{"id":2170571,"date":"2018-05-12T19:58:00","date_gmt":"2018-05-12T19:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2170571.html"},"modified":"2026-05-13T17:19:20","modified_gmt":"2026-05-13T17:19:20","slug":"o-falso-consumo-das-noticias-dia-mundial-das-comunicacoes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2170571","title":{"rendered":"O falso consumo das not\u00edcias | dia mundial das comunica\u00e7\u00f5es sociais"},"content":{"rendered":"<table style=\"height: 306px;\" width=\"270\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><a href=\"https:\/\/pontosj.pt\/especial\/o-falso-consumo-das-noticias\/\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"fake.png\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/21014273_qS13A.png\" alt=\"fake.png\" width=\"414\" height=\"500\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<span style=\"font-size: 10pt;\"><em>por<\/em> P. Jos\u00e9 Maria Brito, <a title=\"nova janela\" href=\"https:\/\/pontosj.pt\/\" target=\"_blank\">sj<\/a><\/span>\u00a0|\u00a0<span style=\"font-size: 10pt;\"><a title=\"abre nova janela\" href=\"https:\/\/pontosj.pt\/especial\/o-falso-consumo-das-noticias\/\" target=\"_blank\">Fonte<\/a><\/span><\/p>\n<p><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<div class=\"entry-lead-content container d-none d-md-block\"><\/p>\n<div class=\"row\"><\/p>\n<div id=\"lead-content-txt\" class=\"content-excerpt col-sm-8 col-md-6 col-xl-6 align-self-end mb-4\"><\/p>\n<h4 class=\"mb-0\"><strong>Assinala-se neste 13 de maio o 52\u00ba Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. A mensagem do Papa Francisco aborda a tem\u00e1tica das &#8220;fake news.&#8221; Nesta reflex\u00e3o, lembramos que as not\u00edcias tanto podem ser falseadas por quem as escreve, como por quem as l\u00ea<\/strong><\/h4>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"entry-content container-fluid\"><\/p>\n<div class=\"content row\"><\/p>\n<div id=\"entry-content-col\" class=\"col-12 px-0\"><\/p>\n<p>Aquela voz misturava espanto, desilus\u00e3o e talvez um pouco de m\u00e1goa. Uma m\u00e1goa tenuemente enraivecida. Chegara de um desses locais que a guerra traz aos telejornais e aos v\u00eddeos viralmente partilhados nas redes socais e desabafava: \u201ccomo \u00e9 poss\u00edvel que as not\u00edcias que aqui se difundem fiquem t\u00e3o longe da realidade.\u201d E acrescentava: \u201cquerem tudo a preto e branco, reduzido \u00e0s velhas hist\u00f3rias de \u00edndios e cob\u00f3is.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Muitas not\u00edcias t\u00eam o selo de garantia de cred\u00edveis ag\u00eancias internacionais, s\u00e3o insuspeitas de serem \u201c<em>fake<\/em>\u201c. E, no entanto, est\u00e3o prisioneiras da l\u00f3gica da pressa, da avidez da difus\u00e3o a que corresponde a avidez apressada do consumo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Cada um de n\u00f3s, sentado \u00e0 frente do ecr\u00e3 do seu computador, deslizando o dedo na superf\u00edcie do telem\u00f3vel ou vendo TV, n\u00e3o pode, por si s\u00f3, mudar a qualidade do jornalismo.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Mas as not\u00edcias tanto podem ser falseadas por quem as escreve, como por quem as l\u00ea. N\u00e3o se trata de desresponsabilizar os media. Trata-se de entender que o consumo e a partilha acr\u00edtica de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o pasto f\u00e9rtil para o fogo da deturpa\u00e7\u00e3o e da mentira.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Como podemos exercer de um modo mais exigente a leitura das not\u00edcias tornando-a mais verdadeira?