{"id":1187484,"date":"2009-06-22T22:02:00","date_gmt":"2009-06-22T22:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogue.rbe.mec.pt\/1187484.html"},"modified":"2026-05-14T02:09:04","modified_gmt":"2026-05-14T02:09:04","slug":"almanaque-16","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/?p=1187484","title":{"rendered":"Almanaque"},"content":{"rendered":"<div><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/_6MhWd0biE-E\/Sj_7UdyhvOI\/AAAAAAAAAfo\/MtnJbJ3psRY\/s1600-h\/almanaque.jpg\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5350271211351948514\" style=\"margin: 0px 10px 10px 0px; float: left; width: 100px; height: 87px;\" alt=\"\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/almanaque.jpg\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/p>\n<div><strong><\/strong><span style=\"font-size:100%;\"><strong style=\"font-family: arial;\">Ler \u00e9 uma das nossas fun\u00e7\u00f5es vitais<\/strong><br \/><\/span><\/div>\n<div style=\"font-family:arial;\"><span style=\"font-size:100%;\"><strong><\/strong><\/span><\/div>\n<p><span style=\"font-size:100%;\"><strong style=\"font-family: arial;\"><\/strong><strong style=\"font-family: arial;\"><\/strong><strong style=\"font-family: arial;\"><\/strong><strong style=\"font-family: arial;\"><\/strong><\/span><\/p>\n<div style=\"font-family: arial;\"><a href=\"http:\/\/www.presenca.pt\/catalogue.ud121?oid=92727&amp;cat0_oid=-119411&amp;cat1_oid=-119426&amp;from_zone=Listagem+Por+Pesquisa\"><span style=\"font-size:100%;\"><img decoding=\"async\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5350271077921812450\" style=\"margin: 0px 10px 10px 0px; float: left; width: 124px; height: 195px;\" alt=\"\" src=\"https:\/\/projetos.dge.mec.pt\/rbe\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/HistLeitura.jpg\" border=\"0\" \/><\/span><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;font-family:arial;\"><span style=\"font-size:100%;\"><em>\u00abN\u00e3o podemos deixar de ler. Ler, quase tanto como respirar, \u00e9 uma das nossas fun\u00e7\u00f5es vitais<\/em>.\u00bb, diz-nos <a href=\"http:\/\/www.alberto.manguel.com\/\">Alberto Manguel<\/a>.<\/p>\n<p><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size:100%;\"><br \/><\/span>      <\/p>\n<p><span style=\"font-size:100%;\"><em style=\"font-family: arial;\">\u00abOs leitores de livros (\u2026), expandem ou condensam uma fun\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 comum a todos. Ler letras numa p\u00e1gina \u00e9 apenas uma das suas muitas manifesta\u00e7\u00f5es. O astr\u00f3nomo a ler um mapa de estrelas que j\u00e1 n\u00e3o existem; o arquitecto japon\u00eas a ler a terra onde uma casa vai ser constru\u00edda para a proteger de for\u00e7as malignas; o zo\u00f3logo a ler o rasto dos animais na floresta; o jogador de cartas a ler os gestos do seu parceiro antes de arriscar a carta decisiva; o dan\u00e7arino a ler as nota\u00e7\u00f5es do core\u00f3grafo e o p\u00fablico a ler os movimentos do dan\u00e7arino no palco; o tecel\u00e3o a ler o desenho complicado de um tapete a ser tecido; o organista a ler v\u00e1rias pautas de m\u00fasica orquestradas na p\u00e1gina; os pais a lerem no rosto do beb\u00e9 sinais de alegria, medo ou surpresa; o adivinho chin\u00eas a ler as marcas antigas na carapa\u00e7a de uma tartaruga; o amante a ler \u00e0s cegas o corpo da pessoa amada, \u00e0 noite, entre os len\u00e7\u00f3is; o psiquiatra a ajudar os pacientes a lerem os seus pr\u00f3prios sonhos confusos; o pescador havaiano a ler as correntes do oceano, mergulhando a m\u00e3o na \u00e1gua; o lavrador a ler no c\u00e9u o tempo que vai fazer \u2013 todas estas pessoas partilham com o leitor de livros a capacidade de decifrar e traduzir signos. Algumas destas leituras s\u00e3o influenciadas pelo conhecimento de que a coisa lida foi criada para este fim espec\u00edfico por outros seres humanos \u2013 nota\u00e7\u00f5es musicais ou sinais de tr\u00e2nsito, por exemplo \u2013 ou pelos deuses \u2013 a carapa\u00e7a da tartaruga, o c\u00e9u nocturno. Outras s\u00e3o obra do acaso.