{"id":2095796,"date":"2017-08-11T15:03:00","date_gmt":"2017-08-11T15:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/2095796.html"},"modified":"2026-05-14T09:15:22","modified_gmt":"2026-05-14T09:15:22","slug":"e-viveram-com-livros-para-sempre-como-criar-um-leitor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=2095796","title":{"rendered":"E viveram com livros para sempre. Como criar um leitor"},"content":{"rendered":"<table style=\"height: 366px;\" width=\"424\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><\/p>\n<p class=\"sapomedia images\"><a title=\"ler na fonte. abre nova janela\" href=\"http:\/\/observador.pt\/especiais\/e-viveram-com-livros-para-sempre-como-criar-um-leitor\/\" target=\"_blank\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"padding: 10px 10px; border: 1px solid #c0c0c0;\" title=\"livros.png\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/20584488_0YH6f.png\" alt=\"livros.png\" width=\"500\" height=\"378\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a0<em>por<\/em> Catarina Homem Marques<\/span> | <span style=\"font-size: 10pt;\"><a title=\"ler. abre nova janela\" href=\"http:\/\/observador.pt\/especiais\/e-viveram-com-livros-para-sempre-como-criar-um-leitor\/\" target=\"_blank\">Observador<\/a><\/span>\u00a0| <span style=\"font-size: 10pt;\">julho 2017<\/span><\/p>\n<p><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>De pequenino, torce-se o pepino e tamb\u00e9m se come\u00e7a a gostar de livros. Basta que os pais leiam aos beb\u00e9s \u2013 at\u00e9 receitas \u2013, que a leitura se fa\u00e7a em fam\u00edlia e que todos se deixem levar pelos livros.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nem todas as hist\u00f3rias t\u00eam de ter um final feliz para serem bonitas, nem sequer as hist\u00f3rias que se contam \u00e0s crian\u00e7as, mas o final feliz para os pais que querem que os filhos leiam \u00e9 que eles comecem mesmo a gostar de livros. E isso, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 uma capacidade que nas\u00e7a com as crian\u00e7as, \u00e9 algo que se pode \u2013 e deve \u2013 trabalhar, como afirmam Pamela Paul e Maria Russo, especialistas em literatura infanto-juvenil do New York Times, num <a href=\"https:\/\/www.nytimes.com\/guides\/books\/how-to-raise-a-reader\">artigo<\/a> cheio de dicas para as fam\u00edlias.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 apenas um capricho \u2013 est\u00e1 mais do que comprovado que os livros contribuem para o desenvolvimento das crian\u00e7as, e que s\u00e3o tamb\u00e9m aliados saud\u00e1veis para a vida adulta. \u00c9 por isso que se contar um conto deve mesmo acrescentar um ponto, e mais um ponto, e mais um ponto, at\u00e9 que a leitura seja um elemento de proximidade familiar, uma atividade enriquecedora para todos e, mais importante, um momento feliz.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Os beb\u00e9s dormem, comem, choram\u2026 e gostam de livros<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 aquela imagem dos filmes em que uma mulher gr\u00e1vida embevecida p\u00f5e os auscultadores em cima da barriga para o filho come\u00e7ar logo a ouvir m\u00fasica. E faz sentido. Os beb\u00e9s reagem a est\u00edmulos sensoriais e esses est\u00edmulos contribuem para o desenvolvimento das suas capacidades. O que significa que \u2013 embora o beb\u00e9 possa n\u00e3o mostrar grande entusiasmo quando est\u00e1 a acontecer \u2013 tamb\u00e9m faz sentido que os pais leiam para os filhos desde as primeiras fraldas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cComo n\u00e3o se nasce leitor, \u00e9 necess\u00e1rio guiar e acompanhar a crian\u00e7a, ao longo do percurso, desde a descoberta do pr\u00e9-leitor at\u00e9 \u00e0 sedimenta\u00e7\u00e3o da leitura. O mergulho progressivo nos livros constituir\u00e1, decerto, um desafio apetec\u00edvel porque as crian\u00e7as s\u00e3o, por natureza, curiosas e a curiosidade \u00e9 motor das aprendizagens ao longo da vida\u201d, explicam os respons\u00e1veis pelo Plano Nacional de Leitura ao Observador.