{"id":1617520,"date":"2014-04-02T07:17:39","date_gmt":"2014-04-02T07:17:39","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/1617520.html"},"modified":"2026-05-13T22:08:45","modified_gmt":"2026-05-13T22:08:45","slug":"mensagem-do-dia-internacional-do-livro-infantil-vem-da-irlanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=1617520","title":{"rendered":"Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil vem da Irlanda"},"content":{"rendered":"<div class=\"saportecontainer saportepreserve\" style=\"float: left;\"><a class=\"saportelink\" href=\"http:\/\/fotos.sapo.pt\/redebibliotecas\/fotos\/?uid=NndYpl5gtIvPSU38VaTU\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border: 0 none;\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/16786028_gYFKS.jpeg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"354\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Os leitores perguntam muitas vezes aos escritores como \u00e9 que escrevem as suas hist\u00f3rias \u2013 de onde v\u00eam as ideias? Da minha imagina\u00e7\u00e3o, responde o escritor. Ah, sim, dizem os leitores. Mas onde fica a imagina\u00e7\u00e3o, de que \u00e9 que ela \u00e9 feita, e ser\u00e1 que todos temos uma? Bem, diz o escritor, fica na minha cabe\u00e7a, claro, e \u00e9 feita de imagens e palavras e mem\u00f3rias e vest\u00edgios de outras hist\u00f3rias e palavras e fragmentos de coisas e melodias e pensamentos e rostos e monstros e formas e palavras e movimentos e palavras e ondas e arabescos e paisagens e palavras e perfumes e sentimentos e cores e ritmos e pequenos cliques e flashes e sabores e explos\u00f5es de energia e enigmas e brisas e palavras. E fica tudo a girar l\u00e1 dentro e a cantar e a parecer um caleidosc\u00f3pio e a flutuar e a pousar e a pensar e a arranhar a cabe\u00e7a. Claro que todos temos uma imagina\u00e7\u00e3o: se assim n\u00e3o fosse, n\u00e3o ser\u00edamos capazes de sonhar. Contudo, nem todas as imagina\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas das mesmas coisas. A imagina\u00e7\u00e3o dos cozinheiros tem sobretudo paladares, e a dos artistas mais cores e formas. Mas a imagina\u00e7\u00e3o dos escritores est\u00e1 cheia de palavras. E nos leitores e ouvintes das hist\u00f3rias, as imagina\u00e7\u00f5es fazem-se com palavras tamb\u00e9m. A imagina\u00e7\u00e3o do escritor trabalha e gira e molda ideias e sons e vozes e personagens e acontecimentos numa hist\u00f3ria, e a hist\u00f3ria \u00e9 apenas feita de palavras, batalh\u00f5es de rabiscos que marcham ao longo das p\u00e1ginas. E depois chega o leitor e os rabiscos ganham vida. Ficam na p\u00e1gina, parecem ainda rabiscos, mas tamb\u00e9m brincam na imagina\u00e7\u00e3o do leitor, e o leitor come\u00e7a igualmente a desenhar e a rodar as palavras de modo a que a hist\u00f3ria se crie agora na sua cabe\u00e7a, tal como tinha acontecido na cabe\u00e7a do escritor. \u00c9 por isso que o leitor \u00e9 t\u00e3o importante para a hist\u00f3ria como o escritor. H\u00e1 apenas um escritor para cada hist\u00f3ria, mas h\u00e1 centenas ou milhares ou mesmo milh\u00f5es de leitores, na pr\u00f3pria l\u00edngua do escritor ou traduzida para muitas l\u00ednguas. Sem o escritor, a hist\u00f3ria nunca teria nascido; mas sem os milhares de leitores em todo o mundo, a hist\u00f3ria n\u00e3o viveria todas as vidas que pode viver. Cada leitor de uma hist\u00f3ria tem alguma coisa em comum com os outros leitores da mesma hist\u00f3ria. Separadamente, mas tamb\u00e9m em conjunto, eles recriam a hist\u00f3ria do escritor com a sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o: um ato ao mesmo tempo privado e p\u00fablico, individual e coletivo, \u00edntimo e internacional. Isto deve ser o aquilo que o ser humano faz melhor.