede global dos col\u00e9gios jesu\u00edtas) como pelas suas numerosas leituras durante a sua longa vida, estava a par da ci\u00eancia do seu tempo. Aos seus conhecimentos cient\u00edficos ia ami\u00fade buscar exemplos que serviam no seu discurso catequ\u00e9tico e prof\u00e9tico. \u00a0 \u00a0 No discurso de Padre Ant\u00f3nio Vieira coexistem refer\u00eancias a autores antigos, como Arist\u00f3teles, que era a cartilha nas escolas jesu\u00edtas, e a autores modernos, como Descartes. Este fil\u00f3sofo e matem\u00e1tico apresentou em 1637, num ap\u00eandice ao famos\u00edssimo Discours de la M\u00e9thode, uma descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do arco-\u00edris: este n\u00e3o era mais do que o resultado da refrac\u00e7\u00e3o e da reflex\u00e3o da luz solar em gotas de \u00e1gua na atmosfera. A luz solar batia na gota, desviava-se, reflectia-se no fundo da gota e voltava a desviar-se ao sair. Descartes foi, com o holand\u00eas Snell, o autor das leis da refrac\u00e7\u00e3o, que descrevem matematicamente o desvio da luz quando passa de um meio para outro, no caso o ar e a \u00e1gua. Mais tarde, Newton, que realizou experi\u00eancias com prismas de vidro em 1666, explicar\u00e1 que o desvio da luz de um meio para outro se devia \u00e0 diferente velocidade de diferentes part\u00edculas de luz nos dois meios. A luz solar \u00e9 branca, mas, como a luz branca \u00e9 feita de part\u00edculas correspondentes \u00e0s diferentes cores, as cores apareceriam diferenciadas dentro da gota e, ainda mais, \u00e0 sa\u00edda dela. No s\u00e9culo XVII, o arco-\u00edris era considerado \u201cum dos principais ornamentos do trono de Deus\u201d (Discours sur l&#8217;histoire universelle,\u00a01681, do bispo e te\u00f3logo franc\u00eas Jacques de Bossuet)\u00a0e, conforme est\u00e1 escrito no\u00a0G\u00e9nesis,\u00a0o sinal da alian\u00e7a que Deus tinha celebrado com os homens ap\u00f3s o Dil\u00favio universal\u00a0(\u201co meu arco que coloquei nas nuvens. Ser\u00e1 o sinal da minha\u00a0alian\u00e7a\u00a0com a terra\u201d,\u00a0Gn.\u00a09, 13). Ainda hoje o arco-\u00edris se diz Arco da Velha: Velha significa Velha Alian\u00e7a. Ora, num dos\u00a0Serm\u00f5es do Sant\u00edssimo Sacramento (in\u00a0Obra Completa do Padre Ant\u00f3nio Vieira,\u00a0\u00a0Paren\u00e9tica,\u00a0tomo II, vol. VI, dir. Jos\u00e9 Eduardo Franco e Pedro Calafate, Lisboa: C\u00edrculo de Leitores, 2013-2014, p. 84),\u00a0proferido\u00a0em Santa Engr\u00e1cia, Lisboa, em 1645, escassos oito anos ap\u00f3s ter sa\u00eddo o livro de Descartes, Vieira diz:\u00a0\u201cNa \u00cdris ou Arco celeste, todos os nossos olhos jurar\u00e3o que est\u00e3o vendo variedade de cores: e contudo ensina a verdadeira Filosofia que naquele Arco n\u00e3o h\u00e1 cores, sen\u00e3o luz, e \u00e1gua\u201d. \u00a0 A verdadeira Filosofia significa a ci\u00eancia dos modernos, entre os quais estava Descartes. Mais tarde, no\u00a0Serm\u00e3o da Segunda Dominga da Quaresma (idem,\u00a0tomo II, vol. III, p. 49), pregado na Capela Real em 1651, Vieira afirma:\u00a0\u201cIsto, que chamamos C\u00e9u, \u00e9 uma mentira azul, e o que chamamos \u00cdris ou Arco-celeste, \u00e9 outra mentira de tr\u00eas cores\u201d. \u00a0 \u00a0 Com efeito, sabemos hoje que a cor azul do c\u00e9u se deve \u00e0 difus\u00e3o da luz branca pelas mol\u00e9culas que constituem o ar: o c\u00e9u, de facto, \u00e9 preto, como poder\u00e1 confirmar hoje um astronauta da Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional. E sabemos tamb\u00e9m que as cores todas do arco-\u00edris (convencionalmente sete, mas, na realidade, tantas quantas se quiserem pois existem todas as cambiantes entre o vermelho e o violeta) podem ser obtidas combinando as tr\u00eas cores prim\u00e1rias: vermelho, azul e verde. Numa linha cient\u00edfica coerente, Vieira, numa outra pr\u00e9dica, o\u00a0Serm\u00e3o da Quinta Quarta-feira da Quaresma(idem,\u00a0tomo II, vol. IV, p. 215), dito na Miseric\u00f3rdia de Lisboa em 1669, explica o arco-\u00edris com base na refrac\u00e7\u00e3o da luz, como Descartes tinha aventado:\u00a0\u201cO r\u00fastico, porque \u00e9 ignorante, v\u00ea muita variedade de cores no que ele chama Arco-da-Velha;\u00a0mas o Fil\u00f3sofo, porque \u00e9 s\u00e1bio, e conhece que at\u00e9 a luz engana (quando se dobra), v\u00ea que ali n\u00e3o h\u00e1 cores, sen\u00e3o enganos corados, e ilus\u00f5es da vista\u201d. \u00a0 Repare-se como \u00e9 dada a primazia ao saber do \u201cfil\u00f3sofo\u201d (fil\u00f3sofo natural, entenda-se) em rela\u00e7\u00e3o ao saber comum. Uma das marcas da ci\u00eancia moderna \u00e9 precisamente a ultrapassagem do senso comum: esta \u00e9 ainda mais vis\u00edvel em Galileu e Newton do que em Descartes. O arco-\u00edris \u00e9 real, mas, para ele existir, t\u00eam de concorrer tr\u00eas coisas: a luz solar, as gotas de \u00e1gua e os olhos do observador. Cada observador ter\u00e1 sempre um arco-\u00edris em torno de si, raz\u00e3o pela qual nunca poder\u00e1 alcan\u00e7ar uma ponta. \u00a0 Passando agora da terra para o c\u00e9u, foi em 1609 que Galileu dirigiu pela primeira vez a sua luneta para o firmamento. A observa\u00e7\u00e3o que fez das luas de J\u00fapiter foi n\u00e3o uma prova do sistema helioc\u00eantrico, mas uma indica\u00e7\u00e3o da sua plausibilidade, j\u00e1 que havia, al\u00e9m da Terra, um astro com luas em \u00f3rbita. Vieira, embora conhecendo a\u00a0 tese helioc\u00eantrica de Nicolau Cop\u00e9rnico, publicada em\u00a01543,\u00a0e defendida muito mais tarde por Galileu, com a oposi\u00e7\u00e3o da Igreja, n\u00e3o a sustentou, como ali\u00e1s seria de esperar de um ministro da Igreja. Mas Vieira n\u00e3o menosprezou o poder explicativo do sistema helioc\u00eantrico. Sobre ele afirmou no\u00a0Serm\u00e3o do Primeira Dominga do Advento (idem, tomo II, vol. I, pp. 181-182), pregado na Capela Real em 1652:\u00a0\u201cCop\u00e9rnico, insigne Matem\u00e1tico do pr\u00f3ximo s\u00e9culo, inventou um novo sistema do mundo, em que demonstrou, ou quis demonstrar (posto que erradamente) que n\u00e3o era o Sol o que se movia, e rodeava o mundo, sen\u00e3o que esta mesma terra, em que vivemos, sem n\u00f3s o sentirmos, \u00e9 a que se move, e anda sempre \u00e0 roda. De sorte, que quando a terra d\u00e1 meia volta, ent\u00e3o descobre o Sol, e dizemos que nasce, e quando acaba de dar a outra meia volta, ent\u00e3o lhe desaparece o Sol, e dizemos que