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>1. Distinguir as fontes e situar os factos<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 um cada vez maior n\u00famero de sites a difundir informa\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e muitas delas trazem a nota do esc\u00e2ndalo ou da trag\u00e9dia. Zangas entre famosos, mortes ocultadas, crimes de corrup\u00e7\u00e3o por descobrir. Ora, se uma not\u00edcia \u00e9 dada por um site relativamente desconhecido, talvez se possa fazer um breve \u201czapping\u201d por sites cred\u00edveis verificando se h\u00e1 vest\u00edgio da dita informa\u00e7\u00e3o. Outra pequenina coisa que pode ajudar \u00e9 verificar a data das not\u00edcias. Por vezes, s\u00e3o difundidas como atuais not\u00edcias com quatro ou cinco anos\u2026<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Devido \u00e0s suas responsabilidades, algumas personalidades p\u00fablicas tornam-se, em dados momentos, foco de um maior escrut\u00ednio por parte dos media. Isso \u00e9 bom para a democracia. Mas h\u00e1 que estar atento. A pressa de fechar edi\u00e7\u00f5es e se adiantar \u00e0 concorr\u00eancia pode levar a trope\u00e7\u00f5es. Lembro-me de not\u00edcias sobre o doutoramento do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Tiago Brand\u00e3o Rodrigues, na altura da crise dos contratos de associa\u00e7\u00e3o. Uma leitura atenta da not\u00edcia levava a perceber que o que de menos certo pudesse ter existido, j\u00e1 tinha h\u00e1 muito sido corrigido pelo ministro. Por isso, a not\u00edcia foi extempor\u00e2nea. Utiliz\u00e1-la na contesta\u00e7\u00e3o das escolas com contrato de associa\u00e7\u00e3o ao Governo n\u00e3o teria sido apenas um tiro no p\u00e9, mas fomentar um jornalismo apressado que se alimenta \u00e0 custa de emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e n\u00e3o discernidas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>2. A verdade existe\u2026<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O prefixo p\u00f3s \u00e9 amplamente utilizado: p\u00f3s-modernidade, p\u00f3s-humanidade, p\u00f3s-verdade. Associado a ele aparece a ideia de supera\u00e7\u00e3o, ultrapassagem de limites, liberta\u00e7\u00e3o de ataduras. H\u00e1 nestes movimentos boa mat\u00e9ria de reflex\u00e3o. A verdade e o modo como esta \u00e9 discernida, atrav\u00e9s de uma consci\u00eancia culturalmente situada, n\u00e3o admite conclus\u00f5es quimicamente puras. Mas deixar que a verdade se transforme em mera conven\u00e7\u00e3o cultural, simples delibera\u00e7\u00e3o de maiorias ou de grupos de press\u00e3o, \u00e9 matar a possibilidade de que haja crit\u00e9rios que permitam distinguir o que existe daquilo que n\u00e3o existe, o bem do mal.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>A objetividade total no relato de um facto \u00e9 imposs\u00edvel, podemos apenas exigir honestidade. Mas, da subjetividade do relato n\u00e3o se pode deduzir a morte do facto. Acreditar que a verdade existe, recusar o subjetivismo total \u00e9 um bom ant\u00eddoto para n\u00e3o alinhar em leituras falseadoras da realidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>3. \u2026 e o cinzento tamb\u00e9m<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>A verdade existe, mas n\u00f3s n\u00e3o a podemos captar de um modo definitivo. Uma das nossas grandes tenta\u00e7\u00f5es \u00e9 a simplifica\u00e7\u00e3o, reduzindo a complexidade da vida a etiquetas comodistas: bons e maus, progressistas e conservadores, santos e pecadores. Esta simplifica\u00e7\u00e3o sossega o esp\u00edrito, mata o cinzento, mas adormece a consci\u00eancia. Exime-nos de buscar com paci\u00eancia a causa das coisas. Impede-nos de aceitar os meios-tons da vida. Compreender o mundo d\u00e1 trabalho.