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Nesta primeira fase, as boas not\u00edcias \u00e9 que os pais nem sequer t\u00eam de ler hist\u00f3rias com sentido: podem ler o livro que j\u00e1 estavam a ler antes sobre a II Guerra Mundial, um manual de instru\u00e7\u00f5es para alguma m\u00e1quina que estava a dar trabalho ou a receita de um bolo para o jantar. O importante \u00e9 o som da voz dos pais, a cad\u00eancia t\u00edpica da leitura e que as palavras sejam dirigidas para o beb\u00e9.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cEm nenhum genoma humano est\u00e1 presente uma inclina\u00e7\u00e3o para os livros. O que se sabe \u00e9 que um leitor \u2013 tal como um escritor, ou um artista em geral \u2013 descobre-se quando acende o seu fogo interior, que a escritor Laura Esqu\u00edvel comparou a uma caixa de f\u00f3sforos imagin\u00e1ria. Segundo ela, cada um de n\u00f3s traz no interior essa caixa de f\u00f3sforos e, para acend\u00ea-los, \u00e9 necess\u00e1rio um prato apetitoso, uma companhia agrad\u00e1vel, uma can\u00e7\u00e3o, uma car\u00edcia, uma palavra. Mas a chispa varia de pessoa para pessoa, e cada um tem de descobrir os seus detonadores\u2026 a tempo, ou a caixa de f\u00f3sforos humedece e nunca poder\u00e1 acender um \u00fanico f\u00f3sforo\u201d, diz \u00c1lvaro Magalh\u00e3es, <a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/autor\/alvaro-magalhaes\/353\">autor<\/a> de dezenas de livros para crian\u00e7as que j\u00e1 foi integrado na lista de honra do pr\u00e9mio internacional Hans Christian Andersen.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os outros sentidos tamb\u00e9m podem ajudar nesta detona\u00e7\u00e3o. Mesmo que o beb\u00e9 interrompa a leitura para puxar as p\u00e1ginas ou comece a fazer sons em resposta aos sons que est\u00e1 a ouvir, n\u00e3o faz mal. Este \u00e9 o tipo de leitura em que os pais t\u00eam de estar dispon\u00edveis para a interrup\u00e7\u00e3o. E at\u00e9 h\u00e1 livros cheios de texturas que podem ajudar. Tal como ajuda ter tempo e paci\u00eancia.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cO ouro da literatura sempre foi o tempo, e \u00e9 cada vez mais isso. Por isso \u00e9 que a nossa livraria \u00e9 afastada de um local de passagem. Se \u00e9 para virem at\u00e9 aqui, \u00e9 mesmo para escapar \u00e0 rotina. E se h\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o que os pais t\u00eam, desde que os filhos s\u00e3o muito pequenos, \u00e9 de cuidar da curiosidade dos filhos, e a leitura faz parte disso. S\u00f3 que a leitura n\u00e3o se faz apenas sentado com um livro na m\u00e3o. Tecnicamente, temos de transformar a leitura num jogo que se realiza em diferentes dimens\u00f5es, que \u00e9 um universo comum em que a palavra abre espa\u00e7o para dan\u00e7a, m\u00fasica, movimento e tudo o que quisermos\u201d, explica Mafalda Milh\u00f5es, respons\u00e1vel pela livraria <a href=\"http:\/\/www.obichinhodeconto.pt\/\">Bichinho de Conto<\/a>, em \u00d3bidos, a primeira que abriu em Portugal dedicada apenas ao livro infanto-juvenil.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>A leitura \u00e9 para ocupar a casa toda. E a fam\u00edlia.<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Para criar um leitor \u00e9 preciso ser um leitor. E isto n\u00e3o implica que o ser\u00e3o da fam\u00edlia tenha de incluir sempre um debate profundo sobre literatura russa ou sobre poesia japonesa do s\u00e9culo XIX. Acontece apenas que, ao partilhar leituras com as crian\u00e7as desde cedo, ao tornar-se uma atividade que se faz em conjunto \u2013 o que acontece naturalmente quando as crian\u00e7as ainda n\u00e3o sabem ler sozinhas \u2013, os livros come\u00e7am a ficar associados \u00e0 voz dos pais e a um sentimento positivo de proximidade.