{"id":1594704,"date":"2014-03-06T12:35:30","date_gmt":"2014-03-06T12:35:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/1594704.html"},"modified":"2026-05-13T22:19:42","modified_gmt":"2026-05-13T22:19:42","slug":"o-dia-triunfal-de-fernando-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=1594704","title":{"rendered":"O Dia Triunfal de Fernando Pessoa"},"content":{"rendered":"<p><a class=\"saportelink\" href=\"http:\/\/fotos.sapo.pt\/redebibliotecas\/fotos\/?uid=sPhunqrQPU9VfgJWUgC7\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"border: 0 none;\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/16698564_N32Vg.png\" alt=\"\" width=\"466\" height=\"500\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: large;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: large;\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p><\/p>\n<p><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: medium;\">O c\u00e9lebre Dia Triunfal de Fernando Pessoa (8 de mar\u00e7o) e outros aspetos da obra e vida do autor s\u00e3o abordados, a partir de hoje, na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, \u00a0no col\u00f3quio intitulado, justamente,\u00a0<a href=\"http:\/\/estranharpessoa.com\/seminarios\">O Dia Triunfal de Fernando Pessoa<\/a>.\u00a0<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: medium;\"><br \/>A an\u00e1lise filol\u00f3gica de Ivo de Castro demonstrou que\u00a0<a href=\"http:\/\/estranharpessoa.com\/conferncias-e-participantes\">\u00aba\u00a08 de Mar\u00e7o, que se saiba, Pessoa descansou\u00bb<\/a>\u00a0mas a\u00a0\u00a0<a href=\"http:\/\/arquivopessoa.net\/textos\/3007\">carta de Pessoa a Adolfo Casais Monteiro<\/a>,\u00a0datada de 13 de janeiro de 1935, continua uma carta de instru\u00e7\u00f5es fundamental em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da obra pessoana:<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: medium;\"><br \/>\u00ab(&#8230;) lembrei-me um dia de fazer uma partida ao S\u00e1-Carneiro \u2014 de inventar um poeta buc\u00f3lico, de esp\u00e9cie complicada, e apresentar-lho, j\u00e1 me n\u00e3o lembro como, em qualquer esp\u00e9cie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira \u2014 foi em 8 de Mar\u00e7o de 1914 \u2014 acerquei-me de uma c\u00f3moda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de p\u00e9, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa esp\u00e9cie de \u00eaxtase cuja natureza n\u00e3o conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um t\u00edtulo, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de algu\u00e9m em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensa\u00e7\u00e3o imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, tamb\u00e9m, os seis poemas que constituem a Chuva Obl\u00edqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente&#8230; Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele s\u00f3. Ou, melhor, foi a reac\u00e7\u00e3o de Fernando Pessoa contra a sua inexist\u00eancia como Alberto Caeiro.<\/span><br \/><span style=\"font-family: arial, helvetica, sans-serif; font-size: medium;\">Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir \u2014 instintiva e subconscientemente \u2014 uns disc\u00edpulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura j\u00e1 o via. E, de repente, e em deriva\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indiv\u00edduo. Num jacto, e \u00e0 m\u00e1quina de escrever, sem interrup\u00e7\u00e3o nem emenda, surgiu a Ode Triunfal de \u00c1lvaro de Campos \u2014 a Ode com esse nome e o homem com o nome que tem.\u00bb<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 \u00a0 O c\u00e9lebre Dia Triunfal de Fernando Pessoa (8 de mar\u00e7o) e outros aspetos da obra e vida do autor s\u00e3o abordados, a partir de hoje, na Funda\u00e7\u00e3o Calouste Gulbenkian, \u00a0no col\u00f3quio intitulado, justamente,\u00a0O Dia Triunfal de Fernando Pessoa.\u00a0A an\u00e1lise filol\u00f3gica de Ivo de Castro demonstrou que\u00a0\u00aba\u00a08 de Mar\u00e7o, que se saiba, Pessoa descansou\u00bb\u00a0mas a\u00a0\u00a0carta de Pessoa a Adolfo Casais Monteiro,\u00a0datada de 13 de janeiro de 1935, continua uma carta de instru\u00e7\u00f5es fundamental em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o da obra pessoana:\u00ab(&#8230;) lembrei-me um dia de fazer uma partida ao S\u00e1-Carneiro \u2014 de inventar um poeta buc\u00f3lico, de esp\u00e9cie complicada, e apresentar-lho, j\u00e1 me n\u00e3o lembro como, em qualquer esp\u00e9cie de realidade. Levei uns dias a elaborar o poeta mas nada consegui. Num dia em que finalmente desistira \u2014 foi em 8 de Mar\u00e7o de 1914 \u2014 acerquei-me de uma c\u00f3moda alta, e, tomando um papel, comecei a escrever, de p\u00e9, como escrevo sempre que posso. E escrevi trinta e tantos poemas a fio, numa esp\u00e9cie de \u00eaxtase cuja natureza n\u00e3o conseguirei definir. Foi o dia triunfal da minha vida, e nunca poderei ter outro assim. Abri com um t\u00edtulo, O Guardador de Rebanhos. E o que se seguiu foi o aparecimento de algu\u00e9m em mim, a quem dei desde logo o nome de Alberto Caeiro. Desculpe-me o absurdo da frase: aparecera em mim o meu mestre. Foi essa a sensa\u00e7\u00e3o imediata que tive. E tanto assim que, escritos que foram esses trinta e tantos poemas, imediatamente peguei noutro papel e escrevi, a fio, tamb\u00e9m, os seis poemas que constituem a Chuva Obl\u00edqua, de Fernando Pessoa. Imediatamente e totalmente&#8230; Foi o regresso de Fernando Pessoa Alberto Caeiro a Fernando Pessoa ele s\u00f3. Ou, melhor, foi a reac\u00e7\u00e3o de Fernando Pessoa contra a sua inexist\u00eancia como Alberto Caeiro.Aparecido Alberto Caeiro, tratei logo de lhe descobrir \u2014 instintiva e subconscientemente \u2014 uns disc\u00edpulos. Arranquei do seu falso paganismo o Ricardo Reis latente, descobri-lhe o nome, e ajustei-o a si mesmo, porque nessa altura j\u00e1 o via. E, de repente, e em deriva\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 de Ricardo Reis, surgiu-me impetuosamente um novo indiv\u00edduo. 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