{"id":1612762,"date":"2014-03-25T10:15:53","date_gmt":"2014-03-25T10:15:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/1612762.html"},"modified":"2026-05-13T22:11:10","modified_gmt":"2026-05-13T22:11:10","slug":"o-25-de-abril-pelos-seus-autores-visita-guiada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=1612762","title":{"rendered":"O 25 de abril pelos seus autores: visita guiada"},"content":{"rendered":"<div class=\"saportecontainer saportepreserve\" style=\"float: left;\"><a class=\"saportelink\" href=\"http:\/\/c10.quickcachr.fotos.sapo.pt\/i\/o4c165371\/16753944_ePwbn.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/16753944_ni56Y.jpeg\" alt=\"\" \/><\/a><a class=\"saportelink\" href=\"http:\/\/c6.quickcachr.fotos.sapo.pt\/i\/obb16f66b\/16753946_SMLuO.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/16753946_B4QSL.jpeg\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<div class=\"saportecontainer saportepreserve\" style=\"float: left;\"><a class=\"saportelink\" href=\"http:\/\/c10.quickcachr.fotos.sapo.pt\/i\/oe615f78a\/16753945_SWHkz.jpeg\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/16753945_bqngG.jpeg\" alt=\"\" \/><\/a><\/div>\n<p><\/p>\n<p><a class=\"saportelink\" href=\"http:\/\/c8.quickcachr.fotos.sapo.pt\/i\/o3f15db99\/16753947_lUII6.jpeg\"><br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/16753947_tgudl.jpeg\" alt=\"\" \/><\/a>\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>Foi no Terreiro do Pa\u00e7o, junto \u00e0 est\u00e1tua equestre do rei Dom Jos\u00e9 I, o ponto encontro da turma H1 do 12.\u00ba ano e de alguns professores da Escola Secund\u00e1ria Leal da C\u00e2mara com os Capit\u00e3es de Abril, Coron\u00e9is Aniceto Afonso, Carlos de Matos Gomes, Rodrigo de Sousa e Castro e Nuno Santa Clara Gomes e a representante da Associa\u00e7\u00e3o 25 de Abril, Mar\u00edlia Afonso. O prop\u00f3sito do encontro era contar a hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril de 1974 realizando, a p\u00e9, o percurso que o Capit\u00e3o Salgueiro Maia e as suas tropas fizeram h\u00e1 quase 40 anos atr\u00e1s, desde o Terreiro do Pa\u00e7o at\u00e9 ao Largo do Carmo, passando pela sede da PIDE\/DGS.<\/p>\n<p><a name=\"cutid1\"><\/a><\/p>\n<div class=\"ljcut\" text=\"Continuar a ler\">Conforme definida por Otelo Saraiva de Carvalho a Opera\u00e7\u00e3o Fim do Regime deveria decorrer por meios inteiramente pac\u00edficos: tiros s\u00f3 em \u00faltimo recurso, \u201cnunca ser\u00edamos n\u00f3s [os militares] a tomar a iniciativa\u201d. Cercado com pe\u00e7as de artilharia e meios de transporte &#8211; dez blindados, doze viaturas de transporte, duas ambul\u00e2ncias e um jipe era a composi\u00e7\u00e3o da coluna militar proveniente da Escola Pr\u00e1tica de Cavalaria de Santar\u00e9m \u2013 as tropas comandadas pelo Capit\u00e3o de Cavalaria Salgueiro Maia ocuparam a Pra\u00e7a do Com\u00e9rcio na manh\u00e3 do dia 25 de Abril. Seguiu-se a esta ocupa\u00e7\u00e3o a do Largo do Carmo, defronte ao quartel do Comando-Geral da GNR, onde o presidente do Conselho, Marcelo Caetano e dois dos seus principais ministros se refugiaram. A rendi\u00e7\u00e3o ocorreu \u00e0s 17 horas. A sede da PIDE\/DGS, situada na Rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso, ao Chiado, s\u00f3 seria tomada 6.