<\/p>\n<p><\/p>\n<div id=\"attachment_44310\" class=\"wp-caption aligncenter\"><\/p>\n<div id=\"RIL_IMG_2\" class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/d33ypg4xwx0n86.cloudfront.net\/direct?url=https%3A%2F%2Fcriancasatortoeadireitos.files.wordpress.com%2F2017%2F07%2Fistock-538465754_1280x720_acf_cropped.jpg&amp;resize=w704\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\"><span style=\"font-size: 10pt;\">\u00a9 Getty Images\/iStockphoto<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\">\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\">\u00a0<\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, fala-se muito em leitura sem falar em comunica\u00e7\u00e3o. E nisso a fam\u00edlia tem um poder que n\u00e3o tem a escola, \u00e9 a melhor incubadora para um leitor, para abrir horizontes e fazer liga\u00e7\u00f5es\u201d, diz Mafalda Milh\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>H\u00e1 pequenos truques para ir expandindo esta sensa\u00e7\u00e3o e para a prolongar nas diferentes fases de crescimento da crian\u00e7a: em vez de ler para a crian\u00e7a s\u00f3 \u00e0 noite, antes de deitar, \u00e9 importante arranjar tempo para ler em outras alturas do dia \u2013 e, milagre, isso vai fazer tamb\u00e9m com que a crian\u00e7a abrande; transformar a leitura numa atividade interessante para as duas partes \u2013 nem tem de ler sempre livros que deteste, nem a crian\u00e7a tem de gostar das caretas que os pais fazem ao ler e pode interromper a qualquer momento; n\u00e3o fazer da leitura uma obriga\u00e7\u00e3o ou um castigo, mas sim um momento de brincadeira e alegria; ter livros espalhados pela casa, em v\u00e1rios s\u00edtios, que possam a qualquer momento transformar-se num ponto de interesse e num fator de distra\u00e7\u00e3o; ir associando os livros e a leitura independente a um ato de maturidade \u2013 tamb\u00e9m dando o exemplo \u2013 sem provocar uma quebra abrupta na possibilidade de se continuar a fazer a leitura em conjunto.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 quem leia porque aos dez anos teve uma pneumonia e para matar as horas de aborrecimento n\u00e3o lhe ocorreu melhor coisa do que ler Stevenson. At\u00e9 hoje. O curioso \u00e9 que todas as pessoas, sejam ou n\u00e3o leitoras, podem falar da sua genealogia como leitores ou n\u00e3o-leitores, sempre com refer\u00eancia a uma conting\u00eancia ou um mero acaso. Ou seja, o ato de ler n\u00e3o nasceu quase nunca de um ato puro de vontade ou da falta dessa vontade. Foi sempre a resposta a uma situa\u00e7\u00e3o. Conv\u00e9m ent\u00e3o repeti-lo: chega-se \u00e0 leitura gra\u00e7as a um golpe de dados, quer dizer, a encontros e desencontros ocasionais\u201d, explica \u00c1lvaro Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<div id=\"RIL_IMG_3\" class=\"RIL_IMG loaded\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/d33ypg4xwx0n86.cloudfront.net\/direct?url=https%3A%2F%2Fcriancasatortoeadireitos.files.wordpress.com%2F2017%2F07%2Ftruques.jpg&amp;resize=w704\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><\/p>\n<p>E se os pais n\u00e3o s\u00e3o leitores, porque perderam o interesse pelos livros ou porque nunca encontraram esse golpe de dados, podem ser as crian\u00e7as a servir de inspira\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 algumas fam\u00edlias que n\u00e3o sabem mesmo fazer isto, mas podem aproveitar para seguir as crian\u00e7as. Os pais t\u00eam de ter coragem para essa predisposi\u00e7\u00e3o, para aprender isso com os filhos\u201d, diz Mafalda Milh\u00f5es. Uma ideia que \u00c1lvaro Magalh\u00e3es completa: \u201cNo meu livro <em>O Brincador<\/em> h\u00e1 uma ep\u00edgrafe que \u00e9 todo um programa de vida, dois versos de Carlos Queiroz: \u2018Menino que brincas no jardim \/ Tu sim, podias ser um Mestre de mim.