se p\u00f5e. E a maravilha deste novo invento \u00e9 que na suposi\u00e7\u00e3o dele corre todo o governo do universo, e as propor\u00e7\u00f5es dos astros, e medidas dos tempos com a mesma pontualidade, e certeza, com que at\u00e9 agora se tinham observado, e estabelecido na suposi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria\u201d. \u00a0 Apesar de apontar o erro do esquema copernicano, atente-se na sua express\u00e3o admirativa: \u201ca maravilha do novo invento\u201d.\u00a0No\u00a0Serm\u00e3o da Dominga D\u00e9cima Sexta Post Pentecosten\u00a0(idem, tomo II, vol. V, p. 287), dito na Capela Real em 1651, Vieira esclareceu que Cop\u00e9rnico estava errado por contrariar a B\u00edblia:\u00a0\u201cOpini\u00e3o foi antiga de muitos Fil\u00f3sofos que n\u00e3o era o Sol o que se movia, e dava volta ao mundo, sen\u00e3o que permanecendo sempre fixo, e im\u00f3vel, esta terra em que estamos \u00e9 que, sem n\u00f3s o sentirmos, se move, e nos leva consigo (&#8230;). Mas esta opini\u00e3o, ou imagina\u00e7\u00e3o matem\u00e1tica, assim como ressuscitou em nossos tempos, assim foi tamb\u00e9m condenada como err\u00f3nea, por ser expressamente encontrada com as Escrituras divinas\u201d. O heliocentrismo era antigo (Aristarco de Samos tinha-o defendido no s\u00e9culo III a.C.) mas eram Galileu e Kepler, Galileu com bastante mais estrondo, que agora o propalavam. Em Portugal, as ideias helioc\u00eantricas, embora tivessem sido no s\u00e9culo XVI do conhecimento do matem\u00e1tico Pedro Nunes, \u201ccosm\u00f3grafo-mor do Reino\u201d, demoraram muito tempo at\u00e9 encontrarem acolhimento generalizado. Ainda em finais do s\u00e9culo XVIII eram vistas com muitas reservas entre n\u00f3s. \u00a0 Se Vieira n\u00e3o foi copernicano, de facto no seu tempo quase ningu\u00e9m era. Mas foi moderno em muitos aspectos. Viajante por v\u00e1rias vezes ao Brasil e observador da realidade dos tr\u00f3picos, chamou a aten\u00e7\u00e3o para o extraordin\u00e1rio valor das observa\u00e7\u00f5es dos portugueses de novas terras, novas esp\u00e9cies e novas gentes. O conhecimento emp\u00edrico passou a contrapor-se, nos s\u00e9culos XV e XVI, ao saber das antigas autoridades, num prel\u00fadio \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica. No\u00a0Serm\u00e3o da Terceira Dominga do Advento (idem,tomo II, vol. I, p. 262), pregado na Capela Real em 1650:\u00a0\u00a0\u201cNenhuma coisa houve mais assentada na antiguidade, que ser inabit\u00e1vel a Zona t\u00f3rrida: e as raz\u00f5es, com que os Fil\u00f3sofos o provavam, eram ao parecer t\u00e3o evidentes, que ningu\u00e9m havia que o negasse. Descobriram finalmente os Pilotos, e marinheiros Portugueses as costas da \u00c1frica, e da Am\u00e9rica; e souberam mais, e filosofaram melhor sobre um s\u00f3 dia de vista, que todos os S\u00e1bios e Fil\u00f3sofos do mundo em cinco mil anos de especula\u00e7\u00e3o. Os discursos de quem n\u00e3o viu s\u00e3o discursos: os ditames de quem viu s\u00e3o profecias\u201d. \u00a0 Um bom exemplo da contraposi\u00e7\u00e3o entre os saberes antigo e moderno \u00e9 a exist\u00eancia humana nos ant\u00edpodas. Vale a pena ouvir a poderosa voz de Vieira(in\u00a0Autos do Processo da