{"id":2163379,"date":"2018-04-26T11:39:00","date_gmt":"2018-04-26T11:39:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2163379.html"},"modified":"2026-05-13T17:22:32","modified_gmt":"2026-05-13T17:22:32","slug":"os-contos-de-perrault-em-portugal-no-estado-novo-tese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2163379","title":{"rendered":"Os contos de Perrault em Portugal no Estado Novo | tese"},"content":{"rendered":"<table style=\"height: 314px;\" width=\"249\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><a title=\"link2\" href=\"https:\/\/app.box.com\/s\/l8yzqdklo6z8rjl2264p21kwxc56xk1a\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"conto.PNG\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/20992193_GZ4ab.png\" alt=\"conto.PNG\" width=\"374\" height=\"500\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<span style=\"font-size: 10pt;\"><a href=\"https:\/\/estudogeral.sib.uc.pt\/bitstream\/10316\/23758\/1\/PERRAULT_ESTADO_NOVO_SETEMBRO_2014.pdf\" target=\"_blank\">Download<\/a>\u00a0<\/span>| <span style=\"font-size: 10pt;\">Tese de\u00a0Maria Elisabete da Silva B\u00e1rbara<\/span><\/p>\n<p><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<blockquote><p><\/p>\n<p>A minha tese de doutoramento debru\u00e7a-se sobre as tradu\u00e7\u00f5es portuguesas dos contos de Perrault que foram editadas e circularam em Portugal no per\u00edodo do Estado Novo (1933-1974). Ao longo de oito anos de investiga\u00e7\u00e3o, confrontei essas vers\u00f5es (depois, claro, de correr o esp\u00f3lio de muitas bibliotecas \u00e0 sua procura) com os respetivos originais, de 1697, no intuito de perceber at\u00e9 que ponto o contexto de chegada \u2013 na interse\u00e7\u00e3o dos c\u00f3digos pol\u00edtico, ideol\u00f3gico, cultural e liter\u00e1rio \u2013 determinou ou n\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o e, eventualmente, a colocou ao servi\u00e7o da ideologia do regime.<\/p>\n<p> N\u00e3o houve a inten\u00e7\u00e3o de respeitar o texto original do autor franc\u00eas nem a preocupa\u00e7\u00e3o de manter o duplo destinat\u00e1rio contemplado por Perrault (crian\u00e7as e adultos); houve, sim, o prop\u00f3sito de traduzir para crian\u00e7as, ou melhor, para crian\u00e7as portuguesas. Houve o prop\u00f3sito de inculcar nos jovens leitores os valores do Estado Novo.<\/p>\n<p> As vers\u00f5es portuguesas de Perrault, no Estado Novo, entre muitas outras altera\u00e7\u00f5es &#8220;profil\u00e1ticas&#8221;, redesenham o perfil das personagens e as rela\u00e7\u00f5es de fam\u00edlia, de modo a conformar os comportamentos aos pap\u00e9is que a mundivid\u00eancia estado-novista entende como pr\u00f3prios de homens e de mulheres.<\/p>\n<p> Lembro, por exemplo, o caso de Cendrillon (A Gata Borralheira): a hero\u00edna das vers\u00f5es portuguesas perde muito da sua afirma\u00e7\u00e3o individual. Perde tra\u00e7os de rebeldia e de iniciativa pessoal, tornando-se uma menina exemplar, recatada, cheia de virtudes, que sonha com o seu pr\u00edncipe encantado e com um casamento de conto de fadas. N\u00e3o lhe cabe manifestar o mesmo grau de iniciativa e de autonomia da protagonista de Perrault. E nunca se imp\u00f5e ou sobrep\u00f5e ao elemento masculino.<\/p>\n<p> J\u00e1 o Capuchinho Vermelho, desde tenra idade, ajuda a m\u00e3e nas tarefas dom\u00e9sticas e \u00e9 descrita como uma \u201cmulherzinha\u201d. Este estere\u00f3tipo da mulher como m\u00e3e extremosa e dona de casa exemplar op\u00f5e a vida dom\u00e9stica \u00e0 vida exterior e p\u00fablica. \u00c9 deste modo que, nas vers\u00f5es portuguesas de Perrault, se desenham claras fronteiras: ao passo que a mulher est\u00e1 confinada ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, ao homem est\u00e1 reservado o espa\u00e7o exterior, s\u00edmbolo de independ\u00eancia e de um esp\u00edrito \u201cnaturalmente\u201d aventureiro.