\u2019 Eles afirmam a minha f\u00e9 numa intelig\u00eancia infantil ainda n\u00e3o contaminada nem corrompida pelo mundo. Um dia perguntaram a Stanislavsky como se fazia teatro para crian\u00e7as e ele respondeu: \u2018Como se faz teatro para adultos, mas melhor\u2019. \u00c9 o que tento fazer, pois, tal como a concebo, a literatura para os mais novos \u00e9 uma arte maior. Para comunicar com eles \u00e9 preciso elevarmo-nos, e n\u00e3o o contr\u00e1rio \u2013 traduzirmo-nos, imbecilizarmo-nos, infantilizarmo-nos, que \u00e9 o que mais se faz, infelizmente.\u201d<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p><strong>Os livros tamb\u00e9m fazem coisas<\/strong><\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os livros fazem coisas. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 aqueles livros que t\u00eam p\u00e1ssaros que saltam em formato pop up, que emitem sons ou que servem, numa pilha, para levantar o monitor de um computador. Os livros s\u00e3o hist\u00f3rias, e s\u00e3o imagens, e levantam quest\u00f5es que se podem associar depois a outras actividades. \u201cSe a crian\u00e7a gostou muito de um livro sobre animais, se calhar era divertido a seguir irem todos ao Jardim Zool\u00f3gico com o livro\u201d, exemplifica Mafalda Milh\u00f5es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os livros s\u00e3o tamb\u00e9m uma desculpa para ir \u00e0 livraria do bairro, ou para entrar numa biblioteca. H\u00e1 cada vez mais atividades que se podem encontrar em diferentes livrarias: desde oficinas de ilustra\u00e7\u00e3o, como aquelas que acontecem regularmente na <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/livrariaitsabook\/\">It\u2019s a Book<\/a>, em Lisboa, a atividades pelo bairro ou oficinas de leitura entre av\u00f3s e netos, como s\u00e3o comuns na <a href=\"https:\/\/www.orfeunegro.org\/blogs\/baoba-livraria\">Baob\u00e1<\/a>, em Campo de Ourique, passando pela simples possibilidade de andar de baloi\u00e7o ou ouvir uma hist\u00f3ria no grande quintal da Bichinho de Conto. \u00c9 importante que a fam\u00edlia fique atenta \u00e0 agenda das livrarias nas proximidades ou tire um tempo para ir a uma que fique mais distante.<\/p>\n<p><\/p>\n<div id=\"attachment_44312\" class=\"wp-caption aligncenter\"><\/p>\n<div id=\"RIL_IMG_4\" class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/d33ypg4xwx0n86.cloudfront.net\/direct?url=https%3A%2F%2Fcriancasatortoeadireitos.files.wordpress.com%2F2017%2F07%2Flivraria-bichinho-do-conto_1280x720_acf_cropped.jpg&amp;resize=w704\" alt=\"\" \/><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\"><span style=\"font-size: 10pt;\">A Bichinho de Conto, em \u00d3bidos, foi a primeira livraria dedicada apenas ao livro infanto-juvenil em Portugal. \u00a9 Divulga\u00e7\u00e3o<\/span><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\">\u00a0<\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"RIL_IMG hasCaption loaded\">\u00a0<\/div>\n<p><\/div>\n<p><\/p>\n<p>Na Bichinho de Conto, por exemplo, Mafalda Milh\u00f5es sente que muitas vezes o espa\u00e7o se transforma \u201cno quintal da av\u00f3 que muitas crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam isso\u201d. \u201cAs crian\u00e7as v\u00eam aqui para ler, mas tamb\u00e9m para andar de baloi\u00e7o, para brincar com as cabras, e isso tem tudo de literatura, n\u00e3o tem? Isto antes era s\u00f3 uma sensa\u00e7\u00e3o que eu tinha, mas agora j\u00e1 \u00e9 conhecimento t\u00e9cnico ao fim de muitos anos de trabalho: na leitura, o mais importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o. N\u00f3s conhecemos os nossos leitores desde pequenos e agora vejo-os na faculdade e continuamos a fazer parte da vida uns dos outros.