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Continua a ler!<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Siobh\u00e1n Parkinson Autora, editora, tradutora e distinguida com o Laureate na n\u00d3g (Children\u2019s Laureate of Ireland).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Maria Carlos Loureiro<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 Os leitores perguntam muitas vezes aos escritores como \u00e9 que escrevem as suas hist\u00f3rias \u2013 de onde v\u00eam as ideias? Da minha imagina\u00e7\u00e3o, responde o escritor. Ah, sim, dizem os leitores. Mas onde fica a imagina\u00e7\u00e3o, de que \u00e9 que ela \u00e9 feita, e ser\u00e1 que todos temos uma? Bem, diz o escritor, fica na minha cabe\u00e7a, claro, e \u00e9 feita de imagens e palavras e mem\u00f3rias e vest\u00edgios de outras hist\u00f3rias e palavras e fragmentos de coisas e melodias e pensamentos e rostos e monstros e formas e palavras e movimentos e palavras e ondas e arabescos e paisagens e palavras e perfumes e sentimentos e cores e ritmos e pequenos cliques e flashes e sabores e explos\u00f5es de energia e enigmas e brisas e palavras. E fica tudo a girar l\u00e1 dentro e a cantar e a parecer um caleidosc\u00f3pio e a flutuar e a pousar e a pensar e a arranhar a cabe\u00e7a. Claro que todos temos uma imagina\u00e7\u00e3o: se assim n\u00e3o fosse, n\u00e3o ser\u00edamos capazes de sonhar. Contudo, nem todas as imagina\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas das mesmas coisas. A imagina\u00e7\u00e3o dos cozinheiros tem sobretudo paladares, e a dos artistas mais cores e formas. Mas a imagina\u00e7\u00e3o dos escritores est\u00e1 cheia de palavras. E nos leitores e ouvintes das hist\u00f3rias, as imagina\u00e7\u00f5es fazem-se com palavras tamb\u00e9m. A imagina\u00e7\u00e3o do escritor trabalha e gira e molda ideias e sons e vozes e personagens e acontecimentos numa hist\u00f3ria, e a hist\u00f3ria \u00e9 apenas feita de palavras, batalh\u00f5es de rabiscos que marcham ao longo das p\u00e1ginas. E depois chega o leitor e os rabiscos ganham vida. Ficam na p\u00e1gina, parecem ainda rabiscos, mas tamb\u00e9m brincam na imagina\u00e7\u00e3o do leitor, e o leitor come\u00e7a igualmente a desenhar e a rodar as palavras de modo a que a hist\u00f3ria se crie agora na sua cabe\u00e7a, tal como tinha acontecido na cabe\u00e7a do escritor. \u00c9 por isso que o leitor \u00e9 t\u00e3o importante para a hist\u00f3ria como o escritor. H\u00e1 apenas um escritor para cada hist\u00f3ria, mas h\u00e1 centenas ou milhares ou mesmo milh\u00f5es de leitores, na pr\u00f3pria l\u00edngua do escritor ou traduzida para muitas l\u00ednguas. Sem o escritor, a hist\u00f3ria nunca teria nascido; mas sem os milhares de leitores em todo o mundo, a hist\u00f3ria n\u00e3o viveria todas as vidas que pode viver. Cada leitor de uma hist\u00f3ria tem alguma coisa em comum com os outros leitores da mesma hist\u00f3ria. Separadamente, mas tamb\u00e9m em conjunto, eles recriam a hist\u00f3ria do escritor com a sua pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o: um ato ao mesmo tempo privado e p\u00fablico, individual e coletivo, \u00edntimo e internacional. Isto deve ser o aquilo que o ser humano faz melhor. Continua a ler! Siobh\u00e1n Parkinson Autora, editora, tradutora e distinguida com o Laureate na n\u00d3g (Children\u2019s Laureate of Ireland). 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