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00c9 bom lembrar que o Facebook e o Google v\u00e3o registando os nossos h\u00e1bitos, apreendendo os nossos gostos e preconceitos e que, por isso, acabam por nos dar muito daquilo que queremos ver. \u00c9, por isso, necess\u00e1rio uma saud\u00e1vel auto-suspeita que nos leve a perguntar: n\u00e3o estou apenas a ver aquilo que me querem mostrar, a deixar que me envolvam na minha bolha pregui\u00e7osa?<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><a name=\"cutid1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"ljcut\" text=\"Ler mais...\"><\/p>\n<p><strong>4. Por detr\u00e1s das not\u00edcias, h\u00e1 pessoas<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Parte da nossa liga\u00e7\u00e3o ao mundo faz-se atrav\u00e9s de redes desertas de rostos reais, em que o olhar se cansa, mas em que raramente se cruza com outro olhar. Por isso, quando partilhamos uma not\u00edcia embara\u00e7osa, quando nos envolvemos em discuss\u00f5es e ju\u00edzos em caixas de coment\u00e1rios, ou quando, no meio de tudo isto, alimentamos correntes de maledic\u00eancia e difama\u00e7\u00e3o, esquecemo-nos de que h\u00e1 pessoas de carne e osso a sofrer as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Na\u00a0<a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/messages\/communications\/documents\/papa-francesco_20180124_messaggio-comunicazioni-sociali.html\">Mensagem do Papa para o 52\u00ba Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais,\u00a0<\/a>recorda-se que a Verdade \u00e9 bem mais do que uma realidade conceptual. Implica uma rela\u00e7\u00e3o aut\u00eantica de confian\u00e7a com quem nos pode segurar. Se as not\u00edcias que lemos e escolhemos difundir transmitem uma vis\u00e3o dualista do mundo, dividindo-o entre de bons e maus, alimentam a \u00e2nsia e a desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>5. A verdade do que n\u00e3o se v\u00ea<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Finalmente, se queremos aprender a ler o mundo de um modo mais aut\u00eantico e verdadeiro, precisamos de recordar que h\u00e1 muitas realidades humanas que escapam ao nosso olhar e que est\u00e3o fora do radar das nossas inquieta\u00e7\u00f5es e indigna\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Saber que h\u00e1 mais mundo para al\u00e9m das not\u00edcias e das redes socais, procurar conhecer esse mundo \u00e9 tamb\u00e9m o modo de curar uma distra\u00e7\u00e3o que nos pode tornar cegos<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>6. Sentir. Refletir. Agir.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 uns tempos, conversava com um grupo de jovens sobre o modo como podemos aprender a ler os nossos sentimentos. Falava-lhes de tr\u00eas passos poss\u00edveis para viver de um modo discernido.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Primeiro h\u00e1 que\u00a0<strong>sentir<\/strong>\u00a0e dar nome ao sentimento, depois\u00a0<strong>refletir<\/strong>\u00a0sobre a sua origem, onde nos pode levar e, finalmente,\u00a0<strong>agir.<\/strong>\u00a0Comentava tamb\u00e9m que muitas vezes saltamos do primeiro ao \u00faltimo passo de um modo demasiado imediato. E algu\u00e9m me dizia: \u201cO problema \u00e9 que \u00e0s vezes nem chegamos a dar o primeiro passo, agimos logo sem saber o que sentimos e sem refletir sobre isso..