\u201d \u00c9 essa a rela\u00e7\u00e3o que se pode criar com um livreiro, que pode ser importante a ajudar na escolha dos livros, e que se pode integrar nesta rela\u00e7\u00e3o que se tem \u2013 ou n\u00e3o \u2013 com os livros.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u201cO PNL e outros programas institucionais da leitura s\u00f3 se preocupam com n\u00fameros e estat\u00edsticas. Do que precisamos \u00e9 de leitores que contagiem leitores e sejam capazes de transmitir a sua paix\u00e3o. Pequenas comunidades, c\u00edrculos de leitura, clubes de leitores \u2013 que est\u00e3o agora mais ativos com as redes sociais \u2013, pessoas que partilhem e propaguem a sua paix\u00e3o e a sua felicidade. S\u00f3 quem verdadeiramente sente esse prazer e essa paix\u00e3o a pode comunicar aos outros\u201d, diz \u00c1lvaro Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Outra coisa que os livros podem fazer \u00e9 transformar-se numa prenda divertida para dar aos amigos que fazem anos, uma prenda que se pode escolher em fam\u00edlia e que depois se pode aproveitar em conjunto com o aniversariante. E podem tamb\u00e9m ser uma cole\u00e7\u00e3o: as crian\u00e7as gostam naturalmente de colecionar, e v\u00e3o adorar ter uma prateleira ou uma estante s\u00f3 delas para irem arrumando os seus livros.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Ler mais\u00a0<a title=\"ler na fonte. abre nova janela\" href=\"http:\/\/observador.pt\/especiais\/e-viveram-com-livros-para-sempre-como-criar-um-leitor\/\" target=\"_blank\">&gt;&gt;<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0por Catarina Homem Marques | Observador\u00a0| julho 2017 \u00a0 De pequenino, torce-se o pepino e tamb\u00e9m se come\u00e7a a gostar de livros. Basta que os pais leiam aos beb\u00e9s \u2013 at\u00e9 receitas \u2013, que a leitura se fa\u00e7a em fam\u00edlia e que todos se deixem levar pelos livros. Nem todas as hist\u00f3rias t\u00eam de ter um final feliz para serem bonitas, nem sequer as hist\u00f3rias que se contam \u00e0s crian\u00e7as, mas o final feliz para os pais que querem que os filhos leiam \u00e9 que eles comecem mesmo a gostar de livros. E isso, j\u00e1 que n\u00e3o \u00e9 uma capacidade que nas\u00e7a com as crian\u00e7as, \u00e9 algo que se pode \u2013 e deve \u2013 trabalhar, como afirmam Pamela Paul e Maria Russo, especialistas em literatura infanto-juvenil do New York Times, num artigo cheio de dicas para as fam\u00edlias. N\u00e3o \u00e9 apenas um capricho \u2013 est\u00e1 mais do que comprovado que os livros contribuem para o desenvolvimento das crian\u00e7as, e que s\u00e3o tamb\u00e9m aliados saud\u00e1veis para a vida adulta. \u00c9 por isso que se contar um conto deve mesmo acrescentar um ponto, e mais um ponto, e mais um ponto, at\u00e9 que a leitura seja um elemento de proximidade familiar, uma atividade enriquecedora para todos e, mais importante, um momento feliz. \u00a0 Os beb\u00e9s dormem, comem, choram\u2026 e gostam de livros H\u00e1 aquela imagem dos filmes em que uma mulher gr\u00e1vida embevecida p\u00f5e os auscultadores em cima da barriga para o filho come\u00e7ar logo a ouvir m\u00fasica. E faz sentido. Os beb\u00e9s reagem a est\u00edmulos sensoriais e esses est\u00edmulos contribuem para o desenvolvimento das suas capacidades. O que significa que \u2013 embora o beb\u00e9 possa n\u00e3o mostrar grande entusiasmo quando est\u00e1 a acontecer \u2013 tamb\u00e9m faz sentido que os pais leiam para os filhos desde as primeiras fraldas. \u201cComo n\u00e3o se nasce leitor, \u00e9 