Inquisi\u00e7\u00e3o, idem, Obra Prof\u00e9tica,\u00a0tomo III, vol. IV, p. \u00a0439)\u00a0afirmando\u00a0que os Portugueses sabiam bem mais sobre o assunto do que os antigos:\u00a0\u201cJ\u00e1 disse que acerca da zona t\u00f3rrida e dos ant\u00edpodas ensinaram os pilotos portugueses ao mundo, sem saberem ler nem escrever, o que n\u00e3o alcan\u00e7ou Arist\u00f3teles, nem Santo Agostinho pela diferen\u00e7a dos tempos; e sendo os tempos, como confessam os mesmos padres, o melhor int\u00e9rprete das profecias, bem pode acontecer sem maravilha e cuidar-se sem presun\u00e7\u00e3o, que um homem muito menos s\u00e1bio possa atender, depois dodiscurso de largos anos e sucessos, algumas profecias que os antigos, sapient\u00edssimos e sant\u00edssimos, por falta de not\u00edcia n\u00e3o declararam nem alcan\u00e7aram.\u201d \u00a0 O pr\u00f3prio Vieira foi um descobridor dos c\u00e9us.\u00a0Forneceu contribui\u00e7\u00f5es para a ci\u00eancia ao deixar registos das suas observa\u00e7\u00f5es de cometas, alguns delas in\u00e9ditas, como o cometa que viu na Ba\u00eda em 1695, quase no fim da sua vida. Para ele os cometas eram sinais de Deus. Por isso, com atent\u00edssimo olhar, perscrutava as mudan\u00e7as na ab\u00f3bada celeste. No seu tempo, as esferas s\u00f3lidas e fixas do c\u00e9u do sistema geoc\u00eantrico de Arist\u00f3teles e Ptolomeu estavam a ser substitu\u00eddas pelo conceito de c\u00e9u fluido, um c\u00e9u que os cometas conseguiam romper para chegarem perto da Terra. O c\u00e9u deixava de estar longe e separado da Terra. (publicado tamb\u00e9m como cap\u00edtulo de livro in\u00a0&#8220;Vieira, Esse povo de palavras&#8221;,\u00a0coord. Jos\u00e9 Eduardo Franco, Aida S. lemos e Paulo S. Ferreira, Esfera do Caos, 2016, pp. 111-114) \u00a0 Refer\u00eancia: Fiolhais, C. (2016).\u00a0VIEIRA E A CI\u00caNCIA.\u00a0Dererummundi.blogspot.com. Retrieved 4 December 2018, from http:\/\/dererummundi.blogspot.com\/2016\/06\/vieira-e-ciencia.html \u00a0 Conte\u00fado relacionado Padre Ant\u00f3nio Vieira, defensor dos \u00edndios e dos escravos negros | ensina rtp Padre Ant\u00f3nio Vieira come\u00e7a a pregar aos peixes | ensina rtp Padre Ant\u00f3nio Vieira, o imperador da L\u00edngua Portuguesa | ensina rtp Serm\u00e3o de Santo Ant\u00f3nio aos Peixes | companhia das ideias Conclu\u00edda a edi\u00e7\u00e3o da obra integral do Padre Ant\u00f3nio Vieira | expresso &#8211; 2014 \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[109,33,111,51],"tags":[],"class_list":["post-2219585","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-autores","category-historia","category-literatura-portuguesa","category-recursos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2219585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2219585"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2219585\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3089213,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2219585\/revisions\/3089213"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2219585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2219585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2219585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}