<\/em><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size:100%;\"><em style=\"font-family: arial;\"><\/em><\/span><span style=\"font-size:100%;\"><span style=\"font-style: italic;\">Por\u00e9m, em todos os casos, \u00e9 o leitor que l\u00ea o sentido; \u00e9 o leitor que reconhece a um objecto, lugar ou acontecimento uma poss\u00edvel legibilidade ou lha concede; \u00e9 o leitor que tem de atribuir significa\u00e7\u00e3o a um sistema de signos e em seguida decifr\u00e1-lo. Todos nos lemos a n\u00f3s pr\u00f3prios e ao mundo \u00e0 nossa volta para vislumbrarmos o que somos e onde estamos. Lemos para compreender ou para come\u00e7ar a compreender. N\u00e3o podemos deixar de ler. Ler, quase <\/span>tanto como respirar, \u00e9 uma das nossas fun\u00e7\u00f5es vitais.<\/span>\u00bb<\/p>\n<p><span style=\"font-size:100%;\"><em style=\"font-family: arial;\"><\/em><\/span><\/div>\n<p><em><\/em><em><\/em><\/p>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div style=\"text-align: right;\"><span style=\"font-size:85%;\">  <span style=\"font-family:arial;\">Manguel, Alberto &#8211; <\/span><\/span><span style=\"font-size:85%;\"><a style=\"font-family: arial;\" href=\"http:\/\/www.presenca.pt\/catalogue.ud121?oid=92727&amp;cat0_oid=-119411&amp;cat1_oid=-119426&amp;from_zone=Listagem+Por+Pesquisa\">Uma hist\u00f3ria da leitura<\/a><span style=\"font-family:arial;\">. Lisboa: Presen\u00e7a, 1998. pp.20-21<\/span><br \/><\/span><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ler \u00e9 uma das nossas fun\u00e7\u00f5es vitais \u00abN\u00e3o podemos deixar de ler. Ler, quase tanto como respirar, \u00e9 uma das nossas fun\u00e7\u00f5es vitais.\u00bb, diz-nos Alberto Manguel. \u00abOs leitores de livros (\u2026), expandem ou condensam uma fun\u00e7\u00e3o que nos \u00e9 comum a todos. Ler letras numa p\u00e1gina \u00e9 apenas uma das suas muitas manifesta\u00e7\u00f5es. O astr\u00f3nomo a ler um mapa de estrelas que j\u00e1 n\u00e3o existem; o arquitecto japon\u00eas a ler a terra onde uma casa vai ser constru\u00edda para a proteger de for\u00e7as malignas; o zo\u00f3logo a ler o rasto dos animais na floresta; o jogador de cartas a ler os gestos do seu parceiro antes de arriscar a carta decisiva; o dan\u00e7arino a ler as nota\u00e7\u00f5es do core\u00f3grafo e o p\u00fablico a ler os movimentos do dan\u00e7arino no palco; o tecel\u00e3o a ler o desenho complicado de um tapete a ser tecido; o organista a ler v\u00e1rias pautas de m\u00fasica orquestradas na p\u00e1gina; os pais a lerem no rosto do beb\u00e9 sinais de alegria, medo ou surpresa; o adivinho chin\u00eas a ler as marcas antigas na carapa\u00e7a de uma tartaruga; o amante a ler \u00e0s cegas o corpo da pessoa amada, \u00e0 noite, entre os len\u00e7\u00f3is; o psiquiatra a ajudar os pacientes a lerem os seus pr\u00f3prios sonhos confusos; o pescador havaiano a ler as correntes do oceano, mergulhando a m\u00e3o na \u00e1gua; o lavrador a ler no c\u00e9u o tempo que vai fazer \u2013 todas estas pessoas partilham com o leitor de livros a capacidade de decifrar e traduzir signos. Algumas destas leituras s\u00e3o influenciadas pelo conhecimento de que a coisa lida foi criada para este fim espec\u00edfico por outros seres humanos \u2013 nota\u00e7\u00f5es musicais ou sinais de tr\u00e2nsito, por exemplo \u2013 ou pelos deuses \u2013 a carapa\u00e7a da tartaruga, o c\u00e9u nocturno. Outras s\u00e3o obra do acaso. Por\u00e9m, em todos os casos, \u00e9 o leitor que l\u00ea o sentido; \u00e9 o leitor que reconhece a um objecto, lugar ou acontecimento uma poss\u00edvel legibilidade ou lha concede; \u00e9 o leitor que tem de atribuir significa\u00e7\u00e3o a um sistema de signos e em seguida decifr\u00e1-lo. Todos nos lemos a n\u00f3s pr\u00f3prios e ao mundo \u00e0 nossa volta para vislumbrarmos o que somos e onde estamos. Lemos para compreender ou para come\u00e7ar a compreender. N\u00e3o podemos deixar de ler. Ler, quase tanto como respirar, \u00e9 uma das nossas fun\u00e7\u00f5es vitais.\u00bb Manguel, Alberto &#8211; Uma hist\u00f3ria da leitura. 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