necess\u00e1rio guiar e acompanhar a crian\u00e7a, ao longo do percurso, desde a descoberta do pr\u00e9-leitor at\u00e9 \u00e0 sedimenta\u00e7\u00e3o da leitura. O mergulho progressivo nos livros constituir\u00e1, decerto, um desafio apetec\u00edvel porque as crian\u00e7as s\u00e3o, por natureza, curiosas e a curiosidade \u00e9 motor das aprendizagens ao longo da vida\u201d, explicam os respons\u00e1veis pelo Plano Nacional de Leitura ao Observador. Nesta primeira fase, as boas not\u00edcias \u00e9 que os pais nem sequer t\u00eam de ler hist\u00f3rias com sentido: podem ler o livro que j\u00e1 estavam a ler antes sobre a II Guerra Mundial, um manual de instru\u00e7\u00f5es para alguma m\u00e1quina que estava a dar trabalho ou a receita de um bolo para o jantar. O importante \u00e9 o som da voz dos pais, a cad\u00eancia t\u00edpica da leitura e que as palavras sejam dirigidas para o beb\u00e9. \u201cEm nenhum genoma humano est\u00e1 presente uma inclina\u00e7\u00e3o para os livros. O que se sabe \u00e9 que um leitor \u2013 tal como um escritor, ou um artista em geral \u2013 descobre-se quando acende o seu fogo interior, que a escritor Laura Esqu\u00edvel comparou a uma caixa de f\u00f3sforos imagin\u00e1ria. Segundo ela, cada um de n\u00f3s traz no interior essa caixa de f\u00f3sforos e, para acend\u00ea-los, \u00e9 necess\u00e1rio um prato apetitoso, uma companhia agrad\u00e1vel, uma can\u00e7\u00e3o, uma car\u00edcia, uma palavra. Mas a chispa varia de pessoa para pessoa, e cada um tem de descobrir os seus detonadores\u2026 a tempo, ou a caixa de f\u00f3sforos humedece e nunca poder\u00e1 acender um \u00fanico f\u00f3sforo\u201d, diz \u00c1lvaro Magalh\u00e3es, autor de dezenas de livros para crian\u00e7as que j\u00e1 foi integrado na lista de honra do pr\u00e9mio internacional Hans Christian Andersen. Os outros sentidos tamb\u00e9m podem ajudar nesta detona\u00e7\u00e3o. Mesmo que o beb\u00e9 interrompa a leitura para puxar as p\u00e1ginas ou comece a fazer sons em resposta aos sons que est\u00e1 a ouvir, n\u00e3o faz mal. Este \u00e9 o tipo de leitura em que os pais t\u00eam de estar dispon\u00edveis para a interrup\u00e7\u00e3o. E at\u00e9 h\u00e1 livros cheios de texturas que podem ajudar. Tal como ajuda ter tempo e paci\u00eancia. \u201cO ouro da literatura sempre foi o tempo, e \u00e9 cada vez mais isso. Por isso \u00e9 que a nossa livraria \u00e9 afastada de um local de passagem. Se \u00e9 para virem at\u00e9 aqui, \u00e9 mesmo para escapar \u00e0 rotina. E se h\u00e1 uma obriga\u00e7\u00e3o que os pais t\u00eam, desde que os filhos s\u00e3o muito pequenos, \u00e9 de cuidar da curiosidade dos filhos, e a leitura faz parte disso. S\u00f3 que a leitura n\u00e3o se faz apenas sentado com um livro na m\u00e3o. Tecnicamente, temos de transformar a leitura num jogo que se realiza em diferentes dimens\u00f5es, que \u00e9 um universo comum em que a palavra abre espa\u00e7o para dan\u00e7a, m\u00fasica, movimento e tudo o que quisermos\u201d, explica Mafalda Milh\u00f5es, respons\u00e1vel pela livraria Bichinho de Conto, em \u00d3bidos, a primeira que abriu em Portugal dedicada apenas ao livro infanto-juvenil. \u00a0 A leitura \u00e9 para ocupar a casa toda. E a fam\u00edlia. Para criar um leitor \u00e9 preciso ser um leitor. E isto n\u00e3o implica que o ser\u00e3o da fam\u00edlia tenha de incluir sempre um debate profundo sobre literatura russa ou sobre poesia japonesa do s\u00e9culo XIX. Acontece apenas que, ao partilhar leituras com as crian\u00e7as desde cedo, ao tornar-se uma atividade que se faz em conjunto \u2013 o que acontece naturalmente quando as crian\u00e7as ainda n\u00e3o sabem ler sozinhas \u2013, os livros come\u00e7am a ficar associados \u00e0 voz dos pais e a um sentimento positivo de proximidade. \u00a9 Getty