\u201c<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>No modo como lemos e fazemos circular as not\u00edcias, a avidez do consumo e da partilha tamb\u00e9m nos pode levar a dar este \u201csalto mortal\u201d. Agimos sem saber o que sentimos, sem refletir e esse pode ser o caminho mais r\u00e1pido para falsear as not\u00edcias que lemos, vemos, ouvimos e partilhamos.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<h3 class=\"authorName\"><span style=\"font-size: 10pt;\">sj, P., Pires, J., sj, P., Vala, J., Carvalho, R., Carvalho, R. and Pereira, I.<\/span><\/h3>\n<p><\/p>\n<h4 class=\"referenceString selectable\"><span style=\"font-size: 10pt;\">Refer\u00eancia: sj, P., Pires, J., sj, P., Vala, J., Carvalho, R., Carvalho, R., &amp; Pereira, I. (2018).\u00a0<em>O falso consumo das not\u00edcias &#8211; Ponto SJ<\/em>.\u00a0<em>Ponto SJ<\/em>. Retrieved 12 May 2018, from <a href=\"https:\/\/pontosj.pt\/especial\/o-falso-consumo-das-noticias\/\">https:\/\/pontosj.pt\/especial\/o-falso-consumo-das-noticias\/<\/a><\/span><\/h4>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong><span style=\"font-size: 12pt;\">Conte\u00fado relacionado:<\/span><\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<ul><\/p>\n<li><span style=\"font-size: 12pt;\"><a title=\"abre em nova janela\" href=\"https:\/\/flipboard.com\/@rededebibli7k1a\/fake-news-g5ivsrrvy\" target=\"_blank\">Fake News<\/a>\u00a0| Flipboard RBE<\/span><\/li>\n<p><\/ul>\n<p><\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0por P. Jos\u00e9 Maria Brito, sj\u00a0|\u00a0Fonte \u00a0 Assinala-se neste 13 de maio o 52\u00ba Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais. A mensagem do Papa Francisco aborda a tem\u00e1tica das &#8220;fake news.&#8221; Nesta reflex\u00e3o, lembramos que as not\u00edcias tanto podem ser falseadas por quem as escreve, como por quem as l\u00ea \u00a0 Aquela voz misturava espanto, desilus\u00e3o e talvez um pouco de m\u00e1goa. Uma m\u00e1goa tenuemente enraivecida. Chegara de um desses locais que a guerra traz aos telejornais e aos v\u00eddeos viralmente partilhados nas redes socais e desabafava: \u201ccomo \u00e9 poss\u00edvel que as not\u00edcias que aqui se difundem fiquem t\u00e3o longe da realidade.\u201d E acrescentava: \u201cquerem tudo a preto e branco, reduzido \u00e0s velhas hist\u00f3rias de \u00edndios e cob\u00f3is.\u201d \u00a0 Muitas not\u00edcias t\u00eam o selo de garantia de cred\u00edveis ag\u00eancias internacionais, s\u00e3o insuspeitas de serem \u201cfake\u201c. E, no entanto, est\u00e3o prisioneiras da l\u00f3gica da pressa, da avidez da difus\u00e3o a que corresponde a avidez apressada do consumo. \u00a0 Cada um de n\u00f3s, sentado \u00e0 frente do ecr\u00e3 do seu computador, deslizando o dedo na superf\u00edcie do telem\u00f3vel ou vendo TV, n\u00e3o pode, por si s\u00f3, mudar a qualidade do jornalismo. \u00a0 Mas as not\u00edcias tanto podem ser falseadas por quem as escreve, como por quem as l\u00ea. N\u00e3o se trata de desresponsabilizar os media. Trata-se de entender que o consumo e a partilha acr\u00edtica de informa\u00e7\u00e3o s\u00e3o pasto f\u00e9rtil para o fogo da deturpa\u00e7\u00e3o e da mentira. \u00a0 Como podemos exercer de um modo mais exigente a leitura das not\u00edcias tornando-a mais verdadeira? \u00a0 1. Distinguir as fontes e situar os factos H\u00e1 um cada vez maior n\u00famero de sites a difundir informa\u00e7\u00e3o de not\u00edcias e muitas delas trazem a nota do esc\u00e2ndalo ou da trag\u00e9dia. Zangas entre famosos, mortes ocultadas, crimes de corrup\u00e7\u00e3o por descobrir. Ora, se uma not\u00edcia \u00e9 dada