<\/p>\n<p> Lembro que, no Capuchinho de Perrault, existem tr\u00eas figuras femininas: a av\u00f3, a m\u00e3e e a menina. N\u00e3o h\u00e1 nenhum pai nem nenhum marido. As vers\u00f5es portuguesas n\u00e3o acham bem e aumentam a fam\u00edlia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p><\/blockquote>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">S\u00edntese feita pela autora, Maria Elisabete da Silva B\u00e1rbara.<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">Refer\u00eancia:\u00a0B\u00c1RBARA, Maria Elisabete da Silva &#8211; Os contos de Perrault em Portugal no Estado Novo. Coimbra : [s.n.], 2014. Tese de doutoramento. Dispon\u00edvel na Internet em: &lt;URL:<a href=\"http:\/\/hdl.handle.net\/10316\/23758\">http:\/\/hdl.handle.net\/10316\/23758<\/a>&gt;.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Download\u00a0| Tese de\u00a0Maria Elisabete da Silva B\u00e1rbara \u00a0 A minha tese de doutoramento debru\u00e7a-se sobre as tradu\u00e7\u00f5es portuguesas dos contos de Perrault que foram editadas e circularam em Portugal no per\u00edodo do Estado Novo (1933-1974). Ao longo de oito anos de investiga\u00e7\u00e3o, confrontei essas vers\u00f5es (depois, claro, de correr o esp\u00f3lio de muitas bibliotecas \u00e0 sua procura) com os respetivos originais, de 1697, no intuito de perceber at\u00e9 que ponto o contexto de chegada \u2013 na interse\u00e7\u00e3o dos c\u00f3digos pol\u00edtico, ideol\u00f3gico, cultural e liter\u00e1rio \u2013 determinou ou n\u00e3o a tradu\u00e7\u00e3o e, eventualmente, a colocou ao servi\u00e7o da ideologia do regime. N\u00e3o houve a inten\u00e7\u00e3o de respeitar o texto original do autor franc\u00eas nem a preocupa\u00e7\u00e3o de manter o duplo destinat\u00e1rio contemplado por Perrault (crian\u00e7as e adultos); houve, sim, o prop\u00f3sito de traduzir para crian\u00e7as, ou melhor, para crian\u00e7as portuguesas. Houve o prop\u00f3sito de inculcar nos jovens leitores os valores do Estado Novo. 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J\u00e1 o Capuchinho Vermelho, desde tenra idade, ajuda a m\u00e3e nas tarefas dom\u00e9sticas e \u00e9 descrita como uma \u201cmulherzinha\u201d. Este estere\u00f3tipo da mulher como m\u00e3e extremosa e dona de casa exemplar op\u00f5e a vida dom\u00e9stica \u00e0 vida exterior e p\u00fablica. \u00c9 deste modo que, nas vers\u00f5es portuguesas de Perrault, se desenham claras fronteiras: ao passo que a mulher est\u00e1 confinada ao espa\u00e7o dom\u00e9stico, ao homem est\u00e1 reservado o espa\u00e7o exterior, s\u00edmbolo de independ\u00eancia e de um esp\u00edrito \u201cnaturalmente\u201d aventureiro. Lembro que, no Capuchinho de Perrault, existem tr\u00eas figuras femininas: a av\u00f3, a m\u00e3e e a menina. N\u00e3o h\u00e1 nenhum pai nem nenhum marido. As vers\u00f5es portuguesas n\u00e3o acham bem e aumentam a fam\u00edlia. \u00a0 S\u00edntese feita pela autora, Maria Elisabete da Silva B\u00e1rbara. \u00a0 Refer\u00eancia:\u00a0B\u00c1RBARA, Maria Elisabete da Silva &#8211; Os contos de Perrault em Portugal no Estado Novo. Coimbra : [s.n.], 2014. Tese de doutoramento. Dispon\u00edvel na Internet em: &lt;URL:http:\/\/hdl.handle.net\/10316\/23758&gt;.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[41],"tags":[],"class_list":["post-2163379","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-estudos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2163379","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2163379"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2163379\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3089586,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2163379\/revisions\/3089586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2163379"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2163379"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2163379"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}