Images\/iStockphoto \u00a0 \u00a0 \u201cInfelizmente, fala-se muito em leitura sem falar em comunica\u00e7\u00e3o. E nisso a fam\u00edlia tem um poder que n\u00e3o tem a escola, \u00e9 a melhor incubadora para um leitor, para abrir horizontes e fazer liga\u00e7\u00f5es\u201d, diz Mafalda Milh\u00f5es. H\u00e1 pequenos truques para ir expandindo esta sensa\u00e7\u00e3o e para a prolongar nas diferentes fases de crescimento da crian\u00e7a: em vez de ler para a crian\u00e7a s\u00f3 \u00e0 noite, antes de deitar, \u00e9 importante arranjar tempo para ler em outras alturas do dia \u2013 e, milagre, isso vai fazer tamb\u00e9m com que a crian\u00e7a abrande; transformar a leitura numa atividade interessante para as duas partes \u2013 nem tem de ler sempre livros que deteste, nem a crian\u00e7a tem de gostar das caretas que os pais fazem ao ler e pode interromper a qualquer momento; n\u00e3o fazer da leitura uma obriga\u00e7\u00e3o ou um castigo, mas sim um momento de brincadeira e alegria; ter livros espalhados pela casa, em v\u00e1rios s\u00edtios, que possam a qualquer momento transformar-se num ponto de interesse e num fator de distra\u00e7\u00e3o; ir associando os livros e a leitura independente a um ato de maturidade \u2013 tamb\u00e9m dando o exemplo \u2013 sem provocar uma quebra abrupta na possibilidade de se continuar a fazer a leitura em conjunto. \u201cH\u00e1 quem leia porque aos dez anos teve uma pneumonia e para matar as horas de aborrecimento n\u00e3o lhe ocorreu melhor coisa do que ler Stevenson. At\u00e9 hoje. O curioso \u00e9 que todas as pessoas, sejam ou n\u00e3o leitoras, podem falar da sua genealogia como leitores ou n\u00e3o-leitores, sempre com refer\u00eancia a uma conting\u00eancia ou um mero acaso. Ou seja, o ato de ler n\u00e3o nasceu quase nunca de um ato puro de vontade ou da falta dessa vontade. Foi sempre a resposta a uma situa\u00e7\u00e3o. Conv\u00e9m ent\u00e3o repeti-lo: chega-se \u00e0 leitura gra\u00e7as a um golpe de dados, quer dizer, a encontros e desencontros ocasionais\u201d, explica \u00c1lvaro Magalh\u00e3es. \u00a0 E se os pais n\u00e3o s\u00e3o leitores, porque perderam o interesse pelos livros ou porque nunca encontraram esse golpe de dados, podem ser as crian\u00e7as a servir de inspira\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 algumas fam\u00edlias que n\u00e3o sabem mesmo fazer isto, mas podem aproveitar para seguir as crian\u00e7as. Os pais t\u00eam de ter coragem para essa predisposi\u00e7\u00e3o, para aprender isso com os filhos\u201d, diz Mafalda Milh\u00f5es. Uma ideia que \u00c1lvaro Magalh\u00e3es completa: \u201cNo meu livro O Brincador h\u00e1 uma ep\u00edgrafe que \u00e9 todo um programa de vida, dois versos de Carlos Queiroz: \u2018Menino que brincas no jardim \/ Tu sim, podias ser um Mestre de mim.\u2019 Eles afirmam a minha f\u00e9 numa intelig\u00eancia infantil ainda n\u00e3o contaminada nem corrompida pelo mundo. Um dia perguntaram a Stanislavsky como se fazia teatro para crian\u00e7as e ele respondeu: \u2018Como se faz teatro para adultos, mas melhor\u2019. \u00c9 o que tento fazer, pois, tal como a concebo, a literatura para os mais novos \u00e9 uma arte maior. Para comunicar com eles \u00e9 preciso elevarmo-nos, e n\u00e3o o contr\u00e1rio \u2013 traduzirmo-nos, imbecilizarmo-nos, infantilizarmo-nos, que \u00e9 o que mais se faz, infelizmente.