\u00aa feira, dia 26 de abril, pelas 9:30 horas. Nessa mesma noite mais de 80 agentes da pol\u00edcia pol\u00edtica s\u00e3o detidos em Caxias enquanto todos os presos pol\u00edticos s\u00e3o libertados. A Opera\u00e7\u00e3o foi bem sucedida n\u00e3o apenas na capital, mas nos diversos pontos do pa\u00eds porque todas as unidades militares aderiram e estavam conectadas e porque a popula\u00e7\u00e3o apoiava a Revolu\u00e7\u00e3o. Habituados \u00e0 inc\u00f3gnita da morte os militares da Revolu\u00e7\u00e3o arriscaram a vida por uma causa: o derrube da ditadura que j\u00e1 durava h\u00e1 meio s\u00e9culo e o fim da guerra colonial. Exemplo disto mesmo \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o vivida por Salgueiro Maia na Pra\u00e7a do Com\u00e9rcio: 29 anos, trajado com farda igual \u00e0 dos homens que comandava, sozinho e com uma granada no bolso (caso fosse preso, far-se-ia explodir), em frente a quatro blindados M47 &#8211; \u201cbisontes\u201d de 47 toneladas cada um com um poder demolidor &#8211; da Cavalaria 7, for\u00e7a afeta ao Regime e que ele, pela via do uso da palavra e do di\u00e1logo, consegue neutralizar. Cumpridos os objetivos da Opera\u00e7\u00e3o, muitos militares, Capit\u00e3es de Abril, como preferem denominar-se, recusam ser tomados como her\u00f3is porque acreditam em causas coletivas e n\u00e3o em homens providenciais. \u201cS\u00f3 fiz o que tinha de ser feito\u201d, disse Salgueiro Maia. Numa \u00e9poca, a nossa, dominada pela ditadura de autopromo\u00e7\u00e3o da imagem, em que se fabricam instantaneamente her\u00f3is, cujo \u00fanico m\u00e9rito \u00e9 aparecer, figuras como as dos Capit\u00e3es de Abril que, agindo em nome de ideais impostos pela pr\u00f3pria consci\u00eancia, ainda que contr\u00e1rios \u00e0s leis dos homens, reduzem estes fen\u00f3menos de superf\u00edcie a simples fantasmas. Riqu\u00edssima em conhecimento e em mensagem, esta li\u00e7\u00e3o sobre o 25 de Abril de 1974 que os Capit\u00e3es Carlos de Matos Gomes e Rodrigo de Sousa e Castro dirigiram, sempre com humor e em di\u00e1logo com os nossos alunos e professores, ficar\u00e1 registada, para sempre, como uma das mais gratas mem\u00f3rias da Escola.<\/div>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: small;\">Liliana Silva<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: small;\">Professora bibliotec\u00e1ria<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: small;\">Escola Secund\u00e1ria Leal da C\u00e2mara<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size: small;\">Sintra<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Foi no Terreiro do Pa\u00e7o, junto \u00e0 est\u00e1tua equestre do rei Dom Jos\u00e9 I, o ponto encontro da turma H1 do 12.\u00ba ano e de alguns professores da Escola Secund\u00e1ria Leal da C\u00e2mara com os Capit\u00e3es de Abril, Coron\u00e9is Aniceto Afonso, Carlos de Matos Gomes, Rodrigo de Sousa e Castro e Nuno Santa Clara Gomes e a representante da Associa\u00e7\u00e3o 25 de Abril, Mar\u00edlia Afonso. O prop\u00f3sito do encontro era contar a hist\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril de 1974 realizando, a p\u00e9, o percurso que o Capit\u00e3o Salgueiro Maia e as suas tropas fizeram h\u00e1 quase 40 anos atr\u00e1s, desde o Terreiro do Pa\u00e7o at\u00e9 ao Largo do Carmo, passando pela sede da PIDE\/DGS. Conforme definida por Otelo Saraiva de Carvalho a Opera\u00e7\u00e3o Fim do Regime deveria decorrer por meios inteiramente pac\u00edficos: tiros s\u00f3 em \u00faltimo recurso, \u201cnunca ser\u00edamos n\u00f3s [os militares] a tomar a iniciativa\u201d. Cercado com pe\u00e7as de artilharia e meios de transporte &#8211; dez blindados, doze viaturas de transporte, duas ambul\u00e2ncias e um jipe era a composi\u00e7\u00e3o da coluna militar proveniente da Escola Pr\u00e1tica de Cavalaria de Santar\u00e9m \u2013 as tropas comandadas pelo Capit\u00e3o de Cavalaria Salgueiro Maia ocuparam a Pra\u00e7a do Com\u00e9rcio na manh\u00e3 do dia 25 de Abril. Seguiu-se a esta ocupa\u00e7\u00e3o a do Largo do Carmo, defronte ao quartel do Comando-Geral da GNR, onde o presidente do Conselho, Marcelo Caetano e dois dos seus principais ministros se refugiaram. A rendi\u00e7\u00e3o ocorreu \u00e0s 17 horas. A sede da PIDE\/DGS, situada na Rua Ant\u00f3nio Maria Cardoso, ao Chiado, s\u00f3 seria tomada 6.