por um site relativamente desconhecido, talvez se possa fazer um breve \u201czapping\u201d por sites cred\u00edveis verificando se h\u00e1 vest\u00edgio da dita informa\u00e7\u00e3o. Outra pequenina coisa que pode ajudar \u00e9 verificar a data das not\u00edcias. Por vezes, s\u00e3o difundidas como atuais not\u00edcias com quatro ou cinco anos\u2026 \u00a0 Devido \u00e0s suas responsabilidades, algumas personalidades p\u00fablicas tornam-se, em dados momentos, foco de um maior escrut\u00ednio por parte dos media. Isso \u00e9 bom para a democracia. Mas h\u00e1 que estar atento. A pressa de fechar edi\u00e7\u00f5es e se adiantar \u00e0 concorr\u00eancia pode levar a trope\u00e7\u00f5es. Lembro-me de not\u00edcias sobre o doutoramento do ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Tiago Brand\u00e3o Rodrigues, na altura da crise dos contratos de associa\u00e7\u00e3o. Uma leitura atenta da not\u00edcia levava a perceber que o que de menos certo pudesse ter existido, j\u00e1 tinha h\u00e1 muito sido corrigido pelo ministro. Por isso, a not\u00edcia foi extempor\u00e2nea. Utiliz\u00e1-la na contesta\u00e7\u00e3o das escolas com contrato de associa\u00e7\u00e3o ao Governo n\u00e3o teria sido apenas um tiro no p\u00e9, mas fomentar um jornalismo apressado que se alimenta \u00e0 custa de emo\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias e n\u00e3o discernidas. \u00a0 2. A verdade existe\u2026 O prefixo p\u00f3s \u00e9 amplamente utilizado: p\u00f3s-modernidade, p\u00f3s-humanidade, p\u00f3s-verdade. Associado a ele aparece a ideia de supera\u00e7\u00e3o, ultrapassagem de limites, liberta\u00e7\u00e3o de ataduras. H\u00e1 nestes movimentos boa mat\u00e9ria de reflex\u00e3o. A verdade e o modo como esta \u00e9 discernida, atrav\u00e9s de uma consci\u00eancia culturalmente situada, n\u00e3o admite conclus\u00f5es quimicamente puras. Mas deixar que a verdade se transforme em mera conven\u00e7\u00e3o cultural, simples delibera\u00e7\u00e3o de maiorias ou de grupos de press\u00e3o, \u00e9 matar a possibilidade de que haja crit\u00e9rios que permitam distinguir o que existe daquilo que n\u00e3o existe, o bem do mal. \u00a0 A objetividade total no relato de um facto \u00e9 imposs\u00edvel, podemos apenas exigir honestidade. Mas, da subjetividade do relato n\u00e3o se pode deduzir a morte do facto. Acreditar que a verdade existe, recusar o subjetivismo total \u00e9 um bom ant\u00eddoto para n\u00e3o alinhar em leituras falseadoras da realidade. \u00a0 3. \u2026 e o cinzento tamb\u00e9m A verdade existe, mas n\u00f3s n\u00e3o a podemos captar de um modo definitivo. Uma das nossas grandes tenta\u00e7\u00f5es \u00e9 a simplifica\u00e7\u00e3o, reduzindo a complexidade da vida a etiquetas comodistas: bons e maus, progressistas e conservadores, santos e pecadores. Esta simplifica\u00e7\u00e3o sossega o esp\u00edrito, mata o cinzento, mas adormece a consci\u00eancia. Exime-nos de buscar com paci\u00eancia a causa das coisas. Impede-nos de aceitar os meios-tons da vida. Compreender o mundo d\u00e1 trabalho. \u00a0 \u00c9 bom lembrar que o Facebook e o Google v\u00e3o registando os nossos h\u00e1bitos, apreendendo os nossos gostos e preconceitos e que, por isso, acabam por nos dar muito daquilo que queremos ver. \u00c9, por isso, necess\u00e1rio uma saud\u00e1vel auto-suspeita que nos leve a perguntar: n\u00e3o estou apenas a ver aquilo que me querem mostrar, a deixar que me envolvam na minha bolha pregui\u00e7osa? \u00a0 \u00a0 4. Por detr\u00e1s das not\u00edcias, h\u00e1 pessoas Parte da nossa liga\u00e7\u00e3o ao mundo faz-se atrav\u00e9s de redes