\u201d \u00a0 Os livros tamb\u00e9m fazem coisas Os livros fazem coisas. E n\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 aqueles livros que t\u00eam p\u00e1ssaros que saltam em formato pop up, que emitem sons ou que servem, numa pilha, para levantar o monitor de um computador. Os livros s\u00e3o hist\u00f3rias, e s\u00e3o imagens, e levantam quest\u00f5es que se podem associar depois a outras actividades. \u201cSe a crian\u00e7a gostou muito de um livro sobre animais, se calhar era divertido a seguir irem todos ao Jardim Zool\u00f3gico com o livro\u201d, exemplifica Mafalda Milh\u00f5es. Al\u00e9m disso, os livros s\u00e3o tamb\u00e9m uma desculpa para ir \u00e0 livraria do bairro, ou para entrar numa biblioteca. H\u00e1 cada vez mais atividades que se podem encontrar em diferentes livrarias: desde oficinas de ilustra\u00e7\u00e3o, como aquelas que acontecem regularmente na It\u2019s a Book, em Lisboa, a atividades pelo bairro ou oficinas de leitura entre av\u00f3s e netos, como s\u00e3o comuns na Baob\u00e1, em Campo de Ourique, passando pela simples possibilidade de andar de baloi\u00e7o ou ouvir uma hist\u00f3ria no grande quintal da Bichinho de Conto. \u00c9 importante que a fam\u00edlia fique atenta \u00e0 agenda das livrarias nas proximidades ou tire um tempo para ir a uma que fique mais distante. A Bichinho de Conto, em \u00d3bidos, foi a primeira livraria dedicada apenas ao livro infanto-juvenil em Portugal. \u00a9 Divulga\u00e7\u00e3o \u00a0 \u00a0 Na Bichinho de Conto, por exemplo, Mafalda Milh\u00f5es sente que muitas vezes o espa\u00e7o se transforma \u201cno quintal da av\u00f3 que muitas crian\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam isso\u201d. \u201cAs crian\u00e7as v\u00eam aqui para ler, mas tamb\u00e9m para andar de baloi\u00e7o, para brincar com as cabras, e isso tem tudo de literatura, n\u00e3o tem? Isto antes era s\u00f3 uma sensa\u00e7\u00e3o que eu tinha, mas agora j\u00e1 \u00e9 conhecimento t\u00e9cnico ao fim de muitos anos de trabalho: na leitura, o mais importante \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o. N\u00f3s conhecemos os nossos leitores desde pequenos e agora vejo-os na faculdade e continuamos a fazer parte da vida uns dos outros.\u201d \u00c9 essa a rela\u00e7\u00e3o que se pode criar com um livreiro, que pode ser importante a ajudar na escolha dos livros, e que se pode integrar nesta rela\u00e7\u00e3o que se tem \u2013 ou n\u00e3o \u2013 com os livros. \u201cO PNL e outros programas institucionais da leitura s\u00f3 se preocupam com n\u00fameros e estat\u00edsticas. Do que precisamos \u00e9 de leitores que contagiem leitores e sejam capazes de transmitir a sua paix\u00e3o. Pequenas comunidades, c\u00edrculos de leitura, clubes de leitores \u2013 que est\u00e3o agora mais ativos com as redes sociais \u2013, pessoas que partilhem e propaguem a sua paix\u00e3o e a sua felicidade. S\u00f3 quem verdadeiramente sente esse prazer e essa paix\u00e3o a pode comunicar aos outros\u201d, diz \u00c1lvaro Magalh\u00e3es. Outra coisa que os livros podem fazer \u00e9 transformar-se numa prenda divertida para dar aos amigos que fazem anos, uma prenda que se pode escolher em fam\u00edlia e que depois se pode aproveitar em conjunto com o aniversariante. E podem tamb\u00e9m ser uma cole\u00e7\u00e3o: as crian\u00e7as gostam naturalmente de colecionar, e v\u00e3o adorar ter uma prateleira ou uma estante s\u00f3 delas para irem arrumando os seus livros. \u00a0 Ler mais\u00a0&gt;&gt;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[157],"tags":[],"class_list":["post-2095796","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-leitura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2095796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2095796"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2095796\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3090056,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2095796\/revisions\/3090056"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2095796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2095796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2095796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}