\u00aa feira, dia 26 de abril, pelas 9:30 horas. Nessa mesma noite mais de 80 agentes da pol\u00edcia pol\u00edtica s\u00e3o detidos em Caxias enquanto todos os presos pol\u00edticos s\u00e3o libertados. A Opera\u00e7\u00e3o foi bem sucedida n\u00e3o apenas na capital, mas nos diversos pontos do pa\u00eds porque todas as unidades militares aderiram e estavam conectadas e porque a popula\u00e7\u00e3o apoiava a Revolu\u00e7\u00e3o. Habituados \u00e0 inc\u00f3gnita da morte os militares da Revolu\u00e7\u00e3o arriscaram a vida por uma causa: o derrube da ditadura que j\u00e1 durava h\u00e1 meio s\u00e9culo e o fim da guerra colonial. Exemplo disto mesmo \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o vivida por Salgueiro Maia na Pra\u00e7a do Com\u00e9rcio: 29 anos, trajado com farda igual \u00e0 dos homens que comandava, sozinho e com uma granada no bolso (caso fosse preso, far-se-ia explodir), em frente a quatro blindados M47 &#8211; \u201cbisontes\u201d de 47 toneladas cada um com um poder demolidor &#8211; da Cavalaria 7, for\u00e7a afeta ao Regime e que ele, pela via do uso da palavra e do di\u00e1logo, consegue neutralizar. Cumpridos os objetivos da Opera\u00e7\u00e3o, muitos militares, Capit\u00e3es de Abril, como preferem denominar-se, recusam ser tomados como her\u00f3is porque acreditam em causas coletivas e n\u00e3o em homens providenciais. \u201cS\u00f3 fiz o que tinha de ser feito\u201d, disse Salgueiro Maia. Numa \u00e9poca, a nossa, dominada pela ditadura de autopromo\u00e7\u00e3o da imagem, em que se fabricam instantaneamente her\u00f3is, cujo \u00fanico m\u00e9rito \u00e9 aparecer, figuras como as dos Capit\u00e3es de Abril que, agindo em nome de ideais impostos pela pr\u00f3pria consci\u00eancia, ainda que contr\u00e1rios \u00e0s leis dos homens, reduzem estes fen\u00f3menos de superf\u00edcie a simples fantasmas. Riqu\u00edssima em conhecimento e em mensagem, esta li\u00e7\u00e3o sobre o 25 de Abril de 1974 que os Capit\u00e3es Carlos de Matos Gomes e Rodrigo de Sousa e Castro dirigiram, sempre com humor e em di\u00e1logo com os nossos alunos e professores, ficar\u00e1 registada, para sempre, como uma das mais gratas mem\u00f3rias da Escola. Liliana Silva Professora bibliotec\u00e1ria Escola Secund\u00e1ria Leal da C\u00e2mara Sintra<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[123,80,33],"tags":[],"class_list":["post-1612762","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-bibliotecas","category-eventos","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1612762","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1612762"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1612762\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3093389,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1612762\/revisions\/3093389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1612762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1612762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1612762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}