desertas de rostos reais, em que o olhar se cansa, mas em que raramente se cruza com outro olhar. Por isso, quando partilhamos uma not\u00edcia embara\u00e7osa, quando nos envolvemos em discuss\u00f5es e ju\u00edzos em caixas de coment\u00e1rios, ou quando, no meio de tudo isto, alimentamos correntes de maledic\u00eancia e difama\u00e7\u00e3o, esquecemo-nos de que h\u00e1 pessoas de carne e osso a sofrer as consequ\u00eancias. \u00a0 Na\u00a0Mensagem do Papa para o 52\u00ba Dia das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais,\u00a0recorda-se que a Verdade \u00e9 bem mais do que uma realidade conceptual. Implica uma rela\u00e7\u00e3o aut\u00eantica de confian\u00e7a com quem nos pode segurar. Se as not\u00edcias que lemos e escolhemos difundir transmitem uma vis\u00e3o dualista do mundo, dividindo-o entre de bons e maus, alimentam a \u00e2nsia e a desconfian\u00e7a. \u00a0 5. A verdade do que n\u00e3o se v\u00ea Finalmente, se queremos aprender a ler o mundo de um modo mais aut\u00eantico e verdadeiro, precisamos de recordar que h\u00e1 muitas realidades humanas que escapam ao nosso olhar e que est\u00e3o fora do radar das nossas inquieta\u00e7\u00f5es e indigna\u00e7\u00f5es. \u00a0 Saber que h\u00e1 mais mundo para al\u00e9m das not\u00edcias e das redes socais, procurar conhecer esse mundo \u00e9 tamb\u00e9m o modo de curar uma distra\u00e7\u00e3o que nos pode tornar cegos \u00a0 6. Sentir. Refletir. Agir. H\u00e1 uns tempos, conversava com um grupo de jovens sobre o modo como podemos aprender a ler os nossos sentimentos. Falava-lhes de tr\u00eas passos poss\u00edveis para viver de um modo discernido. \u00a0 Primeiro h\u00e1 que\u00a0sentir\u00a0e dar nome ao sentimento, depois\u00a0refletir\u00a0sobre a sua origem, onde nos pode levar e, finalmente,\u00a0agir.\u00a0Comentava tamb\u00e9m que muitas vezes saltamos do primeiro ao \u00faltimo passo de um modo demasiado imediato. E algu\u00e9m me dizia: \u201cO problema \u00e9 que \u00e0s vezes nem chegamos a dar o primeiro passo, agimos logo sem saber o que sentimos e sem refletir sobre isso..\u201c \u00a0 No modo como lemos e fazemos circular as not\u00edcias, a avidez do consumo e da partilha tamb\u00e9m nos pode levar a dar este \u201csalto mortal\u201d. Agimos sem saber o que sentimos, sem refletir e esse pode ser o caminho mais r\u00e1pido para falsear as not\u00edcias que lemos, vemos, ouvimos e partilhamos. \u00a0 \u00a0 sj, P., Pires, J., sj, P., Vala, J., Carvalho, R., Carvalho, R. and Pereira, I. Refer\u00eancia: sj, P., Pires, J., sj, P., Vala, J., Carvalho, R., Carvalho, R., &amp; Pereira, I. (2018).\u00a0O falso consumo das not\u00edcias &#8211; Ponto SJ.\u00a0Ponto SJ. Retrieved 12 May 2018, from https:\/\/pontosj.pt\/especial\/o-falso-consumo-das-noticias\/ \u00a0 Conte\u00fado relacionado: Fake News\u00a0| Flipboard RBE<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42,88,79],"tags":[],"class_list":["post-2170571","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cidadania","category-literacias","category-media"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2170571","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2170571"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2170571\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3089538,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2170571\/revisions\/3089538"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2170571"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2170571"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2170571"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}